A respeito da matéria O conto dos quilombos (ISTOÉ – 30 de janeiro/2008, N° 1995, Ano 31) gostaríamos de pontuar algumas questões.
Primeiramente lembramos que a reivindicação pela regularização de territórios quilombolas não surge através da Instrução Normativa do INCRA (IN Nº. 20), como faz parecer a matéria, trata-se de um direito garantido no Artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. Deve-se considerar que o Artigo 68 do ADTC surge em meio a discussões que aludem a uma dívida da nação brasileira com os afro-descendentes em decorrência da escravidão, discussão essa que ia e vai além da questão fundiária exclusivamente. Tal tema já vinha sendo tratado, juntamente com estudos sobre identidade étnica e etnicidade, pela Antropologia, História e outras disciplinas e começa a ter maior visibilidade na mídia brasileira a partir da assinatura do decreto n° 4.887/2003, o qual trata da regularização de territórios quilombolas e tem por base o Artigo 68. O Decreto 4.887/2003 garante a auto-definição étnica enquanto direito, seguindo legalmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - sobre Povos Indígenas e Tribais, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo n° 143, de 20 de junho de 2002 e promulgada pelo Presidente da República através do Decreto n° 5.051, de 19 de abril de 2004. Segundo os Artigos 13 e 14 da citada convenção,
Artigo 13
1. Ao aplicarem as disposições desta parte da Convenção, governos deverão respeitar a importância especial que para as culturas e valores espirituais dos povos interessados possui a sua relação com as terras ou terrít6rios, ou com ambos, segundo os casos, que eles ocupam ou utilizam de alguma maneira e, particularmente, os aspectos coletivos dessa relação.
2. A utilização do termo "terras" nos Artigos 15 e 16 deverá incluir o conceito de territórios, o que abrange a totalidade habitat das regiões que os povos interessados ocupam ou utilizam de alguma outra forma.
Artigo 14
1. Dever-se-á reconhecer aos povos interessados os direitos de propriedade e de posse sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Além disso, nos casos apropriados, deverão ser adotadas medidas para salvaguardar o direito dos povos interessados de utilizar terras que não estejam exclusivamente ocupadas por eles, mas às quais, tradicionalmente, tenham tido acesso para suas atividades tradicionais e de subsistência. Nesse particular, deverá ser dada especial atenção à situação dos povos nômades e dos agricultores itinerantes.
2. Os governos deverão adotar as medidas que sejam necessárias para determinar as terras que os povos interessados ocupam tradicionalmente e garantir a proteção efetiva dos seus direitos de propriedade e posse.
3. Deverão ser instituídos procedimentos adequados no âmbito do sistema jurídico nacional para solucionar as reivindicações de terras formuladas pelos povos interessados.
Assim, o Estado brasileiro deve trabalhar a regularização fundiária de comunidades quilombolas em função de um sentido de territorialidade - território trabalhado como um espaço vivido e referencialmente significante para a sustentabilidade não só econômica, mas também social, cultural e cosmológica do grupo. Essa territorialidade específica é considerada a partir da dimensão simbólica que a comunidade atribui ao espaço já que a construção identitária da comunidade está diretamente ligada ao território ocupado e relembrado. Ou seja, a memória do grupo aciona exatamente o espaço em que vive e viveu na sua narrativa enquanto portadores de uma identidade específica e coletiva.
A matéria fala ainda de “pirataria antropológica” e critica a auto-definição étnica. Sobre isso, esclarecemos que desde a década de 1970, com os estudos de antropólogos interacionistas, como Moerman e Barth, a identidade étnica é definida em termos de adscrição; assim, como nos coloca Manuela Carneiro da Cunha (1986) :
Na realidade, a antropologia social chegou à conclusão de que os grupos étnicos só podem ser caracterizados pela própria distinção que eles percebem entre eles próprios e os outros grupos com os quais interagem. Existem enquanto se consideram distintos, não importando se esta distinção se manifesta ou não em traços culturais. E, quanto ao critério individual de pertinência a tais grupos, ele depende tão-somente de uma auto-identificação e do reconhecimento pelo grupo de que determinado indivíduo lhe pertence. Assim, o grupo (...) dispõe de suas próprias regras de inclusão e exclusão (p. 111).
Além disso, o auto-reconhecimento da comunidade é garantido na Convenção 169 da OIT, a qual determina em seu Artigo 1:
A consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para determinar os grupos aos que se aplicam as disposições da presente Convenção.
Portanto, a legitimidade da auto-atribuição ou auto-identificação étnica enquanto comunidade quilombola está embasada tanto cientificamente, em discussões já de longa data na academia, quanto juridicamente, conforme acima citado.
Outra questão problemática da matéria é a visão de quilombo apresentada. O conceito de quilombo adotado pelo autor da matéria deriva de um conceito que há muito foi superado nas discussões das disciplinas de Antropologia e História: o “conceito congelado de quilombo”. O modelo de quilombo clássico, formado por escravos fugidos e em lugares de difícil acesso era apenas uma das formas possíveis de resistência acionada pelos cativos.
Distanciando-se da idéia de isolamento geográfico e social, temos visto, na discussão acerca da questão quilombola, que na sociedade escravocrata existia um verdadeiro “campo negro” (GOMES, 1996a) , ou seja, uma rede complexa que incluía vários movimentos sociais e articulações econômicas. Rede esta que se baseava desde em informantes dentro das senzalas até comerciantes da região, com os quais os quilombos mantinham relações de compra e venda de produtos. Estudos mostram que os quilombos existentes à época da escravidão estavam muitas vezes ligados, por complexas relações, com a sociedade local. E, ainda, como a resistência escrava abrangia lugares que iam desde os de mais difícil acesso até os próprios limites internos das fazendas.
Com o “fim da escravidão”, muitos grupos de ex-escravos continuaram a formar agrupamentos considerados quilombos como alternativa de sobrevivência à exclusão a eles imposta. Nesse sentido, a própria “(...) apropriação do espaço que garantisse a reprodução de sua existência tornou-se um ato de luta para a maior parte dos afro-descendentes” (BASTOS, 2007) . Assim, fica nítida a dificuldade em congelar na definição clássica de quilombo as várias formas de resistência negra que existiram no Brasil durante e após o período escravocrata. Em 1994, em reunião do Grupo de Trabalho sobre Comunidades Negras Rurais da Associação Brasileira de Antropologia, foi elaborado um documento sobre o conceito de remanescente de quilombo. Tal documento buscava desfazer os equívocos que esta idéia de remanescente poderia trazer e afirmar a contemporaneidade do termo. Refutava-se já a ligação de quilombo com as idéias de isolamento, populações homogêneas e insurreição, e adotava-se a contemporaneidade do conceito de quilombo, abarcando seu aspecto organizacional, relacional e dinâmico.
Além desses “enganos” em relação à questão mais conceitual que envolve a temática quilombola, a matéria apresenta dados inverídicos. Não é verdade, por exemplo, que o município de São Mateus, no estado do Espírito Santo, está com 80% de sua área demarcada para desapropriação. Atualmente existem dois processos abertos no INCRA para regularização de territórios quilombolas no município de São Mateus. Os estudos apresentados nesses dois processos, que ainda não estão em fase de desapropriação e sim na de contestação por parte dos proprietários e ocupantes, indicam como território pleiteado um total de 16.315,09 hectares. Considerando que, segundo o instituto de terras do Espírito Santo, IDAF, o município de São Mateus possui uma área de 234.580,00 hectares, os dois territórios indicados correspondem a 6,9% da área do município, bem diferente dos 80% citados pela revista! Cabe destacar também que o mapa apresentado, inclusive sem citação de fonte, apenas indica os municípios onde existem comunidades quilombolas, o que não quer dizer que todas as comunidades estejam reivindicando terras, nem que elas estejam reivindicando a área total dos municípios.
Por fim, a matéria fala que o INCRA ignora as terras produtivas e as escrituras existentes dentro de territórios pleiteados por comunidades quilombolas. Outra inverdade. A titulação de territórios quilombolas só ocorre depois da desapropriação, que inclusive é composta de etapa judicial, para a qual se analisa a situação fundiária e cartorial e a questão produtiva dos imóveis, indenizando-os de acordo.
Por todo o exposto, lamentamos que a revista ISTOÉ tenha publicado tal matéria sem realmente averiguar os fatos e sem consultar pesquisadores e órgãos sérios que trabalham com a regularização de territórios quilombolas. Lamentamos a maneira leviana e preconceituosa como deixou tratar a luta de comunidades que estão apenas buscando a garantia de um direito que há muito lhes vem sendo negado. E lamentamos ainda, que a ISTOÉ tenha feito exatamente o contrário do que se propõe, ou seja, desinformado a sociedade brasileira quando deveria informá-la.
Bethânia Zanatta.
Menina que tema interessante! Que matéria bacana, fundamentada, e deu nos dedos dos caras, vc provou ser uma grande jornalista, esperamos que se faça justiça com estes territórios quilombolas, será um marco na história dos nossos nativos, beijos.
soninha porto · Porto Alegre, RS 19/2/2008 22:06
obrigada, Soninha.
mas eu sou só antropóloga mesmo.
beijo.
valeu zumbi !!!! valeu bathania !!! nessa hora nossos ancestrais estão sorrindo . bjs mil e mantemos contato.
Marcos André · Rio de Janeiro, RJ 19/2/2008 22:47
Bethânia, aprendi muito com esta tua matéria. Descobri a Antropologia ano passado e cada vez me apaixono mais por este tema.
Parabéns pela tua ação de se mostrar uma mulher ativa que se coloca e se posiciona nas questões que envolvem a vida política do nosso país.
obrigada, Alê.
é apaixonante mesmo, embora a antropologia-militante deixe a gente se sentindo bem pequenininho e inútil muitas vezes.
Excelente reporte, Bethania, muito revelador! Para os governos e a aristocracia reinante, falta muito pouco mesmo para a aniquilação de toda e qualquer cultura que não seja representada por estrelas que brilham contra matizes de azul, vermelho e branco. Em Itanhaém, índios de uma aldeia "ganharam" recentemente o direito à compra de casas populares com o saneamento básico necessário "para que vivessem civilizadamente". A arquiteta contratada para a feita foi capaz de, utilizando a grosseira matéria prima dos materiais de construção de quinta categoria, estilizar algo que se assemelhava a um parque temático, cobrindo as casinhas com sapé e utilizando portas e esquadrias de madeira rústica. Dentro, água encanada, energia elétrica e todos os confortos do mundo dito civilizado. Só esquecem de avisar ao índio que ele terá que pagar por todas aquelas mordomias que acabarão por sufocar-lhe a alma. Sem especialização em qualquer direção acadêmica e carregando a pecha de ter sido um "selvagem", ele acaba nas feiras das cidades vizinhas, coletando a xepa para alimentar os curumins ou retirando orquídeas e palmito à exaustão das matas para vender ao homem branco. Em São Vicente, a tribo que vive na praia de Paranapuã sobrevive de doações de cestas básicas do Fundo Social de Solidariedade da Prefeitura...
Belo trabalho, cada um com sua bandeira! Parabens
victorvapf · Belo Horizonte, MG 20/2/2008 08:42
Bethânia uma defesa primorosa sobre uma matéria contundente de uma das revistas de grande circulação neste País.
Muito bem escrita.
Bethânia,
Pequenas somos todas as pessoas.
Nenhuma tem mais de três metros hoje em dia.
Ciclopes, hércules, sansões, golias, se dizentes outros a vultuosos há muito deixaram de existir e rareiam os que se pretendem mais que as demais outras semelhantes da espécie, embora existam essas. Recordemos, duas pernas, dois braços, duas orelhas, dois olhos, cabeça, algum miolo... dedão opositor...
Se não é assim, trata-se então das relações entre elas.
Do que conforta uma e desabriga outra classe, então. A dos de baixo e a dos de cima, conforme Florestan Fernandes, sempe vivo o conceito e flama do grande mestre.
Aí, a minoria continua deitando regra e conduta, régua e compasso porque sustentada no direito vigente, imposto pelas armas e a força que ainda ontem escraviza gente (que horror!), que vai sendo aqui e ali desbastada (a força e a lei originada naquela selva produzida pelos arcabuzzes, mantida depois pelas togas e legislativos, quando não pelo retorno das espadas ao proscênio, uma epécie de blindados na berlinda.
E desbastada pela força daqueles que vêm se erguendo em pacíficos e ordeiros movimentos desarmados ainda hoje esgrimindoapenas o conhecimento que sempre lhes foi negado. Informação, além de produto que é hoje, continua sendo arma poderosa.
Sabia-o Goebels, o propagandista do nazismo, sabemos todos hoje dia.
Quando a desinformação é berrada em manchete, trata-se de propaganda.
Alguém está pagando aquela frase, aquela matéria, aquela pena de aluguel.
Imprensa é a voz do dono, costumamos lembrar alguns jornalistas, que também são do tempo da RCA Victor, cuja marca símbolo era um cachoro ouvindo um gramafone.
Não penso que devas te sentir menor que a grandeza que tens de repartir conosco, gratuitamente, a tua acumulação acadêmica, a tua investigação social, a tua indignação, o teu altruísmo que nos conforta.
Sou também do teu mesmo tamanho em indignação contra o marrom desta matéria que comentas.
E, penso, que em sendo assim, podemos nos erguer mais alto, seja em voz, seja em tamanho, nos apoiando um ao outro, aqui e alhures.
Percebo que há mais apoios nos comentários, então seremos em breve até maiores que essa revistinha comercial da informação, de uma imprensa autoproclamada grande, em acelerada carreira para ser cada vez mais venal.
Já, a informação, temos de ti, que repoduzes fatos objetivos (as leis e resoluções, a compreensão acadêmica, a investigação e resultados científicos dela) em belo touchê que, se fossem honestos de princípios os árbitros desclassificariam de imediato o antagonista (porque não é apenas oponente) por jogo sujo e desrespeito às regras do convívio universal que é o reconhecimento da razão e da existência do outro. Se ainda não é, penso que assim poderá ser e, como já nos disse o poeta... sei que vou por aí!
Abraço solidário.
Bethânia, parabéns bela ação e valiosa matéria! abraços
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 20/2/2008 16:39
Bethânia Zanatta · Santa Maria (RS)
Um trabalho admirável.
Uma Honra pra gente exaltar e se orgulhar.
A regularização de territórios quilombolas é Questão de Honra do Brasilcomo Nação.
Muito bacana o seu trabalho que nos dá a chance de lhe apoiar nessa divulgação cheia de Justiça, Direito e Amor.
Um Trabalho Divino abençoado por Deus.
Maior alegria votar no seu valoroso Trabalho.
Parabéns Poetisa Guerreira.
Zumbi, Castro Alves e Tiradentes estáo Orgulhosos de Você.
Nós do Overmundo também.
Parabéns Poetisa Guerreira.
Um abração Quilombola.
Bethânia, minha quirida, parabens....
A questão da terra para o negro, começa - definido mesmo - com a Lei de Terra de 1850. Nela não entrou o negro.
Como a doutrina do direito brasileiro tem na anterioridade mais sustentação que em todo e qualquer lugar da terra. O negro não tem DIREITO DE TER TERRA NO BRASIL. (Pelé, não pode ter terra; Alceu Colares não tem terra). Nenhum negro grilou Mato Grosso, Rondonia, etc. ... Mas,
Este Governo, e ai começam as intrigas na imprensa escrita, já tem assegurado alguns milhares de equitares ao negro. E a diferença? A diferença é que é ao ex-quilombola; é um território de ex-quilombo. Isto não lhes assegura direito a financiamento, falta "tantos anos de atividade, de vida etc. etc.E por ai vai.
O Advogodo Luis Eduardo Greenhalg, (11 - 3871-3430) tem ganho
a causa dos quilombos do Vale do Ribeira, acordo com o Grupo
Votarantim. (há mais de 12 anos na justiça). E tem assegurado a indisponibilidade (contra os que tentam tomar dos negros) de terras em numero elevado de outras demandas.
Se o Grupo Votorantim acordar a desistência total pela primeira vez em 500 anos a pessoa negra do Brasil terá quebrado o "instituto da anterioridade com relação à terra".
Só depende das Forças Armadas deixarem. Sim, as Forças Armadas Brasileiras - elas são o maior obstáculo na vida da pessoa negra do Brasil. Tenho informações de que o Presidente
assina, que o Grupo Votarantim, abre mão. Ai, aí sim: "Vai ter o tal do papé pra negro botar no bolso e mostrar......." Ai meu Deus, quisera está eu vivo pra ver.......
Mas, fiquei feliz, muito feliz com o teu artigo
um abraço, andre.
oi Bethânia, aqui em Garanhuns PE, temos quilombolas. Este quilombo fazia parte do quilombo de Palmares, é o Castainho. Eles lutam pra manter as tradições.
edmilson vieira · Garanhuns, PE 20/2/2008 22:39
Vcs não fazem idéia dos absurdos que escrevem revistas como IstoÉ e Veja quando assunto é sobre palestinos. Para se ter idéia de como as publicações da Editora Abril são tendenciosas, em uma matéria da revista Veja que continha 2 páginas, os palestinos estavam associados a palavra terrorista 68 VEZES.
Perguntei a um psiquiatra quantas vezes a repetição da associação de uma palavra era considerada lavagem cerebral em uma matéria de 2 páginas, e ele me respondeu que 20 Vezes já dava pra considerar lavagem cerebral.
Não acredita? Pois preste atenção, especialmente na VEJA, quando publicarem algo sobre palestino. Fique atento a q vão associar e quantas vezes repetirão a mesma palavra.
É sempre bom que profissionais sérios e comprometidos com a verdade e a justiça, tal como a Bethânia, estejam atuando.
Bethânia,
Você e muita gente sabe, mas, convêm ressaltar que a questão dos 'remanescentes de quilombos' é o pilar de todo o sistema racista brasileiro: Terra e Educação para quem merece (por ter sido usurpado) e precisa (para trabalhar e progredir).
É por isto que o tema aterroriza estes 'anti-abolicionistas tardios', adeptos da situação tal como se encontra ad infinitum.
O interessantíssimo cronista inglês (naturalizado norte americano) Thomas Ewbank, que esteve no Rio em 1845, entre outros, narra impressionado, alguns dos encontros fortuitos que teve com escravos fugidos, homiziados nos morros e serras do Rio. A ocupação dos morros do Centro da cidade e de parte da Zona Sul por quilombolas é um fato historicamente notório, tratado com o 'cala-te boca' de sempre por parte de nossa 'elite' intelectual e acadêmica (kamels, magnolis, maggies, frys e vejas da vida) que, finge que não sabe da história da região por razões óbvias.
Gosto de lembrar aos nossos esquecidos 'intelectuais' racistas e anti-quilombistas, da enorme longevidade do Quilombo do Catumbi,
área hoje em dia infestada de traficantes bem armados (morro do Catumbi, Mineira, Corôa, Querozene, Prazeres, etc.), a maioria descendente direta dos quilombolas vistos por Ewbank em suas excursões pela Serra do Carioca no distante 1845.
Eles, população do que chamo de grande 'Quilombo Louco', estão completamente dentro do que reza a lei, hoje em dia. Se corressem atrás, ganhariam os títulos de propriedade de vasta região, com direitos à tudo que qualquer cidadão de Ipanema tem.
Outro estimulante e convincente argumento é mostrar a estes racistas ressentidos os inúmeros registros bibliográficos existentes sobre o trágico êxodo de ex-escravos expulsos das terras onde moravam no Vale do Paraíba do Sul, por exemplo, tendo como único destino a Corte e a ocupação de suas encostas.
Se os seus descendentes (até hoje largados à própria e violenta sorte) passarem a reinvidicar as terras dos guetos que ocupam por terem sido ali confinados e as quais agora têm direito supostamente legal, adeus elite 'branca' carioca.
Em breve, não tenho dúvidas, vão construir um muro 'palestino', para barrar a expansão 'desta gentalha'. E depois do muro, o que farão?
A 'família real' (da qual a elite do Rio se julga descendente) teria que fazer o retorno à Portugal, de mala e cuia.
Napoleão ia gargalhar no túmulo.
Abdias do Nascimento gritaria: Olha o 'quilombismo' aí, gente!
Abs
Alguns que publicamos aqui queremos, sim, muito, que nos leiam. Eu desejo isto. Que dizer de quem já publicou impresso, em tempos tantos idos ou mesmo atuais. Atendi a um convite para apresentar a Overmundo e ao mundo uma biblioteca popular comunitária. Fi-lo com a que um povo lindão mantém na Lomba do Pinheiro, a leste de minha cidade, já com 30 mil volumes e visitação crescente de associados. Convido-vos a visitá-la.
Grato.
Bethânia, briga boa. Parabéns!
Roberta Tum · Palmas, TO 22/2/2008 10:50
queridos que comentaram aqui.
só agora os leio pois estava de volta ao trabalho de campo.
continuo me indignando e emocionando.
se voltar ao campo me lembra de como é difícil a briga contra o racismo e a exclusão no Brasil, ainda mais, no tratando no caso em que pesquiso, de uma briga que conta com opositores como Aracruz Celulose e refinarias de álcool (nosso tão aclamado biocombustível), a sobrevivência e continuidade na luta por parte dos quilombolas me estimula e fortifica.
e chegar, um tanto exausta, e ver que consegui que algumas pessoas ouvissem a minha crítica faz também as coisas valerem serem feitas.
continuarei tentando mostrar o outro lado da história dos quilombolas aqui.
obrigada e beijos.
Bethânia,
Aguardarei sempre ansioso suas novas colaborações sobre este assunto que eu acho crucial para a evolução de nossa hoje tão doente sociedade.
Abs
Bethânia, não vi a matéria da Isto É. Mas conheço um pouco dessa história dos quilombolas graças a pessoas como vc, que lutam dia a dia para que a "imprensa oficial" não domine e manipule as informações que a gente necessita ter para ter idéias minimamente corretas sobre as coisas. No caso da disputa Aracruz Celulose X quilombolas e indígenas, é vergonhoso para nós capixabas (e a julgar pela Isto É, para nós brasileiros) como a imprensa simplesmente ignora uma população em favor de uma empresa estrangeira. Não é apenas um caso de informar mal e deturpar fatos: acho que é caso de aplicação da lei do direito de resposta. A revista deveria dar às comunidades atingidas pela matéria o mesmo espaço que usou defendendo o latifundio e as grandes empresas.
Ilhandarilha,
uma imprensa comercial vive de disseminar informações.
Umas até vêm assinadas objetivamente como matéria publicitária, outras são a propaganda dos conceitos e do que deles deriva, as relações sociais que os mantêm.
A imprensa grande é paga por empresas para veicular "o lado bom" dos negócios.
Tem gente que ainda acredita que haja lado bom no negócio de explorar o trabalho alheio e espoliar povos e nações para apropriação privada dos resultados.
Aliás, tem cada vez mais gente acreditando nisso, sem um contraponto que preserve o planeta, a humanidade ou mesmo tão só a força de trabalho.
Gente,
É a hegemonia da ideologia do vale tudo capitalista. Quanto mais a gente se mexe mais afunda na... (deixa pra lá). Vejam que até roubar dinheiro público (ou privado), descaradamente, já está se tornando uma coisa legal, normalíssima.
O Brasil fede.
Abs
Oi, amiga poeta! Enfim consegui deixar meu votinho, ainda aprendendo usar overmundo.. Reli texto, e fiquei maravilhada com tua matéria... abraços
Veja
Meu Poema CONVIVÊNCIA E REALISMO (fila votação)
Se gostar, comente e vote!
http://www.overmundo.com.br/banco/convivencia-e-realismo#c122926
Obrigada,
quando converso sobre este tema na residência universitária, onde moro acabo dizendo algo que fere alguém, então não sei se devo dar uma opinião sobre seu "artigo". posso afirmar que outra hora volto para ler. hei, de onde vc me conhece?
Acho que esse outro texto aqui amplia a questão colocada pela Bethânia.
Ilhandarilha · Vitória, ES 24/10/2008 17:12
Bê
É por ter pessoas comprometidas com o trabalho e sensível a esta luta da regularização dos territórios quilombolas no ES e no Brasil por ter profissionais étnicos, sobreviventes, enfrentando ameaças por defender o que é certo que nós quilombolas ainda não desanimamos, talvez não demonstramos mais é de grata satisfação tê-la conosco no ES, junto com Marco, Lynconl, Jefferson, fazendo o trabalho de vocês transparente e comprometido com a verdade. O ES, só ganhou com sua presença aqui.
Bjus! E não deixa agente não, viu!!!!
Excelente contribuição ao melhor entendimento do problema das questões interétnicas. Vou indicar a um amigo q estuda um comunidade quilombola aqui no Ceará.
Muito bom mesmo!
Abraço!
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!