Oeiras, 15 de novembro de 2010
Queridos amigos
Alguns de vocês, certamente, já tomaram conhecimento do artigo, abaixo transcrito, que foi publicado pelo Sr. Deusval L. Moraes no jornal Meio Norte de the do último dia 27 de outubro de 2010. Desejo salientar, no entanto, que o que me fez e faz considerar de extrema importância o depoimento dele não é tanto o seu conteúdo, elogioso, sem dúvida, mas as circunstâncias que levaram aquele senhor, até então, para mim, um desconhecido, a escrever, depois de garimpar o livro “No Nós & Elis a gente era feliz – e sabia†numa banca de jornal, e publicar tal artigo que, entre outras coisas, reconhece que tive “uma grande sacada†e, de quebra, qualifica a obra coletiva de “magistral.â€
Não me entendam mal: recebi, de amigos e conhecidos, e sou grato por isso, inúmeros elogios, seja pessoalmente seja por e-mails a mim enviados. Alguns deles, comoventes. A atitude do Sr Deusval, porém, no meu modo de ver, transcende os demais em, principalmente, dois aspectos: porque ele não precisava, a rigor, ter feito coisa alguma e, principalmente, porque fez o máximo que podia ao publicar seu artigo num jornal de grande circulação. Não vejo melhor propaganda do que esta para um livro.
Louvo no autor, antes de mais nada, a sua generosidade!
Joca Oeiras, o anjo andarilho
Resgate do Nós & Elis
Deusval L. MoraesCheguei em Teresina em março de 1985. Naquela época, o bar Nós & Elis já havia se firmado como point de frequentadores de vários matizes: intelectuais, artistas, polÃticos, profissionais liberais, estudantes, boêmios, etc.
Claro que, com qualidades tão inovadoras, passei a frequentar assiduamente o Nós & Elis até os seus estertores em 1994. O Nós & Elis nos deu oportunidade de fazemos amizades, encontrarmos com as pessoas o conhecermos novos talento piauienses. O tempo passou e ficaram gravadas na minha memória inesquecÃveis lembranças do bar, até que me deparei na banca de revista com o livro organizado pelo jornalista Joca Oeiras “ No Nós & Elis: A gente era feliz – e sabiaâ€, que tornaram ainda mais vÃvidas todas as minhas lembranças dos fatos e acontecimentos vivenciados e ocorridos naquele estabelecimento de entretenimento.
O jornalista Joca Oeiras, que não conheceu o bar, fez um trabalho primoroso; foi atrás dos tradicionais frequentadores e, como arguto escritor, organizou uma coletânea de textos e crônicas que se transformou numa obra deliciosa. O Nós & Elis era um ambiente saudável, aconchegante, acolhedor, social, performático, politicamente correto, além do expressar manifestações artÃsticas e culturais de vanguarda, ou melhor, era uma casa que aliava a boemia com produção cultural. Como casa noturna de esquerda (criada à imagem e semelhança do saudoso Elias Ximenes do Prado Júnior, posteriormente deputado estadual pelo PDT) também era frequentada pela direita, e por isso tornavam as discussões polÃticas bastante acaloradas. Lá também era ponto de encontro social, onde flertes, namoros, noivados, casamentos e desilusões amorosas também aconteciam.
No Nós & Elis desfilaram vários artistas, como Geraldo Brito, Edivaldo Nascimento, Aurélio Melo, a famÃlia Fonteles, Roraima, Carlos Ramos, PatrÃcia Melo, Netinho da Flauta, grupos Candeia e Varanda, entre outros, transformando-se num marco da cultura piauiense, com manifestações de várias tendências artÃsticas, como quarta poética, representações teatrais e humorÃsticas, no mesmo clima de abertura polÃtica vivida naquele perÃodo no Brasil. Não poderia deixar de destacar aqui o músico sanjoanense Netinho da Flauta, de saudosa memória, que praticamente fez do bar Nós & Elis a sua casa, e que por sentir-se em casa fez lá apresentações memoriáveis, era sem dúvida nenhuma um dos artistas mais identificados com o Nós & Elis, flautista de raro talento, mas que muito cedo nos deixou, ficando na nossa lembrança o som afinado da sua flauta.
Por tudo isso, foi uma grande sacada do jornalista Joca Oeiras em produzir a obra “No Nós & Elis a gente era feliz – o sabia†por resgatar um espaço que se tornou referência de uma geração de piauienses no processo de redemocratização do PaÃs, além, naturalmente, de prestar uma grande homenagem ao seu idealizador Elias Ximenes do Prado Júnior, que, sem o seu espÃrito efervescente, o bar Nós & Elis jamais teria atingido a magnitude que alcançou e por via de consequência, teria ensejado produzir-se tão magistral livro.
Joca,
Dia desses pensando em você e em tanta gente boa que passou por aqui , me perguntava, por anda essa gente? E como, quem é vivo sempre aparece. Eis você!
Parabéns pela iniciativa, pretendo adquirir um exemplar e com esse livro você me estimula a escrever sobre algo semelhante, daqui de Aracaju.
Abraço,
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