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Assisti em 2004 em Aquidauana à peça “O Pequeno Príncipe no Mar de Xaraés”, um trabalho ecológico do Grupo Teatral Sul-Mato-Grossense Minas da Imaginação, baseado na obra consagrada da literatura mundial “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) e dirigido por Expedito Montebranco.
O espetáculo se deu no Centro Cultural Décio Corrêa (antigo Cine Glória), onde, incluindo-me, havia apenas quinze pessoas, entre adultos e crianças, que se mostraram todos "cativos" dessa viagem através do deserto humano e das riquezas do nosso Pantanal. No palco, a performance impecável dos atores nos envolvia em pensamentos entre fauna e flora representadas pelas telas dos artistas Humberto Espíndola, Teca Rosa e Rosana Bonamigo.
Como na apresentação realizada na vizinha cidade de Anastácio, no dia anterior, o número de público fora ainda menor, convém dizer que o total de quinze espectadores de Aquidauana foi um verdadeiro recorde de público a lotar as primeiras cadeiras do antigo cinema.
Ali, entre enigmas e espinhos da flor da arte, o vazio e o silêncio da cultura exumaram a presença de outro renomado personagem, um dos maiores dramaturgos brasileiros, o aquidauanense Rubens Alves Corrêa, o décimo sexto espectador. Ele estava em qualquer das cadeiras, vindo, talvez, do Pequeno planeta onde o mistério da infância ensina no ministério dos adultos a paz e o amor universal. Colocou-se entre nós seu espírito audaz como se fosse o próprio Saint a aplaudir o pequeno príncipe na versão pantaneira, olvidando o mar de cadeiras vazias. Rubens assistia calado, como anfitrião solitário e invisível, saudando em sua centenária Aquidauana os cem anos da despedida do piloto-escritor de Lyon. E naquele monólogo mágico, o décimo sexto espectador anotou em seu “Diário de um louco” que o “Futuro dura muito tempo”. E num “Ensaio Selvagem” subiu “A Escada” para ganhar “O Beijo da Mulher aranha”.
Deixei a antiga casa de cinema, com suas lembranças de Décio, Rubens, palcos e sombras, e carreguei comigo as lições do Pequeno Príncipe de Xaraés que veio ensinar as pessoas a se humanizarem, a se cativarem e a se tocarem, mesmo que na platéia só estivessem quinze espectadores e um provável décimo sexto, pois foi Antoine de Saint-Exupéry que disse: “É apenas com o coração que se pode ver direito, o essencial é invisível aos olhos."
tags: Aquidauana MS artes-cenicas
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Voce podia colocar fotos do Cine Glória e da casa de Rubens Corrêa.
Mesmo sem as fotos, é muito bom seu texto!
Muito bom!!!!
Rangel Castilho · Anastácio (MS) · 11/8/2007 17:49
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Professor, um afeiçoado e entusista do teatro, em qualquer lugar, com qualquer numero de atores, e de publico. Tenho visto desde o antigo circo de "Contra-peso e sua mulher", um circo de tres atores, (cheio de gente), um decrescer, um desentender da população brasileira - de todos o níveis - isto mostra exatamente o decrescer, o apodrecer das virtudes no tecido social - é so comparar - é proporcional,
um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 13/8/2007 08:26
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uau, que bom que você escreveu depois de 3 anos. super sentivisível!
eu as vezes não me permito escrever de coisas vividas se passa o tempo o ponto ou o vento.
como se passasse o tempo pro que deveras sentimentamos.
também anos atrás eu o o gui fomos assistir um bom filme e eramos seis... na semana seguinte fomos ver Tainá 2 e éramos quatro, ele falou "mãe semana passada a gente tava igual no livro, éramos seis, hoje somos quatro, no próximo filme vai ser só pra nós" ...
agora vejo bem, lá estavam conosco muitos dos que fizeram essa arte chegar até a gente.
e olha que num prédio ao lado do nosso tem uma placa comemorativa da primeira exibição de um filme no Brasil que foi aqui... amanhã vou lá ler e copiar depois eu conto.
sandra vi · Petrópolis (RJ) · 14/8/2007 22:02
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Sandra,
Às vezes, somos muitos, até quando pensamos não ser ninguém. Gosto de vocês e não os vi, pois a força das pessoas está no seu imaginário. Obrigado.
Frazao my brother · Anastácio (MS) · 15/8/2007 15:43
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Está ai a magia... que nós fazedores de “Teatro” mesmo no fundo do poço, continuamos, derrepente num cinema vazio, dando tudo para cumprir a responsabilidade de um projeto que foi pago por vc, encontra na platéia alguém que te da a razão de continuar.
Pedimos aos nossos amigos que votasse....pq no momento estamos querendo colocar em pauta o “Teatro de Mato Grosso do Sul”
Obrigado Amigo !!!
Profeta Teatro · Campo Grande (MS) · 21/10/2007 13:38
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Frazao, quando pedimos através de E-mail para os amigos...
percebemos que não era só a amizade, e sim a essência da matéria.... o teatro de Mato Grosso do Sul depende de muita gente...
Obrigado pelo serviço prestado...
em nome do nosso "Teatro"....
Grupo Teatral Minas da Imaginação · Campo Grande (MS) · 21/10/2007 13:44
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