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Reinária Rodrigues: uma bailarina no Pantanal

Divulgação
Bailarina Reinária ao centro no Espetáculo "Dança Comigo? " em Aquidauana (2007)
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Gisele Colombo · Campo Grande, MS
26/4/2008 · 188 · 14
 

Dos rincões da planície pantaneira surgem artistas como Reinária Rodrigues, que fazem da dança sua expressão de vida e de seus passos, ensaios para o auto-conhecimento. Prova de que para a arte, apesar da escassez de recursos, é possível florescer talentos anônimos. Resistência daqueles que não abrem mão de seus sonhos e de seguirem a vontade de fazer acontecer. Assim é esta delicada bailarina, que quando veste o figurino da professora, torna-se uma mulher forte em dedicação. Repassa conhecimentos e enriquece a cultura e a dança de Mato Grosso do Sul.

Reinária Rodrigues está nos palcos sul-mato-grossenses desde menina. Corumbá, cidade considerada a capital do Pantanal, foi o cenário onde ela deu seus primeiros saltos e adquiriu o equilíbrio necessário para percorrer as trilhas da arte. Hoje com 25 anos na prática do balé, exercitando os mais diversos estilos, do clássico ao contemporâneo, busca associar a dança à psicologia, caminho que naturalmente a levou a desenvolver esta expressão artística com crianças especiais, na Apae, em Campo Grande e na Pestalozzi, em Aquidauana.

Em comemoração ao dia mundial da dança, festejado em 29 de abril, a bailarina Reinária Rodrigues, que neste ano voltou à sua terra natal, conta sua história de artista do interior, que na dança da existência, ajuda a lapidar novos talentos como a índia Terena Jennyffer Moreira, que pretende acompanhar os movimentos de sua mestre e promete encantar o público com seus passos de dança. Acompanhe a entrevista exclusiva:

1- Como iniciou o seu interesse pela dança?
Reinária Rodrigues – Eu comecei a fazer dança muito cedo, mais ou menos com 7 ou 8 anos e a dança, na verdade, iniciou com uma indicação médica porque eu tinha algumas dificuldades em relação ao sistema respiratório, e na época eu tinha que fazer algum exercício para estar contrabalançando aquela coisa de fase de crescimento. Me sugeriram a dança. O meu interesse pela dança já existia por eu ser menina, novinha, vaidosa, gostar de música... Gostar de coisas que tivessem a ver com sensibilidade. Eu gostava muito de desenhar, pintar, de brincar de bonecas (posicionava-as como se fossem público e me apresentava), então eu achava que isso casava com a minha vontade e de repente, conhecer um mundo diferente, que eu acreditava encontrar na dança. Aí eu fui procurar com o incentivo da minha mãe. Minha mãe na época não tinha condições para pagar minhas aulas integralmente, então eu estudava dança por meio de descontos e quanto mais eu fizesse, quanto mais eu me despontasse, mais eu poderia me manter fazendo. Aí comecei a praticar a dança, gostei muito e naquela época eu comecei a participar de seleções de algumas academias de Corumbá. Nestas avaliações eu sempre estava entre as primeiras colocadas dentro da minha turma. Então, querendo ou não, eu conseguia me sobressair porque era uma coisa que eu gostava de fazer. E aí não parei mais. Fui estudando as diferentes modalidades. Fiz o balé clássico, depois o jazz, a dança contemporânea, o sapateado... Eu mudava os estilos, mas estava sempre dançando.

2- Como surgiu a oportunidade de você se tornar professora de dança?
Reinária Rodrigues – Com 16 anos passei a trabalhar como professora de dança. Eu gostava também muito de crianças e da relação professor-aluno na sala de aula. Porque no balé, como bailarina, você trabalha de uma forma mais pessoal e como professora você enfatiza outras maneiras de lidar com a criança. Além da técnica, você têm um aprendizado mais amplo. Aos poucos fui convidada para trabalhar como auxiliar de professor, dando aula junto com os professores e em alguns momentos eu atuava sozinha. Então quando a diretora da academia me chamou, ela me passou todo o material metodológico para estudar. Comecei a dar aulas no Baby Class e fui me apaixonando por aquilo, pois as crianças têm muito aquela coisa de liberdade, de fazer a hora que quer e quando sente vontade, fazer se elas acham que está legal e interessante. Eu achava isso muito desafiador, porque eu sabia que elas só fariam a aula se eu conseguisse prender a atenção delas. Então este início foi minha primeira experiência em trabalhar como uma profissional.

3- Quais foram as academias pelas quais você passou em Corumbá?
Reinária Rodrigues – No Sonar’t Stúdium e nas academias Dance Center, Dançando Sonar’t, Corpo & Forma e Silvia Baruki.

4- O que é que você faz para conseguir despertar nas pessoas o interesse pela dança?
Reinária Rodrigues – Nessa questão entrelaça-se o meu interesse pela dança com a psicologia, minha segunda profissão. Eu queria compreender o que chamava a atenção das crianças, do ser humano, para gostar de certas atividades que não fossem corriqueiras destas pessoas. O balé sempre foi associado como uma atividade extra ao currículo escolar. Você está estudando, então você sabe que uma hora vai ter que parar o balé e optar por uma profissão que vai te dar dinheiro para o sustento. Eu sempre quis que fosse uma atividade que eu conseguisse me manter por ela, mas a realidade mostrava outra coisa. Eu não poderia viver só pela dança e por eu não ter um curso superior na área, seria muito mais difícil. Essa coisa de querer conhecer o ser humano, que era outra idéia que me interessava, eu busquei associá-la ao trabalho com a dança. E a dança contemporânea me despertou ainda mais para este lado, por trabalhar com a liberdade de expressão. Comecei a trabalhar com movimentos que estão associados ao dia-a-dia das pessoas, à sua vida e à sua personalidade. Isso dava vasão para a decisão do que eu faria para a minha vida, algo que eu também gostasse, mas que não me afastasse da dança. Em Corumbá, não havia muitas opções neste sentido e a psicologia foi a escolha que encontrei, pois o curso já existia na cidade. Continuei a dar minhas aulas de dança trabalhando com o balé clássico para dar uma formação adequada para as crianças. Optei primeiro pelas crianças, depois comecei a dar aulas para os adolescentes. Sempre tentando conciliar a dança com a psicologia.

5- Como era o cenário da dança em Corumbá?
Reinária Rodrigues – Ao meu ver, antigamente era grande a dificuldade que os bailarinos enfrentavam para saírem de lá para se aprimorarem. Hoje isso já não acontece mais. Atualmente são levados para a cidade muito profissionais competentes de outros estados. Na minha época professores de fora também eram levados para Corumbá (restrito apenas à algumas academias), mas não havia muita abertura para se promover um festival na cidade, que conseguisse conquistar o público e mostrar que o balé tem seu valor e seus estilos, além do que apenas se conhecia (cultura local), e que poderia também, ser uma atividade em que as pessoas pudessem sentir prazer em acompanhar mais de perto. Naquela época Corumbá era um centro que dependia muito de Campo Grande. Os grandes eventos relacionados com dança sempre aconteciam na capital. Todos os bailarinos do Estado tinham que estar envolvidos nestes eventos para conseguir aperfeiçoar o trabalho que já existia. Não que os professores não fossem bons, eles queriam se aprimorar para trazer coisas novas para a cidade, pois os bailarinos saíam muito pouco daqui. Hoje está acontecendo o contrário. A cidade recebe muitos profissionais de nível nacional e isto vai conquistando o público da dança e possibilita que outros professores possam mostrar a personalidade do seu trabalho.

6- Então isso significa que os artistas do interior não perdem em qualidade para aqueles dos grandes centros?
Reinária Rodrigues – Os artistas dos grandes centros já praticam a dança há muito tempo. Eles têm uma maneira de ver a dança muito além do que a dança em si. Hoje eles trabalham a dança de diferentes formas, utilizam imagens, objetos e recursos fantásticos. Mas o talento a meu ver está mais envolvido na questão pessoal, o quanto de interesse se tem, para que público se destina, como se leva essa dança para as pessoas compreenderem enfim, como as pessoas conseguem acompanhar essa atividade. Porque a cabeça de um coreógrafo, a idéia de um professor, bailarino ou diretor de grupo é muito além das expectativas daquele que muitas vezes vai ali assistir simplesmente o movimento do corpo. Não é tudo que as pessoas conseguem captar. Acredito que as pessoas precisam entender que existem estilos diferentes. Se elas souberem diferenciar estes estilos, saber identificar as nuances, perceber o que é mais trabalhado, talvez elas tenham mais consciência do que é a dança. Eu gosto da técnica, eu preciso dela e sei que ela é essencial para o meu trabalho. Mas é preciso que o público goste do que está vendo, pois este público pode ser culturalmente trabalhado se ele tiver a sua participação no trabalho também. Para mim o espetáculo não se restringe apenas aos bailarinos, à equipe técnica, ao figurino. Ele tem que envolver o público também. Quero que as pessoas saiam do espetáculo melhores do que quando elas entraram para vê-lo.

7- Quando você resolveu criar o Grupo de Ballet Reinária Rodrigues?
Reinária Rodrigues – Em Corumbá passei por diversas academias e eu já tinha relação com grupos que estavam adiantados, que representavam estas academias. A idéia não era nem montar uma coisa minha, mas conseguir trabalhar sozinha com o balé contemporâneo. Só que o contemporâneo é estilo de dança que tem sua técnica e sua personalidade, mas ela busca outras maneira de você se expressar. Então eu comecei a trabalhar com adolescentes porque percebi que a criança não conseguiria trabalhar com a complexidade que a dança contemporânea exige. Enquanto a criança tem a facilidade de trabalhar com o clássico por ele seguir padrões, ser mais metódico e exigir disciplina para que a criança ultrapasse as etapas, os adolescentes têm uma expressividade mais adulta, uma outra maneira de ver a realidade. Eles têm a espontaneidade e a técnica que facilita o trabalho com o contemporâneo. Eu queria compartilhar com estes alunos as minhas intenções, realizando o que eu pretendia fazer. Então eu comecei a assumir turmas e ter a responsabilidade de levar ao palco espetáculos com minhas produções (coreografias). Para mim já era o Ballet Reinária Rodrigues surgindo.... Quando eu tive que mudar para Aquidauana em 2004, continuei estudando para aprofundar mais meus conhecimentos de dança e quis realizar um projeto que até então não existia naquela cidade. Em Aquidauana eu me deparei com uma sociedade em que a cultura de dança era muito restrita. Dançar para as pessoas era mexer o corpo, elas não conheciam estilos de dança. Foi uma semente que foi plantada muito devagar e com muito cuidado para que a população não confundisse a “Reinária Rodrigues” como mais uma professora que estava dando aulas apenas para atender à um hobby dos alunos. A minha intenção a partir daí, foi dar uma formação para as crianças que procuraram a dança porque queriam fazer e iniciar o aprendizado com técnica clássica. Eu queria que em pouco tempo elas tivessem a capacidade de mostrar no palco a diversidade das danças. E fui conseguindo me destacar, trabalhando com o Baby Class. As crianças fizeram 3 anos de balé, cada ano com uma dificuldade diferente, mas sempre aprimorando o trabalho. E o balé passou a fazer a diferença na vida delas. Elas estavam fazendo movimentos que nunca haviam imaginado serem capazes de fazer. E isso foi muito importante, porque em cidades pequenas, as coisas repercutem muito rápido. Ou as pessoas gostam e falam bem do seu trabalho ou acontece o contrário. O trabalho cresceu e tive muitas emoções nos anos em que apresentamos espetáculos no auditório da Universidade Federal.

8- Para você a falta de recursos financeiros, assim como acontece em nosso Estado, não impedem que sejam apresentados belos espetáculos?
Reinária Rodrigues – Os recursos financeiros são realmente necessários para algumas coisas acontecerem. Se existe um espaço, você se adapta, mas também não faz milagres. Mas eu procuro conquistar o espaço por meio de pequenos gestos. Por exemplo, o meu trabalho com alunos especiais começou nesta filosofia. Para que as pessoas possam perceber que todos são capazes de fazer e que os eventos podem acontecer com poucos recursos. Esses recursos são importantes, mas a gente tem que trabalhar com o que nos é acessível. O talento em si já é a maior parte do espetáculo. Se você consegue lapidá-lo, você já tem uma porcentagem grande do espetáculo em suas mãos. Então o financeiro não é o principal, é necessário, mas existem prioridades quanto ao material a se utilizar. Então tudo depende do objetivo que você quer atingir e o público a quem o espetáculo vai ser destinado (infantil e/ou adulto). Os espetáculos que fiz em Aquidauana, por exemplo, utilizei o único auditório que havia na cidade, que era o da Universidade Federal. Ele não tem a estrutura para um evento que seja de médio ou grande porte. Mas o que eu queria, era criar algo em que fosse possível a adaptação para que o espetáculo acontecesse. Além disso, na cidade não havia uma costureira experiente no ramo de figurinos. Mas a costureira que trabalhei, se disponibilizou de uma forma que ela conseguia enxergar além e aonde ela seria importante no projeto. Eu criava os figurinos, escolhia os tecidos, os aviamentos e passava a idéia para ser concluída. Depois que o figurino nascia, era bordado e escolhia-se os últimos acessórios, finalizando assim os figurinos. Os materiais dificilmente eram encontrados em Aquidauana, então tudo tinha que ser comprado em Campo Grande. Nos 3 anos em que eu trabalhei na cidade, a produção foi feita assim, é claro que a cada ano a intenção era aprimorar mais, ter mais qualidade. Mas eu fui buscando tudo, na medida do possível.

9- Como iniciou o seu trabalho com crianças especiais?
Reinária Rodrigues – A questão da educação especial surgiu na minha vida ainda na época da faculdade. Eu tinha o interesse de conhecer e entender melhor a relação do psicólogo com as pessoas especiais. Eu fiz um estágio na Apae de Corumbá, mas na época a instituição era muito carente de recursos, então minha experiência foi muito pequena lá. Em 2001 fui morar em Campo Grande, continuei dando minhas aulas de dança no Balé Só Dança Auxiliadora e um amigo comentou comigo que na Apae estavam precisando de uma psicóloga e professora de dança. Aí me encaixei no perfil e fui contratada. A partir de então foi possível eu trabalhar a questão interpessoal, emocional e de expressividade com estas crianças. E como cada aluno especial tem um tipo de deficiência, e nas turmas havia essa diversidade, para mim foi um desafio muito grande e uma experiência muito enriquecedora. Eu queria encontrar formas para que eles entendessem meu trabalho e a partir disso, mostrassem um resultado para os pais e para a sociedade. Então parti para conhecer cada ser humano dali, antes das suas deficiências, porque a gente se assusta com algumas delas no sentido de você não saber se ele vai te entender, se você vai conseguir trabalhar, se você vai ter um retorno positivo disso, ou mesmo como você vai conseguir conquistar aquela pessoa. O início foi realmente de conquista, de perceber o que aquelas crianças mais gostavam, como é que eu conseguiria chegar naqueles alunos, de que forma eu conseguiria introduzir a dança na vida deles, sem que eles achassem que aquilo fosse uma “coisa massante,” uma idéia negativa para a vida deles. Ali eu não trabalhava nenhum estilo, mas a dança com o ser humano. Trabalhava o movimento. Até porque a pessoa especial tem pouco conhecimento de si mesma. E esta é a grande dificuldade dela no contato com o público, com o outro. Partindo deste princípio, eu comecei a mostrar e a perceber em mim, que quanto mais eu conhecesse, quanto mais eu me aproximava delas, assim mais eu me descobria. Eu percebia que podia fazer diferente, mais eu queria era tentar coisas novas e que eu também estivesse fazendo parte disso, porque naquele momento eu dançava junto. Então a dança na Educação Especial fugia totalmente da minha linha de raciocínio. Ali eu comecei a perceber que a dança, o movimento, era a coisa mais importante para eu conseguir conquistar e conciliar a psicologia dentro tudo que eu estava fazendo.

10- Das coreografias que você criou, quais são aquelas que você mais gosta?
Reinária Rodrigues – Eu trabalhei com várias coreografias nos mais diversos estilos, mas sempre que a Educação Especial estava envolvida, me emocionava mais, por ser muito difícil trabalhar com estas pessoas e conseguir um bom resultado. Trabalhar com elas sempre foi muito especial porque eu sabia que ou era “oito ou oitenta”, ou a pessoa ia mostrar porque ele gostou e se identificou, ou ela simplesmente ia falar, não vou fazer e eu teria que respeitar. Então eu sempre trabalhei na linha do desafio e da interrogação com a educação especial. Pois eu nunca tinha certeza se todo o trabalho (ensaio) da sala de aula, os alunos levariam para o palco. Eu sempre fiz questão de manter este projeto com a Educação Especial, aliada ao meu trabalho. Nos meus espetáculos eu procuro fazer com que façam parte das coreografias, para que as pessoas conheçam a dança destas pessoas e não somente o balé. Eu sei que todas as modalidades têm a sua importância, mas gostaria que as pessoas percebessem, que todo aquele que gosta de dança e tem vontade de se expressar por meio dela, não precisam ter receio de se desafiar. Sempre acho que as melhores coreografias são as últimas, porque a gente está sempre se aperfeiçoando.

11- O que representou para você encontrar talentos em uma pequena cidade do interior como Aquidauana?
Reinária Rodrigues – A minha primeira intenção era descobrir pessoas. Como eu associei muito a questão do balé com a psicologia, eu queria levar as crianças e os adolescentes a fazer algo diferente. Até porque nesta fase em que você está conquistando, você não pode trabalhar a técnica de uma vez, porque o balé clássico por exemplo, assusta um pouco as crianças. Porque ele exige muito delas, que elas sejam mais organizadas, mais dispostas, que saibam conhecer os próprios limites e que elas consigam se explorar. Então eu comecei a trabalhar o que as crianças gostavam de fazer. Era uma fase de reconhecimento, de conquista entre a professora e os alunos. Depois, com os adolescentes, eu comecei a trabalhar mais a técnica, para que eles conseguissem começar a diferenciar os estilos, da dança comum. Eu queria que percebessem que o balé era uma coisa que iriam se apaixonar ou deixar de fazer. Muitos estavam ali só para experimentar e se identificar com algum estilo, mas a grande maioria demonstrou muito interesse. Eu sempre deixei bem claro, que apesar de suas dúvidas quanto às suas limitações, tudo teria o seu tempo, desde que conseguissem perceber que estavam superando suas próprias expectativas e que os pais também conseguissem perceber que seus filhos estavam melhorando a postura, o movimento, sua maneira de ser, de uma forma diferente. A segurança para dançar, partia daí.

12- E deste meio apareceu uma bailarina Terena no seu balé...
Reinária Rodrigues – A Jennyffer na verdade foi um achado. No terceiro ano de trabalho em Aquidauana, ela me procurou no clube militar em que eu dava as aulas e eu pensava que por ela ser uma adolescente, ser mais alta, ela iria se interessar pelo balé contemporâneo. Mas na verdade, ela queria fazer o balé clássico. Foi quando percebi que ela tinha muita segurança do que ela queria, por ser o balé clássico algo que ela sempre idealizou. Ela me trouxe, não só a vontade de dançar, mas a vontade de ser uma bailarina consciente do trabalho necessário à ser realizado. Percebi que ela tinha facilidade no aprendizado por apresentar sensibilidade, alongamento, postura e além de tudo isso, interesse. Ela tem muita vontade de aprender, de se exercitar como se quisesse “recuperar” o tempo perdido, em que não pôde fazer balé. Era como se ela quisesse resgatar uma época, que se ela tivesse tido oportunidade, teria feito desde cedo. Neste um ano de trabalho, ela se desenvolveu muito. O balé clássico não é uma coisa que se aprende do dia para a noite, e ela não demonstrava cansaço. Ela queria se aprimorar, aprender como fazer melhor os movimentos e sanar suas dúvidas. Tudo isso foi muito interessante, por ela ser uma índia da região, é uma pessoa que conhece a cultura de sua tribo, limitadamente é claro, porque esta cultura acaba se misturando com os costumes da cidade, mas ela de alguma forma me fez lembrar o início do meu trabalho também. Aquele tempo em que eu queria aprender, buscar mais e progredir.

13- E desse encontro pode nascer um projeto que tenha como tema a dança Terena?
Reinária Rodrigues – Penso que sim. O que desperta o interesse é que pela falta de oportunidade, nós acabamos não conhecendo os talentos desta região. Porque a comunidade indígena é um pouco destituída de estímulo à arte e à sensibilidade, à questão do auto-conhecimento, de se explorar para descobrir seus limites e superar suas expectativas. Eles têm a sua cultura e não dão vasão a ela, por não terem a oportunidade de como mostrar, de como levar isso para as pessoas. O diferencial é o fato de que, como no caso da Jennyffer, que se descobriu na dança, isso poderia acontecer com muitas outras indiazinhas. Assim torna-se possível resgatar a cultura local.

14- Para finalizar, o que é a dança para você?
Reinária Rodrigues –A dança é o ser humano que se reconhece por completo.

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Helena Aragão
 

Muito boa a entrevista, Gisele. Muito bom ver o empenho dela em permitir que a dança faça diferença na vida de outras pessoas.
Apesar dos perfis bastante diferentes, me fez lembrar um pouco da bailarina gaúcha que o Adroaldo Bauer apresentou por aqui recentemente.
Aos pouquinhos, vamos conhecendo mais gente que está fazendo trabalhos relevantes de dança pelo Brasil, arte que costuma receber menos atenção do que merece. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 24/4/2008 13:29
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Gisele Colombo
 

Helena, fico muito feliz por vc ter gostado da matéria. A Reinária é uma profissional muito dedicada e que também faz a diferença aqui no meu Estado. Ela merece ser reconhecida pelo seu trabalho significativo. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 24/4/2008 14:15
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Andre Pessego
 

Gisele
Legal. Gostei.
Tu sabes que a primeira peça de Teatro Brasileiro, (nem tanto que a escrita era de estrangeiro), mas o enredo e os adereços sim, foi encenada no Mato Grosso, acho que em Cuiabá, antiga Vila. Há quem diga que foi em Campo Grande.
O primeiro ator brasileiro, reconhecido e (hoje desconhecido foi
um negro Vitoriano (acho que sim). Tenho procurado algo e não tenho encontrado. Ver se acha e nos conta.
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 25/4/2008 09:02
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Gisele Colombo
 

Valeu André! Pode deixar que vou pesquisar para vc! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 25/4/2008 14:16
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 Amigos do MIS - MS
 

Oi Gisele !!!

Bjs e Bjs

Amigos do MIS - MS · Campo Grande, MS 25/4/2008 17:36
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acgt
 

Gostamos !!!

Bem Legal !!!!

Bjs

acgt · Campo Grande, MS 25/4/2008 17:38
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Gisele Colombo
 

Obrigada pelo voto e presença amigos da cultura sul-mato-grossense

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 25/4/2008 17:45
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Juliaura
 

A dança é o ser humano que se reconhece por completo.

Bravo!

Juliaura · Porto Alegre, RS 26/4/2008 17:53
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Rangel Castilho
 

Salve, Gisele!!!!

Obrigado pelo registro de nossa cultura e resgate de personagem tão bonito!!!!

Salve, Reinária!!!!!!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 26/4/2008 20:38
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Nadir Vilela Poetisa
 

Votadissimo!!! parabéns pelo lindo trabalho...

beijos no core...

Nadir Vilela Poetisa · Itatiaia, RJ 27/4/2008 21:25
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Gisele Colombo
 

Juliaura e Nadir, muito obrigada pelos votos. Rangel, é um prazer para mim registrar os talentos ainda desconhecidos do nosso MS. E concordo com você que a Reinária faz um belo trabalho! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 28/4/2008 14:25
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Daltro Júnior
 

lEGAL TER TE CONHECIDO GISELE NO FESTIVAL,BEIJOS E MUITO SUCESSO!!!!!!

Daltro Júnior · Corumbá, MS 9/5/2008 09:43
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Gisele Colombo
 

Daltro, também adorei te conhecer! Já estou escrevendo sua matéria e logo, logo vou publicá-la aqui. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 9/5/2008 11:24
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Defletas
 

[b]Haverá Banca de Capacitação Profissional (IN nº 004/99) em Cuiabá/MT no dia 13 de julho de 2008.

Seja Profissional de fato e de direito tenha DRT!

Banca de Capacitação Profissional para o Candidato em se Habilitar (DRT) ao Exercício Profissional na Categoria Regulamentada pela Lei Federal nº 6.533/78 e Decreto nº 82.385/78, que abrangem os Trabalhadores nas seguintes áreas:
I – Artes Cênicas (Circo, Teatro, Dança, Moda, Opera, Produção e Shows de Variedades...);
II – Cinema;
III – Fotonovela;
IV – Radiodifusão.

Contato SATED/MT:
(65) 3321-8095 / 8415-3992 / 9212-7575
E/mail: satedmt@hotmail.com

Sede: Rua Sete de Setembro (próximo ao MISC e ao IPHAN), nº 427, Centro (Histórico), Cuiabá/MT

Saudações culturais;

Nestor Defletas
Pres. do SATED/MT

Defletas · Cuiabá, MT 22/6/2008 14:57
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Reinária Rodrigues apresentando seu grupo de balé zoom
Reinária Rodrigues apresentando seu grupo de balé
Dançando sapateado zoom
Dançando sapateado
No espetáculo zoom
No espetáculo "Vem dançar Comigo? "
Reinária Rodrigues e a bailarina índia Terena Jennyffer Moreira zoom
Reinária Rodrigues e a bailarina índia Terena Jennyffer Moreira
Jennyffer Moreira na escola da Aldeinha em Anastácio zoom
Jennyffer Moreira na escola da Aldeinha em Anastácio

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