Releitura com cheiro de tinta fresca

Leonid Streliaev - Governo do Rio Grande do Sul - Centenário de Erico - 2005
Erico Verissimo em sua biblioteca
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Cida Almeida · Goiânia, GO
1/6/2007 · 175 · 28
 



Com as cores da alma


Os melhores escritores que li na vida eram os que sabiam pintar com as palavras. Melhor: sabiam pintar e bordar com as palavras. Tinham na paleta mágica das palavras as cores da alma e o poder do encantamento da agulha – a nos cutucar e remendar por dentro.

Escritores de palavras... Passei por tantos... Escritores de imagens... Esses moram na minha alma, com seus quadros humanos sempre me cutucando no vai-e-vem do range rede, emoções e pensamentos. Como esquecer Ana Terra, Bibiana, Capitão Rodrigo, Clarissa, Vasco e o menino paralítico?

Impossível rebobinar a fita e apagar a voz profunda de Riobaldo - humanamente impossível. E... Nonada ecoa como o estampido de um tiro no sertão errante da minha alma. Mergulho no fundo do poço; escavo o barro com as unhas e mesmo assim a voz, as neblinas e uma saudade sem remédio de Diadorim... Riobaldo habita minha varanda lírica...

Atravesso insônias, visito cárceres, escrevo carta e a pintura em branco e preto de Vidas Secas desenhou dentro de mim uma paisagem retirante e esquálida, gracilianamente uma rachadura exposta... E vejo o homem, a mulher, o menino mais novo, o menino mais velho, a cachorra... Baleia! E um soldado amarelo. Memorável ter caminhado de pés descalços pela secura silenciosa da paisagem humana de Graciliano Ramos, também inesquecível (obras completas na minha estante)!

Às cinco da tarde, mesmo quando não penso, penso em Drummond. Desfio um colar de rezas, salmodrummondiando o anjo torto que mora comigo, na cidadezinha qualquer por onde vagueio e vou devagar... Com a obstinação das duas mãos e o sentimento do mundo... Toco seus seres? Não. Eles me tocam, como uma legião de anjos de mil faces, e me ensinam a conviver com a pedra no meio do caminho. E me comovo e me esqueço a contemplar e a sentir a mão que toca os meus ombros e ela não pesa mais que a mão de uma criança. E essa vontade de escrever, que me paralisa o trabalho, não vem de Itabira, mas tem tudo a ver com Drummond...

Abro a mão e salta uma estrela, depois uma rosa... Eis Bandeira pintando, pintando... Enquanto contemplo o que ele pintou, sinto o cheiro da tinta fresca de suas palavras me mandando ouvir um tango argentino... E me ensinando a amar Mário de Andrade, na pintura, com aqueles “docemente dos nanquins mais melancólicos”. Irremediável, vou recitando o que me possui a alma...

E pintam tão bem os bruxos! Machado e Baudelaire. Só para citar dois e nem visito as pessoas de Pessoa, um caso à parte, e os outros mágicos de além mar. E o quadro Capitu, oblíquo e dissimulado, como a fruta dentro da casca, me propondo enigmas. Cada vez que leio, um calafrio. E Bentinho saiu do teatro antes do fim de Otelo... Freud desconstruindo e Machado construindo, num tabuleiro de difícil xeque-mate. E ao vencedor, as batatas!

Baudelaire me chama à sua barraca, onde minuto antes entrara um pícaro. Prometia malabarismos de pequenos poemas em prosa e eu que já tinha passado pelas flores do mal... E pelas flores das flores do mal... Entro de mala e cuia. E me engano. E me encharco de umas tintas inimagináveis, só sentindo, sentindo. Eles me assaltam. Saio transmudada e nada será como antes. E ainda na borda da mesma lona vem a moça Isabel Câmara cantarolando: “Ninguém me ama/Ninguém me quer/Ninguém me chama/De Baudelaire”.

E os prazeres tortos das palavras sensíveis, nervo de dente de siso exposto ao gelo e ao vento na pintura movediça de Clarice. Ela entrou. Eles entraram. Deixei que se acomodassem no incômodo que me causaram. Depois tranquei a porta e engoli a chave. Vez em quando, sorrateiramente, rasgo o ventre, retiro a chave, abro a porta e convivo grávida de falas.

Pinturas hão passando dentro de mim, riachinhos espelhados, brilhantes seixos deslizam no cristal fininho de maio. E me toca tanto a pintura íntima e delicada da borboleta pousada Adélia Prado, o universo do seu quintal. Aquelas palavras de vizinhas saltando o muro, as memórias das pequenas epifanias, migalhas nobres do pão sagrado da poesia na mesa posta dos nossos dias. E salve Adélia, a formiguinha-lava-pé pintando essas dores de saudade da minha mãe. Pintando, plantando uns canteirinhos fecundos de poesia e aromas raros.

Os pesados portões do paraíso não escondem o que o ácido Caio Fernando tatuou na camada mais profunda da minha pele... Ouço uns blues, sigo anjos decaídos por labirínticos corredores e esconderijos. E o dragão me queima como uma carta nas mãos que eu desejasse muito ter escrito, que eu precisasse muito ter escrito, mas engoli as palavras certas e as palavras erradas. E ela me traduz num ponto enigmático que me escapa sempre entre o umbigo e a rua de dentro... E eu rezo para que seja doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, sete vezes, o mantra do dragão Caio F. Anjos de porre vagam pelas luzes da cidade que não iluminam e acedem a noite pintada nos meus corredores, que cheiram a éter e morte. Além do muro, Caio é um grafito na linha do meio que me divide em partes desiguais... Vou pra rua, vou pra vida... Vôo.

E tem Elisa, que ouvi cantar, que vi desnudar a poesia em gestos de atriz. Essa foi pintando e bordando em mim, do começo ao fim, jogando pro céu uma chuva prateada de palavras de tintas fortes... Amor, rotina, separação, saudade, legumes na geladeira, lua menina que menstrua ao léu das ruas, e a escrava-poesia muito mais nua sai para passear... E me leva junto na pincelada...

Ah, esses pintores e suas palavras-tintas mágicas! Tintas que têm as cores da alma. E a primeira pintura de palavras a gente nunca esquece. Assim, nunca esqueci Erico Verissimo (obras completas na estante para deleite meu!). Segui todos os quadros de Clarissa. Guardo como um tesouro (sem necessidade de releitura) a menina e sua cabeleira no balanço dos galhos do pessegueiro e o olhar de Amaro ainda me perturba dentro do quadro... O grito esganiçado, aquele passo em falso na escada, o papagaio, o segredo: Clarissaaa! E nunca deixei de seguir a menina: música ao longe, um lugar ao sol, imagens. Impossível esquecer o quadro: o minuano, Vasco na janela, o pátio, um cachorro seguindo uma fresta de sol. E o pintor que me seduziu assim com suas cores fundou continentes na minha alma ávida de povoamento. E vieram as cores de Ana Terra, Capitão Rodrigo, Bibiana...

Aí me vem um pensamento: se eu fosse escritor... Ah, se eu fosse escritor desejaria ser um pintor desses abusados. Dispensaria os pincéis, a química das tintas, o linho das telas, as estáticas molduras... Se eu fosse escritor cultivaria em mim o mais inventivo dos pintores. Ao invés de tintas, pintaria com palavras. Desejaria uma paleta com as cores da alma de Erico (e teria palavras-cores de ventania e de tempo), de Jorge (Palavras-cores de mar da Bahia, café, cacau, dendê, pimenta, cravo e canela), de Adélia (Palavras-cores de quintal, asas de borboleta, rezas salpicadas na cozinha), de Graciliano (Palavras-cores de terra seca, cacto, sol), de Guimarães (Palavras-cores de veredas, de sertão em toda parte, de travessia, de neblina, de buritizal, de olhos de Diadorim, de voz de Riobaldo, de demônio no oco do homem), de Bandeira (Palavras-cores de rosas e estrelas), de Drummond (Palavras-cores de mina e de Minas, sentimento do mundo, anjo torto e pedra, sempre pedra), de Machado e Baudelaire (Palavras-cores de tudo, de personagem, de cena, de olhar demolidor), de Clarice (Palavras-cores de avidez, de medo, de real moído, de prazeres que nunca terão nome); de Caio (Palavras-cores de ácido, de anjos tresloucados, de porres, de orgasmos, de duplos, de sentidos indistintos), de Elisa (Palavras-cores de incêndio, de palco, de luzes, de vida).

Ele chegou agora, do fundo mais fundo... De José Mauro de Vasconcelos não esqueceria jamais as palavras-tintas mágicas que me deram a chave do mundão de dentro, um coração de vidro multicolorido – que eu enchi de lágrimas preciosas; tintas que me arderam os olhos – e uma canoa encantada, de nome Rosinha... Até hoje ela me navega no fundo da pintura... Minha rosa, minha flor, minha nega, meu amor... Eu me confessaria frei abóbora. Ah, e tem Maria (José Dupré)... Éramos seis, retrato familiar, e até hoje a solidão de dona Lola me incomoda tanto... E na pintura: telhado cor de cinza solidão.

Se eu fosse... Se eu fosse... Queria muito um pouco de tudo isso, um pouco do segredo da magia de cada um deles, pouquinho mesmo que fosse. E faria do meu jeito palavras-cores só minhas e pintaria hoje um pintor com a febre do mundo, com a febre de Deus, mas que só tivesse palavras e páginas em branco... E a doce tortura das cores da alma.


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Tacilda Aquino
 

Sempre gostei de ler porque a leitura me permitia criar as minhas imagens, visualizar os personagens como se fossem quadros, ou fotogramas de uma cena de cinema. Ler o seu texto me fez reviver tudo isso. E pude perceber que nossas leituras passadas coincidem. Senti saudades de Bibiana de “;um”; certo Capitão Rodrigo; de Dona Lola , do Frei Abóbora e sua “;Zefineta B”;. Lê lembrei de minha angustia de ver Bentinho saindo do teatro antes do fim de Otelo e, por isso mesmo acreditando que Capitu o traiu.Que saudade de ler Caio Fernando, antes e depois de Ana Blues, de ver Elisa nos palcos recitando poesia ou falando “;bem”; da rotina cotidiana.

Gostei imensamente do seu texto. Lendo, fico sempre imaginando que um texto pode dar um bom filme e você, amante da fotografia e das artes plásticas, imagina uma pintura.
E, com seu texto, você nos transporta para uma tela onde se percebe todas as cores de sua alma de poeta. Me faz lembrar de Lílian Hellman , na pela de Jane Fonda, explicando, no filme Julia, o significado da palavra Pentimento. “;À medida que o tempo passa a velha tinta em uma tela, muitas vezes se torna transparente. E quando isso acontece, é possível ver, em alguns quadros, as linhas originais: através de um vestido de mulher, surge uma árvore; uma criança dá lugar a um cachorro e um grande barco não está mais em mar aberto. Isso se chama Pentimento, porque o pintor se arrependeu,mudou de idéia. Talvez se pudesse dizer que a antiga concepção, substituída por uma imagem anterior, é uma forma de ver e ver de novo, mais tarde”;
Esse Pentimento tem tudo a ver com sua releitura de grandes livros nacionais, que realmente exigem releituras e descobertas. Esse pentimento, traduzido em seu texto por sentimento, refaz “;os prazeres tortos das palavras sensíveis”;
Sua escrita tem, não um pouco, mas muito da magia de cada um deles, afinal, Drummond foi sábio em Resíduo, garantindo que “;de tudo fica um pouco”;. E você pinta com maestria palavras-cores que refletem todas as dores e as cores de sua alma. E a gente que lê, só tem de dizer: OBRIGADA.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 29/5/2007 21:57
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Ilhandarilha
 

Cida, seu texto é impecável, lindo, tocante. Fico na dúvida se o lugar dele é o overblog: mais que um texto sobre a litratura e os escritores, seu texto é uma criação literária. Você também sabe pintar e bordar com as palavras.

Ilhandarilha · Vitória, ES 30/5/2007 20:43
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Egeu Laus
 

Beleza de texto, Cida!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 1/6/2007 10:30
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Adroaldo Bauer
 

Cida,
Com certeza pintas.
Inda mais, crias, inventas e reinventas novas e antigas tintas.
No entanto, lamento, sinto, uma notícia extraordinária tenho a dar-te.
Jamais serás, sequer em pensamento: escritor.
Escritora é que sois.
O sol entre os dedos os olhos rebrilhando o luar.
Se aprende tanto a cada postado teu que se quer um a cada nova manhã, ou ainda pela madrugada, antes do sabiá acordar o galo.
Gostei muito, muito, muito e mais ainda gostei.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 1/6/2007 14:33
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Juliaura
 

Belíssimo!

Juliaura · Porto Alegre, RS 1/6/2007 14:34
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FILIPE MAMEDE
 

Gostoso de ler... uma passeio pela literatura. Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 1/6/2007 14:49
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Tacilda Aquino
 

Amigo Adroaldo, você não deixa de ter razão quando diz que Cida Almeida é ESCRITORA. Mas vale lembrar que literatura não tem sexo. Adélia Prado e Elisa Lucinda gostam de ser chamadas de poetas. E o grande Flaubert já dizia: "Ema sou eu".

Abraços.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 1/6/2007 14:57
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Adroaldo Bauer
 

Poeta, amiga Tacilda, é um vocábulo comum de dois.
Não neguei à linda escrita de Cida a condição de texto.
A homenagem nem é à mulher, por uma questão de gênero, que também por ela é mere_Cida, com certeza absoluta 9se isso há em algo).
É à palavra escritora, que existe, é bela é não deixa também de ser feminina.
Não quero fazer daqui a tribuna do que penso s sobre a necessidade de uma escrita não sexista. Já fiz na novela que acabo de publicar.
Se assim o quiseres, no entanto, posso concordar que Cida Almeida tem o gênio escritor de quem a beleza pela escrita pinta.
Beijo no coração.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 1/6/2007 15:09
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Tacilda Aquino
 

HEHEHEHEHEHE!!!!

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 1/6/2007 19:48
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Roberta Tum
 

Cidinha, você arrasa. Adorei fazer esta viagem com você pelos cenários traçados nas mais saborosas fontes da nossa literatura. Vou guardar pra reler com carinho.
Abraço!

Roberta Tum · Palmas, TO 1/6/2007 20:36
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Saramar
 

Cida, concordo com Ilhadarilha.
Uma beleza dessa, essa memórias, essas vidas que você viveu com os personagens devem estar entre os grandes textos literários.
Para mim, você é uma das mais iluminadas bordadeiras de palavras.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 1/6/2007 22:07
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brigitte
 

Fantástico. Adorável!

brigitte · Goiânia, GO 2/6/2007 21:58
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Rafael Costa
 

érico veríssimo é um dos escritores mais mediocres que eu já li. não há nada de interessante ali. seus personagens são mal elaborados, broxantemente sem cor.

se fizermos uma "releitura" de Erico Verissimo, chegaremos a conclusao de que ele é um escritor mediano. por isso, a melhor homenagem que podemos prestar a ele é esquecê-lo.

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 3/6/2007 10:16
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Juliaura
 

Eu gostei muito de incidente em Antares. Tem ali um coronel, o Campo Largo, que toma café numa cadeira-latrina no meio da sala de visitas, lendo o Róseo, que é como se chamava o Correio do Povo, porque impresso em papel rosa nos primeiros anos de existência.
Come, lê e defeca.
Apenas nessa cena criada sem addjetivos, em pelna ditadura militar, nos diz mais que Rafael tentou dizer com seus adjetivos vários em menos de cinco linhas de comento.

"...mais mediocres
nada de interessante
mal elaborados,
broxantemente
sem cor.
"releitura"
escritor mediano.
melhor homenagem... é esquecê-lo."


Fico me perguntando quem será escritor do agrado de Rafael.
Diz aí pra nós, guri, quem é escritor bom pra ti?

Juliaura · Porto Alegre, RS 3/6/2007 12:08
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Rafael Costa
 

juliaura,
érico veríssimo é coleçãovagalume. não vale o esforço de um comentário.

guri, quem é escritor bom pra ti?
putz, pra começar (e ficar só nos 'ficcionistas' do brasil): guimarães, clarice, nassar, graciliano, etc etc, etc.

ps: não quero com esse coment fazer nenhuma comparação entre o gaucho-picareta e o resto do povo que eu citei.

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 3/6/2007 16:59
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Tacilda Aquino
 

Rafael, juro que achei que vc ia dizer que seu escritor predileto era Paulo Coelho. Hehehehe.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 3/6/2007 18:03
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Tacilda Aquino
 

Brincadeira Rafael. Não quero ofender, juro. Mas acho que está enganado quanto a Érico Veríssimo. A trilogia O Tempo e o Vento é considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do Brasil. O livro Música ao longe é uma história é escrita com simplicidade de linguagem e de construção e ocupa um lugar definitivo na literatura brasileira . É uma dessas obras inteiramente realizadas, que tanto são lidas pelo seu valor intrínseco como pelo justo renome que possuem. Música ao longe –; o meu predileto de Veríssimo, junto com O Tempo e o Vento- narra a decadência lenta e definitiva do
antigo patriarcado social rio-grandense através de Clarissa, que vê as pessoas morrendo e o casarão passando de mão em mão. Ela teme a velhice, quer segurar a juventude, mas descobre que nada é definitivo. Bom deixa para lá... Quem sabe um dia você resolva reler a obra desse gaúcho genial e o “;descubra”; realmente. E novamente peço desculpas pela brincadeira.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 3/6/2007 18:27
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Juliaura
 

Então, tá!
Se chover à tarde nos encontramos pela manhã.

Juliaura · Porto Alegre, RS 3/6/2007 21:07
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Guilherme Mattoso
 

ótimo texto cida!

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 4/6/2007 09:42
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Cida Almeida
 

Parece que o tempo andou esquentando por aqui. Dizem que a palavra é metade de quem escreve e metade de quem lê (é aqui que o leque da interpretação se abre em tantas e variadas possibilidades ou impossibilidades), caro Rafael. Da minha parte, reafirmo, o Erico foi e é o "cara". E eu nem preciso fazer a defesa dele, pois a sua obra está aí a inspirar e encantar gerações. E no meu projeto de releitura de Erico, o que mais tem me encantado é justamente o revisionismo do autor sobre a sua obra. Estão lá os prefácios das reedições. No início da minha caminhada com Erico li os seus primeiros contos e lá estava o autor de próprio punho rabiscando as bordas do livro com as suas observações autocríticas. Precioso: dois livros, os contos e as anotações do autor. Depois vieram os Solos, o Senhor Embaixador...

Estou lendo o mais recente livro do Moacyr Scliar, uma autobiografia enviesada pelo texto, pelo processo de criação, em que fala das suas influências literárias, das leituras que o encantaram (O Texto, Ou: A Vida). Menino, não é que o Erico está lá na memória afetiva e literária de Scliar, com As Aventuras de Tibicuera, Olhai os Lírios do Campo (este livro influenciando até mesmo o médico Moacyr Scliar no início da carreira)...

E num País como o nosso, em que a leitura (infelizmente) parece ser artigo de luxo (não só porque o livro é caro, mas por todos aqueles problemas relativos ao nosso processo educacional e cultural), é um alento saber que alguns escritores conseguiram viver de literatura: Erico Verissimo, Jorge Amado e José Mauro de Vasconcelos. Agora, fica difícil explicar como um autor “mediano” conseguiria isso? E mais do que isso, entrar assim no imaginário das pessoas...

Penso que polêmica é sempre bom, reaviva desejos (o meu é o da releitura de toda a obra do Erico), esquenta o debate, quebra a monotonia. Talvez o seu comentário funcione como uma pitada a mais de pimenta para aguçar a sede das pessoas que passarem por aqui em relação à obra de Erico Verissimo. E isso já terá valido o meu texto.

Abraço.

Cida Almeida · Goiânia, GO 4/6/2007 10:57
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Adroaldo Bauer
 

Cida,
A tua generosidade com os comentários a teu postado o tornam ainda mais necessário. E dizem da boa alma que és.
Teu espírito crítico inflamado pelas leituras e re-leituras dizem pacientemente da importãncia de escritores nossos que atravessam o tempo e seus leitores, também os teus, dão provas de que escrever vale o prazer e a estrada de fazê-lo.
Não vi muito debate desde a outra parte que negou isso; no entanto, li chulices desatadas em gesto miúdo, mal-escrito e - penso - desnecessário, embora cada um carregue seu cada qual, faça-lhe bem ou mal.
Parodiando uma overmana, sou uma pessoa agrade_Cida não apenas pelo postado, mas pelo teu gesto de humildade que ensina, de voltar aqui a nos dizer mais, de modo a acrescentar mais qualidade ainda ao que já antes era muito bom.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/6/2007 12:24
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Rafael Costa
 

Tacilda,

O P. Coelho de hoje é o Érico Veríssimo de amanhã. Espera ele morrer, que alguém vai aparacer pra "reler" a obra dele e achar tudo lindo.

Da trilogia, eu li A. Terra e um certo capitao rodrigo. são lamentáveis esses livrinhos. Ontem fucei nas minhas coisas e peguei o cap. rodrigo. Bastou dois segundos e uma rápida foleada achei comparações pobres do tipo "o peito do padre lara parecia que tinha um gato dentro. fazia ron ron" [deos q coisa não]

e se o rio grande do sul não tem nenhum grande autor, tem nomes bons como scliar, quintana, carpinejar.

Cida,
o fato de um escritor viver de literatura não impede que ele seja mediano.

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 4/6/2007 21:06
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Juliaura
 

Um marciano encontrou-me numa dessa curvas da galáxia, após ter passado a carona do mochileiro, e perguntou-me quem era o melhor e mais radical, severo e intransigente crítico de literatura brasileira vivo. Eu nem pensei muito, porque desnecessário e na ponta da língua a resposta:
- É Rafael Costa, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Ele não escreve mais em português essa língua em extinção, e já é um esperto em internetês, essa contemporaneidade supimpa que ocupou o lugar dos medianos escribas de antanho.
- Como assim, critica a literatura brasileira e não escreve em português?
O espanto do verdinho (não o Duende, o marciano) foi tamanho que chegou a explodir uma das antenas dele. Ser estranho mas antenado.
- É que português é mesmo chato e já devia ter dado lugar à juventude e viço dessa coisinha maneira que é escrever sem vogal que torra o saco do povo e requer conhecimento do que seja tonicidade, fonética e, porque não, estética, tentei expliocar antes que o vizinho planetário pirasse dali pirado.
Té, gente.
Se amanhã chover à tarde nos encontramos pela manhã.
Benção e perdão, Cida.

Saravá!

Juliaura · Porto Alegre, RS 4/6/2007 21:34
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Rafael Costa
 

juliaura,

como faço pra ter contato com ETs?
semprequis.

passa meu email pra eles, pleaaaaase!

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 5/6/2007 09:38
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Rafael Costa
 

ou meu telefone.
pode falar pra eles ligarem a cobrar,
não tem porblm!

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 5/6/2007 09:38
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Juliaura
 

Receita para contatar extra-terrestres.
1. humildade pessoal sincera praticada ente amigos, colaboradores e outros que, humanos, mereçam o mesmo respeito que queremos ter para nós;
2. considerar que crítica é diferente de produção e para ser crítica tem que vir acompanhada de saber real não impressionista ou preconceituoso. Não gostar de algo não significa que algo seja importante, diria um porsche a uma mercedes ou ferrari.
3. ouvir em qualquer língua, expressar-se na de sua terra, ainda que difícil lhe seja a messe, nem carece de prece na missa.
4. supor que um extra-terrestre possa, de fato, ser mais inteligente e criterioso que um humano, mais até que o mais inteligente dos humanos, que não somos nem eu nem tu, que estamos ocupando as orelhas e os olhos de nossos overmundanos amigos e próximo com idiossincrasias desnecessárias e sequer sonhadas pela escriba desse postado.
5. Ter m conta que extra-terrestre do tipo que contato não usa telefone mais, é telepata e só aceita os imediatos de graus que ele escolhe, tipo não é so vontade de ser, é fazer por merecer.
6. penso que essa receita não dá bolo, mas minha fatia já omi, fartei, não choveu á tarde, nem vim pela manhã. Sumi.
(ps: extra-terrestre não entende som de consoante sem vogal, nem meias palavras, que em teu caso, Rafael, são tão sós palavras pela metade).
Fui.
Perdão Cida, juro de pé junto e presunto que não faço mais.

Juliaura · Porto Alegre, RS 5/6/2007 17:07
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linney
 

Belo texto.
Feliz a lembramça do Érico Veríssimo.

linney · Canoas, RS 20/6/2007 22:51
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MERIREU
 

Abro a mão e salta uma estrela, depois uma rosa... Eis Bandeira pintando, pintando...
...Estupendo, nada mais a dizer, pois a soma das estrelas e de uma rosa vem fechar toda harmonia da natureza com toda sua plenitude, sendo comun entre as sensibilidades dos gênios...

MERIREU · Cuiabá, MT 3/11/2013 05:49
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