Tropa de Elite passou como um furacão pelo ano de 2007, quebrando paradigmas, causando polêmicas e alertando para a sociedade a realidade nua e crua do Brasil, em especial o Rio.
Polêmica na forma como foi vista na maioria do país, em DVD pirata antes do lançamento no cinema, o que se tornou rapidamente um fenômeno. Polêmica em seu discurso inovador, que remete a figura do consumidor de drogas da dita classe média brasileira como parte fundamental e financiadora do tráfico de drogas nacional. Em uma cidade onde se comercializa mais de 1000 toneladas de maconha e 100 de cocaína por ano é de se esperar uma relação de inter-dependência enorme com quem tem dinheiro.
No filme, o “playboy da zona sul” sobe o morro para pegar droga pra vender na faculdade. Financia o comércio ilegal de drogas e ainda contribui para o aumento da violência, gerada por disputas internas de poder e batalhas com a polícia. Polícia corrupta e doente, que ao mesmo tempo que faz vista grossa para a entrada de tóxico e armas na favela, trava guerras com os barões e seus soldados do tráfico.
No Brasil tivemos a certeza do quão frágil está nossa sociedade, hierarquicamente falando, com essa verdadeira inversão de valores. A figura do capitão Nascimento, agora endeusada pelas crianças e adolescentes pelo seu modo truculento e controverso de encarar a bandidagem no filme faz sucesso em todo país. Foi dado o alerta para a necessidade de uma polícia eficaz e bem equipada, e, principalmente sem a banda podre corrupta que tanto colabora para a má imagem da polícia e alimenta o crime e tráfico organizado.
Em nossa realidade cearense, tivemos de lidar desde o final do ano com a nova polícia de Fortaleza. A ronda conta com 100 viaturas modernas e de grande porte, com 1000 soldados novatos e jovens ( média de apenas 22 anos de idade) treinados para monitorar e serem um pouco menos truculentos que os atuais soldados da pm tradicional alencarina.
No início criticados pela sua falta de experiência e erros primários em alguns dos muitos casos registrados na cidade, sua presença já é percebida, e o que é melhor, elogiada nos diversos bairros formadores da metrópole. Será uma luz no fim do túnel, uma exemplo para o Rio? Só o tempo vai dizer. Mas o comentário comum a respeito da RONDA é positivo. A maioria dos cidadãos aprova e ajuda na elucidação de crimes com informações sobre o ocorrido no momento. A colaboração com a polícia tradicional não era feita antes dessa forma.
Resta para nós tentar apontar soluções que não sejam apenas paliativas para um problema gravíssimo, que envolve toda a sociedade e merece nossa atenção. Segurança e patrulhamento é fundamental e se faz necessário, mas é preciso uma política de longo prazo para tirar o menor e futuro infrator da armadilha do tráfico.
eh bem verdade q os fortalezenses estao encantados com o ronda. talvez seja pela semelhança em termos fisicos com os policiais do bope, o ronda conta com um carro importado imponente e sua farda eh diferente da dos demais. eles andam sempre com a hillux brilhando e a sirene ladroes-saiam-antes-que-a-gente-chegue, isso enche os olhos das pessoas, nao so as mais pobres, como a elite tb. galera pega telefone dos policiais nao sei pra q, sera q eles fazem coisa por fora?
gabi.roots · Fortaleza, CE 15/1/2008 19:34Gabi, sua opinião é muito válida e desperta muitos comentários. O Ronda se parece realmente em condições de trabalho com o BOPE carioca, até foi o meu gancho para interligar os dois assuntos, distintos em tese, mas bastante semelhantes na realidade. Quanto em relação ao comportamento dos policiais cearenses, a um esforço do estado em treinar melhor e tentar dirimir atitudes negativas e violentas, diferente dos policiais do BOPE fluminense, que chegam para "resolver a situação". Resta saber o que é mais útil para a população: Polícia preventiva e ostensiva, ou repressiva. Ou, no caso de cidades em caos como o rio e recife, todas elas?
Chico Piancó · Fortaleza, CE 15/1/2008 19:48Aqui apreciando tão valioso e oportuno texto. Abraços. jbconrado.
ayruman · Cuiabá, MT 26/12/2008 17:54Texto muito bom. Vale lembrar que essa nossa ronda de elite é tão elitizada com suas viaturas importadas e fardas impecáveis que acaba por fazer com que os próprios policiais se sintam "elite". Isso é bom para nós que ganhamos um adicional à estrutura da polícia: educação! Sentimos falta de um "bom dia" e sorrisos camaradas. Talvez isso seja, para nossa alma e não corpo, tão importante quanto a própria sensação de segurança.
Marcel_Risso · Fortaleza, CE 17/2/2009 23:46Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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