"eles sabem ser antropófagos. Oswald sorrindo" – Alberto Infante, Diário Austral.
"construção. toda palavra e letra se resumem a isto: construção" – Clarice Flor, Suplemento Palavra.
"amo todas as 132 versões de Licor de Jenipapo" – Anônimo, Fã Clube.
"tá no papo, tá no papo... Recife já foi berço da poesia, e agora temos que suportar estes meninos" – Poeta anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero.
Tem som no microfone? (Caetano durante a apresentação de É proibido proibir em 1968) Estamos de volta, agora com uma nova colaboradora, Amélie Marie, que está preparando uma entrevista com a cantora Catarina.
Bem, segue aqui uma entrevista com um dos músicos da banda Profiterolis, eles estão preparando novo disco, dvd e se apresentarão no festival Música Recife que acontecerá no mês de outubro na praça do Arsenal. Eis a entrevista:
Júlio Rennó: Há uma nova geração de bandas em Recife que nasceu junto com o coletivo Coquetel Molotov. O que mudou desde a estréia de vocês no festival até os dias que se seguem a estas linhas?
Tomaz Alves: O primeiro show da Profiterolis foi em 2001 numa festa de aniversário de Ana Garcia. Naquela época nem a banda nem o próprio Coquetel Molotov tinham idéia do que viria a acontecer nos anos seguintes. Assim, o que se estabeleceu naquele momento, e segue até hoje, é uma relação de amizade e apoio entre a banda Profiterolis e o coletivo Coquetel Molotov. É algo que se dá muito mais no campo das relações pessoais que a gente cultivou nestes anos do que em formas de traçar estratégias de trabalho juntos. Obviamente, no meio do caminho pintaram oportunidades de tocar no festival, produzir um disco, mas nada disso foi planejado, tudo ocorreu naturalmente em decorrência da nossa proximidade.
Rennó: "As letras de música do Profiterolis sempre soam Jorge Ben: ritmo e não preocupação com o sentido da letra." O que pensam a respeito? Vocês se esmeram na produção das letras?
Tomaz: Vou responder por mim já que sou o principal compositor da banda e também escrevo as letras. Eu discordo da citação acima. Jorge Ben é um dos meus artistas referenciais, como são muitos outros, mas no caso de Jorge Ben a relação se dá muito mais no plano musical e de construção de texturas rítmicas no momento de montar os arranjos das canções. No que diz respeito à composição, eu percebo o texto de Jorge Ben, muitas vezes, como um exercício de onomatopéias a serviço do ritmo. Já o que eu faço é bem diferente, e num certo sentido, bem menos ambicioso.
Eu não tenho nenhuma intenção de propor alguma experimentação de linguagem, muito pelo contrário. As letras que faço para a Profiterolis buscam o texto mais coloquial possível, de uma forma simples que permita que texto e melodia funcionem juntos, com a melodia reafirmando as tônicas das palavras e as palavras servindo para moldar a extensão e intenção melódica. Sempre que escrevo uma letra nova, costumo ler o texto sem música, linearmente, para ver se as idéias funcionam também como algo que está sendo falado e não apenas cantado. Sendo assim, do ponto de vista das letras, acho que o que eu tento fazer segue muito mais a escola do canto quase falado de um Erasmo Carlos ou de um Lou Reed, obviamente, guardadas as devidas proporções. De qualquer forma qualquer referência que estimule a criação é bem vinda e mesmo que eu tente explicar o processo, as coisas acontecem de forma mais espontânea e menos programada do que a gente espera quando está criando.
Rennó: Há uma proliferação de festivais em todo o país. Em Recife, a prefeitura lançou mais um festival: Música Recife. Festival que é destinado a bandas novas? Quais bandas novas vocês gostariam de ver neste festival? E o que vocês estão preparando para a apresentação de vocês?
Tomaz: Acho que a safra atual de bandas novas em Recife é bem interessante. Cada um fazendo seu som sem se preocupar em justificar essa ou aquela referência. A geração na qual surgiu a Profiterolis e outras bandas como Mellotrons, Volver, Superoutro, ainda precisou responder muita pergunta sem sentido sobre que importância tinha ou deixou de ter o Manguebit e por aí vai. O pessoal mais novo se identifica com o surgimento das redes sociais formadas pela Internet, os Myspaces da vida, e assim o caldeirão de influências virou global e caótico. Como tudo na vida, isso é ruim e bom, pode ajudar uma banda ou condená-la ao esquecimento de uma agulha no palheiro do caldeirão sem fundo da Internet. Tem bandas novas que eu ainda não pude ver ao vivo, mas tenho curiosidade, como Nuda, Pé Preto, A banda de Joseph Tourton. Espero conseguir conferir o show deles nesse festival da prefeitura. Já com relação ao show da Profiterolis, vamos aproveitar para mostrar algumas canções novas que já apresentamos a um pequeno público no fim de julho, quando fizemos um show como parte das gravações do nosso próximo disco.
Rennó: (eu estava lá) Como é a relação de vocês com as outras bandas contemporâneas?
Tomaz: Temos amigos tocando em outras bandas, até mesmo membros da própria Profiterolis tocando em outros projetos. Isso estabelece uma certa camaradagem. Parte do público dos shows em Recife, de qualquer banda, é sempre formado por integrantes de outras bandas, fora as participações em shows ou gravando com outros artistas. Recentemente, por exemplo, produzi, juntamente com Pi-r do Chambaril, o primeiro EP de uma banda nova, a Pocilga Deluxe.
Rennó: "Acabo de fazer uma música. E agora?" Entre compor uma canção no quarto de casa e pô-la num palco, que caminhos vocês percorrem? Como chegaram a gravar um DVD?
Tomaz: Meu interesse como músico é estabelecer algum contato com o público, seja gravando um disco, compondo uma música, participando desta entrevista. Sendo assim, quando componho uma música nova é porque espero mostrá-la para o pessoal interessado no meu trabalho e uma das formas mais interessantes é apresentando a canção ao vivo. Eu diria então que o objetivo primordial seria este, apresentar a música em seu formato mais simples, num show. Hoje em dia, porém, é preciso estabelecer contato das formas mais variadas, além do que não é viável tocar sempre em Recife, qualquer banda precisa alçar vôos mais longos. Por isso acho importante criar outros canais para divulgar o trabalho, gravando um disco que funcione independente do show, fazendo vídeos, mantendo contato pela rede (Myspace, Orkut, etc), estabelecendo parcerias com outros músicos daqui e de fora. Seguindo essa lógica, nós acabamos de gravar várias canções que resultarão num álbum de 8 ou 9 faixas, num EP com outras 4 faixas, alguns singles, além da filmagem de todo o processo de produção das gravações, que futuramente poderá resultar num documento audio-visual da banda no estágio em que ela se encontra.
um disco barato e sujo, um filme anarquista e uma biografia musical por Profiterolis:
prefiro discos caros e limpos, da época em que ainda se faziam discos, um bom exemplo são os discos do CHIC, que eram caros, perfeitos e cheios de classe, portanto tudo menos sujos hehehe
que tal HIGH SOCIETY? com grace kelly, frank sinatra e bing crosby?
certamente não é um audiobook com trilha sonora
um cantor barítono por Rennó a Profiterolis:
Smog
escrito originalmente no blog Outros Críticos
Carlos Gomes · Recife, PE 10/10/2008 01:33
Muito boa a tua condução nas e das entrevistas. A delicadeza
e a incistência ali juntas.
legal mesm
andre.
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