GERALDO AMÂNCIO - O maior cantador-repentista da atualidade (um dos mais respeitados ícones da nossa Cultura Popular Brasileira)
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RUBENIO MARCELO – Bom dia, meu caro Geraldo Amâncio. Gostaria, inicialmente, que você informasse o seu nome completo, o local e data do seu nascimento.
GERALDO AMÂNCIO - Bom dia, meu parceiro Rubenio Marcelo. O meu nome completo é Geraldo Amâncio Pereira. Nasci numa região rural, em um sítio, de nome Malhada de Areia, num cantinho do município de Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Lá eu passei a minha infância, adolescência e juventude, junto com meus pais e os meus quatro avós.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, qual o seu endereço atual?
GERALDO AMÂNCIO - Moro em Fortaleza; na Avenida Expedicionários, número 5635 – Bairro Vila União.
RUBENIO MARCELO – Você acredita em Deus? Pertence a alguma religião?
GERALDO AMÂNCIO – Eu tenho uma religiosidade mais ou menos sólida. Sou católico praticante. Quando as pessoas me dizem que são católicas mas não praticantes, eu respondo-lhes que era melhor dizerem que não têm religião. Eu sou rezador mesmo; ando com o terço; leio a Bíblia todos os dias e sou - acima de tudo - muito feliz, graças a Deus.
RUBENIO MARCELO - Há quanto tempo você exerce a verve divina da cantoria de viola e do repente?
GERALDO AMÂNCIO - Eu sou um decano da cantoria. Algos em torno de 40 anos de cantoria. E tenho muito orgulho disto.
RUBENIO MARCELO - Quais os estudos que você realizou?
GERALDO AMÂNCIO - Eu venho de uma época e de uma região em que o estudo não era muito fácil; principalmente para as pessoas humildes. Na época em que eu nasci, por exemplo, havia apenas um grupo escolar, onde estudei apenas dois anos. Depois completei o 2º Grau através do Supletivo. O que eu tenho feito muito é pesquisado. Sou autodidata, com muita honra.
RUBENIO MARCELO - Quantas profissões você exerceu?
GERALDO AMÂNCIO - Fora a cantoria, nenhuma outra. Fui sanfoneiro, ainda muito jovem: tocador de forró, mas nunca profissionalmente. Apenas a viola. Inclusive aconselho a muitos que não façam o que eu fiz. Eu levei uma sorte muito grande, mas é algo meio inseguro viver exclusivamente da cantoria de viola. Quando eu não puder cantar mais, vou escrever, falar, divulgar isto, que é o que mais gosto de fazer na vida.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, você apresenta atualmente algum programa de rádio ou televisão?
GERALDO AMÂNCIO - Durante dez anos, veiculei pela TV jangadeiro, que é um canal televisivo de Fortaleza, um programa chamado Repente e Cantoria. Hoje possuo um programa chamado “A Sanfona e a Viola”, aos domingos, na TV Diário de Fortaleza, que chega a todo o Brasil, via satélite. Um trabalho interessante, pois a viola nunca teve muito espaço. As janelas da mídia nunca se abriram muito pra ela.
RUBENIO MARCELO - Quantos livros ou cordéis você escreveu? Quantos publicados?
GERALDO AMÂNCIO - Cordéis, eu possuo uns 20 escritos, mas nem todos estão em meu arquivo. Quanto a livros propriamente ditos, possuo publicados: “De Repente Cantoria”, uma espécie de antologia em parceria com o jornalista e poeta Vanderley Pereira; e, também com a mesma parceria, um trabalho mais estilista no livro chamado “Cantigas Que Vêm da Terra”. Já possuo outro no disquete, chamado “Gênios da Cantoria”, o qual é um livro do porte do “De Repente Cantoria”. Além também de vários CD's.
RUBENIO MARCELO - Você é membro de alguma entidade cultural?
GERALDO AMÂNCIO – Sim, sou da Academia Brasileira do Cordel. Sou membro também da “Casa do Cantador”, em Fortaleza, que possui mais de 50 anos de existência.
RUBENIO MARCELO - Como e quando surgiu o pendor para a cantoria de viola e o repente? Quais suas influências literárias e artísticas? Escritores prediletos... Quais livros fizeram e fazem parte de sua formação cultural?
GERALDO AMÂNCIO – No meu caso, isto é hereditário. Meu avô paterno, Manoel Amâncio, foi cantador. Um tio, também. Amadores, ambos. Tudo veio daí. A influência também é deles. Embora eu tenha começado ouvindo um programa que era veiculado na Rádio Clube de Pernambuco, um programa de cantoria que era feito por Otacílio Batista e Zé Alves Sobrinho. Eu digo sempre que o homem ou o artista é um produto do meio. Se nós cantadores tivéssemos nascido em um centro como Rio de Janeiro ou São Paulo, por exemplo: seríamos compositores; se os grandes compositores tivessem nascido onde nascemos, seriam eles os cantadores. Quanto aos escritores que mais pesquiso, estão Castro Alves, por quem tenho uma admiração enorme; Euclides da Cunha; Rogaciano Leite, jornalista, poeta e dramaturgo; e tantos outros...
RUBENIO MARCELO - Como se dá o seu processo criativo? Em que circunstâncias você cria o seu trabalho?
GERALDO AMÂNCIO – Esta é uma pergunta interessante! A “alquimia” de escrever, acontece mais quando estou viajando. A gente se desprende das preocupações do dia-a-dia. E a escrita vai fluindo normalmente. Quanto ao improviso, o som da viola tem uma influência muito grande no nosso processo de criação.
RUBENIO MARCELO - Quanto ao tema, no que você se baseia para desenvolver a sua Arte?
GERALDO AMÂNCIO – A minha grande preocupação é o povo. O lado social; a própria natureza; o amor; o sertão; o torrão natal. São os temas universais.
RUBENIO MARCELO - Quando se trata do repente de um desafio engenhoso, malicioso, no bom sentindo, as idéias nascem no vulcão da inteligência "sem papas nos neurônios"? É algo direto ou pré-estabelecido?
GERALDO AMÂNCIO – No desafio propriamente dito, isto depende muito da parceria. Quando o seu parceiro é “agressivo”, é criador, você também se multiplica; a sua idéia agiganta-se; vai num crescente espantoso, que há momento que você se pergunta: - Meu Deus, como é que estou produzindo isto!? Outro dia eu terminei uma cantoria e falei para o público: A cantoria é um espetáculo tão interessante que até nós, os cantadores - nós que veiculamos o improviso - admiramos o que é produzido no momento. Então eu repito: no auge do desafio, esta sublime criatividade é algo divino. A cantoria realmente vem de Deus.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, como materializar a sua obra para a posteridade?
GERALDO AMÂNCIO – Rubenio, nisto os cantadores são meio descuidados, você sabe. Por exemplo, este livro “De Repente Cantoria” vem mais da memória do povo. Quer dizer, o cantador produziu, não gravou, não escreveu. Isto fica 1%, se ficar. Alguém vai recitando para alguém e depois os que interessam, os próprios escritores vão materializando esses versos que ficaram soltos aí pelas noites da vida. A própria tradição vai se incumbir de levar isto à posteridade.
RUBENIO MARCELO - Há alguma influência psicológica quando você escreve ou arquiteta os versos da cantoria?
GERALDO AMÂNCIO – Com certeza! Eu já lhe provei que sou um chorão. A criatividade depende muito da emoção; da sensibilidade; da alma.
RUBENIO MARCELO – Você, que é também um exímio sonetista – haja vista os belíssimos "Reencontro" e "Romaria", do livro "Cantigas que Vêm da Terra” – como consegue fazer isto, ir de uma ponta a outra de uma arte assim; sair de uma cantoria, de uma expressão artística regional e ir a uma arte clássica, universal?
GERALDO AMÂNCIO – Primeiro quero dizer que eu sou é um grande admirador dos bons sonetistas, do seu tipo, do tipo do Geraldo Ramon, do Vanderley Pereira e tantos outros. Isto, no meu caso, é mais um atrevimento. Não é meu campo. É como se eu estivesse jogando em campo alheio. E pela admiração que tenho, fiz uns cinco, seis sonetos. Mas respeito muito a métrica, eis que o soneto exige muito isto. Uma métrica castiça, que não sei se domino bem. Sempre que construo um soneto eu vou consultar um mestre do assunto pra ver se tudo está certo (risos....).
RUBENIO MARCELO – Para muitos, o soneto é uma camisa de força da arte poética, por causa da métrica, rima, enfim, a forma tradicional de tecê-lo. O que mais lhe fascina no soneto, e qual a sua opinião sobre a poesia moderna nacional?
GERALDO AMÂNCIO – Inclusive os críticos dizem que a grandeza do soneto está realmente no desfecho, isto é: ... na “cauda do escorpião”. É, como eu disse, não domino bem, mas tenho uma admiração por esta forma fixa da poesia. Há esta outra poesia, que não sei se chamo concretista, moderna. Eu não critico, porque não conheço bem; e não conhecendo, não tenho uma admiração à altura dos grandes poetas, pesquisadores. Voltando ao soneto, como muitas vezes ele é decassilábico, sendo muito familiarizado com o nosso martelo de cantoria, ele conta com nossa admiração maior.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, como você lida com os versos livres (os comumente usados por alguns poetas)?
GERALDO AMÂNCIO – Respeito quem os faz bem. Mas no meu caso, falta uma força interior, porque eu conheço pouco, leio pouco Drummond, por exemplo, e outros. Porque o nosso trabalho é algo tradicional. Nós, cantadores, ouvíamos quem na nossa infância? – Os cantadores, os repentistas que não faziam versos brancos; faziam todos rimados, metrificados. Inclusive, a maior admiração que temos pelo repentista é a métrica; é um dom maior que o da rima. Já vem com a própria cadência.
RUBENIO MARCELO – Dizem que a literatura não tem alto valor comercial, mesmo assim são tantos artistas das palavras que se dedicam a ela. Por quê?
GERALDO AMÂNCIO – O autêntico artista da palavra, o poeta em si, trabalha por amor. Outro dia, fazíamos uma apresentação na cidade de Mossoró, ocasião em que fiquei muito feliz quando um rapaz se aproximou e nos disse: “Se todos os jovens do nosso país gostassem de literatura e de cantoria, a história do Brasil seria outra". E com a experiência que tenho, sei que as pessoas, que acompanham um trabalho como esse, sempre são de boa índole.
RUBENIO MARCELO – Quais são as suas características positivas? E as negativas?
GERALDO AMÂNCIO – A positiva é a sinceridade. Do que eu gosto, gosto mesmo, respeito; do que não gosto, isolo. Negativa: Muitas vezes não tenho a paciência que deveria ter com as situações.
RUBENIO MARCELO – Num mundo tão conturbado, pode a literatura, a arte cumprir um papel de ajuda para a redenção da humanidade?
GERALDO AMÂNCIO – É o caminho, depois do amor ao próximo, a Deus. Eu não tenho dúvidas disto.
RUBENIO MARCELO – Qual a colaboração do artista para a sociedade?
GERALDO AMÂNCIO – Levar o amor, a arte, a poesia. A formação e a conscientização cultural e educacional, tão importantes.
RUBENIO MARCELO – Dos seus parceiros de arte, qual aquele que você se identificou mais?
GERALDO AMÂNCIO – Isto é algo periódico. Por exemplo, no começo tive os mestres, a quem devo tanto. Fiz trabalhos com muita gente famosa. Tive a bênção poética do Patativa do Assaré, a quem acompanhei muito.
RUBENIO MARCELO – nos seus vários desafios e pelejas de cantorias por este Brasil afora, qual o cantador que você se lembra ter sido o "osso mais duro de roer"?
GERALDO AMÂNCIO – Ah, eu diria que... bem... (risos)... Inclusive com este cantador, a gente fez parceria por dez anos, e o próprio povo criou uma rivalidade. Periodicamente, nos tornamos “antagonistas”, que é uma coisa que não gosto. Ele é famosíssimo. Chama-se Ivanildo Vilanova, autor do “Nordeste Independente”, que a Elba Ramalho gravou. Grande nome da nossa Cultura.
RUBENIO MARCELO – Você que reside atualmente na atlântica Fortaleza, seria o galope à beira mar o estilo de cantoria que você mais gosta de cantar?
GERALDO AMÂNCIO – Sim. Inclusive, é este um estilo muito difícil, muito complicado para quem - por acaso - não dominar bem a linguagem da cantoria. Você sabe disso... Cada verso é formado por onze sílabas poéticas. É uma criação de um poeta cearense de Morada Nova, chamado Zé Pretinho. Gênero melodioso, cantante; cadenciado e belíssimo.
RUBENIO MARCELO – Você que participou do disco/homenagem aos 85 anos do nosso saudoso amigo Patativa do Assaré, descreva qual foi a emoção e o que significou para você este acontecimento...
GERALDO AMÂNCIO – ... Falar de Patativa, você sabe, é sempre uma emoção constante. Patativa fazia um programa em uma Rádio de Juazeiro do Norte, onde morei 20 anos. Então, toda quinta-feira, ele gravava um programa nesta emissora e nós tínhamos a alegria de sempre, neste dia, almoçar juntos. E Patativa fez com que os meus filhos o chamassem de vovô Patativa. Minha filha, inclusive, na morte dele, acho que chorou mais do que todos os filhos, filhas, netos e netas dele... Foi preciso que eu “gritasse” para ela parar, pois a família dele já havia parado de chorar. Foi sempre uma emoção constante viajar, trabalhar com ele... E esta noite do lançamento do disco foi memorável. O evento ocorreu no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, com a presença do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que havia assumido recentemente os destinos da Nação. o Tasso Jereissati também esteve presente. Interessante é que, na programação do evento, o Patativa – que era muito autêntico – recitou, até “coisas” de protesto contra o próprio governo, entretanto o próprio Presidente aplaudiu, sorrindo. Tivemos também a presença do Fagner. Foi uma noite memorável, repito.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, você hoje é tido como um dos mais famosos cantadores do Brasil. Isto lhe conforta ou aumenta a sua responsabilidade? Ou as duas coisas?
GERALDO AMÂNCIO – Isto é uma coisa interessante... Os cantadores famosos sempre vieram da Paraíba, de Pernambuco. Depois dessa geração nossa, de cearenses: o Zé Maria, Eu, Antônio Jocélio, o próprio Zé Gonçalves, a gente fez com que o Ceará aparecesse mais no cenário nacional da cantoria. Só para se ter uma idéia, nestes festivais competitivos nós já trouxemos mais de 150 lugares para o Ceará, uma coisa que não é fácil, pois nós disputamos com as maiores “feras” do improviso. A nossa responsabilidade continua cada vez maior. Eu não sei quanto tempo cantarei daqui para frente. Depende de Deus; depende da aceitação do público. Mas a responsabilidade é tão grande que gostaria que, mesmo sem cantar, pudesse continuar apresentando, escrevendo, fazendo este programa de televisão e me esforçando para levar e elevar a cantoria aos páramos mais gloriosos.
RUBENIO MARCELO – Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, existiu mesmo ou foi invenção?
GERALDO AMÂNCIO – Eu conheço o Orlando Tejo, que é meu amigo, escritor, poeta, jornalista, figura finíssima, a quem quero muito bem. Conheço “Zé Limeira, o Poeta do Absurdo”, que é um livro escrito por Orlando Tejo. Acontece o seguinte: o poeta Zé Limeira existiu; a poesia absurda é que não existiu. Explico: isto foi uma criação jocosa do poeta/cantador Otacílio Batista, que partiu há pouco tempo, e do poeta José Mota Pinheiro. Então Orlando Tejo, como bom pesquisador, como exímio jornalista, foi achando aquilo engraçado (aquelas estórias, versos e palavreados esdrúxulos) e aí compendiou nas páginas do seu livro. E este livro ficou famosíssimo. Portanto, Zé Limeira existiu; a cantoria absurda desse cantador é que não existiu.
RUBENIO MARCELO – Você já esteve na Europa cantando a nossa Cultura Popular. Como é a aceitação da nossa cantoria no exterior?
GERALDO AMÂNCIO – Nós nos apresentamos no Museu de Etnologia, onde estavam presentes vários poetas dos Açores, poetas repentistas, assim como nós, só que eles cantam em estilos diferentes e acompanhados com violões e guitarras portuguesas. Foi talvez o momento mais marcante, desde quando eu canto: há quarenta anos. Primeiro pela surpresa, pela aceitação, pelos aplausos. Só para se ter uma idéia, nós fomos fazer uma apresentação, e acabamos fazendo oito. Cantamos em Lisboa, inclusive para o presidente português; cantamos na entrega de uma comenda ao construtor de Brasília, o famoso brasileiro Oscar Niemayer; cantamos na casa do embaixador do Brasil, José Aparecido; também para os acadêmicos lisboetas de Letras, que foi, assim, uma coisa fantástica: eles, com aqueles fardões tradicionais, terminaram dizendo que acadêmicos não eram eles, e sim nós, cantadores brasileiros.
Apenas relembrando uma passagem destas apresentações, na ocasião da cerimônia, na Câmara Municipal de Lisboa, em homenagem a Oscar Niemayer, eu iniciei improvisando a seguinte sextilha:
“Niemayer não é Deus, / Mas seu trabalho é fecundo; / Eu admiro o primeiro / E tenho fé no segundo; / Um construtor de Brasília, / Outro construtor do mundo”.
RUBENIO MARCELO – Você tem uma noção média de quantos cantadores de viola profissionais existem atualmente no nosso país?
GERALDO AMÂNCIO – Há um poeta chamado José Alves Sobrinho, um dos pioneiros do rádio, o qual fez um apanhado neste sentido, há uns 20 anos, e chegou a uma conclusão em torno de 7 a oito mil cantadores. Sendo que a maioria absoluta reside no Nordeste.
RUBENIO MARCELO – Você já tinha vindo cantar neste Estado do Mato Grosso do Sul?
GERALDO AMÂNCIO – Não! Havia apenas passado rapidamente. Eu fazia umas campanhas políticas no Acre e alguns vôos passaram por aqui.
RUBENIO MARCELO – O que você está achando do lugar? Qual a sua impressão?
GERALDO AMÂNCIO – Olha, conterrâneo e amigo Rubenio, agradeço primeiro a Deus, e depois a todos vocês, pela receptividade ímpar que tive aqui no Mato Grosso do Sul. Um pessoal carismático e maravilhoso; e uma bela capital, esta Campo Grande: Cidade Morena, que eu já conhecia através dos seus belos versos e poemas, meu caro Rubenio Marcelo. Esta nossa vinda pra cá, também proporcionou conhecermos a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. É maravilhoso, a cultura, a amizade sincera, a lealdade. É tudo muito gratificante. Não tenho como agradecer.
RUBENIO MARCELO – Geraldo Amâncio, agora faço-lhe uma das perguntas do nosso companheiro José de Sousa Dantas, nobre poeta e ativista cultural paraibano: “Todo tema solicitado o poeta tem força para cantar?”
GERALDO AMÂNCIO – Ah... O Dantas!?... que bom! Grande poeta e companheiro o José Dantas, conterrâneo do Leandro Gomes de Barros. Meu forte abraço ao Dantas. Bom... Com relação a esta “força”, a minha grande preocupação é o público; ele é a marca maior do nosso trabalho. O rendimento da nossa performance depende da receptividade; é aquela coisa da ação e reação. Se mandamos uma estrofe que consideramos bela e não recebemos aplauso, a gente se frustra um pouco; na próxima, a gente já fica na dúvida se vai agradar ou não. Por outro lado, se soltamos uma estrofe que até achamos não boa quanto a outra (não merecedora de muito aplauso), e, no entanto, esse aplauso acontece, aí a produção tende a crescer. Portanto, a força é coisa divina, permanente, sobrenatural, o que depende é a intensidade dela. Isto o público é quem direciona.
RUBENIO MARCELO – Geraldo, nas suas andanças nas asas da cantoria, qual o estado brasileiro que se identifica mais com você, quando você está cantando?
GERALDO AMÂNCIO – Pernambuco tem o hábito maior da cantoria. Acontece lá, todo ano, um festival, que é o maior do Nordeste, no Marco Zero, no centro de Recife. Houve uma vez que, durante a apresentação, caiu uma copiosa chuva; e havia em torno de 20 mil pessoas e ninguém saiu. Parecia que nem estava caindo uma gota d’água. Quem não tinha guarda-chuva, pôs uma cadeira na cabeça...
RUBENIO MARCELO – Fora o Nordeste, evidentemente, quais regiões do Brasil onde se valoriza mais a cantoria?
GERALDO AMÂNCIO – Um belo mercado é São Paulo. Porque São Paulo é a maior cidade nordestina do mundo. Troca-se apenas a região, mas o público é o mesmo.
RUBENIO MARCELO – Em que fase da idade um repentista deve começar a desenvolver o seu talento? E quanto tempo leva para ficar famoso?
GERALDO AMÂNCIO – A maioria absoluta começa aos 18 anos. É claro que temos exceções. Um dos maiores repentistas que tivemos, o paraibano Severino Lourenço da Silva Pinto, mais conhecido por Pinto do Monteiro, começou com 26 anos. Há também exceções: os que começam com 10, 12 anos, no caso, Sebastião da Silva, Severino Ferreira; mas a idade própria é 17, 18 anos, que já passou a voz da adolescência, a voz já chegou no seu lugar determinado, na afinação certa. Quanto à fama, é em torno de 10 anos. É algo demorado, porque vem a experiência, a pesquisa. Isto também depende muito de parceria. Você fica famoso através da interação de outro parceiro famoso. Ninguém cresce sozinho - a verdade é esta. O que sou hoje, devo muito aos bons cantadores, e bons parceiros.
RUBENIO MARCELO - Obrigado, amigo Geraldo Amâncio. E sucesso!
Entrevista excelente!!
Sucesso p todos!!!
Beijos também !!!
Rubênio, para quem gosta de cordel e repentistas, do jeito que eu gosto, é uma honra e um prazer conhecer um pouco mais deste grande artista popular.
Obrigada.
beijos
Excelente entrevista. Muito bom conhecer a cultura de outras paragens e perceber quão esse nosso Brasil é diverso e portador de maravilhas como o Sr.Geraldo Amancio.
Parabens!
Parabéns Rubênio por este Trabalho.
maior orgulho ver o Amigo Companheiro com os Dois Artistas consagrados na Música Brasileira.
Três Mestres Admiráveis.
Uma Glória que você merece.
Parabéns Sempre.
Quanto conhecimento você passa através desta estupenda entrevista.
Eu que sempre gostei muito do cordel, descubro que não sei quase nada a respeito.
Aprendi muito na Oficina Literária que você ministrou,mas preciso pesquisar mais.
Felicito você por esta magnifica entrevista .
Beijo
Rubenio,
gostei muito da entrevista! Sendo uma ignorante no assunto, te agradeço porque a leitura me propiciou conhecer e aprender um bocado de coisas.
Um abraço,
Rubenio,
É o que se pode chamar de um grande parágrafo no Capítulo da História Brasileira, não somente sócio-cultural.
Feliz iniciativa, na votação vou rememorar mais umas palavrinhas, um abraço, andre.
Oi, Rubênio. Vou ler com calma depois, já que agora o tempo ruge (como diz uma amiga). Mas deixo uma sugestão de edição: dar espaços entre as perguntas e repostas, pra facilitar a leitura e deixar mais leve visualmente.
Abraço,
Felipe
Amigo Felipe,
Quanto à sua sugestão de edição (espaços), eu - com certeza - pensei nisso ao editar. Acontece que se assim for feito, teremos que suprimir grande parte do material, pois existe, aqui no site, um espaço "x" para publicação de cada tópico. E os espaços são contados também (como linhas). Coisa normal.
Inclusive, uma parte da Entrevista deixou de figurar por causa deste detalhe. Entende?
abrs,
Só você Rubenio para nos encantar com um artista, pérola do nosso Brasil , onde tem tanta gente boa enriquecendo as almas dos brasileiros com cordel. Cordel é a poesia corpo a corpo, é arte do instante, do sem querer trazendo sempre alegria.
Entrevista bonita e recheada de informações...
Viva o cordel de GERALDO AMÂNCIO. Primorosa entrevista.
Rubenio,... nós que vive nas grandes capitais as vezes fica mesmo por fora de toda essa contribuição cultural por parte desses grandes talentos que sabemos serem muitos em cada cantinho de nosso Brasil. Quem é do Rio então, nem se fala.
Embora até tenhamos aqui um excelente espaço voltado à cultura do Norte e Nordeste, aonde se apresentam ótimos artistas.
Eu adoro literatura de cordel, sou uma admiradora de toda essa arte nordestina, porém confesso-me uma ignorante sobre o artista em questão.
Adorei que tenha me proporcionado esse conhecimento através desse seu belíssimo trabalho.
Obrigada pela partilha e meus parabéns.
Um abraço.
Rubenio, amiguinho: quanta informação boa uma entrevista assim nos trás. Veja bem, repentes e sonetos tem tudo a ver e eu não sabia. Pode?
Obrigada por me convidar,
Vou e volto!
Elizete
Admiro muito a arte popular...Adoro cordel...
Quanta marivilha vemos, quanta coisa aprendemos numa entrevista desta...
Que riqueza esta entrevista com Geraldo Amâncio,poeta-cantador!
Parabéns!
Rubenio Marcelo esta entevista com Geraldo Amâncio foi bem interessante,principalmente quando ele afirma que a criatividade depende da emoção e sensibilidade. Sua religiosidade o ajudou nesse processo de descobertas e buscas.
Parabéns pelo trabalho!
Abraços aos dois poetas e artistas repentistas
Eloisa Menezes Pereira
Muito boa esta sua entrevista com o cantador e cordelista, Geraldo Amâncio. Meus sincersos aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Caro Rubenio, obrigada pelo convite e oportuniade de conhecer um pouco da nossa história cultural, na pessoa do Geraldo Amâncio, um autêntico representeante. Adorei a entrevista e sobretudo a sabedoria do Geraldo. Mas o melhor mesmo seria ouvi-lo. Parabéns a vc também pela belíssima 'cantoria" aos nossos 'ouvidos' de leitores.
Um grande abraço e voltarei.
Óbrigada por nos presentear com esta entrevista Rubênio, nosso Brasil tem muitas riquezas que precisam ser mostradas e valorizadas e o Cordel é uma delas. Parabéns!!!!Volto para votar.
Rousi Gonçalves · Natal, RN 28/9/2007 10:54
Rubenio
Maravilhoso. Cordel é super bem vindo. Ele não tem algo em audio?
Se tiver, coloque no Over...
Beijos Votado.
Voltei pra votar nesta excelente colaboração.
Rubênio, eu sabia que você enriqueceria o Overmundo, com seu talento e com toda a riqueza dos seus interesses voltados para a cultura popular.
beijos
Rubenio, não quero que pareça clichê, mas volto a dizer que acho muito bacana ler divulgações sobre artistas populares regionais neste site.
Parabéns pela entrevista.
Louvável!
abço.
Voltei para votar.
Abraços.
Carlos Magno.
Acrescentando....Os habitantes de Campo Grande (MS) de onde faço parte orgulham-se em ter você representando nossa cultura neste site e em todo o Brasil.
Inteligentíssimas suas ações nas divulgações.
Beijos
Poeta a toda hora, em todo canto, Geraldo Amâncio cantava, certa vez (conforme consta in "Cantigas que Vêm da Terra", G. Amâncio e Vanderley Pereira, LCR, 1996), com Ivanildo Vilanova, no aniversário do sanfoneiro Jany, pai do cantor e compositor Xangai. A cantoria se desenvolvia, enquanto um pintor traçava em frente, numa tela grande, os perfis dos dois cantadores. Vilanova faz uma estrofe terminando assim: O pintor completa o quadro / Dessa nossa cantoria. Geraldo completou, da sua parte, no improviso do repente:
Com pintura e poesia
Nossa festa está completa;
Não tem quase diferença
Do pintor para o poeta:
Eu trago a imagem abstrata,
E ele a imagem concreta.
________________________________
Grato sou aqui pela presença e comentários agradáveis de Marília, Saramar, Brigitte, Azuir, Clara, Letícia, André, Felipe, Josy, Cíntia, Rita, Elisete, Fátima, Linney, Eloísa, Carlos, Branca, Rousi, Sérgio e todos.
Viva a nossa Cultura Popular!
Caro Rubenio Marcelo,
fiquei muito contente com sua entrevista. Sou cearense e pesquisadora da cantoria de viola. Geraldo Amancio é um grande amigo, além de ser um dos maiores repentistas da atualidade. Louvo a iniciativa de valorizar um poeta que há mais de quarenta anos se dedica a arte do improviso. Que Deus continue abençoando alguns com este dom maravilhoso. Parabéns!
Simone Castro
Valeu, prezada conterrânea Simone Castro. Realmente, o nosso amigo em comum Geraldo Amâncio merece tudo de bom, posto que se trata de um artista maravilhoso e um ser humano exemplar.
Meu abraço fraterno.
Rubênio, que maravilha de entrevista!
No último dia 19 (set) eu tive a felicidade de ver uma apresentação de Geraldo Amâncio e Moacir Laurentino entre outras atrações fantásticas na programação cultural do 13º Congresso de Folclore realizado aqui em Fortaleza.
Geraldo Amãncio é simplesmente sensacional!
Parabéns pela entrevista!
Um buquê de flores pra ti @>--
Entrevista muito rica, destaco pontos que me chamaram atenção:
- Geraldo fala que ele faz o que mais gosta de fazer na vida;
- seu processo criativo ou "alquimia de escrever" acontece mais quando está viajando, quando se desprende das preocupações do dia-a-dia;
- o tema central de sua arte é o povo;
- fala também que o cantador geralmente não produz, não grava, não escreve (um bom começo para desenhar projetos culturais relacionados a patrimônio imaterial);
- para ele "criatividade depende muito da emoção, da sensibilidade";
- ele diz "ninguém cresce sozinho - a verdade é esta. O que sou hoje, devo muito aos bons cantadores, e bons parceiros".
Aprendi muito! :)
Adriana, feliz estou - por este seu contato, por suas palavras e pelas flores. E... Falando nelas, as flores, compus agora (e, respeitosamente, dedico a você) esta décima (abaixo) em retribuição ao buquê que você me ofertou:
Quando um dia eu puder te encontrar,
Oh prezada e fraternal Adriana,
Com assaz alegria e alma arcana,
Louvarei este instante singular...
Comporei, inspirado em teu olhar,
Um prelúdio exaltando o nosso astral;
E nesta amizade transcendental
Eu serei qual um anjo querubim...
Colherei rosas rubras no jardim
E dar-te-ei em lirismo angelical!
Rubenio Marcelo
(Um Alencarino na Cidade Morena do Pantanal)
Prezado Alê Barreto,
Com meu abraço fraterno, em transcendente gratidão, eu expresso o meu 'muito obrigado' a você.
O nosso país é - como sabemos - riquíssimo em produções artísticas (as mais variadas), e os autênticos representantes da nossa arte eclética devem ser prestigiados.
Fraterno abraço.
Rubenio,
Agradeço o convite para conhecer esta pérola da nossa cultura. Nosso país é privilegiado, no entanto, que na grande maioria das vezes artistas preciosíssimos permanecem sem a visibilidade merecida. Parabéns! Votei.
Olá Mano Velho,
parabéns pela entrevista, como sempre um ótimo material.
Meu bardo amigo Rubenio,
Que espetáculo de entrevista!
Como poeta eu o tenho,
Não o sabia jornalista...
O que aprendi nesse texto
Vai servir-me de pretexto
Pra aumentar o meu respeito
Por você e o repentista.
Amâncio cantou em Anastácio,
Na grande festa da farinha;
Pediu-me pra lhe dar um abraço,
Pois muita pressa ele tinha
De pegar à noite o avião
E voar na escuridão
De volta para o sertão
Aos compromissos da terrinha.
Mas veja que ousadia
Do Frazão – fazer repente,
Violentando a poesia
E o cordel da boa gente
Lá da beira do oceano,
Como se “desafiano”
Com verso anastaciano
Mas danado de contente.
Frazão, és bardo altaneiro:
Em arte fazes de tudo!...
Teus versos servem de escudo;
E, em prosa, és sempre o primeiro.
És Brother e bom companheiro
Em incontáveis labutas...
Do Olimpo, de etéreas grutas,
Em borbulhantes graais,
Vêm teus plectros triunfais...
Parceiro de tantas lutas!
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