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Rota do Sal: o cinema abraça a história do rio

André/Avesso
André Braga, da Avesso Filmes: percorrer 3 mil km pelo rio Tocantins
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Roberta Tum · Palmas, TO
1/12/2007 · 345 · 27
 

O projeto é ousado, a aventura é imensa, mas o que a Avesso Filmes está se propondo fazer com o filme documentário “Rota do Sal” é o resgate de uma história já quase esquecida. Antes que os mais velhos morram. Neste final de novembro, André Braga e Cardes Amâncio percorreram gabinetes, fazendas e corrutelas pelo Tocantins a dentro para buscar mais apoio e referências históricas para o seu projeto. Eles pretendem refazer a rota que os antigos ribeirinhos faziam de Paranã (TO) a Belém (PA), pelo rio Tocantins em busca de sal. Sim, o mesmo sal que se compra fácil e barato hoje em dia no supermercado, mas que já foi poderosa moeda de troca no começo do século XVIII.

“Os antigos contam as histórias que ouviram de seus pais e avós, e antes que esta memória se perca, queremos registrar”, conta André Braga. Para reviver a saga que os ribeirinhos enfrentavam, viajando sempre na cheia, numa viagem por 3 mil km de água, uma vez ao ano, a equipe de produção da Avesso Filmes vai utilizar uma canoa.

“Na verdade esta viagem não era feita de canoa, e sim em antigos batelões, que levavam tudo: produtos para troca, pessoas. Mas para nosso documentário, vamos utilizar uma canoa moderna, que permita a nossa viagem e o contato com estas comunidade às margens do rio Tocantins” - explica o cineasta. Na verdade, a idéia surgiu durante um outro trabalho feito pela equipe, o vídeo intitulado “Olhar Calunga”. Ouvindo as histórias e estórias de antigos moradores, descendentes de negros africanos, em comunidades quilombolas, eles perceberam a necessidade de fazer o registro de tradições transmitidas por diversas gerações através da oralidade.

A rota do sal feita pela água, começava normalmente no mês de março, nas “águas grandes”, quando partiam os batelões. A volta só acontecia no ano seguinte, também na cheia.
Ao longo do rio, como ao longo das estradas, é que as comunidades prosperavam, vivendo dele, e se locomovendo através dele. As pesquisas prévias feitas pela equipe mostram que o hábito de viajar de batelão começou a cair em desuso por volta de 1920, quando rotas alternativas, por terra, e feitas com tropas de burros, começaram a se multiplicar. O sal, que só se encontrava a beira mar era trazido para o então interior goiano, passando por todo território, hoje tocantinense, até chegar às comunidades que dele necessitavam.

“Estamos recontando parte da história deste Brasil central, tão pouco conhecida. Queremos registrar a memória destes protagonistas. É interessante também que as pessoas deste interior do país se vejam na tela. Isto as fortalece”, explica André. O projeto que tem o apoio do Iphan, e teve a produção aprovada dentro da Lei Rouanet. “Estamos buscando patrocinadores, apoiadores do projeto”, disse Braga em reunião na Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do governo do Tocantins, onde esteve em busca de apoio. Braga e Cardes também fizeram diversos registros fotográficos e estiveram em contato com o presidente da Fundação Cultural do Tocantins, Julio César entre outras autoridades. “Queremos que a comunidade abrace o projeto e nos ajude a realizá-lo” – destacou Cardes.

No conjunto todo da proposta do filme documentário “Rota do Sal”, está a publicação de um ensaio fotográfico, um livro de fotografias e reportagens contendo a história da viagem e produção, além de 5 mil cópias em DVD e mais 2 mil cópias em VHS. A intenção da equipe é que este material, depois de pronto, volte para as comunidades ribeirinhas e seja exibido em salas de aula, para que a própria comunidade se veja, e se reconheça como protagonista de uma história. Registro da memória de um tempo difícil em que cidadãos brasileiros resistiam, abrindo, com muita fortaleza e perseverança, as fronteiras de um Brasil desconhecido, na rota de suas necessidades mais básicas. Como o sal.

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Cintia Thome
 

Roberta, que aventura! Que maravilha fazer um trabalho de resgate. Parabens pelo projeto/filme e estes mais que aventureiros a registrar para o Brasil tal importância quando o sal era riqueza, ouro...A Lei Rounet propiciou um belo projeto.
(quando será lançado o livro com fotografias?, Roberta?)Parabens pela colaboração. bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 30/11/2007 18:04
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Roberta Tum
 

Cyntia,
vai ser uma loucura mesmo esta viagem! O livro só fica pronto no final do filme. As fotos são registros da viagem, making off, etc...
Gostei muito do projeto, acho fascinante esta coisa de resgatar a memória guardada através da oralidade. O cenário que eles vão percorrer é rico, fascinante e desconhecido da maioria dos brasileiros. Vou ficar por perto, e dando notícia.
Abraço! Bom que gostou!

Roberta Tum · Palmas, TO 30/11/2007 18:30
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Cintia Thome
 

Legal e acabo de votar, nesta aventura que frutos darão a todos os brasileiros, visitei o link Aveso Filmes e li o projeto. Aguardo roberta...Ei merece dar uma rodada, rs...Overmanos estão um poco destentos, rs, porque hoje é sexta-feira. Mas bravo. bju

Cintia Thome · São Paulo, SP 30/11/2007 19:26
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Andre Pessego
 

Pois minha lindeza dessas terras de Palmas,
Sim sabes que Gilbués foi rota e ponto de encontro, a trifurcação dos boiadeiros e tropeiros. E que em teporada de chuva, atrasavam os tropeiros e a "luta por uma caneca de sal" era das maiores.
Legal um verdadeiro documentario no resumo possível
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 30/11/2007 19:45
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Spírito Santo
 

Roberte,
O formato é belo e recorrente (cinema, afinal, é sempre alguma coisa em movimento, certo?)
Gostei demais.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 30/11/2007 21:02
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Ize
 

Roberta, que beleza a idéia desse documentário. Mais lindo ainda pq pretende devolver as memórias para as comunidades ribeirinhas.
Adorei!
Bjs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 30/11/2007 22:08
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Tacilda Aquino
 

Que legal esse projeto. Tomara que tudo dê certo e nós , que amamos cinema e a cultura brasileira vamos esperar ansiosos pelo filme, torcendo para que ele chegue às telas em festivais como o FICA.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 30/11/2007 22:18
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Matheus Muzy
 

Olá Roberta!
Muito legal esse projeto!
Sal, quem diria.... o próprio salário vem do sal, na verdade a palavra vem do latim "salarium" (do sal). Ou seja, no Império Romano os soldados recebiam em sal, que era uma mercadoria de muito valor na época.
Adorei esse resgate histórico, parabéns!
Abraços!!!

Matheus Muzy · Cordeiro, RJ 30/11/2007 23:24
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Benny Franklin
 

Salve, Roberta!

Fazer um trabalho de resgate das populações ribeirinhas - como pretende essa maravilha de filme - e receber remuneração vindas do sal, é a novidade que percebi. Rs.
Brincadeiras a parte, torço que este projeto tenha êxito e alcance o maior número de expectadores...

Parabéns, amiga!

a) Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 1/12/2007 16:51
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victorvapf
 

O Matheus tirou o "sal" da minha boca, parabens pelo projeto e tomara que o cinema brasileiro tome esta direcao, resgatando nossa historia que e muito pouco divulgada! Direcionar o gasto em coisa que valha a pena! Parabens votado

victorvapf · Belo Horizonte, MG 1/12/2007 19:12
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Sérgio Franck
 

Roberta, que matéria 10. Não tem como tudo sair dentro dos conformes.

Adiante!

bjo.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 1/12/2007 19:48
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azuirfilho
 

Roberta Tum · Palmas (TO) ·

Parabéns Amiga.
Mais Um Trabalho Admirável,

Maior orgulho votar nesta sua extraordinária criação/
Abração

azuirfilho · Campinas, SP 1/12/2007 21:25
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Sinvaline
 

Votado Roberta. Que aventura , heim! Resgatando a historia .
parabens
sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 1/12/2007 21:45
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llamar al pan
 

Adorei a proposta!

llamar al pan · Belo Horizonte, MG 1/12/2007 23:29
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Noelio Mello
 

Roberta, querida.
Belo trabalho. Grande projeto que resgata a trajetória pelo Tocantis até a minha Belém, em busca do sal, ontem ouro. belo texto. Desculpa o atraso. estava viajando.
beijos
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 1/12/2007 23:44
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Lili_Beth*
 

Querida Roberta:

PARABÉNS pela histórica aventura!

“Estamos recontando parte da história deste Brasil central, tão pouco conhecida. Queremos registrar a memória destes protagonistas. É interessante também que as pessoas deste interior do país se vejam na tela. Isto as fortalece”

Tu és parte e um Brasil que faz!

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 2/12/2007 02:03
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Antonio Rezende
 

Tão interessante quanto o resgate histórico de um tempo em que o transporte de cargas se dava pelos rios, Roberta, é imaginar o cenário do trajeto que antes era percorrido, nas condições em que isso acontecia, sem as alterações muitas vezes nefastas que ao longo do tempo foram feitas pela ação humana, sobretudo agora depois da construção de várias barragens no nosso caudaloso Tocantins. Sabemos que muita água foi represada para a geração de energia elétrica e que áreas enormes foram inundadas, com prejuizos incalculáveis aos resgates históricos que ainda precisavam ser feitos nesta região central do Brasil. Bacana ver colaborações como esta sua por aqui. Quero que me inclua na lista dos amigos a serem avisados quando das novidades sobre o projeto.

Antonio Rezende · Palmas, TO 2/12/2007 06:22
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Saramar
 

Roberta, atrasada, venho ler esta maravilhosa notícia.
Sempre achei importante dar lugar e voz aos brasileiros fora das grandes cidades, cujo cotidiano, diferente do nosso é mais pleno pela proximidade da natureza ainda viva e mais difícil pelas durezas da lida/vida.
Fantástico!

beijos

Saramar · Goiânia, GO 2/12/2007 09:30
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benny barboza
 

benny barboza · Várzea Grande, MT 2/12/2007 10:12
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Tom Damatta
 

Vou logo deixando CLARO:
o meu amigo Benny colou em transparência.
Perceberam?

Roberta, não dão carona a um retratista nesta empreitada. Tô todo me coçando. Bom saber do projeto do documentário.

Com o comentário do Rezende, que lembrou as barragens, não tive como não lembrar de outro documentário, este já pronto: TOCANTINS, UM RIO AFOGADO.

Conhece?

Tom Damatta · Araguaína, TO 2/12/2007 12:57
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Parabéns pelo trabalho.
Quero, com certeza, conferir o resultado dessa incrível aventura.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 2/12/2007 15:43
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Jornalista81
 

Interessante cara,
Também tenho um post recente sobre cinema
http://www.overmundo.com.br/overblog/perfil-cinematico-dalson-carvalho

Jornalista81 · Brasília, DF 2/12/2007 16:51
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Roberta Tum
 

André, esse nosso Brasil está cheio de hitórias que merecem resgate. Beijo, e obrigado por interromper a correria para ler.
Spirito, Ize, Tacilda, agradecida por terem vindo!
Matheus, interessante a informação sobre a origem da palavra salário...nova para mim. Abraço!
Victor, também fico feliz ao ver algum dinheiro público investido numa coisa que valha a pena na área de cinema. Abraço!
Benny, adorei o comentário perspicaz! Rs... juro que se eu pudesse vivia disso: viajar, contar hitórias em película, e ser remunerada por isso. Bjo.
Sérgio, Azuir, Sinvaline, Saramar e Cavalheiro, Itamar, Lili,
Rezende e Jornalista 81
agradecida pela passagem e comentários de vcs.
Tom, conheço o documentário do meu amigo e colega João Luiz, vencedor do DOC TV da Cultura. Um rio tem sempre muitas histórias, algumas afogadas por conta do progresso que avança. Eu de minha parte tenho saudades do Canela, que o Lago de Palmas cobriu. Conheceu? abraços!

Roberta Tum · Palmas, TO 2/12/2007 17:03
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Fran.Cine
 

Parabéns pelo projeto!
Eu trabalho com pesquisa de memórias e fico imensamente feliz que por aí tem muita gente preocupada com essas histórias e lembranças! Um grande abraço!

Fran.Cine · Santa Maria, RS 3/12/2007 13:38
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Marcelo Bretton
 

Roberta,
Belíssimo trabalho, espelhado num texto primoroso e fluido. Parabéns.

Marcelo Bretton · São Paulo, SP 4/12/2007 11:29
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FILIPE MAMEDE
 

Gostaria muito de trabalhar com coisas como essa Roberta: Resgate, resgate, resgate. Queria eu, estar ali no meio... Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 7/12/2007 11:10
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
marcio rufino
 

Minha querida,

me desculpe a demora o artigo é simplesmente MARAVILHOSO!!!
Votado!!!

marcio rufino · Belford Roxo, RJ 9/12/2007 14:24
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