Rock Paraense no Divã*

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Caco Ishak · Belém, PA
28/3/2006 · 161 · 11
 

Belém, sexta-feira, 30 de dezembro de 2005. Antevéspera da virada, dia internacional das retrospectivas de fim-de-ano. Que véspera que se preze não é véspera, é dia. E dia de virada é putaria certa, principalmente nas idéias alteradas de quem é desse mundo perdido de distorção e gritaria. Cabeças, aliás, não faltavam no porão de prestigiada casa de espetáculos da cidade, onde estavam reunidas a fim de fazer valer a data e rememorar, na medida do possível – aproveitando para armar os esquemas do reveillon –, traumas e glórias que pudessem auxiliar na busca de uma solução para a crise de identidade que vem passando o tão em voga rock paraense, de pernas pro ar num divã disposto no centro da rodinha pelo músico e produtor Nicolau Amador, da banda Norman Bates e um dos presentes.

Como mediador da sessão (há anos sendo cobaia de terapeutas e afins, achei-me em condições de assumir o papel, ainda que sem o devido diploma médico para tanto), dei início aos trabalhos: “De acordo com a moderna psicanálise, o distúrbio de personalidade múltipla...”.

“Que isso, métodos didáticos pra se lidar com o rock´n´roll? Usar uma palavra dessas em um contexto rock é a mesma coisa que falar de controle de natalidade na época do carnaval. Deixa de enrolar, rapaz, e vamos logo ao assunto”, impacientou-se de cara o jornalista Marcelo Damaso, interrompendo minha exposição em seus primeiros quatro segundos. Já aí, pude ter um vislumbre claro do que viria pela frente.

Entretanto, dotado de uma paciência de Jó que sou, retomei a palavra sem me deixar abalar: “Como dizia, o distúrbio de personalidade múltipla, ou seja, várias identidades convivendo dentro da mente de uma mesma pessoa, geralmente ocorre quando esta sofre algum tipo de transtorno psicológico no passado com o qual não consegue lidar, protegendo-se do mesmo através da criação dessas tais personalidades que lhe dão a força para suportar o peso emocional que sozinha não conseguiria. Vi isso num filme e, até que me provem o contrário, estou convencido de que é o quadro do caso em questão”.

Mal encerrei meu pensamento e, num pulo, o promoter Bernie Walbenny foi logo emendando com ar aflito e um tanto exaltado: “Se foi bem o que entendi, não vejo a cena afetada negativamente pelo episódio Corujinha. Poderia ter gerado uma má imagem da produção local, mas as pessoas conseguem separar o bom do que não presta. Não foi a primeira vez que ele aprontou das suas. Em todo caso, o prejuízo que deixou limitou-se ao bolso de algumas pessoas que não o conheciam. Tem muita gente aqui querendo trabalhar honestamente e fazer um negócio decente. Mas, enfim, é página virada”.

Para quem passou o ano em coma numa unidade intensiva, explica-se: às vésperas da realização de um show da banda Ludov na capital, promovido por Bernie e Alex Zambba, vulgo Corujinha, a verba arrecadada até então e quem dela tomava conta sumiram misteriosamente, causando um ligeiro mal-estar entre os que permaneceram (procurado em seu esconderijo no estado de Minas Gerais, Alex não quis se manifestar sobre a questão, limitando-se a informar que não estava). Enquanto o jornalista Vladimir Cunha consolava Walbenny, reafirmando-lhe o quão bacana era seu nome, o produtor musical e homem por trás da Cultura FM, Beto Fares, tratou de encerrar o assunto: “A verdade é que isso não cheirou e nem fedeu. Só doeu nos roubados mesmo”, com o que todos concordaram num silêncio de avestruz em buraco.

De fato, caso houvesse de se falar em abalos do passado, bem mais plausível seria que fossem trazidos à baila acontecimentos, por assim dizer, mais relevantes à formação do que hoje é a mentalidade do cenário roqueiro paraense e a como se dá seu funcionamento (não desmerecendo inclusive as trapalhadas de Zambba, que, justiça seja feita, a seu modo contribuiu com a cena), desde as trocas de farpas nos bastidores que se sucederam aos primeiros sinais de um relativo êxito do movimento no fim dos 80, pondo tudo a perder de vez, à busca sistêmica por uma fórmula própria que mesclasse regionalismo e guitarras distorcidas, nos moldes do que tanto se fez na época, uma década depois. Não nos esquecendo da herança maldita de Roosevelt Bala e seu Stress, que, de 1979 em diante, aterrorizou os piores pesadelos trash de garotos nerds que só queriam uma vida mais tranqüila, sem fugas no recreio culminadas em passeios pelos cestos de lixo. Outro dado que, na ocasião do encontro, ânimos já recuperados, pareceu-nos de suma importância, uma vez que o abuso sexual na infância é uma das causas mais freqüentes da geração de múltiplos egos, os quais, bem ou mal, acabam atacando por várias frentes.

Desta maneira, através de todo um trabalho de reestruturação no que toca tanto aos interesses dos envolvidos quanto à boa vontade dos mesmos em se reciclarem em nome de uma maior profissionalização da base ao topo do negócio, uma nova paisagem foi surgindo no horizonte para a música pop feita no Estado com a abertura da programação de rádios como a Cultura FM e as comunitárias, principalmente, que vinham se proliferando. E quem é que não sabe? O que não presta sempre acaba na boca do povo. Com o rock não foi diferente e as casas de shows perceberam o fenômeno de passagem.

“A situação melhorou muito. Há espaço na rádio, em eventos, locais pra ensaiar, interação cada vez maior com músicos e produtores de fora, vários estúdios de gravação surgindo, vários músicos dando vazão a vários projetos ao mesmo tempo – ou seja, satisfazendo-se musicalmente das várias formas que seu talento lhe permite. Isso só ocorre porque há meios pra que trabalhos distintos sejam aceitos e mostrados ao público. É cada vez maior o número de casas que investem na música autoral e/ou de bandas alternativas ou até mesmo instrumental”. Com estas palavras, André Coruja, da banda La Pupuña, além de quebrar o gelo que havia esfriado o clima, devolveu ao recinto a eloqüência necessária para que a sessão continuasse, fazendo olhos cintilarem na escuridão. Daí em diante, porém, todos quiseram emitir suas opiniões a um tempo só e a confusão voltou a reinar no porão. Bernie era ainda inconsolável e Vladimir esgotava sua verborragia com o garoto.

Do jeito que as coisas iam, ninguém se entenderia nunca, muito menos tomaria conhecimento um do outro – mais uma particularidade marcante da múltipla personalidade. Resolvi, então, colocar ordem na muvuca e passei a correr feito doido pelo salão com os braços estirados para o ar, fazendo as vezes de uma seriema esganiçada. Deu certo e todos se aquietaram, espantados. Pigarreei, pedi desculpas pelo arroubo de espontaneidade e, de imediato, estabeleci uma seqüência ordenada de oradores.

Visto que Coruja havia dado o mote para o tópico “casas que investem na música autoral”, achei por bem conceder a vez a Marcelo Damaso, quem chefia a Dançum Se Rasgum Produciones ao lado de seus comparsas Eduardo Feijó, Randy e Gustavo – os primos Rodrigues –, trupe de fundamental importância para a guinada da atual fase do rock ribeirinho, responsável por inferninhos quinzenais já lendários e um intercâmbio que se fez constante ao longo do ano.

Agoniado desde o princípio, não deixou passar a chance. Afastou as madeixas do rosto, dando um trago em seu cigarro, e desandou a falar: “O que aconteceu é que o rock cover habitual das casas noturnas recuperou um pouco do espaço que havia perdido em 2004. E mesmo assim nem são os lugares em si, mas as produtoras que realizam esses projetos. Acontece. A DSR, por sua vez, trouxe seis bandas de fora esse ano. O intercâmbio rolou. Duas bandas daqui foram para festivais no Centro-Oeste. Principalmente quem a gente tem trazido pra cá (Wander Wildner, Drosophila, Réu & Condenado, Sapatos Bicolores, Nervoso e Los Pirata, além do Rodrigo Lariú e Lúcio Ribeiro)”, alisou o queixo com o dedão direito, “está deslumbrado com a parada. E isso é legal porque rola a propaganda. Nervoso fala pra Matanza que tocar em Belém é do caralho. Matanza diminui as despesas pra vir tocar aqui. Sapatos Bicolores fala pra Los Pirata que tocar em Belém é muito massa, Los Pirata faz de tudo pra facilitar a vinda deles também. O mais legal é que todas as referências são boas, pois o que se espalha por ai é que a DSR é super profissional. Sério, se fala muito desse profissionalismo. As bandas de fora que vieram dizem que essa é uma característica nossa. Daqui”.

Damaso ainda quis retomar o fôlego, mas antes mesmo que eu pudesse passar a bola para o orador seguinte, Nicolau Amador balançou a cabeça e foi soltando que “cara, todo mundo se liga nisso. Mas acho que eles estão esperando acontecer algo por aqui. Todo mundo se amarra em vir tocar aqui porque, além de ser um lugar diferente e novo, há essa expectativa a respeito da cena paraense. Esse ano a movimentação acabou sendo pouca e os caras não puderam ver as bandas daqui ao vivo. Seria ótimo se nessas vindas as bandas de fora tivessem maior oportunidade de ver as nossas tocando. No mais, ninguém fará o que só a gente pode fazer, que é desenvolver essa porra por aqui, nós mesmos”.

Estava claro que moral era algo que eu definitivamente não tinha naquele meio. E estava decidido a não mais fazer questão de aumentar meu débito, perdendo um pouco mais do que nunca tivera nos lucros. Não era tumulto o que queriam? Que o tivessem, os putos. Soltei as rédeas. E eles começaram a se entender, vejam só.

Ninguém soube dizer direito como as coisas de deram. Fato é que, de repente, os músicos Elder Fernandes (Suzana Flag, Johnny Rock Star) e Jayme Catarro (Delinqüentes) ensaiavam um cancã no salão, agarradinhos, enquanto um Bernie já totalmente recuperado arriscava cambalhotas mortais. Vladimir dormia no divã, esgotado, de costas viradas pro rock. “Temos uma dinâmica favorável! Dá pra fazer as paradas com pouca grana! Computador é foda, cara! A gente encontra amigos que podem ajudar, o Suzana fez clipe na brodagem, com qualidade boa, e vamos fazer muito mais!”, berrava Elder, seguido por Catarro: “Acho que 2006 pode vir com mais força, vai depender da união de alguns segmentos, senão vamos ficar sempre nessa! Tem que fazer acontecer! E quem faz acontecer? O público incansável, as bandas que não desistem, os poucos produtores que ainda acreditam na história e naqueles que, pra fazer um pequeno ou grande show, carregam seus amplificadores e baterias nas costas, muitas vezes sem ganhar nada! Algumas poucas pessoas, como o Beto Fares e o Ná, esses sim, verdadeiros guerreiros!”.

Verdadeiros, sem dúvida. Exemplo recente foi o prêmio que levou o nome do empresário Ná Figueredo, voltado para as produções locais de clipes, que em sua primeira edição agraciou o grupo Madame Saatan pelo vídeo da música “Perfume, sombra e um drink de veneno", dirigido por Roger Elarrat e Thiago Conceição. Mas, de modo algum, os únicos, como bem lembrou Nicolau: “O pessoal da DSR, o Ney Messias (presidente da Funtelpa), os produtores Marcel Arêde , Jackie Araújo, Karina Sampaio, o próprio Bernie aqui presente, entre outros, são pessoas que trabalham pra que isso tudo dê certo. A maioria por trás dos refletores, o que é de grande importância”. Sim. Por raro que fosse, fazendo vista grossa ainda se encontrava, aqui e aculá, um que guardasse seus momentos de lucidez. “Sempre se pensa em alcançar mais algumas coisas, andar sempre pra frente. Problemas existem, mas projetos também. Se alguém tivesse sempre uma solução pra tudo, não estaríamos aqui discutindo”, arrematou Beto Fares, com seu semblante zen de sempre, alheio ao burburinho.

Discussões e projetos que, embora um tanto esparsos, acabaram desembocando em conquistas várias e numa evolução sem precedentes. Ao escutar seu nome, Walbenny se estatelou no chão e, como que iluminado pelo baque, ergueu o indicador direito e fez o resumo da ópera: “Foi um ano produtivo. O rock feito no Estado teve uma presença forte em eventos importantes realizados no país e foi bastante elogiado em artigos de importantes meios de comunicação. O Suzana Flag, em especial, teve um ano espetacular. Entrou 2005 com o pé-direito, sendo anunciada como Revelação Nacional no prêmio London Burning. Depois teve o Abril Pro Rock na seletiva do Claro Que É Rock, a Feira da Música Independente em Brasília, o show do Ampli Festival Volume 01 no Sesc Pompéia em Sampa, o Banda Antes MTV, a participação no disco Tributo a Odair José, lançado pela Allegro Discos – junto com Paulo Miklos, Zeca Baleiro, Pato Fu e outros artistas renomados. Outra banda que conseguiu uma repercussão muito boa foi a Madame Saatan, com direito a fã-clube, clipe premiado, matéria no Jornal Hoje, da Globo, e participação no Bananada, em Goiânia. Por fim, acho que a grande revelação foi o Johnny Rock Star, oriundo do fim conturbado da Eletrola. Quem assistiu pode afirmar que a banda veio pra ficar”.

De um canto escuro, ouviu-se o ruído rouco de Damaso: “La Pupuña, caralho. Os caras atualmente fazem seis shows por semana e sempre tocando música própria”.

A folia que já rolava solta, a partir de então virou bolsa de valores – mais engraçado que o bingo semanal dos ex-funcionários das câmaras setoriais reunidas –, cada um querendo se gabar mais alto que o outro na hora do lance. Stereoscope, Norman Bates, A Euterpia, Delinqüentes, Coletivo Rádio Cipó, Evil, DHD, Buscapé Blues e mais quem sambasse na toada do crioulo doido. Um autêntico carnaval de estilos fora de época. Vladimir acordou assustado, prevendo boas novas para 2006. Não quis revelar nada, entretanto, pois, segundo ele, sonho contado não se torna realidade.

No meio de tamanha agitação e com a certeza de que ninguém notaria minha falta de qualquer jeito, aproveitei para ir ao encontro de Fabrício Nobre, da banda MQN (que se apresentou em Belém no início de 2005, trazida por Zambba) e um dos sócios da goiana Monstro Discos, que, a meu convite, observava a sessão por detrás de um espelho falso, tecendo sua própria análise sem o conhecimento dos demais. Sempre bom ter uma segunda opinião, de quem não é da casa.

“E aí, qual é teu parecer? Tem futuro ou pode internar, que é caso perdido?”.

“Rapaz, Belém é uma das cidades que tem a cena mais divertida do país hoje. É do caralho! É aquela coisa, tá alavancando. Falta só um festival de rock independente, que, pelo que sei, já está a caminho... a cena aqui é foda, tem tudo pra dar certo. Não há modelos a serem seguidos, sabe. Existem exemplos pra se ver o que pode e o que não pode ser legal na realidade local. Vocês estão bem na fita!”.

“É, isso de modelo a ser seguido já era. Qualquer tentativa de forçar essa barra será ideológica e provavelmente falha. A ideologia do rock paraense deveria ser a união e a diversidade, só que a diversidade é muito grande e parece que nossa união ainda é muito difícil pelas nossas poucas condições materiais. É aquela história: quando todos estão com fome, todos brigam por um pedaço do cavalo morto no chão”, fomos surpreendidos por um Nicolau onipresente que havia me seguido em surdina. Alguém tinha sentido minha ausência, enfim. Nem fiquei puto por isso. E, afinal, ele estava certo. Sintoma básico do distúrbio de personalidade múltipla: uma geralmente não tem consciência da existência das demais, cada qual possuindo raciocínio e sentimentos próprios, embora parte de um mesmo indivíduo. O que não impede, vez ou outra, a comunicação entre as várias, ocasião em que figurinhas são trocadas num bafo agradável de cachaça, farinha e peixe frito.

De volta ao porão, já não estava mais no divã. Temperamental que só ele, o rock paraense havia dado o fora sem avisar.

* matéria batizada em homenagem à comunidade homônima criada no orkut por Nicolau Amador, com o propósito de discutir questões referentes a tão ilustre paciente.

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Jesuino André
 

matéria sensacional! as peculiaridades da cena paraense são comuns ao restante do país&059; onde todos vivem no mesmo barco, mas cada qual remando na direção que lhe convém...

Jesuino André · João Pessoa, PB 27/3/2006 09:48
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Caco Ishak
 

cara, aqui não é muito diferente nesse ponto, não. não era... não é... talvez um dia seja. talvez já seja agora.

Caco Ishak · Belém, PA 27/3/2006 12:19
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cyrano
 

Muito fino. Mas cadê linqs, cadê romipêije, blogue, fotolog, uscambau? Cadê a parafernália primeromundista pra nóis imaginar o fedor de cachaça com pexe frito docês aí?

Bota essas banda pra fazer um blogue fudido qualquer aí, sô. Ninguém vive só de Overmundo não. :)

Gostei demais, voto em ti pra presidente.

cyrano · Belo Horizonte, MG 28/3/2006 08:32
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Caco Ishak
 

valeu, cara. mas presidência, nem do clube de gamão do qual participo. tu pode encontrar as bandas daqui no trama virtual. de lá, tu vai pros blogs, flogs, sites e o escambal delas.

Caco Ishak · Belém, PA 28/3/2006 12:46
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Vladimir Cunha
 

as coisas estao mudando para melhor numa velocidade impressionante. principalmente no que diz respeito as bandas: que estao mais unidas e profissionais doq ha 10 ou 20 anos.
a colaboracao existe em todos os niveis: artistico, material e ideologico. ainda que volta e meia surjam algumas porradas e polemicas. mas essas devem existir sempre, para o bem do rock'n'roll.

Vladimir Cunha · Belém, PA 29/3/2006 01:07
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Fabrício Nobre
 

A cena paraense é certamente hoje uma das mais interessantes do país... distante, meio bizarra (no bom sentido), ótimas bandas, bons produtores, suporte de rádio (como não existe em nenhum lugar do país)... altamente preparada para realidade da música independente.

Fabrício Nobre · Goiânia, GO 30/3/2006 08:19
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Jayme Katarro
 

porra, que matéria louca. fiquei chapado só de ler. original e precisa ao mesmo tempo, e revelador, já que de lá pra cá as coisas vem acontecendo mais ainda na cidade.

Jayme Katarro · Belém, PA 2/4/2006 13:17
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Márcio Silva da Cruz
 

Todos que conhecem o mínimo de música independente sabe que já não é de hoje que dizem que o rock papa xibé está em ascenção, associações, apoios radiofônicos e televisivos internet e vontade de galera expõe o que antes era apenas dito entre os esquecidos rockeiros paraenses em mesas de bar (talves no Matias). existe potencial aqui só falta as pessoas perceberem isso. Nem cagadas estilo corujito estragam a boa fase. Só falta mesmo um festival para concretizar tudo isso. Um festival independente mesmo e não esses festivais que rolam aqui com os sucessos do momento e as bandas daqui espremidas entre uma "super atração e outra". É preciso muita calma nessas horas pra não jogar tudo esgoto a baixo.

Márcio Silva da Cruz · Belém, PA 3/4/2006 02:45
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Torto
 

O rock paraense sempre foi muito dinâmico desde o início e eu posso me gabar de ter sido testemunha dessa época pioneira. Fora o Stress, que foi a banda mais famosa, posso citar algumas que se perderam no tempo mas que ajudaram a criar as condições propícias da cena atual:Insolência Pública,Agente Laranja,Power,Homo Sapiens,Latrina,lepra, The Podres... e pra não passar totalmente em branco devo lembrar alguns nomes de roqueiros que batalharam pelo Rock papa-chibé:Henrique Blonis,Regis,Antônio Carlos, Almir Camelo Jr., estes como músicos, e mais estes como incentivadores:Amilson Braga, Marcos Pedreira, Augusto Manoel da Silva,Haroldo Pamplona,Aldinha,Karol... que viveu essa época mágica se lembra...Abraços.

Torto · Goiânia, GO 26/11/2006 23:24
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Torto
 

Devo acrescentar que o movimento rocker paraense começou mesmo nos "bailes" que começaram a rolar a partir da segunda metade dos anos 70 e que perduraram até 1989. Esses bailes eram frequentados pela "inteligência" do rock na cidade das mangueiras...ali você podia encontrar(e eu encontrei) verdadeiras lendas tais como Galvão, Floro, Roberto Linardo, Mauro França, Zeca Filósofo,Boneco,Mira, Snoopy,Padre Judas(irmão do Bala do Stress), Dias, Antônio Pimentel,Carlinhos Macarrão, Armando e por aí vaí...onde anda essa galera? quem se lembra que o ideal rockeiro começou com eles?

Torto · Goiânia, GO 6/12/2006 23:26
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Torto
 

E só pra dar água na boca vou contar uma das antigas:Em 1982 houve um festival no colégio Souza Franco e eu inscrevi Uma canção chamada "Alquimia". Então chamei os seguintes caras para tocarem-na:Henrique Blonis No baixo, Aldo Blonis na guitarra,Marcos Pedreira na bateria e Nonato Condurú nos vocais.O Nonato encheu a cara antes da apresentação e resolveu cantar de costas pro público que logo começou a apupar a banda que por sua vez se emputeceu e resolveu não terminar a música....quando já tava com mais ou menos 15 minutos de embromação, os organizadores resolveram cortar o microfone e as caixas de som...então a banda foi convidada a se retirar...quando saíamos fazendo pouco do ocorrido um do jurados do festival, que era locutor da Rauland FM, nos chamou e disse que se não tivessemos feito aquilo, de desrespeitar o festival, certamente ganhariamos o primeiro prêmio: um violão Giannine...

Torto · Goiânia, GO 6/12/2006 23:43
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