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Rock japonês seduz potiguares

Pandora no Hako
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Yuno Silva · Natal, RN
10/3/2006 · 334 · 3
 

Meia hora de encontro, e 11 dos 14 músicos, alguns acompanhados das namoradas, já estavam em local e hora combinados. Mais 30 minutos de mobilização generalizada, e a roda passa a contar com quase 20 pessoas conversando sobre j-rock, animes e Naruto (!!?). Rock, mangá e Jaspion soam mais familiares? Pois bem, a essência é a mesma — e o "J" vem de "japanese". Legítimas representantes do rock japonês 'made in' Natal, únicas por sinal, a veterana Pandora no Hako (formada em 1999) e a novata Saigo Ni, respectivamente "Caixa de Pandora" e "Último Instante", vêm chamando atenção de jovens e adolescentes fascinados pela cultura pop japonesa.

O caminho para se montar uma banda de j-rock parece seguir a mesma trilha: para começar, todos são fãs de mangá (HQ japonesa). Vidrados em animes (mangás em filmes animados) e em todo o universo que cerca os Cavaleiros do Zodíaco, logo a trilha sonora das séries também passa a ser alvo de curiosidade. A partir daí, juntar um grupo de amigos para tocar covers de bandas do pop/rock nipônico, como as clássicas X Japan, L'arc-en-Ciel e Luna Sea, passa a ser uma questão de tempo. "Quando percebemos, estávamos ouvindo mais rock japonês que assistindo aos animes", lembra Luciano Sabino, 22, vocalista da Pandora no Hako. Sabino, único que cursa música na universidade, também é cantor de ópera e estudante de violino há dois anos.

Porém, apesar do gênero remeter a bandas de aparência andrógina, onde o cuidado com o figurino extravagante e a maquiagem sombria são tão importantes quanto instrumentos bem afinados, as potiguares não adotam o "visual kei" - ou "visual rock" - popularizado pela X Japan, considerada a pioneira do estilo com projeção internacional. "Requer toda uma dedicação, não temos nem como pensar em figurino tendo que cuidar dos equipamentos. Já pensou a maquiagem escorrendo com o suor? Não ia dar certo", observa Anchieta Cruz, 24, baixista da Pandora e responsável pelo registro das experimentações no estúdio caseiro.

Além de Anchieta, bacharel em Direito e originalmente mais pianista que baixista - instrumento que aprendeu a tocar justamente para completar o grupo -, e Luciano, ainda fazem parte da Pandora os guitarristas André Herman, 23, que cursa engenharia agronômica, e Paulo Dantas, 22, estudante de filosofia, Roberto Lima, 22, baterista e licenciado em educação artística, Daniela Cavalcanti, 19, tecladista e recém aprovada no vestibular para economia, e o 'chefe' dos roadies Flávio Augustus Maia.

Já a Saigo Ni, que em um ano de existência fez três shows — todos com a Pandora, sendo dois deles como segunda banda e o outro como atração principal —, traz na formação o programador e baterista Tarso Nunes Aires, 24, o tecladista Victor Cavalcante, de 17 anos, o estudante de publicidade e baixista Marcus Vinícius, 22, os guitarristas Christi Rocheteau Paiva, 19, e Andreidy Andry de Andrade (ou "And³"), 23, estudante do curso de geologia e mineração do Cefet, mais os vocalistas em experiência Bruno Henrique, 18, e Maíra Rinoa. "Nosso vocalista anterior perdeu o interesse", justifica Tarso.

O que muda é a língua

Como no rock ocidental, podemos definir a Pandora como uma banda de j-rock e a Saigo Ni de j-pop/rock. "Tirando a língua, a harmonia é a mesma desde Bach. Por isso, a diferença entre um rock ocidental e um japonês é tão difícil descrever quanto conceituar o que é rock europeu e o que é rock americano!", explicou Anchieta, sem deixar brechas para novas dúvidas sobre a questão.

Diante da diversidade de influências musicais, se pudéssemos somar todas criaríamos a criatura mais abominável que os heróis de anime poderiam imaginar. Anchieta é ligado à música clássica, Sabino ouve de ópera a Cristina Aguilera, Bruno também canta em uma banda de hardcore e estuda violino. Marcus também toca pop/rock em português e Rocheteau confessa disfarçadamente que prefere HQ norte-americana, enquanto Victor seria o intérprete oficial em uma possível turnê pelo país do Sol nascente. Ele é o atual (2005) campeão brasileiro de oratória em japonês da categoria B — para quem não fala fluentemente (!). "Conheci Salvador e São Paulo falando japonês", contou o natalense. "Um dos prêmios é uma viagem para o Japão, mas ainda falta um teste... ainda não sei direito. A princípio ficou marcado para outubro deste ano", planeja o também 'quase' técnico em rede de computadores formado pelo Cefet/RN.

A regra básica

Quanto ao repertório, nova coincidência: as duas lançam mão do mesmo artifício. "Misturamos músicas de animes com covers de bandas famosas de j-pop/rock, no caso damos ênfase para composições da L'arc-en-Ciel", adianta-se Tarso. "Para tocarmos uma música é importante gostarmos dela, e saber que o público também gosta", enumera Victor, único do grupo reunido que estuda a língua japonesa com afinco há quatro anos. "Nosso público é muito exigente, já chega nos shows sabendo o que quer ouvir, por isso a dificuldade em introduzir músicas nossas no repertório", completa Anchieta. A Pandora no Hako inclui nos shows temas do Cavaleiros do Zodíaco, Changeman e Jaspion.

Ambas preferem não fazer muitos shows para não saturar o público, normalmente a média - no caso da Pandora no Hako - é de 4 ou 5 apresentações por ano. "É uma regra básica", notifica Anchieta, o 'cara do home estúdio'. A média de público chega a 300 pessoas por show: "Tem alguns velhões, mas maioria está na faixa dos 15, 16 anos", emenda.

Questionados sobre entender ou não tudo o que canta, o baixista da Pandora adianta-se: "Podemos não saber a tradução de palavra por palavra, mas temos uma idéia clara do contexto. A preocupação é fazer boa música e articular corretamente os vocábulos", simplifica. As letras 'emo' são uma constante e falam de amor, superação, desafios da juventude, paixões e desilusões — melhor que responder: "a inspiração vem do cotidiano" (!).

Ainda sem CD lançado, a Pandora no Hako vem se arriscando nas composições autorais, todas escritas em português e traduzidas por Victor, da Saigo Ni. "Não temos essa preocupação com a concorrência, quanto mais gente curtindo nosso som melhor. E que surjam outros grupos", afirmam em uníssono. Apenas uma banda brasileira de j-rock tem CD lançado com músicas próprias, a carioca Psygai.

Como não poderia deixar de ser, o perfeccionismo e o padrão de qualidade japonês influenciam até na hora de gravar uma demo. "Muitas vezes passamos meses gravando uma música. As gravações são repetidas à exaustão até ficar como queremos", conta Anchieta, que também faz as vezes de produtor musical. "Uma vez, mexemos tanto em uma música, que acabamos danificando o arquivo aberto (apto à manipulação em programas específicos para áudio). Como já tínhamos uma versão em mp3 gravada, acabamos disponibilizando do jeito que estava na internet", lamenta.

As coisas acontecem na rede

Ferramenta indispensável para interagir com núcleos de outros estados, a internet é o ambiente ideal para compartilhar informações e músicas em mp3. As poucas já distribuídas pela grande rede de computadores já fizeram a fama da Pandora no Hako Brasil afora. "Antes os contatos eram via mIRC e ICQ (programas de conversa e compartilhamento de dados on line), hoje o Orkut é o principal meio de divulgação", disse o guitarrista André Herman.

O primeiro show da Pandora no Hako fora RN, tida como uma das pioneiras do j-rock no País, está marcado para agosto deste ano, durante a terceira edição anual do evento Super Hero Con, em Recife, Pernambuco. Voltado para esse segmento da cultura pop jovem japonesa, o Super Hero Con é o segundo maior encontro do gênero no Nordeste - em 2005 reuniu cerca de 6 mil pessoas em 2 dias -, ficando atrás do Sana (Super Amostra Nacional de Anime), realizado há seis anos em Fortaleza, Ceará, que tem o dobro do tamanho. Ou seja, 12 mil pessoas jogando vídeo game, lendo mangá, ouvindo rock japonês, assistindo palestras e trocando figurinhas sobre Animes no mesmo lugar. "Em São Paulo, o Anime Friends e o Anime Con, os maiores do Brasil, somam juntos mais de 100 mil participantes", informa Victor.

A versão potiguar desse tipo de festival chama-se Saga de Entretenimento, que em outubro do ano passado juntou cerca de 600 aficcionados em mangás em um dia de evento. Inclusive, a ocasião também serviu para a Saigo Ni pisar pela primeira vez em um palco.

Por enquanto ainda não há previsão para lançamento de CD, mas a Pandora no Hako adiantou que está trabalhando na gravação de um disco em homenagem à banda japonesa Lareine, com direito a inclusão de uma música própria no repertório.

Contatos
Pandora no Hako
Telefone: 84 9925-6789 ou 84 9431-7655
E-mail: bewasdal@yahoo.com.br ou neptuno@digizap.com.br
>>> ouça Pandora no Hako no Banco de Cultura do Overmundo

Saigo Ni
Telefone: 84 8834-9114 ou 84 9906-7785
E-mail: tnaires@hotmail.com ou shinji_rn@hotmail.com
Fotolog: www.fotolog.com/saigo_ni

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Bruno Lancellotti
 

Achei interessante a matéria. Eu sou fã de ska japonês....rsrs. Isso mesmo música jamaicana feita em pais de gente que já nasceu com a chapinha perfeita. Quem qusier trocar umas idéias a respeito www.radiolarecords.com.br/forum tem muitos outros vidrados em pequenos capítulos dessa história nipônica...

Bruno Lancellotti · São Paulo, SP 16/3/2006 19:16
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Roberto Maxwell
 

engracado, que as bandas que sao conhecidas ai no Brasil estao longe de serem populares aqui.

alias, Bruno, quero saber desse ska. Nao vi nada aqui ainda e sempre alguem me fala disso.

Roberto Maxwell · Japão , WW 12/11/2006 16:39
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Sergio Rosa
 

Uma banda de ska japonesa que eu gosto bastante é o Tokyo Ska Paradise Orchestra. Mas acho que é a única banda de ska nipônica que eu conheco. Nao to lembrando de outras, embora tenho certeza que há mais.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 23/11/2006 17:08
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