É impossÃvel analisar a questão da qualidade na TV como um evento separado do resto da sociedade. Ao olharmos só para a ponta do iceberg, corre-se o risco de tomar apenas medidas paliativas, alternativa muito comum para um paÃs acostumado a ser governado por meio de medidas provisórias. Não se pode também, afirmar que a televisão é a vilã e o público o mocinho nessa novela, ou vice-versa, a vida real é muito mais complexa que o produto de maior sucesso dessa fantástica caixa eletrônica. Ambos os lados tem uma grande parcela de culpa no mar de mediocridade em que a televisão brasileira está mergulhada.
Obviamente, o ponto crucial para a melhora da TV está na educação das pessoas. Não apenas na educação escolar, porque senão não terÃamos órgãos regularizadores nos paÃses desenvolvidos, mas na formação cultural da sociedade como um todo. O ser humano parece ter uma tendência a gostar do bizarro. Se ele adora ouvir a briga dos vizinhos, como não deliciar-se com as baixarias na televisão?
Está claro que os órgãos regularizadores têm de ser mais atuantes, como até estão sendo, houve uma razoável melhora na programação de cerca de cinco anos pra cá. Mas é preciso agir com bem senso, ter critérios claros e uma ampla discussão com a sociedade, pois não se pode correr o risco de afundarmos num processo ditatorial.
O que ocorre no meio acadêmico, à partir do conceito de Indústria Cultural criado pelos franfurtianos Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, é uma espécie de “demonização†da TV. Sempre se ouve que os meios de comunicação de massa são instrumentos de manipulação das pessoas. E são, é verdade. Mas são apenas as caixas de ressonância de uma manipulação que começa na escola, no trabalho, na polÃtica. O próximo passo é entender os meios de comunicação e utilizá-lo com sabedoria, favorecendo a sociedade.
O Nazismo utilizou-se do rádio e do cinema, os grandes meios de comunicação da época, para se expandir e doutrinar novos membros. Por que não começar uma revolução do bem, levando cultura e esclarecimento à população através da televisão? Como fazer isso é outra grande discussão, mas o pontapé inicial tem que ser dado.
Todas as televisões abertas são concessões públicas. Ou seja, eu e você temos o direito de interferir no que assistimos, temos direitos sobre os canais. Os donos de emissoras têm que prestar contas com a população, não apenas brigar a qualquer custo pelos pontos na audiência. Se houver uma mobilização, pode haver uma grande mudança, e quem sabe no futuro a televisão seja o espelho de uma sociedade mais inteligente e esclarecida.
Enquanto isso as crianças são desmamadas em frente suas televisões. A programação demasiada pobre configura-se como se fossem maternos “úberes vÃtreosâ€, tornando-se no final do processo, verdadeiras babás eletrônicas, educadoras e moralizadoras responsáveis e com programação 24 horas por dia.
À frente desta celeuma encontramos em muitos casos a figura pitoresca do polÃtico. 60% dos parlamentares são proprietários ou sócios de empresas de comunicação de massas e os demais, dependentes delas para se reeleger.
Resumo da ópera: as crianças adoram ver TV e os polÃticos estão de saÃda para a pizzaria.
Fiorotto, quanto á diagramação do texto, seria legal um "espaço" entre os parágrafos. Isso agiliza a leitura e visualmente, fico muito mais leve... Abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 30/4/2007 15:37
Texto legal... Ainda dá tempo de editar as quebras de parágrafo?
Tranquera · São Paulo, SP 1/5/2007 21:37Filipe e tranquera, obrigado pelas dicas de edição...aogra já não da mais pra mudar, mas nos proximos textos vou me ligar nisso.
Fiorotto · Ribeirão Preto, SP 1/5/2007 22:37
Firotto.
Muito bom seu artigo.
Tem um outro texto rolando aqui no overmundo sobre a TV Pernambucana que é bem parecido com o seu, dê uma olhada é legal também.
Um abraço!
Fiorotto,
Gostei do artigo e gostaria que você desse uma olhada em outro que escrevi, intitulado: "Cultura, Comunicação e Politica: Tudo a Ver", que tem alguma coisa a ver com o seu, embora o assunto principal seja o radiojornalismo.
Nesse mesmo texto eu sugiro um link em TVs Comunitárias para o site do Intervozes.
Vale a pena dar uma olhada.
Abraços,
O assunto é delicado e profundo. Temos que pensar que somos a cultura da "pós-ditadura militar" e também "pós-nazismo", como você disse no seu texto. E todos sabemos que refletimos a cultura em vigor. Você diz: "Por que não começar uma revolução do bem, levando cultura e esclarecimento à população através da televisão? Como fazer isso é outra grande discussão, mas o pontapé inicial tem que ser dado". Portanto acho o ponto contudente da discussão. Sabemos que o nazismo achava que estava fazendo o "bem" e o Bush, também, acha que esta fazendo o "bem" invadindo outras paises em busca de suas necessidades. Temos que ter a "opção" de escolher e a "diversidade" nos programas nas redes abertas de emissoras de televisão.
valério cicqueira · Curitiba, PR 4/5/2007 11:10
Zezito e Higor, muito obrigado pelas dicas de texto e tb por lerem meu artigo.
Valério, muito bom seu comentário. Entendo sua preocupação e essa preocupação tb é minha. Tanto que não consegui apontar nenhuma solução para isso, esse texto é justamente para levantar o debate. Melhor assistir baixarias do que ser privado do direito de assistir o que quiser. E não proponho um canal que pasteurize idéias panfletárias, justamente o contrário, gostaria de ver realmente uma "diversidade", coisa que na realidade não ocorre na TV aberta brasileira, de preferência com várias opções culturais, para ajduar na formação de melhores cidadãos. Ajudar, pois o trabalho de formar cidadãos não pode ser obrigação de emissoras de TV.
Fiorotto;
Acho que é bem por ai, concordo com todas as palavras.
Tem um artista plástico" aqui de curitiba ( goto ) que fez um trabalho super interessante sobre a questão. Ele fez um trabalho chamado "desligare", convidou as pessoas e registrou em video elas desligando a TV nos programas que elas desaprovam. Ficou um trabalho trabalho ótimo e o melhor da trabalho, acho eu, foi a questão que ele levanta. Com direito a uma parte conceitual, em texto, que ele proprio escreveu. Ele faz um estudo super interessante sobre o assunto e os "efeitos" em nossa sociedade.
Valério,
O trabalho em forma de fotos ou de video e/ou o estudo em forma de texto de goto pode ser disponibilizado aqui no Overmundo?
Higor,
Se puder indicar o link do texto sobre TV Pernambucana que você sugeriu será bem legal.
Abraços,
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