Além do tereré, dos costumes e do clima, Campo Grande tem algo muito semelhante a Assunção: a música. A afirmativa é do cantautor paraguaio Rolando Chaparro que analisa as duas capitais, independente da nação, como esforçadas musicalmente falando. "Ambas tem potencial em fazer música de qualidade. Temos grandes nomes que nos antecipam dentro da cena independente e que nos animam em não desistir da luta de fazer a música acontecer. Público tem, acredito que em todos os lugares, o que é mais difícil no Paraguai é apoio", acredita Chaparro em entrevista exclusiva. O músico esteve em Campo Grande e realizou um show especial ao lado da banda Mandioca Loca na Concha Acústica Helena Meirelles.
Despojado, Rolando Chaparro se surpreende com tudo em volta. "É a primeira vez que venho a Campo Grande e o local parece muito familiar. Sou fã do Brasil e acho que tanto os paraguaios quanto os brasileiros tem muita coisa em comum, que é o carisma", ressalta. No bate papo ele revela as referências em relação à música popular brasileira como Tom Jobim, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, Rita Lee, entre outros. "Desde pequeno acompanho a música brasileira e tenho um gosto imenso por tudo que está correlacionado ao estilo musical daqui; essa mescla de ritmos é rica e o momento é propício para acontecer nos dois países", explica. Ele cita ainda músicos sul-mato-grossenses como Guilherme Rondon e os irmãos Espíndola.
Segundo Chaparro, o intercâmbio entre os países vizinhos se desenvolveu por amizade entre ele o 'cantautor' Rodrigo Teixeira. "Nós dois somos muito amigos e desde quando ele esteve em Assunção, em 2004, mantivemos contato e ressaltamos a idéia de tocarmos juntos. É uma parceria fraterna e de muita competência. Ele é um grande músico e tem ótimas referencias no Paraguai", elogia. Recentemente o músico Rodrigo Teixeira participou do lançamento do disco "Afropolka 2" na cidade de Assunção. Juntos eles cantaram a música "El Viejito". "Foi uma construção de um trabalho de base, que levou tempo e que agora só nos resta colher os frutos e, além de desbravar o Paraguai para a moderna música urbana de MS, a ponte tem tudo a ver com a nossa música", comemora Teixeira.
Rolando Chaparro tem 44 anos e é considerado um dos mais importantes músicos paraguaios da atualidade. Ele também faz um trabalho de mesclar os ritmos fronteiriços com uma linguagem mais pop. Rolando tem na bagagem mais de 16 discos e se considera um músico eclético. "Trabalhei por muito tempo com o folclore paraguaio, passei pelo rock, funk e atualmente estou me dedicando à polca. Vou mostrar um pouco da minha música que tem muito a ver com as canções da banda Mandioca Loca", avisa Rolando, que trouxe com ele o percussionista Cacho Montes, que é argentino e mora em Assunção.
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