Romero Cavalcanti é um dos mais inquietos e originais artistas que conheço.
Mora num antigo casarão em Copacabana que, não sei por que, me lembra o filme Psicose do Hitchcock. Tutty Vasquez o apelidou de “O Esquartejador de Copacabana” por conta de sua série de trabalhos intitulada Cutaways. Romero é um artista único que desenha com a faca (literalmente). Suas figuras da série (agora com volume) são cortadas no estilete sem nenhuma guia ou rascunho prévio! Não conheço ninguém com esse approach…
Nascido na Paraíba e radicado no Rio há muitas décadas, sua obra é múltipla e extensa. Seus cartazes de peças já fazem parte da história gráfica do teatro brasileiro. Suas capas de CD permanecem vivas e expressivas até hoje. Suas ilustrações editoriais (em livros e revistas) são parcerias fortíssimas com o texto. Suas “esculturas” (na falta de um nome melhor) me encantam constantemente. Romero é sempre um homem do processo. Pude constatar isso quando ajudei-o a montar uma pequena retrospectiva de seus trabalhos na UniverCidade aqui no Rio, há alguns anos atrás. A expo melhorava a medida que ia sendo montada.
Como artista múltiplo se aproximou do computador há pouco tempo e já desenvolveu um trabalho bastante expressivo. Inicialmente reproduzindo o seu traço ilustrativo através de programas de desenho vetorial e há poucos anos descobrindo a colagem digital num trabalho que garimpa imagens reais para explodi-las em figuras suprarreais bitmapped que as vinhetas da TV Globo exploraram muito bem no seu trabalho para A Grande Familia.
Mas os Cutaways em papel são maravilhosos. E é justamente uma parte selecionada deles que estará em exposição a partir do dia 5 na Galeria Versailles do Shopping Cassino Atlântico aqui no Rio de Janeiro.
Um trabalho que consegue ser, ao mesmo tempo, extremamente contemporâneo, único em sua técnica entre nós, mas calcado numa tradição oriental milenar e ao mesmo tempo reforçado por uma carga de sensualidade e informação cultural poderosa. Seu “meio” é a própria “midia” impressa, e talvez por isso mesmo o subtitulo de sua exposição “Recortes es/culturais”.
Se você ainda não conhece o talho da faca de Romero Cavalcanti, a hora é essa: As Formas do desejo - Recortes esculturais.
Não perca!
Salve Egeu!
Um prazer ler seus posts. Juro que pensei tratar-se de algum serial killer de Copacabana!rsrs Grande chamada! Incrível e original o trabalho de Romero!
Trabalho original !
Ótima indicação, ótimo convite !
Egeu: sempre bom encontrar suas dicas por aqui!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 3/3/2009 11:26A vernissage acontece no dia 5 (quinta) a partir de 18 horas. Mas se chegarem por volta de 20 horas tá de bom tamanho...
Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 4/3/2009 11:11
Um trabalho diferente e desconhecido para mim. Ótimo você ter postado aqui no Over.
Ivette G M
Egeu,
Pedidaça. Este tipo de 'serial' devia dar em árvore, mas estes são 'fora de série'.
Egeu,
Como você mesmo disse com muita propriedade, é realmente imperdível.
Viva nosso Rio, seu povo e sua arte!
Abraços
A Galeria Versailles fica no Shopping Cassino Atlântico, no finalzinho do Posto 6, na esquina da Rua Francisco Otaviano com Av. Copacabana e Av. Atlantica. Entrando na Galeria é só descer um lance de escada rolante. Tel. 2521 5247. De segunda a sábado de 13 às 18 horas. A exposição fica o mês de março inteiro. Todos os trabalhos estão a venda (e acho que estão baratos...)
Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 6/3/2009 09:32Muito bacana o trabalho de Romero, pelo que nos trouxe Egeu. Quando for ao Rio vou procurar saber mais.
Higor Assis · São Paulo, SP 6/3/2009 10:45
Genial . É sempre bom conhecer outras formas de expressões no mundo das artes Plásticas. Parabens amigo.
Um abraço. jbconrado.
Se possível fosse dizer: um esquartejador do bem.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 6/3/2009 18:54
Adro,
E porque não dizê-lo? Se o cara pega o mal, o inservível, o imprestável o imprestável (nocaso) e troca em miúdos, vai por partes, esquarteja em suma, que mal há? Esquartejar não é um mal em si (em se tratando de alguns viventes, censuro-me para não confessar o quanto). Romero, no melhor sos sentidos é a prova cabal disto, não é não?
Bem, Spirito, pensando bem, pensando bem, bem pensando, e pensando no bem... pois é, não é, é de fato mesmo, diria cumpadre meu Quelemém, numa prosa de fogo de chão em que não faltaram Diadorim e Riobaldo... aquele afiando a faquinha, que emprestaria o ânimo a Romão, na destreza, quero dizer.
Em sendo sinistro, penso que não se descarta que o bem possa necessitar de esquartejar-se, embora não comungue que a norma solidária possa erguer-se lisa e limpa da violência que a gere, mesmo que a santa ira seja tolerada, há os que ainda hoje excomunguem crianças estupradas e dêem a outra face a estrupadores de crianças... ou disfarçam de bons que o dogma requer.
Saravá.
Adro,
E não é que é isto mesmo? Moral esquartejada esta a da igreja católica. Depois o Vaticano reclama dos esquartejadores de símbolos que ficam misturando tudo e inventando 'novas' igrejas por aí. Uma religião tão antiga, tão assentada em vivência, devia se dar ao luxo de, pelo menos não cometer estupidez política deste quilate. Dogma medieval numa hora destas?
Prato cheio para o Umberto Eco denunciar de novo qual é o verdadeiro nome da rosa.
Não se fazem mais esquartejadores éticos (simbólicos, é claro) como antigamente.
Votadissimo! Egeu... adorei a dica!
Ps.: Sou editora de uma revista eletrônica de fotografia e artes visuais e gostaria de publicar a pauta da exposição na agenda e um perfil do artista. Você é Assessor dele?
Me passa o release da expo por email: sheilacrisfonseca@hotmail.com , que aí te passo detalhes da revista também.
Beijos
Egeu! Estou fazendo uma pesquisa para um documentário sobre Futebol de Mesa e vi sua colaboração aqui no site! Você tem algum e-mail pra que a gente possa conversar melhor? Queria sua ajuda! Beijão, Bia!
Bia Pizzi · Rio de Janeiro, RJ 13/4/2009 13:52Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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