O pequeno ai de cima se acalma quando a mãe digita alguma coisa. O som das teclas, pra ele, é tão familiar que conforta. Não existe "revolução", nem "inclusão" digital: ele simplesmente já está lá na frente. Nasceu assim e pronto. Ele NÃO vai se deslumbrar com sincronização de dispositivos com "I-seja lá o que for", nem vai achar lindo poder comprar música sem sair de casa. Vai dizer, aos nove anos, ao ver um Imac: "Minha mãe tinha um monstrengo desses quando eu era pequeno, véi". Com certeza, pro meu desespero, vai driblar qualquer sistema de rastreamento que eu tentar utilizar e ainda por cima instalar o que quiser, onde quiser, na hora que quiser, modificando tudo a seu gosto e vontade própria. Orgulho de mamãe.
Eu duvido que uma geração entrona, pegando carona na onda do digital, tenha capacidade pra acompanhar isso tudo se continuar pensando pequeno, em termos de revolução digital. (Falando da web de hoje).
Do povo total do mundo só 3.4% de africanos são utilizadores de internet, por exemplo. Mas vá lá, isso nem incomoda tanto. Então vamos usar o Brasil de exemplo. Aqui a gente projeta, fala de interação, usabilidade e usuário, ignorando solenemente uma fatia desafiante de indivíduos quando se fala de digital. Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. (Idoso=mais de 60 anos). Meus pais têm essa faixa etária e não sabem usar direito o pc. Não por preguiça deles, mas dos responsáveis pelo desenvolvimento da coisa toda. E os vizinhos, da mesma faixa etária e classe social, também não. São 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País. Em 2020 eles devem ser 30 milhões.
Essa galera que não consegue gravar um cd ou abrir o Itunes tem força comercial e é parte dos consumidores influentes para uma grande parte de empresas. (carros de luxo, por exemplo) Entretanto, não têm acesso ao FAQ de um site simplesmente porque sua interface não se adapta aos seus conceitos. Projetar pra quem já sabe navegar não tem graça, pelo menos pra mim. É só repetição e adaptação de conceitos, na maior parte. Os "idosos" estão de fora da "revolução", assim como a secretária aqui de casa, que só usa mesmo o celular(só pra sms) e o orkut. Ó inclusão.
Eis aí um exemplo de que não há revolução social ainda. Só comercial e olhe lá.
Criamos uma web fechada, comercial, repetitiva, condicionada e sujeita à regulamentações inadequadas. Criamos novas maneiras de vender, trocar e fazer marketing, mas enquanto alguns problemas continuarem ignorados, a rede vai se limitar ao que é, cumprindo um sub-papel dentro da verdadeira revolução.
"Uma revolução só pode ser experimentada quando todos os pontos fundamentais que sustentam o status quo de uma sociedade invertem-se completamente." Não sou marxista nem de longe, mas costumo dar atenção a leituras que façam sentido. E nessa, estou completamente a favor.
Sabe que é assim mesmo. Talvez para a criança, bebê, o tic-tec-tac
do teclado não seja tão monótono, sem graça como nós pensamos
legal
um abraço andre.
Bom, isso eu não sei. Mas que ele dorme ouvindo o teclado, dorme, hehe.
Abraços
Yasodara, eu também acho todas essas regulamentações inadequadas, mas eu não consigo abrir o link que vce publicou.
Rick High · Rio de Janeiro, RJ 7/5/2008 17:44
A idéia pe de pirar o cabeção. Dificil é usar o Marketing para por em prática uma web acessível aos coroas. Eu bem que queria, seria duplamente maravilhoso: ajudá-los e faturar uma boa grana com o segmento da terceira idade.
Tem algum sócio por aí?
Amei !
E minha Lú nasceu assim, mamando de duas em duas horas na frente do computador !
Claro que ela já domina uma e outra coisa por aqui que eu não sei nem por onde começar ![:)]
aqui em casa, o uirá é assim também.
agora com 3 anos, o menino já tem uma banda e lançou seu EP no myspace. chama-se MEU AMIGO IMAGINARIUM. confira:
www.myaspace.com/meuamigoimaginarium
é isso aí, o texto é muito bom, man!
abraço,
rodrigo
para os críticos de uma pseudo-revolução devidamente cerceada por elites diversas, vale entrar no debate neste post aqui.
replicando aqui algo que disse lá (e interessantemente ficou sem resposta):
"Sobre “cortarem a luz” ou “desligarem a internet”, precisa mesmo ser um shutdown? controlando as possibilidades de uso com firewalls, criando jurisprudências contra blogs e redes sociais, criminalizando tecnologias e hábitos por causa de maus usos minoritários… não é uma forma de levar à prevalência de uma única proposta de sociedade, baseada na propriedade, identidade vigiada e autoridade?
Já pararam pra pensar que tem gente que não faz questão de computador e internet e são felizes? Plugar tudo o que existe vai levar à resolução das nossas falhas de caráter, vai acabar com as ansiedades e mágoas que nos coloca em guerra? Na boa, qualquer coisa aquém disso não me parece revolucionário…"
Yasodara,
Achei bacana também o teu papo, um corte bem original no assunto.
Contudo, só pra alimentar o debate, declaro que há o contraditório a ser explorado nisto aí também (hoje estou assim, conciliador, tão cheio de meias medidas)
Veja eu, por exemplo: Tenho mais de 60 e navego, cada vez mais, leve e solto por aqui. Meus filhos mais novos (15 e 24) não fazem nem um décimo do que faço na internet. Zombo dele , mas, não ficam a fim. Só usam MSN, Orkut, You tube e Windows Media Player. Para eles Internet é só uma maneira viciante de bater papo sobre abobrinhas, com música ao fundo. Lan House em casa, por aí.
Eu acho a internet fantástica, a invenção mais importante de nossa era. Só que sei que é apenas um Meio, uma ferramenta, não substitue a cultura e a inteligência das pessoas. Para mim a internet não tem que ser revolucionária não. Não lhe cabe este papel. Quem faz revolução não é o Meio (nem a arma). Quem revoluciona a vida são as pessoas.
E assim mesmo se forem espertas e estiverem a fim.
Abs
Bem verdade. Revolução é coisa difícil nestes tempos. Hipocrisia é bem mais simples.
wam nick · Recife, PE 8/5/2008 14:16
É. Ainda tem isso, Daniel Pádua e Spirito Santo: quem quer se inserir no contexto de internet. Na real, dá pra ser feliz sem, claro. Não muda nada se eu me comunico pela rede, telefone, carta ou telepaticamente. Só acredito no potencial da web enquanto ela continuar a diminuir a distância, ou o tamanho do anteparo entre emissor receptor. Na certa, quanto menor a interferência de um meio, mais pura a comunicação. Eis de onde viria uma revolução, quem sabe...
Yasodara Córdova · Brasília, DF 8/5/2008 22:28Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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