Uma viagem pelo rock’n roll rondoniense
Se você quiser saber algo sobre o rock’n'roll em Rondônia, pode chamar Marcos Souza para uma conversa. O jornalista, crítico e roqueiro lembra com detalhes dos primeiros passos do ritmo de Elvis Presley e The Beatles na terra da Madeira-Mamoré. Por aqui, as guitarras verdadeiramente roqueiras começaram a gritar na década de 1980, época do surgimento do Estado, da maioria das cidades e do enorme crescimento da população. Foi aí que, em Porto Velho, as bandas Ponte Aérea e Código Morse apareceram em festinhas de escolas, tocando covers de RPM, Legião Urbana, Ultraje a rigor e Paralamas do Sucesso. A rivalidade das duas bandas descia do palco e chegava aos fãs, conta Souza com entusiasmo. “Ambas eram muito boas, mas houve quem achasse a Ponte muito elitista ou mesmo reclamasse que Código só tocava Legião”, lembra o jornalista.
Vítimas do Sistema e Ossos do Ofício apareceram já no final dos anos 80. Vítimas só tocava Ramones e Punk Rock. Barão Vermelho era assunto para a Ossos. O ofício desses rapazes (Gustavo, Marcelo, Denis e Rods) foi além de animar festinhas para jovens, muito da cena existente em Rondônia se deve à persistência dessa banda.
Vídeo Rock, Oficina do Ney e Urublues
Foi nessa época que surgiram as animadas disputas do Vídeo Rock, promovido pelo Sesc da capital, que foi o primeiro palco de muitos roqueiros da terrinha. Quando o projeto acabou, muitas bandas que surgiram para concorrer no mini-festival acabaram numa oficina de carros no centro de Porto Velho. É isso mesmo, o roqueiro e mecânico Heavy Ney abriu sua Oficina do Rock todos os finais de semana, e lá, com pouco espaço, entre macacos e chaves de rodas, a galerinha pirava ao som do puro metal. “Eu gostava de ouvir, os caras gostavam de tocar, e a galera vinha e era barato. Não deu outra, foi sucesso”, conta Ney. Apesar de os primeiros shows na oficina datarem do início da década de 80, foi no final dos anos 90 que as festas ganharam destaque maior no cenário de eventos da capital. “A vizinhança sempre teve muito preconceito com o pessoal do metal”, conta Ney. As bandas que tocavam na Oficina do Ney eram mais underground e a fama do local não era das melhores, dadas às roupas pretas, cabelos compridos e tatuagens da galera do heavy metal. A Oficina do Rock acabou em 2003, quando Ney teve que mudar para um bairro na periferia da cidade. Antes disso, Ney virou político, um folclórico candidato que deixa as eleições mais animadas e radicais. “Heavy Ney é radical, o resto é tudo igual”, diz o seu animado slogan.
Metal para um lado, Pop rock para outro. Foi assim que a galera da Ossos, já com nova formação, teve a idéia de montar o Urublues Rock Pub em 1997, uma casa que começou devagar, mas que em menos de um ano virou a mais badalada da cidade. “Muito dessa cena atual no rock em Porto Velho se deve ao Urublues”, acredita Denis Carvalho, um dos idealizadores do projeto e baixista da Nitro, antiga Ossos do Ofício. A única casa de rock da capital passou a ser ponto de encontro também dos shows de grandes bandas nacionais em Porto Velho, como Paralamas do Sucesso, J. Quest, Skank, Titãs, entre outros. Alguns desses astros também aportaram no Urublues para curtir a noite dessas bandas da Amazônia. Em 2001, o Urublues fechou as portas.
Festivais e a nova geração
Mas Denis e companhia não desistiram de fazer rock e dar palco para as bandas de Rondônia e, depois de tocarem no Festival Enseada, em Santos, Porão do Rock, em Brasília e no Festival de Verão de Salvador, surgiu a idéia de promover algo de gênero, uma produção totalmente local, mesclando as bandas da região e grandes ídolos brasileiros. Assim, em 2003, nasceu o Madeira Festival, um dos maiores festivais de música da região norte do Brasil. Roqueiros da capital, das cidades do interior, do Acre, Amazonas e de estados do centro-sul do país subiram no mesmo palco de Titãs, LS Jack, Pitty, Tihuana, Detonautas e O Rappa. A idéia deu certo. Tão certo que pela primeira vez um evento no Estado teve cobertura nacional, feita pela MTV.
Nas cidades do interior, o crescimento econômico e populacional fez com algumas tribos também começassem a surgir. Logo esse pessoal e as bandas desses municípios precisaram de palco. Em Ji-Paraná, a segunda maior cidade de Rondônia, surgiu em de 2003 o Rock In Jipa, com o objetivo de reunir bandas independentes do cenário do rock da região norte ou de outras regiões do país. Em 2005, nada menos que 50 bandas de rock'n'roll, em suas mais variadas vertentes, participaram do festival, vindas de várias cidades de Rondônia, além de bandas de São Paulo, Amazonas, Acre, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Dois anos depois, em Porto Velho, as bandas Quilomboclada, Coveiros e Suco di Nóis tomaram à frente da discussão para a criação do Festival dos Beradeiros, quando os roqueiros de Rondônia e Acre subiram ao palco para pedir respeito aos povos e à cultura da floresta.
Marcos Souza vê com alegria a cena do rock em Rondônia. Muitas, mas muitas bandas. Sons de qualidade, músicas próprias, eventos diferentes e de sucesso. “Tudo o que vemos hoje é resultado da luta dos veteranos pela criação da cena e da vontade dos novatos em construir essa identidade roqueira rondoniense”, defende o jornalista. Entre CDs e os velhos discos de vinil, Souza faz do seu ofício um registro histórico da cultura recente de Rondônia, isso entre um gole e outro de café.
eu sempre gosto de ver esses meninos novinhos nos shows de rock!! Joga por terra a história de que o bom e velho rock'n'roll é passado...
bela matéria,Adriel
Essa foto é ótima mesmo. Só gente do rock muito nova.
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 12/4/2006 17:38
Só acho engraçado o lance do velho clichê dos "camisapreta" nos shows de rock.. Isso sim é a coisa mais datada que existe no rock...
Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 13/4/2006 12:17gostei, a matéria diz tudo, roquinrrol pra nós aqui do norte(sou de MT) é um bálsamo...
Balbino · Cuiabá, MT 13/4/2006 12:20Essa foto Bruno, foi tirada num dos ambientes do Madeira Festival, que, como expus na matéria, é o maior evento do gênero na região. A idéia dela não foi nem se pendurar no clichê, mas que por causa da história dessa galera toda que está na matéria, essa galerinha pode continuar a vestir preto e se achar radical, porque a cena se afirmou enfim.
Adriel Diniz · Porto Velho, RO 8/5/2006 12:17a informação acima não corresponde ao histórico verdadeiro do Rock em Porto Velho, nem tão pouco chega perto da verdade da história no Estado. Seria bom antes de publicar matérias que seja feita um pesquisa real dessa realidade. carlos mettal (69)9986 1499
carlosmettal · Porto Velho, RO 12/10/2010 08:35Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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