Os Ambervisions, se é que dá para falar dessa forma, é “o trem fantasma do rock catarinense”. Por isso, quem gosta de diversão garantida preste muita atenção quando eles passarem pela sua região ou pelo seu Estado e não perca o baile. Afinal de contas, esse trem fantasma apresenta algumas (quase todas) bizarrices marcantes que acompanham os melhores representantes do gênero (normalmente escondidos nos parques de diversões que, por sua vez, se escondem nos subúrbios das grandes cidades brasileiras, e que ainda fazem imenso sucesso nos interiores do Brasil).
Um rock tosco e barulhento. Garageiros talvez seja a palavra que melhor os define. Para contrastar com a tosqueira os mesmos se definem como a primeira e única banda representante do genuíno e autêntico “rock do PFL”. Para tanto, a apresentação é carregada de uma quantidade absurda de baixarias que se misturam a um bom bocado de humor e muito surf music com pitadas de punk rock. Ou seria punk rock com pitadas de surf music? Isso não importa. Para os quatro: “Surf Music Caveira, pra zoar a massa funkeira; yeah. Não fechamos para o almoço.”
Após o sucesso alcançado com o primeiro disco Cada dia mais a mesma coisa, o segundo disco da banda Bons momentos não morrem jamais (2004) – lançado pela gravadora goianense Monstro Discos em parceria com o selo Migué Records – chegou ao mercado arrebatando corações. São quatorze faixas nas quais os quatro elementos desta banda sacaneiam quase todo mundo. Segue aí alguns versos para vocês terem uma pequena amostra:
Eu não gosto dos besouros
Pau no cu do iêiêiê
Agora, para que todos possam entender melhor a idéia fantasmagórica que assola a banda, chamo até a passarela do Overmundo os quatro representantes desta chalaça catarinense (observação, se possível leia a apresentação individual com aquela voz de radialista de rádio AM ou de apresentador de baile de debutantes. De preferência, não se empolgue muito para que as pessoas não tenham certeza de que estás ficando louco):
Zimmer, no vocal - apresenta movimentos dançantes sutis (quase um balé clássico) que se amplificam em seu corpinho atlético (que ocupa quase setenta por cento do palco), sempre acompanhado por um par de maracas – marca registrada das apresentações desde os primórdios da banda.
Amexa, na guitarra – quase dois metros de altura contrastando com sua magreza inconfundível. O apelido? Ao conversar com ele (pelas fotos também) é possível entender sua origem. Outra curiosidade é que, dependendo do lugar onde a banda se apresenta – palco pequeno e teto baixo –, agita (pula) levemente curvado para não bater com a cabeça no teto e abalar as estruturas das dependências rockeiras.
Arioli, no baixo – ocupa pouco espaço no palco e, dependendo da performance do vocalista, em alguns momentos, chega a desaparecer. O fã-clube da banda diz que é ele (o envergonhado) que se esconde atrás do vocalista. Na minha modesta opinião, o fã-clube tem razão.
Cris, na bateria – os três marmanjões colocaram a parte feminina da banda pra trabalhar e a menina não dá mole. Mais do que isso, dá pra dizer que é ela quem sustenta toda a confusão (digamos que ela seja a mais interessada), os outros dois ajudam um pouco e o terceiro, no caso o vocalista, que reza a lenda não aparece nem nos shows quanto mais nos ensaios, é quem ganha os méritos. No entanto, ao se referirem ao lado feminino da banda, os três marmanjões, com um leve toque de bom humor, se unem em uma só voz: “Sim, uma baterista mulher”.
Feita a apresentação, dois pequenos avisos para quem está pretendendo chamar a banda para uma preformance rockeira:
O primeiro (pequeno aviso): ao tentar contratar a banda é preciso lembrar de uma coisa consideravelmente relevante: o vocalista da banda – o gordinho – nem sempre gosta de trocar a tranqüilidade de seu lar (e a geladeira sempre ao alcance*) por aventuras regadas, normalmente, a xis saladas. Para tanto, é necessário se precaver para não ser surpreendido na hora H.
Segundo (pequeno aviso): A banda sem o vocalista – sonoramente – não perde, praticamente, em nada (se as maracas me escutam!), além disso, existe a possibilidade de economizar em xis salada e na dimensão do palco. Por sua vez, tenho que admitir que – esteticamente falando – o show sem o mega-pop-star Zimmer perde um pouco o impacto, a elegância e a presença de palco (credo, ganhou os méritos de novo!).
Depois das (des)informações iniciais e dos dois pequenos avisos, provavelmente, tu estás pronto para conferir um show d’Os Ambervisions. Fique atento para saber quando o trem fantasma vai passar pela sua cidade ou região. Maiores informações tu encontrarás no site da banda que, mantendo-se fiel ao estilo, nem sempre se encontra atualizado. Abraços e até a próxima.
* Pelo meu porte atlético vocês hão de convir comigo que eu concordo com ele em gênero e número.
Saudoso Bar do Frank, vulgo, Underground....
Romeu Martins · São José, SC 23/5/2006 00:07
Não dá pra ver Os Ambervisions sem o Zimmer. O cara toma conta do palco e ainda vai além. Eu vi um show deles em um Goiânia Noise (acho que de 2001). No fim da apresentação, ele tava tocando maracas no meio do público, que quase urrava.
Daniel Cariello · Brasília, DF 25/5/2006 14:34Os Ambervisions são muito foda. A presença ou ausência do Zimmer pode ou não ser relevante se você quiser tentar entender "letras" minimais e sarcásticas bem berradas. Mas, mesmo assim, fazem faltas as maracas e é sempre bom gritar "pão com ovo" e "zé do caixão". Ainda, vc pode se deleitar com a mistura certa de fúria e técnica que a Cris esbanja e bater cabeça sem se preocupar.De todo modo, se eles passarem perto de vc, não deixe de vê-los ouvi-los. Estarás fazendo justiça a uma das poucas coisas boas do udigrudi desta famigerada lha que Floripa é, em diversos sentidos.
juniores rodriguez · Florianópolis, SC 26/5/2006 11:18estava na hora de alguém botar os pingos nos "is". ambervisions são a banda de rock da ilha!!! e a cris é (definitivamente) uma das bateristas mais sexys de todos os tempos!!!
jean mafra · Florianópolis, SC 26/5/2006 15:05
Fale Demétrio, blz? Sou do Amapá e acabei escutando e gostando muito do CD que destes pra Carol Assis (Overmina do Amapá), este Repolho Vol. 3 é muito interessante. Quero saber se podemos trocar contato pra que eu possa ter acesso a mais trabalhos da banda e passe pra galera daqui escutar.
Há braços!!!
Fala Paulo, o material da banda está disponível no site da tramavirtual, o Repolho Vol.1 e 2 (ainda incompleto), mais o single do vol.3 e uma demo de 1995:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=298
Neste outro endereço tu vais encontrar um outro projeto nosso que se chama: "2Violão e 1Balde":
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=314
Independente disso o meu e-mail é: demetriopanarotto@ig.com.br
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