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Realidade Nua e Crua

Bruna Célia
Sorriso
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Bruna Célia · Goiânia, GO
23/6/2007 · 95 · 5
 

Aula de Fotojornalismo, segunda-feira, às oito horas da manhã. Eu e minha turma da faculdade saímos à procura de um local para tirarmos foto.

Com a ajuda de dois colegas - que também são policiais - chegamos a um assentamento na região nordeste da cidade de Palmas.

A cidade é dividida em norte e sul pela Avenida JK e em leste e oeste pela Avenida Teotônio Segurado. A área mais desenvolvida, a sul, abriga as melhores residências e vários comércios.

Na parte legal - não sei por que utilizam essa designação - da Avenida JK concentra o comércio que movimenta a maior parte do dinheiro da cidade. Várias lojas, bancos e drogarias.

A parte noroeste abriga uma área em expansão. Ainda pouco habitada, dá lugar a um setor chamado Vila União. Sua história é longa e vou deixá-la para outro momento, mas desde já adianto que foi invadida de forma desordenada. Por isso, as ruas têm a numeração confusa e as casas são de arquitetura simples.

A região sul, mais ao sul possível, bem distante do centro, abrange uma região com alta concentração populacional, no entanto, a população mais carente, foi praticamente afastada. Para isso foram criados setores, como Aureny I, II, III... Santa Bárbara, Taquari. Pensou nesse setor, pode imaginar a parcela mais pobre da cidade. E os mais altos índices de criminalidade também.

No fim das contas, chegamos no tal assentamento de que falei no princípio. Lugar pobre, mas não tão miserável quanto outros que vi na minha cidade natal, Goiânia (certa vez fui fotografar um assentamento dos Sem terra. Tristeza pura. Crianças brincando em meio ao esgoto a céu aberto!). Mas as casas que vi eram de madeira (diferente das de lona que já conhecia). Instalações simples. Sem água encanada, sem esgoto, sem rede de energia elétrica.

Uma, duas, três, cinco fotos. E as impressões eram as mesmas. Um povo pobre, mas não triste como eu ficaria se estivesse na mesma situação.

E as crianças? Felizes como eu fiquei quando ganhei minha "boneca de sabão" (aquela que andava e soltava bolhinhas de sabão pela boca). Estavam sorrindo só por que sairiam nas fotos!

Um senhor marcou meu dia. Eu estava perto de um casebre, tirando umas fotos e de repente ele chegou perto de mim e perguntou se estávamos ali para filmar o local. Eu expliquei que éramos da universidade e que éramos alunos. Perguntei se ele queria que eu fosse até sua casa tirar umas fotos. Ele concordou e seguimos até o lugar que ele havia indicado com o dedo.

No caminho comecei a fazer umas perguntas. De onde vinha, ele respondeu Maranhão. E há quanto tempo estava em Palmas. Ele disse ‘faz “umas quatro chuvas”. E essa frase não me saiu mais da cabeça. "Quatro chuvas". Expressão que me fez viajar no tempo, me fez imaginar outra cultura, outro povo tão diferente do que eu me criei. Impressionante.
Na casa desse senhor não havia quase nada. O "banheiro" tinha um vaso sanitário - não sei por que, já que ali não existe água.

Outras senhoras - ali a maioria da população é feminina - me receberam de portas abertas. Sempre receptivas, deixavam que entrássemos em suas "casas" e registrássemos toda a sua pobreza.

Mas as crianças sempre sorrindo...

E Palmas, não tão diferente quanto as outras cidades do Brasil, sempre segregando... os ricos aparecem e os pobres a gente joga nos subúrbios.
Vale lembrar que aqui não se vê criança pedindo dinheiro na rua – salvo raríssimas exceções – e nem mendigo dormindo nas ruas. Só não me pergunte o que o governo faz com eles.

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Helena Aragão
 

Bruna, talvez eles tivessem num dia especial com a presença de vocês. Talvez no dia-a-dia não sejam tão sorridentes assim. Ou não. De qualquer modo, entendo sua expressão de espanto e desalento. Não dá vontade de vez em quando de pedir pro mundo parar e sair?

Achei curioso você contar que tem colegas de faculdade que são policiais, é isso mesmo? Bem que eles podiam escrever pra gente sobre essa rotina tão diferente...

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 19/6/2007 18:08
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Ilhandarilha
 

Legal ler sobre sua experiência e suas impressões sobre o assentamento, Bruna. Mas e as fotos? Vocês não foram lá para fotografar? Coloca elas aqui. Quanto ao final do seu texto ("só não me pergunte o que o governo faz com eles..."), pergunto sim: como policial e estudante de jornalismo vc tem que procurar saber e nos informar aqui. rsrsr. Abraços!

Ilhandarilha · Vitória, ES 19/6/2007 20:15
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Bruna Célia
 

As fotos estão sendo ampliadas. Assim que der eu posto aqui ou abro outra matéria só para mostar! Abraços!

Bruna Célia · Goiânia, GO 20/6/2007 07:49
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joão gondim
 

Seu texto me fez lembrar uma matéria de ferrez, no qual ele narrava uma de suas experiências na favela.
Ele dizia o seguinte: "Somos alegres, porem infelizes."
É a realidade de um povo alegre por natureza e infeliz por sua condição.
Espero as fotos. hehe
abraço

joão gondim · Eunápolis, BA 23/6/2007 20:50
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Pedro Márcio
 

Sabia que você é multiuso, quenemigualzin o veja. hehehe!
Seus textos são ótimos e tuas fotos maravilhosas. Adoro lê-los. Orgulho-me de ti por demais.

Beijões!

Pedro Márcio · Palmas, TO 26/6/2007 00:49
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