Reverb Brasil: intangível e funcional

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Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG
6/2/2007 · 158 · 5
 

Surgimento e contextualização.

Minas Gerais é um Estado que não possui mar, mas, curiosamente, é responsável pela maior cena de surf music do Brasil, atualmente. Isso se deu graças ao trabalho da Reverb Brasil, a Associação Brasileira de Bandas de Surf Music.

Tudo começou com a criação de uma lista de discussão no yahoogroups, em 2000. Os dois amigos que a criaram, Leopoldo Furtado e Daniel Werneck, tinham uma banda de surf music e resolveram unir outros grupos brasileiros em uma lista de discussão, com o intuito de divulgar esse estilo de música. Assim que criaram a lista, espalharam pela internet a notícia. Os seus criadores afirmam que ela é uma lista de entusiastas, já que fazem parte dela tanto artistas quanto apreciadores dos trabalhos destes. Atualmente são 148 associados - com origem em todas as regiões do país -, mais de 20 grupos musicais representados e já foram trocadas mais de 13 mil mensagens.

O que ocorreu foi uma união de pessoas com um objetivo em comum: divulgar a surf music nacional. Há um interesse de um lado dos artistas em divulgarem a própria música, mas também em ver outras bandas do gênero ganhando espaço e, conseqüentemente, gerando visibilidade para toda a associação.

Se há uma representação física da Reverb Brasil, ela está na capital mineira, Belo Horizonte. Pois era lá que eram realizadas as reuniões dos criadores da lista (elas estão suspensas até o estabelecimento de uma nova sede para a realização das mesmas). Tudo o que é discutido nesses encontros presenciais depois é apresentado para a lista, para que haja uma segunda discussão.

A criação da Reverb não está ligada a nenhum contexto específico de Belo Horizonte ou de Minas Gerais. A iniciativa poderia ser facilmente realizada em qualquer outra cidade. Tendo em vista que o estilo musical apresenta em sua maioria músicas instrumentais, a transposição de barreiras culturais e geográficas fica assim mais fácil de acontecer.

Ela não só pode ocorrer em outros contextos, como, de acordo com seus criadores, a Reverb Brasil se inspirou no modelo de negócio nada tradicional da Psychobilly Corporation, de Curitiba. As duas iniciativas possuem diversas afinidades. Apesar de serem voltadas a gêneros musicais diferentes, elas atuam utilizando a ligação entre fórums on-line e listas de discussão gratuitas na internet com a realização de festivais, espaço em programas de rádio, websites, etc. Há uma interligação entre mobilizações de ações online e offline.

Para uma iniciativa reconhecidamente informal, a Reverb alcançou resultados expressivos. Um dos sinais disso é o reconhecimento da mídia regional e nacional. Ambas têm conhecimento da iniciativa e praticamente todos os jornais e tvs locais já publicaram algum material sobre esse trabalho. Nacionalmente, também houve cobertura em algumas revistas, jornais e tvs.

Trabalhando em conjunto de forma descentralizada e aberta

O caráter informal da criação da lista de discussão acabou servindo como base para todos os negócios que se estabeleceram a partir dela. A horizontalidade nas relações entre os seus integrantes é algo importante a ser destacado. O caráter democrático e livre para a tomada de decisões é um aspecto fundamental para o desenvolvimento de suas atividades.

Portanto, apesar de ter sido criada e possuir uma “sede” em Belo Horizonte, há autonomia para que integrantes da Reverb atuem em seu nome em seus locais específicos. Todos os participantes têm a autorização de produzir eventos sem o aval da lista. Essa forma de atuação visa disseminar o acesso à cultura da surf music.

A utilização de diversas ferramentas na internet para a divulgação das suas ações (como Orkut, fotolog, rádios on-line, myspace) são vias para a disponibilização de mp3s, podcasting e quaisquer outros tipos de conteúdo gerado pelas bandas integrantes. A facilidade para se ter acesso ao conteúdo musical produzido pelos integrantes da Reverb Brasil é fundamental para a multiplicação de shows, eventos e expansão da rede de surf music nacional. A flexibilidade em relação à propriedade intelectual das obras possui o objetivo final (mesmo que não afirmado diretamente por todos os participantes da Reverb) de divulgação dos trabalhos dos artistas envolvidos. Essas tecnologias gratuitas de comunicação são fundamentais para a execução das suas ações. Elas são utilizadas de forma a facilitar e agilizar os projetos. Muitas vezes isso ocorreu de maneiras muito simples, como, por exemplo, a disponibilização de contratos padronizados para a cessão de direitos autorais na lista de emails, para que fossem veiculadas músicas dos artistas da Reverb num programa televisivo. Também nesse caso não houve pagamento de direitos autorais aos artistas. Mais uma vez, a idéia era conseguir atenção da mídia e do público. É importante ressaltar que a execução das músicas no programa era voluntária, nenhum artista teve a sua obra utilizada sem autorização prévia. Essa facilidade para solução de problemas que envolvem partes geograficamente dispersas é um dos maiores pontos positivos da lista.

A parceria mais importante da Reverb é, sem dúvida, a casa de shows belo-horizontina A Obra. Apesar de a lista na internet ter sido criada anteriormente a essa parceria, o que se estabeleceu entre os dois lados é um tipo de relação de simbiose, já que com a atividade gerada, os dois lados são beneficiados. É lá que ocorre anualmente o festival Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe. O “Campeonato” já está em sua sexta edição e é talvez o mais importante braço da Reverb, de acordo com Cláudio Pilha, proprietário d’A Obra, integrante da Reverb Brasil e baterista da banda de surf Estrume’n’tal.

Uma outra importante parceria estabelecida para a Reverb Brasil foi a inclusão do Campeonato como membro fundador da Associação Brasileira de Festivais Independentes, a Abrafin, criada em dezembro de 2005. Essa é uma parceria entre organizadores de festivais com o objetivo de trabalhar em conjunto para atrair atenção da mídia e de investidores e também para demandar apoio governamental, o que já está ocorrendo via Ministério de Trabalho, por meio de apoio do Sesc e do Sebrae.

Além dessas duas principais parcerias, outras pequenas e diversas foram estabelecidas com atores locais: mídia, comércio, empresas de divulgação, hotéis, etc.

Os braços da Reverb e a Surf Music como negócio

Para facilitar a compreensão, dividirei as diversas formas de atuação da Reverb em três grupos. No entanto, alerto para o fato de que o limite divisório entre eles não é tão claro e definido e, em muitos casos, acabam se interligando. Tomo aqui a noção de “produto” na sua forma mais abrangente e não necessariamente mercadológica.

a) Produtos de divulgação: A Reverb possui quatro produtos mais importantes de divulgação. Eles não geram nenhum tipo de renda direta e possuem gastos mínimos.

• A própria lista de discussão, que é a fundadora de toda a iniciativa e ainda a maneira mais eficiente de comunicação entre os participantes.

• O programa na Rádio Inconfidência (30 minutos dentro do “Rock Brasil”). Sendo esse o segundo programa da associação, levando em conta que um primeiro foi realizado durante um ano e meio (de 23/12/2001 até 03/08/2003) na rádio comunitária Favela FM. Ambas as rádios possuem proeminência e destaque local.

• O website localizado à http://www.reverb-brasil.org/

• A criação de uma banda coletiva, a Reverb All-Stars, composta por integrantes de diversos grupos e que tem a função de se apresentar em festivais de música para divulgar a surf music.

b) Produtos diretos e de comercialização: Esses produtos comercializáveis são aqueles em que há algum tipo maior de custo e de renda sendo gerada e que estão mais diretamente ligados a um mercado consumidor.

• O disco “Reverb Brasil: Uma coleção de bandas de surfe” lançado no formato CD. Esse foi o único disco lançado oficialmente pela Reverb Brasil.

• O festival Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, realizado anualmente, desde a criação da associação, em Belo Horizonte.

c) Produtos indiretos e de comercialização: Esse grupo possui as mesmas características do grupo b, com a diferença de que esses produtos são difíceis de serem auferidos, pois eles representam os diversos desdobramentos indiretos que ocorreram graças à rede criada pela Reverb. A lista coloca em contato pessoas de diferentes regiões e consegue com isso facilitar turnês e a distribuição de discos. Como a atividade dos participantes da Reverb é altamente descentralizada, não há como saber ao certo quais eventos foram organizados por apenas uma iniciativa individual e quais estão diretamente ligados ao grupo, mas, de uma maneira geral, boa parte dos eventos realizados perpassa pela lista da Reverb em algum momento, direta ou indiretamente. Cito aqui alguns exemplos:

• Duas edições do Hell Surf em Curitiba (evento que levou a “marca” Reverb)

• Duas etapas em Salvador do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe

• Diversos outros shows organizados pelo país inteiro com a utilização da rede de informações que foi criada.

Como afirmei acima, a separação entre esses produtos é apenas para fins de compreensão, pois estão todos interligados. Na maior parte das vezes, a sustentação e a criação de um produto estão ligadas à viabilidade de outro.

Os produtos do item b não geram grandes somas. De acordo com dados apresentados pelo organizador do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe e proprietário do bar A Obra, Cláudio Pilha, os lucros e prejuízos gerados a cada edição não são muito significativos, portanto, podemos considerar que o evento costuma se auto-sustentar sem muitas dificuldades. Quando há prejuízo, ele é arcado pela casa de show e, quando há lucro, é dividido entre as bandas participantes. Os principais custos do Campeonato são: passagem, estadia, alimentação, transporte, divulgação. Eles são pagos com a renda gerada pela bilheteria.

Em relação ao disco lançado, a tiragem inicial é de mil cópias. Esse número foi distribuído igualmente entre as diversas partes envolvidas na realização do produto: a Reverb, as bandas, os distribuidores e a gravadora. Cada um desses ficou com 40 cópias e a utilização (comercialização ou não) coube a cada parte decidir individualmente. Em relação aos direitos autorais, estes foram mantidos com os músicos e autores.

A idéia da Reverb é ser uma propulsora da cena da surf music nacional (tornando muitas vezes o trabalho intangível), então se há algum ganho, ele é direcionado aos artistas, não para a “instituição” Reverb. Não há o objetivo direto em perseguir o lucro, o interesse é que haja um ganho indireto para as bandas que fazem parte da associação. Boa parte dos seus produtos não gera grandes despesas (item a). Os que geram (item b e c) são auto-sustentáveis. A comprovação da eficácia dessa rede de troca de informações culturais ligadas à surf music gerada pela Reverb Brasil é explicitada em alguns dos relatos abaixo:

1 “Algumas das bandas foram parar em programas de TV como Gordo Freak Show (MTV), Programa do Jô (Globo) e fizeram turnês pelo país e no exterior. Só não sei se tudo isso aconteceu por causa da Reverb Brasil. Certamente algumas sim, como a turnê 'Onde Está Bin Ladi Brasil Surf Music Tour' de 2004 na qual Estrume’n’tal, Go!, The Gasolines e Os Ambervisions saíram em turnê pelo país”, integrante da banda Estrume’n’tal (MG)

2 “A divulgação é inevitavelmente positiva. A partir dos campeonatos começamos a ter maior visibilidade em certos meios de comunicação. O contato entre as bandas nos ajudou a fechar futuros shows. Passamos a ter mais segurança da qualidade de nosso trabalho, pois pudemos vê-lo lado a lado com os maiores nomes da surf music na época que participamos dos festivais, além de ampliar nossa visibilidade, foram passos importantíssimos para a nossa carreira, sem dúvida alguma. Por isso acreditamos no potencial da Reverb para mobilizar e articular eventos, assessoria de imprensa, etc” integrante da banda Dead Rocks (SP)

3 “Fazer parte da Reverb nos ajudou muito. Principalmente na divulgação. Muita gente nos conheceu através do site da associação, e mais ainda pelo campeonato mineiro de surfe”, integrante da banda Los Muertos Viventes (ES)

Questões relacionadas à propriedade intelectual

Como as bandas integrantes são todas independentes, não há uma grande preocupação com a cobrança de direitos autorais. O objetivo da reverb é exatamente divulgar o trabalho desses grupos para que eles possam participar de festivais, tocar em programas rádio e televisão brasileiros e também de fora do país.

Não há, portanto, uma relação formalizada entre a Reverb Brasil e as questões de propriedade intelectual. Com a observação de suas atividades pode-se inferir que ela estimula a livre circulação das músicas, com o objetivo maior de divulgação dos grupos e do crescimento da cena. (respondido nos exemplos acima)

Apesar de inexistir uma postura definida em relação ao tema, há uma tendência e interesse por parte dos atuais membros mais ativos – Leopoldo Furtado e Cláudio Pilha – em utilizar licenças como o Creative Commons para as produções da Reverb. Prova disso é a disponibilização de metade das músicas da coletânea produzida pela associação aqui no Overmundo.

Disponibilização essa que foi consentida por todas as partes envolvidas. A maior dificuldade para que isso se torne uma política definida pelo grupo está exatamente na raiz do seu surgimento. A forma descentralizada e livre adotada para o projeto dificulta, algumas vezes, a tomada de decisão em conjunto, que represente um opinião unânime. Portanto, internamente, há divergências quanto à livre distribuição das músicas na Internet. Embora a maior parte dos integrantes seja favorável, há algumas vozes mais conservadoras que não vêem com bons olhos esse tipo de circulação de arquivos de áudio na web. Em razão disso, não há um regime absoluto que responda oficialmente às questões de propriedade intelectual. Cabe a cada músico ou banda autorizar ou não o livre acesso às suas obras. A prova que essa voz discordante representa uma pequena parcela da Reverb é o fato de que todos os artistas que foram interpelados concordaram em disponibilizar os seus trabalhos sob a licença Creative Commons no Overmundo. Em relação ao disco lançado pode-se afirmar que ele é uma obra regulamentadas de acordo com o direito autoral tradicional. Já as faixas presentes no site oficial da associação não possuem uma clara definição quanto a esse tópico.

Outra divergência está presente na discussão quanto ao futuro do projeto. Alguns defendem que ele deve continuar ocorrendo de maneira informal e essa é uma das razões do seu sucesso, enquanto outros defendem passos “maiores”, objetivos mais precisos e práticos.

Os próximos passos e alguns apontamentos

É interessante perceber que a informalidade como forma de agir coloca-se como uma questão importante ao futuro desse empreendimento. Antes, devo ressaltar que, observando de perto os eventos realizados pela Reverb nos últimos anos, a palavra “informal” aqui não está ligada a uma noção de trabalho “amador” ou de falta de profissionalismo.

Se é ao caráter informal e de participação livre (cada um ajuda quando e da maneira que pode) que é atribuído o sucesso do empreendimento é também em função disso que o futuro da Associação Brasileira de Bandas de Surf Music é incerto. No momento em que a contribuição espontânea se tornar desinteressante para os participantes, haverá em algum nível um abalo na produção coletiva.

Mas, ao mesmo tempo, parece haver uma consideração maior e mais consistente por parte dos seus membros em oficializar alguns pontos da associação. Entre eles, destacam-se:

• Criação de uma pessoa jurídica da Reverb Brasil

• Realização de um fórum anual durante o Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe

• Utilização de recursos de leis de incentivo cultural
Lembrando que essa é uma atividade pouco rentável para as pessoas que a realizam, o empenho e a dedicação dependem, muitas vezes, do tempo livre dos participantes. Para os organizadores, a principal prova que o trabalho (mesmo que informal, espontâneo e não muito rentável) tem dado certo é a realização anual do Campeonato Mineiro de Surfe e também o número de shows e discos lançados dentro e fora do país. Embora não houvesse o interesse em que a associação fosse um projeto diretamente rentável na sua fundação, atualmente cogita-se a formalização das suas atividades. A possibilidade de trabalhar com recursos mais amplos advindos de leis de incentivo ofereceria melhores condições tanto para os músicos quanto para os realizadores das próximas edições do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe. Esse é o único planejamento consistente da Reverb que possui a intenção de tornar os seus projetos diretamente rentáveis.

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eduardo ferreira
 

reverbera brasil! salve minas! impressionante esse espaço virtual que possibilita transformar uma cidade sem mar na capital da surf-music brasileira. valeu sérgio, bela abordagem.

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 5/2/2007 16:22
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Sempre apreciei a consistência da cena de surf music em Belo Horizonte e sempre me surpreendo com a estrutura do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, mas não sabia que a Reverb era algo tão aberto e não fazia idéia de que era aqui que se concentravam os maiores esforços.

E teve uma campanha de um dos campeonatos que ganhou prêmio de publicidade, era maravilhosa! Não achei foto na internet, se alguém por aí tiver, será um ótimo acréscimo!

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 6/2/2007 01:44
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Sergio Rosa
 

Valeu, Eduardo!

Pois é, Camila, acho que tem muita gente que não sabe que a Reverb começou por aqui... acho que isso é até prova do trabalho intangível que eles realizam.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 8/2/2007 12:32
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Leopoldo Furtado
 

Poxa, não tinha visto ainda! Ficou muito legal!! :)

Leopoldo Furtado · Itabira, MG 12/2/2007 21:30
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Lia Amancio
 

Nossa, só vi esse texto agora. Excelente! Conheço a Reverb-Brasil desde que era apenas um canal do mirc, vi a organização crescendo... é gratificante ver um assunto como esse levado a sério.
* * *
Sabe, um passo que sou totalmente a favor é, enfim, associar a surf music com a cultura surf - por incrível que pareça, são duas coisas que não se esbarram.
Como isso poderia ser feito? Bem, isso é assunto pra discutir lá na lista. Ou na próxima ida a BH.

Lia Amancio · Rio de Janeiro, RJ 29/5/2007 00:42
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