RODRIGUES ALVES, O JARDIM BOTÂNICO DA AMAZÔNIA

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roalmeida · Belém, PA
20/5/2010 · 0 · 6
 

BOSQUE RODRIGUES ALVES, O JARDIM BOTÂNICO DA AMAZÔNIA
Rogério Almeida

A fé e o rio conduzem Santa Maria de Belém do Grão-Pará, o nome oficial da capital do Pará, Belém. A cidade foi erguida por portugueses na foz do rio Amazonas em 12 de janeiro de 1616 na terra dos índios Tupinambás. Francisco Caldeira Castelo Branco comandava a expedição dos colonizadores, conta a história oficial. Aqui todo mês de outubro uma população estimada em 1,5 milhão de pessoas se reúnem para celebrar a Virgem no Círio de Nazaré, a principal manifestação religiosa do estado.
Belém é quase uma ilha. Dos 505.823 km2, 332.037 km2 é região insular (65,64%), formada por 43 ilhas. Sob um clima quente úmido, numa temperatura média de 30º C, é o comércio que faz cidade se mover economicamente. A hidrografia é rica, baías, rios igarapés, furos. Tanto em sua parte continental quanta na insular. Baía do Guajará, baía do Marajó, baía de Santo Antônio, baía do Sol, rio Guamá, rio Murubira, rio Mari-Mari, igarapé do Tucunduba são alguns dos recursos que compõem a península.
Aqui lendas e história pulsam na mesma intensidade: Curupira, Boiúna, Boto, Matinta Pereira, Vitória Régia, Mapinguari figuram como alguns dos mitos amazônicos. A Revolução Cabanagem erguida e coordenada por populares entre 1835/1840, onde 30 mil pessoas morreram soa como orgulho. Em Belém o ciclo da borracha, o que ficou conhecido como Belle-Époque, segunda metade do século XIX, ergue na Amazônia teatros, parques e palácios de fina estampa. A Europa era o espelho do modelo de urbanismo.

A memória histórica do Bosque

É no ápice do extrativismo da borracha que surge o Bosque Rodrigues Alves, o Jardim Botânico da Amazônia. Nasce no bojo do processo de modernização da urbanização da cidade. A Europa respirava a Revolução Industrial. No Brasil vivia-se o ocaso da Monarquia e o surgimento da República. O capital gerado pela exploração da borracha colaborava para tornar Belém a “Paris dos Trópicos”. Teatro da Paz, Palacete Bolonha, Praça da República, Praça Batista Campos, Mercado de Ferro do Ver-o-Peso, hoje monumentos históricos despontavam na floresta como signos da elite local.
Duas datas se confundem para definir a criação do Bosque Rodrigues Alves. A primeira defende que o logradouro nasce oficialmente, segundo documento do Departamento de Extensão Cultural do Bosque, em 1870 através de decreto do 4º vice-presidente da província do Grão-Pará, Abel Graça, uma espécie de vice-governador.

A segunda data, a mais aceita, confere ao senhor João Diogo Clemente Malcher, então presidente da Câmara Municipal, numa sessão de 25 de agosto de 1883 a criação do espaço de lazer dos ricos que surgiam com o lucro da exportação do látex. A iniciativa teria partido do senhor José Coelho Gama Abreu, o Barão de Marajó, um geógrafo da Amazônia, intendente de Belém, espécie de prefeito da cidade (1879/1881).
A memória do Bosque narra que a inspiração teria sido o “Bois de Boulogne”, de Paris. Bosque Municipal do Marco da Légua, uma referência ao limite da cidade, é o primeiro nome do Bosque. A valorização dos elementos da natureza como o ar, a luz e a água serviam como ideário de qualidade de vida, progresso e higiene.
A história do Bosque Rodrigues Alves é marcada por várias reformas. A mais importante é creditada ao senhor Antônio Lemos, intendente da província entre 1897/1912. O intendente teve papel definitivo para definição da urbanística de Belém. Em 1900 Lemos decide pela realização de uma grande reforma do Bosque.
A mesma dura três anos. Monumentos como grutas, riachos, cascatas, viveiros, definição espacial de hoje foram realizadas por Lemos. Eduardo Hass, diretor do Bosque e o arquiteto José Castro Figueiredo foram os responsáveis pela empreitada.

Erguido em frente à ferrovia Belém-Bragança, que ligava a capital ao interior, o Bosque Rodrigues Alves ganha seu nome definitivo em 17 de dezembro de 1906, através de uma resolução do Conselho Municipal. O nome é uma homenagem ao correligionário de Lemos, o então Presidente da República do Brasil, Francisco de Paula Rodrigues Alves.

O Bosque por dentro

Um pedaço da Amazônia nativa de terra firme no centro nervoso da cidade de Belém. O portão principal do Bosque fica em frente à Avenida Almirante Barroso, uma das principais da cidade, que liga alguns bairros da periferia ao centro. O tráfego de carros é intenso.
Os 15 hectares do Rodrigues Alves, 150 mil quadrados, tomam um quarteirão inteiro do bairro do Marco. O Bosque é assim um pulmão no meio da urbe. Passear pelo Bosque é fazer uma viagem pela história de Belém. Além do fragmento da floresta nativa, pode-se verificar a presença de vários monumentos históricos do áureo período da borracha.

Na flora encontramos 4.987 árvores de 50 famílias, 194 gêneros e 309 espécies que foram catalogadas pela equipe técnica de flora do Bosque em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através do Laboratório de Sementes Florestais, com coordenação da doutora Noemir Viana, e o Laboratório de Botânica, através da doutora Regina Célia, e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), num censo realizado entre setembro 1998 e junho de 1999. Para efeito de catalogação foram consideradas as árvores a partir de 10 cm de diâmetro. Do conjunto levantado cerca de 2.000 são consideradas como jovens.
O tombamento de árvores no logradouro era um problema a ser superado. Para tanto se fazia necessário conhecer a diversidade da floresta e classificá-la. O Censo concluiu que existem 333 árvores por hectare. Flávio Contente, engenheiro florestal, coordenador de flora do Bosque, explica que tais dados são de grande importância, considerando que estamos falando da principal metrópole da Amazônia. O trabalho contribuiu ainda para se conhecer a saúde da flora e se planejar uma intervenção visando administrar o tombamento das árvores, que despontava como uma ameaça aos visitantes do Jardim Botânico.

O censo verificou que 94% da flora do Bosque é composta de árvores nativas da Amazônia. Outro aspecto que o censo levantou é que a floresta está num estágio de regeneração, o que significa dizer que há várias árvores consideradas novas. Entre os 6% da flora considerada exótica são encontrados bambus, palmeira imperial, mangueira, palmeira rabo de peixe e tamarindo.
O fragmento de floresta está divido em quatro quadrantes e em 112 canteiros. Após o censo da flora, depois da medição da altura e diâmetro, cada árvore ganhou uma placa de identidade. Todos os dados levantados estão informatizados no programa Autocad, o que permite a localização de cada árvore.
Entre as árvores do Bosque Rodrigues Alves existe a cumaru, típica da Amazônia. A cumaru produz em sua semente a substância cumarina, usada pelas indústrias de cosméticos como fixador de perfumes. Atualmente a patente pertence à multinacional de cosméticos Chanel. A cumarina também é usada na medicina para o controle da arritmia cardíaca.
Outra informação destacada no censo é a presença de 16 árvores de maçaranduba. Além de muito resistente só começa a produzir por volta de 300 anos de vida, quando alcança a idade adulta. Tamatá é a árvore mais importante do Bosque em índices de fitosociologia (classificação por família, gênero, espécie). Acapu americana, espécie em vias de extinção, que exige condições especiais para a sua reprodução consta na flora no Bosque.
Outra árvore relevante no acervo é a andiroba, usada em várias áreas da medicina alternativa. A árvore que possibilitou a geração de riqueza do Pará, a seringueira, está catalogada na flora do Rodrigues Alves. Paricá, marupá e açaí são outras espécies verificadas.

Os bichos do Bosque

O censo para identificar os bichos do bosque ainda está em andamento. É o que explica Jairo Moura, veterinário do Bosque. Do que já foi realizado da fauna livre chegou-se ao diagnóstico que 65% é composta de mamíferos, 21% de aves, 12% de répteis e 02% de anfíbios. Além de Moura, uma bióloga, três estagiários e dois tratadores de animais completam a equipe que cuida da fauna.
Entre os mamíferos são encontradas cutias, vistas facilmente quando se faz a trilha ecológica para os visitantes. Pacas, preguiça real, macaco de cheiro, morcegos, tatu, são outros animais encontrados. Entre esses animais o morcego tem papel fundamental para a manutenção da floresta, destaca Moura. O veterinário explica que pelo menos 500 espécies de árvores dependem da ação do morcego para a sua reprodução. Das 150 espécies de morcegos existentes do Brasil, 11 foram catalogadas no Rodrigues Alves. O trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), campus de Botucatu, através do Departamento de Zoologia.
O morcego é considerado o formador de florestas, fala com entusiasmo Moura. “Quando fazemos as trilhas com os estudantes, trabalhamos a desmistificação que é dada comumente a esse animal. O morcego defeca de 12 em 12 minutos, onde expele pelo menos seis mil sementes por noite”, explica o veterinário. Sabiá, periquito, papagaio são algumas aves que fazem uso da floresta. Entre os répteis podemos encontrar a jiboia e o camaleão. Além de uma infinidade de insetos.
Apesar do carro chefe ser a floresta, o Rodrigues Alves mantém um acervo de animais da Amazônia em cativeiro. Entre eles uma quantidade de quelônios (tracajá, muçuã, tartaruga, perenas, jabuti), araras, papagaios, e a ararajuba, espécie ameaçada de extinção, são as aves mantidas pelo Bosque. Que mantém ainda macaco prego, e os peixes tambaqui, pirarucu e o poraquê, conhecido como peixe elétrico. Jacarés e o mamífero peixe boi podem ser vistos no lago do Bosque.

MONUMENTOS DO BOSQUE

Chalé de ferro - é uma estrutura pré-fabricada de ferro com 378 m2 de origem belga construído entre os anos de 1892/1900 para servir de residência para os ricos empresários do látex. É um dos três existentes em Belém. O segundo encontra-se no campus do Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA), o terceiro desmontado e com paradeiro ignorado. A sua origem é a Societe Anonyme des Foges d´Aiseau, da cidade de Aiseau, Bélgica. O sistema de construção foi patenteado em 1885 por Josef Danly. O chalé é tombado pelos patrimônios histórico municipal, estadual e nacional. O prédio integra o acervo da arquitetura do ferro, significativo na história de Belém, conhecida como a cidade das mangueiras.

O chalé pertencia à Sociedade Beneficente Portuguesa, foi remontado no Bosque em 1985, trabalho que tomou de seis a sete meses. A construção do prédio foi idealizada para o clima da região. Algo que facilitasse a circulação do vento e fosse resistente as intempéries do clima amazônico. Atualmente o prédio abriga o Setor de Extensão Cultural do Bosque, a Coordenação de Articulação Educacional e Comunicação Social, uma exposição permanente da coleção didático-científico de fauna e flora.


A última reforma do chalé custou R$ 50 mil, teve apoio da Petrobrás, durou três meses. É um dos seis projetos apoiados pela empresa. A reforma foi pensada para melhor atender os visitantes. O prédio recebeu nova pintura, reparos na cobertura e na estrutura de madeira, além de tratamento anticorrosivo na estrutura de ferro. Ainda como parte integrante da arquitetura do ferro no Rodrigues Alves existem coretos e viveiros para aves.
O Monumento aos Intendentes – revela a não nova preocupação dos políticos com o culto à própria imagem. O monumento fica bem no meio do Bosque. Inaugurado em 1906 numa homenagem ao congresso de intendentes de todo Pará e caciques do Partido Republicano realizado em 1903. O grande objetivo residia em garantir na reforma constitucional do Estado a reeleição do governador Augusto Montenegro.

O projeto do monumento é de autoria do senhor Maurice Blaise, um professor da Escola Normal do Pará, fruto de concurso internacional onde competiram artistas sul-americanos e europeus. A matriz inspiradora seria a Fonte de Médicis do parque do Palácio de Luxemburgo de Paris. No monumento constam os bustos de Augusto Montenegro e Antônio Lemos.
Homenagem aos naturalistas - dois medalhões de bronze foram inaugurados em 1939 no Bosque Rodrigues Alves. Um dedicado ao naturalista João Barbosa Rodrigues, um dos mais importantes naturalistas do Brasil. Tem trabalhos nos ramos de botânica, etnografia e arqueologia. Como estudioso da Amazônia, percorreu em 1874 os rios Tapajós, Urubu, Jatapu, Ualumã, Jamundá, Trombetas e Capim. Em 85 volumes registrou informações sobre indígenas, materiais sobre a pedra polida, geografia, trabalho sobre a pororoca no rio Capim. O outro naturalista e botânico homenageado é Gerg Hubner.
Os mitos amazônicos - estátuas do Curupira e do Mapinguari, protetores da floresta estão localizadas na primeira clareira do Bosque. As entidades mitológicas fazem parte do imaginário da Amazônia. O Curupira é a Mãe do Mato, apesar do uso do artigo masculino. É descrito como um ser de estatura pequena, traços de índio, e que possui os pés virados para trás. À entidade é conferido o dom da invisibilidade. Conta a lenda que o Curupira protege a floresta dos seus inimigos deixando-os sem rumo. Haja Curupira para tanta devastação.

Um ser de grande porte, feições de macaco, só que com um único olho cravado no meio da testa e dono de uma grande boca, que se estende até a barriga na direção do umbigo. Assim é a descrição do Mapinguari. Alguns nativos narram que o Mapinguari tem os pés no formato de uma mão de pilão. A lenda narra que a entidade só anda pela mata durante o dia. E que só apareceria em dias santos e feriados. Ainda como parte da lenda, há pessoas que acham que o Mapinguari é um índio que alcançou uma idade avançada e virou um monstro.


O Jardim Botânico da Amazônia

O Bosque Rodrigues Alves ganhou o status de Jardim Botânico da Amazônia em 2002, em Recife, Pernambuco, durante a 11ª reunião da Comissão Nacional de Jardins Botânicos, com base na resolução 266 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Agora o logradouro passa a integrar a Botanic Gardens Conservation Internacional (BGCI), rede mundial com 1.846 jardins em 148 países. O certificado foi entregue em cerimônia pela passagem dos 119 anos do Rodrigues Alves pelo presidente da Rede Brasileira de Jardins Botânicos, Sérgio Bruni.
A elevação do Bosque Rodrigues Alves à Categoria de Jardim Botânico é o fato mais importante da memória recente do logradouro. Tal fato descortina uma terceira fase na história do Bosque, depois de sua inauguração e a reforma realizada pelo intendente Antônio Lemos, explica Flávio Contente.
Com o novo status o Bosque espera facilidade para captação de recursos a nível nacional e internacional para desenvolvimentos de projetos. A construção de uma biblioteca no Chalé de Ferro, uma coleção especial de plantas e o apoio dos parques ecológicos de Belém e Mosqueiro, distrito de Belém, são projetos agendados pela coordenação do Rodrigues Alves Bosque.
Com a elevação do Bosque à categoria de Jardim Botânico, passamos a integrar uma rede nacional de jardins botânicos e outra internacional. Devemos entender que o horizonte do Bosque agora segue a uma diretriz estabelecida pela Rede Brasileira de Jardins Botânicos, ressalta Contente. Conservação da biodiversidade, capacitação de pessoal, trabalho em educação ambiental, pesquisa estão em desenvolvimento.
Agora o Rodrigues Alves passa a ser uma área protegida, onde o acervo da flora cientificamente já reconhecido e identificado através do censo, terá como finalidade o estudo, a pesquisa e a documentação da flora do país. Entre as atividades a serem desenvolvidas como diretrizes dos jardins botânicos constam o desenvolvimento de pesquisa, o intercâmbio científico, a manutenção da biodiversidade, a organização de biblioteca e o desenvolvimento de programa de educação ambiental.

Alguns projetos desenvolvidos pelo Bosque

SOS Ararajuba - um casal de ararajubas no mercado negro pode custar até US$20 mil. Na Amazônia estima-se que existam cerca de 2.500. Na lista dos animais em vias de extinção, a ararajuba pertence à família dos Psitacídeos, atinge um tamanho de 34 centímetros. A reprodução da ave é anual, uma média de dois a oito ovos, onde 80% dos filhotes conseguem sobreviver. A ararajuba é muito conhecida no exterior, chegou a valer até dois escravos no século XVI. Tem a coloração amarela e as pontas das asas verdes. A Sociedade Brasileira de Ornitologia defende no Congresso Nacional, através de projeto-lei, que a ave se torne símbolo do Brasil.
No projeto de assentamento (PA) José Pinheiro, localizado próximo de Marabá, sudeste do Pará, na Transamazônica, criado há dois anos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), verifica-se uma boa incidência da ararajuba. É lá que a equipe de fauna do Rodrigues Alves deu o pontapé inicial do Projeto SOS Ararajuba. O projeto reúne como parceiros as 40 famílias do PA, Petrobrás, Ibama, Batalhão de Policiamento Ambiental e o Museu Emílio Goeldi, que também possui o status de Jardim Botânico.
Por conta das limitações de sobrevivência no PA, 30% da proteína animal consumida pelas famílias é proveniente da caça. Após um curso sobre educação ambiental as famílias estão recebendo animais de pequeno porte para a manutenção da taxa de proteína animal, e evitar a caça. O projeto iniciado em julho do ano passado está orçado em 70 mil reais.
O próximo passo do projeto é um trabalho nas feiras livres de Belém em parceria com a Secreta Municipal de Economia (SECON), pra evitar o tráfico de animais silvestres nas feiras de 25 de Setembro, Terra Firme e Ver-o-Peso. O trabalho terá como mote a educação ambiental.
Na trilha da Amazônia - 200 mil pessoas passam pelo Rodrigues Alves por ano. A maioria desse público é oriunda de escolas. 12 escolas por semana visitam a área. A trilha ecológica é um sub-programa inserido na pauta do Projeto de Educação Ambiental do Bosque, desempenhando a função de canal de disseminação das informações levantadas pelo censo.
O programa possibilita que os visitantes conheçam a história do Bosque e os recursos de flora e fauna que ele abriga. Assim se supera o horizonte do Bosque ser percebido apenas como espaço de lazer. A ciência e a história são passadas de forma lúdica. Os visitantes com a ajuda de um técnico do Bosque passam a conhecer as árvores, os animais, a importância histórica do Rodrigues Alves, os monumentos.
Quem desejar passar o dia inteiro da área não terá problemas com a alimentação. Um restaurante com comidas típicas do Pará funciona todos os dias. Para socorrer a sede tem ainda quiosques que comercializam sorvetes de frutas da região e água. Para as crianças existe um pequeno parque. E o visitante que desejar descansar, pode sossegar as nádegas num dos bancos de estilo neoclássico com a gravação de uma esfinge em cada lado, assentado no início do século passado.
Dos 15 hectares de área, seis constam como área reservada. É lá a maior densidade de plantas. É nesse canto que a fauna livre pode viver e se reproduzir distante da presença humana. É nesse canto que as jiboias vivem.
Terapias na selva - A Fundação Mokiti Okada é quem anima o projeto de ginástica para a terceira idade em conjunto com Fundação Papa João XXIII (FUNPAPA), que integra a administração indireta da Prefeitura de Belém. O projeto visa a utilização do Rodrigues Alves com ambição de melhorar a qualidade de vida física e psicológica da comunidade.
A Fundação Okada desenvolve as atividades com base na terapia Johrei incentivada desde 1931 por Mokiti Okada, que consiste no uso das mãos para a canalização da energia vital do universo. Exercícios leves de ginástica e reeducação dos movimentos denominada Lian Gong são aplicados a um público estimado em 100 pessoas desde 2001.
A administração – 70 pessoas, lotadas no Departamento de Gestão de Áreas Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Belém (SEMMA), trabalham para que o Bosque Rodrigues Alves, o Jardim Botânico da Amazônia se mantenha sempre limpo e os projetos saiam do papel. A Guarda Municipal de Belém (GBEL) garante a segurança.

120 anos, a festa – Além de uma campanha publicitária para a publicização do aniversário, consta na agenda a realização de reforma em alguns espaços do Bosque. Na semana dos 120 anos do Rodrigues Alves ocorrerá sessão solene na Câmara Municipal de Belém, apresentação dos projetos, apresentações artísticas, distribuição de mudas de árvores nativas da Amazônia e sessões de vídeo.
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Trabalho publicado originalmente na Revista Ecologia e Desenvolvimento, Rio de Janeiro, n. 108, 2003.Integra a obra Pororoca pequena; marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de cá/2009, publicada em suporte digital.
Rogério Almeida é professor do Curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia (UNAMA). Anima o blog http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/

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FlávioContente
 

Navegando pela Net me deparei com esta publicação que pelo que vi é parte de uma edição da Revista Ecologia e Desenvolvimento, me chamo Flávio Contente e no conteúdo deste trabalho meu nome é citado por algumas vezes, realmente fui coordenador de flora do Jardim Botânico e desde 2004 ja não trabalho no Bosque, contudo, achei interessante a divulgação destas informações técnicas sobre os trabalhos que realizei lá, gostaria de saber como ter acesso a revista onde foi publicado.

FlávioContente · Belém, PA 7/7/2010 08:33
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FlávioContente
 

Passados 6 anos de minha saída, infelizmente o Bosque não tem muito que apresentar em termos científicos, as gestões que vem trabalhando neste espaço importante, fragmento florestal urbano que deveria estar sendo estudado em sua dinâmica ecologica nada tem feito neste sentido.
É lamentável ver que a 06 anos a produção científica simplesmente acabou, estudos que eu vinha coordenando lá como: fenologia, regeneração natural, controle de exosticas, fitossociologia, coleta de sementes, controle de fitossanidade, monitoramento árboreo, entro outros ficaram apenas nas lembranças do Bosque.
Lamentável.

FlávioContente · Belém, PA 7/7/2010 08:40
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roalmeida
 

olá contente

ainda moras em Belém?
quando da publicação da revista lembro que deiwei um exemplar no chalé de ferro

posso conseguir uma cópia da matéria para você
sobre a descontinuidade da pesquisa, o conhecimento é algo sempre secundado em nossa história.
sempre pergunto: como sairemos de nossa condiçaõ marginal sem produção de conhecimento?



roalmeida · Belém, PA 7/7/2010 09:34
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FlávioContente
 

Sim Rogério, ainda moro em Belém contudo hoje tenho trabalhado em projetos de desenvolvimento comunitário fortalecendo as informações sob~re produtos não madeireiros e também apoiando na assessoria técnica do Conselho Nacional das Populações Extrativista a implantação da politica territorial de pesca e aquicultura no Estado do Pará e Amapá.

Tenho um carinho muito grande pelo Espaço Bosque, e sempre que posso fomento a necessidade de pesquisa naquela área.

FlávioContente · Belém, PA 7/7/2010 14:07
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roalmeida
 

como faço para repassar o material para vc?

roalmeida · Belém, PA 7/7/2010 23:18
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FlávioContente
 

Rogério, meu contato é 82719525, ou se preferir manda um e-mail para flaviocontente@r7.com estarei em viagem de pesquisa na segunda semana de agosto, portanto caso seja possivel me diga onde posso ir ates disso para poder pegar o material com você.
Ou se for de sua preferencia, podemos marcar uma hora e data no escritório do Conselho onde atuo.

Abraços.

FlávioContente · Belém, PA 11/7/2010 09:14
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