Quando eu não posso ir, tenho que avisar, porque elas esperam. Falo do almoço de domingo na Casa das Moças da família Campos, também conhecida como a Casa do Vovô Joel. Desde que moro, já faz mais de um ano, aqui em Oeiras, posso contar nos dedos os domingos em que não almocei lá.
Sendo, cada uma delas, diferente das outras, as moças da família Campos, com idades variando entre sessenta e poucos e oitenta e quatro anos pertencem à mais fina elite oeirense e, como tal, se comportam. Professoras, não tenho certeza se todas, mas muito preparadas, todas elas, sem exceção.
Pra variar, almocei hoje lá. E, como estou com a mania do livro Reminiscências da Escola, comentei com elas o assunto.Tia Amália, de 84 anos, até ensaiou contar as suas lembranças, mas não havia silêncio suficiente.
Foi quando a professora Rita Campos, a mais nova das irmãs, me contou, rindo muito, a história que uma velinha, segundo ela, totalmente esclerosada, mas também muito divertida, lhe contou. Vou tentar reproduzi-la:
“Quando estava no grupo escolar eu era muito feia e muito burra. Quem me achava feia? Todos os meus colegas!. E eu concordava com eles! Mas um dia teve uma festa muito grande na escola e eu ia participar de um grupo de meninas todas vestidas de marinheiras com a blusa de golinha branca com a âncora bordada em azul na ponta, e até um quepe branco e tudo.
Apareceu lá um rouge e um batom e eu me pintei e me olhei no espelho e fiquei linda. Puxa, eu fiquei feliz demais porque estava linda, queria que a festa começasse logo pra todo mundo me ver e dizer “Nossa, como você tá linda!”
Quando começou a festa eu tava tão empolgada que até esqueci de pedir pra ir ao banheiro: resultado, me mijei toda, um mijo cumprido, quente. Quando acabei, morri de vergonha! Estava, de novo, feia, como sempre! A festa acabou cedo para mim”...
Se os colegas me achavam feia, os professores reclamavam muito de mim, dizendo que eu era burra. Um dia eu quase apanhei, de tão brava que a professora ficou!
Tinha o desenho de um laço de fita. E a professora me fazia soletrar: “ele” “a” - la “ce cedilha” “o” – ço. E eu repetia direitinho o soletrado: “ele” “a” - la “ce cedilha” “o” – ço. Mas, na hora de ler a palavra eu lia “Fi-ta”. Na terceira vez que eu fiz isto a professora estava a ponto de explodir de ódio. Depois, acabei aprendendo, mas a fama de burra já se tinha espalhado. Seja como for, só aqui entre nós, continuo achando, até hoje, que a palavra era uma fita mesmo, e não um laço”!.
Realmente são muito divertidas: a história, a pessoa que lhe contou e também a protagonista, que deve ser uma peça rara!
Beijo grande.
1-Um Trabalho abençoado.
Que da razão pra vida do seu autor.
Que contribui pro mundo ser mais humano e valoroso.
Que desperta e instrui quem busca luzes, razoes e sentidos.
Este trabalho contribui para formar consciéncia e o mundo valer a pena para todos.
Parabéns Mestre Joca.
2-Preciso de Ajuda no meu Trabalho, Poesia, A Via Crucis de Jesus.
Já fui excluido taxado de estar fora de lugar.
Tenho 62 anos, quero levar o resto da minha vida, editando e em votacao de Poesias , no Banco de Cultura, entre as outras poesias.
Por favor me ajude indo ver se merece defesa.
Nao deixa me excluir.
|Muito grato mas, temos de interceder como Maria.
Muito bom,
Valeu pelo bom humor da velhinha fazendo piadas das suas
próprias limitações...
Abraços
\E você já tirando onda da tadinha da fessora!
CRIS
rsrsrsr
me faz lembrar ditados:
"Cada cabeça uma sentença" e "Burro é quem acredita em tudo o que lhe dizem."
por fim, "Quem sabe sorrir, sabe viver"
isabel
Texto irretocável tal a compreênsão do mesmo.
Louvo também a feliz idéia de provocar o pulsar de fatos escolares. Pelo visto, está havendo grandes adeptos.
Felicitações e abraços, Joca.
Abraços, Benny Franklin
Oi amigo Joca,
Adorei! e já votei. Achei leve e deliciosamente divertido!!!
Devem ser muito fofas essas meninas!
Abração
Joca, querido.
Já havia lido e rido muito... Não comentei antes, porque o tempo anda curto. Agora eu volto, para votar neste texto supimpa, como diria uma das gatinhas...
Abração do,
Baduh
Em tudo se parecem as lembranças, independente do lugar, não importa o meio sócio=-economico: A infância e a velhice em tudo se equiparando, abraços Joca,
andre.
Oi Joca, na atrapalhação que anda minha vida, cheguei tarde aqui, mas "antes tarde do que nunca". Sensacional o relato, com destaque para a coerência da leitura do desenho do laço de fita que, no entanto, foi motivo para que a leitora espertíssima fosse tachada de burra.
Até hj, essa leitura incidental - que as crianças que ainda não aprenderam a base alfabética da escrita fazem - determina que elas sejam avaliadas como não capazes, incompetentes etc, etc... quando deveria ser exatamente o contrário.
Graças a Deus, ou melhor, graças às teorias que explicam a gênese do processo de aprendizagem da escrita e às bravas professoras que, apesar de tudo, relacionam de forma competente teoria e prática, essa maneira de ler já vem sendo respeitada e valorizada.
Parabéns pelo "causo".
Beijo grande pra vc e pras moças.
Assino embaixo das palavras da Ize. Se ela permitir, é claro...
Bjs.
Joca,
outra reminiscência muito divertida e gostosa de ler.
Como os tempos de escola rendem lembranças engraçadas...
Um abraço,
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