ADREANA OLIVEIRA*
No carnaval, aconteceu o maior festival integrado do Brasil, o "Grito Rock", abraçado por nada menos que 20 cidades em 15 estados. O GR surgiu há cinco anos, em Cuiabá (MT), e expandiu-se em 2007 de forma inédita. Na segunda quinzena de fevereiro, muitas cidades ficaram aquém do barulho dos tamborins. Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Jaú (SP), Ji-Paraná (RO), Londrina (PR), Macapá (AP), Manaus (AM), Mogi das Cruzes (SP), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ), Uberlândia (MG) e Vilhena (RO) tiveram sua primeira edição do festival, enquanto a capital do Mato Grosso chegou à quinta.
Uberlândia abrigou o "Grito Rock" nos dias 14 e 15 de fevereiro. Pela repercussão na internet, quem foi não se arrependeu. "Apesar da correria, o resultado final foi positivo", comentou Talles Lopes, um dos produtores. Para ele, a parceria com a Diretoria de Cultura da Universidade Federal de Uberlândia (Dicult) começou a render frutos e o Centro de Convivência do Campus Santa Mônica deve ser mais usado por bandas alternativas, não só de Uberlândia, como de todo o País. O público girou em torno de 1.300 pessoas no total. "Pecamos em alguns aspectos, mesmo assim, o feedback das bandas e do público foi bom. Vamos melhorar no próximo", explicou Talles.
A média de público nas cidades em que aconteceu o GR esteve em torno de mil pessoas. Representantes de Jaú, Goiânia, Rio de Janeiro, Palmas e Mogi das Cruzes que estiveram em Cuiabá demonstraram uma latente satisfação com o sucesso das produções locais.
Durante um encontro do Circuito Fora do Eixo em Cuiabá, músicos, produtores e jornalistas se reuniram para falar das perspectivas do cenário nacional neste ano e a Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin) divulgou o calendário de 2007. São 19 festivais a partir de março, fora os já realizados até o momento.
Pablo Capilé, do Espaço Cubo, coordenou o encontro que entre outras coisas, deixou claro que, sem integração é difícil para uma banda circular. "A gente sabe que os festivais optam por selecionar bandas que já viram no palco, raramente escolhem alguém apenas pela audição do CD", comentou. O que a cena nacional ganha com essa articulação: Abrafin como representante política e Fora do Eixo como uma espécie de software livre?
"No último ano comprovamos que melhorou e muito a circulação das bandas fora de suas cidades", explicou Pablo Capilé. A semente foi lançada e começou a germinar. Resta esperar que não haja acomodação. Atualmente, nem tudo é um mar de rosas nos festivais. Há bandas que ainda "pagam" para tocar, outras conseguem empatar os custos e o que se espera há médio prazo é que esta situação mude por completo, que os festivais, por meio de leis de incentivo ou não, sejam auto-suficientes.
O berço
Com 36 atrações, não faltou diversidade no "Grito Rock Cuiabá", no Clube Feminino. Alguns serão lembrados pelos nomes estranhos, outros pela performance, poucos pela ousadia. Por motivos alheios à vontade da editora, Dead Smurfs (MG), Asthenia (MT), Stereovitrola (AP), The Stoned Sensation (PR), Snorks (MT) e Fantoche (MT) ficaram fora desta resenha, que rendeu 19 páginas em um bloco de anotações entre shows e coletivas de imprensa.
O Nicles saíra do Acre pela primeira vez e mostrou um show animado. Os conterrâneos do Mamelucos, com uma junção de experimentalismo e poesia, também conseguiram prender a atenção da audiência.
Entre os representantes cuiabanos, o Vanguart manteve seu lugar como a cereja do bolo. De partida para São Paulo, a apresentação soava como uma despedida temporária daquela cena que os projetou. O quinteto fez o dever de casa. O Macaco Bong apresentou um novo baixista, Júlio Custódio, que substitui Ney Hugo, mais uma vez, irretocável. A Lazy Moon aponta para novos rumos. A girlband deixa de lado as influências 60s por um lance mais alternativo.
Playedes, Zenfim, Rhox, Dragsters e The Melt estão na safra da nova geração do rock cuiabano. Na sala de imprensa, apesar da crítica velada de muitos, o Aoxin mostrou mais do que muita gente que ainda se faz rock passional. Enquanto o aclamado Lord Crossroad não apresentou muitas novidades, mas ganhou o público, o Claudia´s Parachute hipnotizou.
A primeira forasteira a chamar atenção foi a Wasted Nation. Mesmo com pouca gente no Clube Feminino, tocaram como se fosse o último show, o que poucos fizeram durante todo o festival. As mulheres sempre dão um show à parte. Tanto na Boddah Diciro, na Euterpia, na Technicolor ou na já citada Lazy Moon, elas dão charme e atitude na guitarra, no vocal, na bateria e no baixo.
O Bang Bang Babies levou ao palco integrantes do Dead Smurfs e do Nicles para uma execução de "Loose", do Iggy Pop; o Ultimato levou o sapo de pelúcia do baixista e postura ativista; o SomoS, gaita de foles; a Toa Toa foi a representante carioca que lutou contra um som que não ajudava. Mas polêmica levou a Sexta Geração da Familia Paim do Norte da Turquia com o refrão "o Acre não existe, porra". Foi difícil para os acreanos levarem as brincadeiras dos paranaenses na esportiva. No fim, todos se acertaram. A poesia do Margaritas ante Porcus e o show redondo dos Patrões também tiveram uma repercussão das melhores.
Na linha tênue entre o mainstream e o independente, Pública e Banzé surpreenderam e foram surpreendidos pela recepção cuiabana. O cenário independente tem seus headliners não por acaso. No do "Grito Cuiabá", Forgotten Boys, Ecos Falsos e Faichecleres começaram a tocar depois das três da manhã com a disposição de quem acabara de sair de casa.
SERVIÇO
Saiba o que vai rolar durante este ano no cenário independente de música. Segue o calendário da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). Escolha seu próximo destino. Sempre que uma programação for divulgada, você ficará sabendo aqui.
MARÇO
1 a 3: Ruído Festival (Rio de Janeiro)
ABRIL
4 a 7: Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe (Belo Horizonte)
13 a 15: Abril Pro Rock (Recife)
MAIO
3 a 5: Mada (Natal)
18 a 20: Bananada (Goiânia)
JUNHO
1 a 3: Porão do Rock (Brasília)
8 a 10: Calango (Cuiabá)
JULHO
Data a definir: Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (Vila de São Jorge, GO) e Boom Bahia (Salvador)
AGOSTO
2 a 5: DoSol (Natal)
15 a 18: Feira da Música (Fortaleza)
31/8 a 1/9: Vaca Amarela (Goiânia)
SETEMBRO
14 a 16: Jambolada (Uberlândia, MG)
Data a definir: Varadouro (Rio Branco, AC)
OUTUBRO
20 a 22: Demo Sul (Londrina, PR)
Data a definir: Eletronika (Belo Horizonte)
NOVEMBRO
23 a 25: Goiânia Noise Festival
23 a 25: Senhor Festival (Brasília)
DEZEMBRO
2ª semana do mês: Algumas Pessoas Tentam... (Rio de Janeiro)
*A editora viajou a convite da organização do festival
adre@correiodeuberlandia.com.br
Oi Adreana, muito bom ler seu artigo por aqui!
bjs
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