SAMBA fake e SAMBA de fato

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Os oito Batutas
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Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ
23/5/2007 · 193 · 49
 

(Este post √© um trecho do livro, ainda no prelo, denominado 'O Samba e o Funk do Jorj√£o', cuja id√©ia central √© esmiu√ßar e desconstruir alguns dos mitos, supostamente, criados em torno da hist√≥ria do Samba - enquanto uma esp√©cie de s√≠ntese da cultura do negro brasileiro, em geral - mitos estes que, como ocorre com muitas outras fic√ß√Ķes antropol√≥gicas montadas no Brasil, foram constru√≠dos por criativas comunidades de intelectuais, ao longo do tempo e com inten√ß√Ķes, quase sempre, muito bem medidas.

Embora tenham sido baseados, claramente, em premissas equivocadas, infundadas ou mesmo deliberadamente falsas, infelizmente, estes mitos foram se cristalizando até se tornarem verdades absolutas, oficiais, por força de sua insistente reiteração (principalmente por certas vias acadêmicas).

Ao que parece, na maioria dos casos, a principal fun√ß√£o destas mistifica√ß√Ķes, √© dar sustenta√ß√£o a certos paradigmas da excludente sociedade brasileira, entre os quais aquele que tenta estabelecer ‚Äď sempre sem afirmar - a exist√™ncia de uma esp√©cie de hierarquia cultural (ou mesmo intelectual), entre as ra√ßas ou classes no Brasil, que daria alguma legitimidade a desigualdade social predominante.

Dentre estes eletrizantes mitos, o mais curioso talvez seja o do 'Berço do Samba', que parece tentar comprovar - na verdade, de forma extremamente sutil - a velha tese racista de Nina Rodrigues sobre uma improvável supremacia dos negros bahianos ('sudaneses' supostamente maioria étnica na Bahia) sobre os demais (negros 'Bantu', vindos de Angola para as fazendas de café do Vale do Rio Paraíba do Sul, certamente, maioria étnica no Rio de Janeiro desde, pelo menos, o início do século 19).

Entre outras fontes, recorri para esta parte do trabalho, aos escritos (em notas assinaladas) de Nei Lopes ‚Äď que gentilmente assina o pref√°cio do livro - al√©m de Muniz Sodr√© e S√©rgio Cabral, o pai, especialistas que dispensam quaisquer coment√°rios)

Com vocês então:
O Mito do 'berço do Samba

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N√£o deu no jornal:
O dia em que um Samba foi cantado na Mangueira...pela primeira vez



...'Quem cantou foi Eloy Anthero Dias, o ‚ÄėMano Eloy‚Äô, um personagem legend√°rio do samba carioca. Morador de Madureira, na √©poca, Mano El√≥i viria a fundar mais tarde pelo menos tr√™s escolas de samba (Prazer da Serrinha, Deixa Malhar e Imp√©rio Serrano). Foi ainda, segundo dizem, um respeitado pai-de-santo e, durante muitos anos, destacou-se como l√≠der sindical dos estivadores do cais do porto.


'...Mano Eloy cantou primeiramente na casa de Tia F√© e depois para os integrantes do P√©rolas do Egito. Era um samba do tipo partido alto em que se repetia o refr√£o e improvisavam-se versos. O refr√£o dizia apenas o seguinte: ‚ÄėO padre diz Miser√© Miserer√© nobis‚Äô. Em seguida, vinham as quadras improvisadas, quase sempre relacionadas com as circunst√Ęncias em que o samba era cantado, Carlos Cacha√ßa lembrou-se que, numa delas, Mano El√≥i brincava com a dona da casa, inventando versos como "amanh√£ vou na casa de Tia F√©", rimando com "vou tomar 'caf√©' '.

O Samba de Partido Alto cantado por Eloy, principalmente pelo fato de usar uma rima com ‚Äėcaf√©‚Äô, poderia ter algum remoto parentesco com o famoso ‚ÄėBatuque na Cozinha‚Äô que, por sua vez, j√° havia sido um conhecido Lundu de letra africana, meio cabal√≠stica, bastante famoso na Corte Imperial como ‚ÄėLundu do Pai Zuz√©‚Äô (este sim, matriz evidente do famoso e posterior ‚ÄėBatuque na Cozinha‚Äô (assinado por Jo√£o da Bahiana).

Lundu do Pai Zus√© (dom√≠nio p√ļblico - s√©culo 19)

‚ÄėBatuque na cozinha , Sinh√° num qu√©
Pru causa da crioula do Pai Zusé

Auê, Zambi...
Zique...p√° , Zique...p√° , Zique...p√° , Zique...p√° ...
_ Cadê pirigurê? (caxinguelê)...'


Batuque na Cozinha (João da Bahiana, século 20)

'Batuque na cozinha a Sinhá num qué
Por causa do batuque eu queimei meu pé....

Eu fui na cozinha pra peg√° cebola
E o branco com ci√ļme de uma tal crioula

Deixei a cebola, peguei na batata
E o branco com ci√ļme de uma tal mulata...'


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Existem muitos outros aspectos curiosos, instigantes mesmo, naquela primeira audi√ß√£o de Samba na casa da bahiana Tia F√©, na Mangueira dos idos de 1910, protagonizada, pelo ilustre visitante Eloy Anthero Dias, um encantado Carlos Cacha√ßa, e o pessoal do rancho ‚ÄėP√©rolas do Egito‚Äô, muitos deles talvez futuros integrantes do ‚Äėbloco dos Arengueiros‚Äô, segundo consta, o n√ļcleo formador da Escola de Samba Esta√ß√£o Primeira da Mangueira. Embora eles sejam considerados hoje em dia fatos consumados e estabelecidos, que tal dar uma olhada neles, sob outro ponto de vista?

Para come√ßo de conversa, h√° na cr√īnica sobre as origens do Samba, um inexplic√°vel exagero na hora de se falar desta impressionante figura que foi Eloy Anthero Dias, o Mano Eloy. O que se v√™ invariavelmente legendado em sua hist√≥ria, na √©poca em que cantou pela primeira vez um Samba na Mangueira, √© a sugest√£o de que ele era um ‚Äėbamba, ex√≠mio sambista, jongueiro, pai de santo e macumbeiro‚Äô, cheio de super poderes, um verdadeiro ‚ÄėSuperman‚Äô negro.

Ocorre que este surpreendente Mano Eloy (com certeza um nome que merece mais notoriedade do que lhe dão os especialistas em Samba), pelos dados até agora disponíveis, devia estar, no máximo, com 22 anos na ocasião descrita por Carlos Cachaça (que seria mais novo ainda que Eloy).

'...H√° 30 anos que Eloy Anthero Dias (agora aos 43 anos) ...faz parte do Samba- essa dan√ßa que encanta e embala. Durante este tempo, in√ļmeros sambas fez ele, inclusive ‚ÄėMiser√™‚Äô, ‚ÄėN√£o vou l√° no candombl√©,‚Äô ‚ÄėMoro na ro√ßa‚Äô, e ‚ÄėB com A‚Äô, estes tiveram retumbante sucesso' .

(Trecho de biografia de Eloy publicada pelo jornal ‚ÄėA Rua‚Äô, na ocasi√£o em que foi eleito o primeiro cidad√£o Samba do carnaval carioca, em 1936)

Estando h√° cerca de sete anos no Rio de Janeiro e havendo ingressado no chamado mundo do Samba com cerca de 18 (portanto h√° apenas quatro anos antes desta sua ida √† Mangueira), Eloy devia ser aquela altura, astuto sim, despachado, descolado; um jovem prod√≠gio at√© mas, experiente com certeza ele n√£o poderia ser. N√£o havia bagagem de vida, cabedal. Havia muito ch√£o ainda para o futuro ‚Äėbamba‚Äô percorrer.

'... Sambista nascido em Engenheiro Passos, no estado do Rio de Janeiro em 1888 e falecido em 1971, na cidade do Rio ‚Äď para onde viera com 15 anos de idade- (...) Mano El√≥i tornou-se o pioneiro do registro de c√Ęnticos rituais afro-brasileiros. Nesse ano, com o Conjunto Africano, gravou um ponto de Exu, dois de Ogum e um de Ians√£. Seu companheiro nessa empreitada foi o j√° referido Amor. O pioneirismo dos sambistas Amor e Mano El√≥i deve-se ao fato de eles terem levado para o disco verdadeiros c√Ęnticos rituais, executados e interpretados como aut√™nticos pontos de macumba, com atabaques e tudo o mais'.

O fato √© que, por alguma estranha raz√£o, ligada talvez ao inusitado da situa√ß√£o (quem sabe talvez o fato de ter sido um desconhecido ‚Äėestrangeiro‚Äô de Oswaldo Cruz, o verdadeiro introdutor do Samba, no tradicional√≠ssimo reduto da ‚ÄėEsta√ß√£o Primeira‚Äô), nossos estudiosos acabaram deixando sugeridas na biografia de um Eloy ainda mal sa√≠do da adolesc√™ncia, qualidades que ele evidentemente s√≥ iria ter muitos anos depois.

A precocidade de Eloy (a quem também Nei Lopes, de certo modo, atribui a introdução do samba na Mangueira, sob a forma de rodas de Batucada e de Pernada) e de outros grandes mestres do Samba, era bastante comum naquela época, quando os conceitos adolescência ou juventude eram um tanto diferentes do que são nos dias de hoje. Mesmo neste caso há de se convir, no entanto que, se referindo àquela ocasião, os dotes posteriormente atribuídos a Mano Eloy eram certamente exagerados.

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Deu até no 'Fantástico':
O Quintal e a Sala da Tia Ciata


O outro aspecto, este mais instigante ainda, √© que, se √© fato realmente que na Mangueira de 1910 n√£o havia ainda algo que se parecesse com o ‚ÄėSamba de Partido Alto‚Äô trazido por Eloy (fato que explicaria a surpresa do menino Carlos Cacha√ßa) a enf√°tica afirma√ß√£o da maioria dos estudiosos de que o Samba nasceu na Pra√ßa Onze, nos quintais das tais ‚ÄėTias Bahianas‚Äô, pode n√£o passar mesmo de um mito, um epis√≥dio exagerado pela bibliografia.

Se as adjac√™ncias da Pra√ßa Onze fossem realmente o lugar onde se localizava o ‚Äėber√ßo do Samba‚Äô, porque cargas d‚Äô√°gua o Morro da Mangueira, t√£o perto dali, seria o √ļltimo a saber, o √ļnico reduto a n√£o participar da constru√ß√£o desta grande novidade que, em 1910 j√° deveria estar em franca e not√≥ria gesta√ß√£o?

Talvez tenha sido porque o que se irradiava da Cidade Nova para o Morro da Mangueira, n√£o era ainda, definitivamente, Samba, e sim Rancho Carnavalesco. √Č o que se pode deduzir pela l√≥gica dos fatos, principalmente se destacarmos o emblem√°tico detalhe da reuni√£o na qual Eloy cantou o seu seminal Partido Alto, ter ocorrido, exatamente, na sede de um rancho, o ‚ÄėP√©rolas do Egito‚Äô.

Pelo visto, era mesmo das bandas do Est√°cio e, principalmente, da ro√ßa de Oswaldo Cruz e adjac√™ncias (Morro da Serrinha) que chegavam os novos ingredientes, para engrossar o caldo do Samba que a esta altura, j√° estava borbulhando, quase no ponto, ali por volta de 1910 / 20. De todo modo, mesmo sem se saber exatamente quem influenciava quem, a lista de precursores, Pais e M√£es do Samba na √©poca, pode ser bem mais extensa ‚Äď e variada - do que aparece na bibliografia oficial:

...'De todas as tias, a mais famosa e a mais importante foi Tia Ciata (...) em cuja casa os pesquisadores asseguram ter nascido o samba carioca. Seu verdadeiro nome era Hil√°ria Batista de Almeida, uma mulata muito bonita, que chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1870, com 20 anos de idade. Instalada no Rio, Tia Ciata passou a ganhar a vida com um tabuleiro de quitutes baianos na rua Sete de Setembro.'

Talvez seja mais razo√°vel se deduzir, portanto, que sendo a palavra Samba, por esta ocasi√£o, talvez uma forma ainda gen√©rica para se designar ‚ÄėChulas de negro‚Äô ou, simplesmente ‚ÄėM√ļsica de negro‚Äô, o que fermentava no quintal da Tia Ciata na verdade ‚Äď e eventualmente chegava at√© no Morro da Mangueira, sem atrair muito a aten√ß√£o do povo de l√° - n√£o era exatamente o Samba definitivo mas sim, uma das muitas formas de Samba que pipocando aqui e ali na cidade, disputavam uma hegemonia que estava para se cristalizar a qualquer momento.

O tal ‚Äėber√ßo do Samba‚Äô poderia estar aquela altura, em qualquer lugar. N√£o havia uma estrela guia apontando para a 'Cidade Nova', como muitos especialistas em Samba insistiram em afirmar.

Contudo, embora sendo um exagero muito oportuno e providencial, pode n√£o ter sido t√£o gratuita assim a elei√ß√£o da √°rea da atual Pra√ßa Onze, por parte de nossos intelectuais, como o ber√ßo oficial do Samba. Nas primeiras d√©cadas do s√©culo 20 (num fluxo que, se inicia na segunda metade do s√©culo anterior) o lugar j√° se configurara como uma verdadeira col√īnia bahiana, congregando emigrados de diversos tipos, inclusive personalidades do candombl√© e at√© mesmo alguns aluf√°s maometanos, mal vistos em Salvador desde os tempos da √ļltima revolta dos Mal√™s.

Situada ali, bem perto do centro da cidade propriamente dita, do centro mundano incrementado pela recente cria√ß√£o do boulevard parisiense que era a Avenida Central, no qual se situavam os ‚Äėpoints‚Äô da intelectualidade carioca, esta col√īnia bahiana se prestava maravilhosamente bem ‚Äď embora de forma simplista ‚Äď como representa√ß√£o simb√≥lica, uma esp√©cie de microcosmo da cultura t√≠pica ‚Äď idealizada - dos negros africanos na capital federal.

Ao que tudo indica, no entanto, a julgar pelo que nos demonstram certos antecedentes da hist√≥ria do Samba, este pessoal da Bahia estava muito mais ligado mesmo √© na afirma√ß√£o por aqui, de suas pr√≥prias tradi√ß√Ķes culturais, trazidas do nordeste, entre as quais preponderavam o candombl√© e os Ranchos (Pastoris ou Lapinhas), principal paix√£o cultural destes bahianos.

'... Carlos Cacha√ßa n√£o guardou na mem√≥ria o ano em que ouviu samba pela primeira vez em Mangueira, lembrando-se apenas de que foi no tempo do Rancho P√©rolas do Egito, tudo indicando, portanto, ter sido antes de 1910. Mas n√£o se esqueceu das circunst√Ęncias em que o fato se deu... '

Ali√°s, pode se considerar por isto mesmo ‚Äď e com certa propriedade at√© - que, ao que parece, houve uma curiosa subestima√ß√£o ‚Äď ou mesmo omiss√£o - do car√°ter essencialmente lusitano da heran√ßa cultural trazida por estes grupos de bahianos para a Corte do Rio de Janeiro, heran√ßa que possui tra√ßos muito evidentes na cultura primordial do Morro da Mangueira, como bem nos demonstra o ambiente encontrado por Mano El√≥i, nos idos de 1910, quando l√° introduziu o gosto pelo chamado Samba de fato.

A implanta√ß√£o destas tradi√ß√Ķes luso-bahianas no √Ęmbito da cultura urbana do Rio de Janeiro foi, inclusive, o motivo de muitas disputas e demandas internas, entre os principais l√≠deres desta col√īnia nordestina, das quais a mais empolgante talvez tenha sido a que poderia ser chamada de A demanda dos Hil√°rios, desentendimento ocorrido entre Hil√°ria Batista de Almeida, a famosa Tia Ciata e Hil√°rio Jovino Ferreira, segundo dizem o introdutor do Rancho no carnaval carioca, na disputa pela cria√ß√£o de um destes grupos. A referida disputa, de certo modo, separou os bahianos em duas fac√ß√Ķes rivais: A da Cidade Nova (Tia Ciata) e da Gamboa (Hil√°rio Jovino)

Al√©m da eventual op√ß√£o preferencial pelo Rancho Carnavalesco, a julgar por algumas entrelinhas, contidas nos muitos relatos existentes sobre o assunto, o tipo de Samba praticado na casa da Tia Ciata ‚Äď a bem da verdade um reduto de certa elite negra, composta por geniais m√ļsicos e compositores profissionais, al√©m de funcion√°rios p√ļblicos bem sucedidos (o marido de Ciata, o m√©dico Jo√£o Batista da Silva, era chefe de gabinete do chefe de pol√≠cia do Governo de Wenceslau Braz) talvez fosse uma forma de Samba um tanto esnobe, impregnada ainda dos maneirismos est√©ticos dos diversos g√™neros de m√ļsica europ√©ia que andaram em voga no fim do Imp√©rio, tais como o Schotisches, a Polka e a Mazurka.

'Embora fosse daquela mesma geração, Pixinguinha não era exatamente um homem de Samba. Ele próprio contou que, nas festas descritas por Donga, não ia para o quintal: _ ’Eles (os sambistas) faziam seus sambas lá no quintal e eu os meus choros na sala de visitas. As vezes eu ia no terreiro fazer um contracanto com a flauta mas não entendia nada de samba’.

No mesmo artigo, S√©rgio Cabral comenta tamb√©m que, um tal de Marinho que Toca, um cavaquinista, foi quem ensinou Donga a batida do Samba (provavelmente numa das festas na casa de Ciata), ou seja, j√° naquela altura, do mesmo modo que Pixinguinha, seu companheiro no grupo ‚ÄėOs Oito Batutas‚Äô, Donga tamb√©m n√£o era ainda muito chegado ao ritmo do qual, logo depois, seria incensado como o suposto ‚Äėinventor‚Äô (pelo menos em grava√ß√Ķes) .

O que se fazia na casa da Tia Ciata, portanto, era certo tipo de samba negro sim, mas, de certo modo, um tanto ‚Äėaculturado‚Äô, que j√° fora chamado antes de ‚ÄėLundu‚Äô e tentava agora descolar de si o nome de ‚ÄėMaxixe‚Äô, com o qual a m√≠dia da √©poca j√° amea√ßava batiz√°-lo de vez, uma esp√©cie de ‚ÄėBossa Nova da Belle √ąpoque‚Äô, em suma.

O que se pode afirmar com certeza √© que a receita de Samba tentada na casa da Tia Ciata, foi uma experi√™ncia de fus√£o musical que, pelo menos como Samba, n√£o vingou. A receita que o caldeir√£o n√£o conseguiu cozinhar (ou o cozido que n√£o apeteceu a negrada, ao ‚Äėpopulacho‚Äô); uma forma de Samba que, n√£o prevalecendo, foi se diluindo, amarelando com o tempo, abafada pela batucada avassaladora que o povo negro da Ro√ßa, liderado pelo enorme poder de sedu√ß√£o e persuas√£o de figuras como Eloy Anthero, veio trazendo para as ruas da antiga Corte.

Ao que nos parece, portanto, o Samba definitivo, aquele que emergindo por volta de 1920, se apossa rapidamente da cidade, s√≥ come√ßa a tomar forma mesmo, quando o Jongo e outros ‚Äėbatuques‚Äô instalados nas ro√ßas atrasadas da periferia, come√ßam a se espalhar, como √°gua pura - via cais do porto talvez - por esta cidade j√° irremediavelmente partida ao meio por uma imensa e simb√≥lica ‚ÄėAvenida Central‚Äô que, separando a popula√ß√£o entre ‚Äėbrancos‚Äô e ‚Äėcrioulos‚Äô; remediados e desvalidos, parte tamb√©m nossa m√ļsica popular urbana em duas vertentes culturais quase inconcili√°veis, que s√≥ se encontrariam para desfilar no Carnaval.

Reproduz-se assim, como num samba enredo improv√°vel, o quadro de intenso apartheid que havia sido instalado na cidade do Rio de Janeiro por seu prefeito, o ‚Äėsmart‚Äô Pereira Passos, em 1906.

Por este vi√©s, pode-se compreender tamb√©m, e com maior rigor e clareza, a natureza de uma certa pol√™mica que opunha de um lado, o 'samba' ‚ÄėPelo Telefone' (aquele filho dileto do ‚ÄėMaxixe‚Äô) e de outro, o ‚ÄėSamba de Partido Alto‚Äô (o filho leg√≠timo da ‚ÄėChula Raiada') aquele que enfim, logo em seguida, a√ßambarcaria de vez o t√≠tulo de Samba de fato.

Num definitivo depoimento divulgado no livro de Muniz Sodr√© ‚Äė Samba o dono do corpo‚Äô, Donga afirma enf√°tico que a melodia de ‚ÄėPelo Telefone‚Äô foi copiada de um tema folcl√≥rico, muito popular na ocasi√£o (uma chula, portanto) no qual ele inseriu versos, encomendados ao jornalista Mauro de Almeida.

O que conhecemos como o primeiro Samba gravado, n√£o seria portanto nenhuma novidade. Na verdade nem o nome de 'composi√ß√£o' original mereceria porque, n√£o passava de uma simples par√≥dia (coisa que ali√°s, segundo o mesmo Donga, era bastante comum naquela ocasi√£o). Podemos deduzir ent√£o que ‚ÄúPelo Telefone‚Äô, era uma chula-par√≥dia, em ritmo de Maxixe que, algum esperto produtor (Fred Figner, da Casa Edison ou o pr√≥prio Donga), detectando o grande apelo comercial da palavra, resolveu batizar de ‚ÄėSamba‚Äô.

√Č sintom√°tico inclusive que, come√ßando provavelmente a ser elaborado em 1910, este ‚ÄôSamba de fato‚Äô tenha tido que esperar quase 20 anos mais para ocupar, no carnaval, o lugar que as marchas, lundus e maxixes ocuparam, durante as duas primeiras d√©cadas do s√©culo 20.

'...O primeiro rancho carnavalesco em Mangueira chamava-se Pérolas do Egito, criado antes de 1910, ano em que surgiram o Guerreiro da Montanha e um outro cujo nome Carlos ('Cachaça') esqueceu, mas que teria sido formado pelos moradores do alto do morro. Mais tarde, nasceu o Príncipe da Floresta, o mais famoso rancho de Mangueira, que adotou as cores verde e rosa.

Os negros Mangueirenses, no mesmo momento em que tentavam forjar a dif√≠cil mistura entre seus candombl√©s e macumbas com as dolentes marchinhas das Lapinhas, dos Pastoris e dos Ranchos dos lusitanos, devem ter ficado mesmo encantados com a ast√ļcia e a picardia africana, angolana, contida nos ‚ÄėSambas de Partido Alto‚Äô trazidos por Mano Eloy.

Segundo alguns autores, foi neste exato momento, quase em 1910, que eles, os Mangueirenses (junto com o pessoal da vizinha Pra√ßa Onze), foram irremediavelmente contaminados pelo v√≠rus daquele Samba jongado que vinha da Ro√ßa ‚Äėatrasada‚Äô.

Nascia o Samba de Fato. Seu berço? Alguma fazenda de café do Vale do rio Paraíba do Sul, provavelmente. Ou, quem sabe? Algum pátio de aldeia, próximo à Luanda, Angola. De certo apenas isto:

O nosso velho Samba não nasceu na Praça Onze...E muito menos na Bahia.

Spírito Santo
Rio de Janeiro, 2005

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comentŠrios feed

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Egeu Laus
 

Contribui√ß√Ķes r√°pidas √† discuss√£o: Segundo dito por Ary Vasconcelos existem pelo menos dois discos anteriores a grava√ß√£o de Pelo telefone trazendo o nome "samba" em seus r√≥tulos. Um deles de 1914.
Outra: o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, em consulta aos históricos arquivos da polícia no Rio encontrou algumas incongruências nas histórias contadas por Hilário Jovino, o "fundador" dos ranchos cariocas.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 00:33
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Spírito Santo
 

√ďtimas contribui√ß√Ķes, Egeu!
A historia do Ary é muito verosímel mesmo e vem atestar a teses de que o rótulo 'Samba' estava mesmo na crista da onda, como um passarinho, pra qualquer um pegar. Quanto ao Hilário, ele era mesmo uma figura bem polêmica, encrenqueira e egocêntrica, pelo que se pode ver em sua biografia. Do mesmo modo que a 'fundação' do Samba, a 'fundação' dos Ranchos deve ter tido várias disputas pela paternidade.
O que é certo é que alguém desviou a bahianíssima Lapinha/Rancho do Natal e, no Rio, a inseriu no Carnaval. Alguém precisa cavucar pra confirmar se foi mesmo o Hilário Jovino (ele correu pra registrar a coisa, como fez o Donga, outro figuraça). Faltam dados também sobre o Rancho criado pela Tia Ciata (que gerou a briga que eu chamo 'dos 'hilários). Sobre os Ranchos do Morro da Mangueira também há pouca coisa.
Como se vê, este novo viés tem futuro, certo?

Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 06:54
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Hermano Vianna
 

al√ī Spirito Santo: muito interessante o seu texto - quando livro vai ser lan√ßado? estou curioso para ler os outros cap√≠tulos

apenas uma observa√ß√£o: sei que n√£o √© o seu objetivo, mas temo que seu argumento possa ser interpretado como a troca de um mito por outro... o que eu acho mais interessante na produ√ß√£o cultural daquela √©poca no Rio √© a grande variedade de novas experi√™ncias musicais que estavam acontecendo em muitos bairros - n√£o sei se existe a origem "de fato", a raiz verdadeira a partir da qual tudo mais pode ser pensado como "fake" - talvez o mais importante seja n√£o perder de vista que essas experi√™ncias aconteciam em rede, e que √© a troca constante entre os m√ļltiplos e complexos elementos da rede que vai produzir aquilo que hoje chamamos de samba

muitas tradi√ß√Ķes culturais, mais ou menos pop/populares, conviviam nas ruas do Rio naquele momento (al√©m das que voc√™ enumera no seu texto, lembro por exemplo da inv√ß√£o do surdo no Est√°cio) - concordo que muitas hist√≥rias do samba privilegiam o "ponto de vista baiano" - mas ser√° que para valorizarmos outros pontos de vistas, outras contribui√ß√Ķes (como a do jongo), temos que desvalorizar a contribui√ß√£o do samba de roda do Rec√īncavo da Bahia para a cria√ß√£o do samba urbano carioca? sei que n√£o √© o que voc√™ prop√Ķe, mas o texto corre o risco de ser interpretado assim (at√© pela acusa√ß√£o de "fake")...

como j√° fiz em alguns artigos onde tento refletir sobre din√Ęmica cultural, volto a citar o arque√≥logo Colin Renfrew e seu conceito de etnog√™nesis (a cria√ß√£o de uma etnia): estudando a hist√≥ria da cultura celta, no lugar de procurar o seu local de origem (o mais antigo, mais aut√™ntico, mais verdadeiro, mais puro), ele demonstra como tudo foi criado ao mesmo tempo em v√°rios pontos diferentes da Europa, que mantinham troca de informa√ß√£o, bens e gentes constante entre si

o Mano Elói parece ser um dos mediadores que circulavam entre muitos ambientes diferentes, divulgando e misturando as novidades...

mas claro: posso estar errado

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 17:19
2 pessoas acharam ķtil · sua opini„o: subir
Hermano Vianna
 

desculpa: cliquei no enviar antes de revisar... v√°rios errinhos...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 17:35
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Higor Assis
 

Muito bacana Spirito Santo.

Meu Tio é Compositor e Puxador de Samba-Enredo, vou indicar o livro e mandar este texto para ele apreciar. Valeu pela colaboração!

Vou acompanhar a discussão das idéias por aqui.

Higor Assis · S√£o Paulo, SP 22/5/2007 09:21
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Spírito Santo
 

Al√ī, Hermano
(sobre o livro estou sem previs√£o. O Nei me indicou para a Pallas mas, a coisa n√£o avan√ßou ainda. Estou com um grupo de pessoas correndo atr√°s da produ√ß√£o, lei Rouanet, estas coisas e, aceitando sugest√Ķes)
-------------
O conceito 'de fato' que uso no post e que chegou a ser usado em algum momento (n√£o lembro qual) em v√°rias destas recorrentes pol√™micas sobre as origens do Samba, √© um tanto provocativo mesmo (o 'fake' tamb√©m, √© claro). Mas a id√©ia n√£o √©, de modo algum, trocar um mito pelo outro, como pode parecer. Voc√™ tem toda a raz√£o (ali√°s, √© esta a principal inten√ß√£o do meu texto): as coisas aconteciam em rede! √Č sempre assim que elas acontecem (como tudo na vida). Como vimos, parece que os cronistas √© que perderam isto de vista com a hist√≥ria da casa da Tia Ciata. Um quintal e uma sala √© um exemplo muito prec√°rio de rede.

A quest√£o √© que, por conta das especiais caracter√≠sticas de nossa sociedade, a cultura brasileira, sempre que vista de um ponto de vista assim, t√£o distanciado no tempo, aparece muito ideologizada e se acaba superestimando (ou omitindo) certos elementos da rede, em detrimento de outros, desconfigurando completamente o sentido (e n√£o a raiz, um conceito tamb√©m exdr√ļxulo para mim) do assunto.

Nossa diferen√ßa talvez seja que eu acho que estas coisas n√£o s√£o ocasionais, acidentais. Acho que √© coisa de ideologia sim. √Č humano que seja, sen√£o, n√£o haveria colonialismo, jihad, cruzadas, escravid√£o, nada. O mundo seria uma paz s√≥.

Meu foco está portanto naqueles elementos que considerei omitidos ou 'falseados' na hora em que nos contaram, oficialmente, esta história. Queria chamar a atenção para alguns dos tais elementos que dão multiplicidade e complexidade à nossa rede e que, foram omitidos ou subestimados. Para mim estes são os mais importantes, mas, existem muitos outros, com certeza. No livro identifiquei vários.

Sobre a quest√£o 'bahiana' um adendo: Ela ‚Äď a quest√£o- √© bem mais complexa e n√£o cabia no post (falo muito dela no livro) mas, em linhas gerais, o dilema no caso do Samba √© simples (ali√°s o post toca nisto, de relance, sim):

Para mim (na bibliografia pesquisada), se superestima a heran√ßa 'bahiana' para, indiretamente, se afirmar a supremacia sudanesa (a tese de Nina Rodrigues que considerava o bantu 'inferior') mas veja a ironia, no caso Samba, no que diz respeito √† heran√ßa bahiana, o n√ļcleo √©, como voc√™ mesmo cita, o rec√īncavo, √°rea de cultura essencialmente Bantu (como no Rio). Logo n√£o estou, de modo algum, desvalorizando a influ√™ncia bahiana, s√≥ estou tentando retir√°-la deste bairrismo esperto no qual certo tipo de antropologia a colocou.

Em suma: O Samba urbano carioca √© essencialmente bantu, foi germinado nos lugares onde as pessoas deste ramo cultural predominaram (inclusive no rec√īncavo bahiano onde, ali√°s, nada impede que tenha havido ‚Äď ou mesmo haja- algo igual ao Jongo daqui do Rio). Ocorre que o Samba foi, definitivamente formatado, tal como a gente o conhece hoje, no Rio de Janeiro. Aconteceu. N√£o √© uma disputa entre cariocas e bahianos. Nunca foi.

Ent√£o √© isto (que vale para a cultura celta tamb√©m, √© claro): Etnia √© um conceito bastante simples neste caso. A cultura √© portada pelas pessoas, carregada por elas, para onde quer que elas sejam transferidas, por vontade pr√≥pria ou √† for√ßa. As pessoas se influenciam tamb√©m, umas √†s outras, quer queiram, quer n√£o. √Č uma lei da natureza. A rede √© a vida.
(O que não podemos é ser aturar estas 'Al kaidas' paraguais que são criadas por aí)
Estava aguardando ansioso o seu coment√°rio.
Logo, que bom: Desta vez estamos certos, os dois.

Abraços

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 20:32
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Spírito Santo
 

Higor,

Valeu man√Ē! Fala pro teu tio que o que tem de enredo para ser desconstru√≠do ('descomposto', no caso) n√£o est√° no gibi.

Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 20:37
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Spírito Santo
 

(Em nome do rigor)

..."sempre que olhada de um ponto de vista assim é aturar estas 'Al kaidas' paraguais

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 20:46
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Spírito Santo
 

e (no final) ..."aturar estas 'Al kaidas'..."

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 20:47
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Spírito Santo
 

"...paraguaias..."

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 20:48
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Hermano Vianna
 

oi Spirito Santo: ainda bem que estamos certos... as coisas s√£o realmente complexas... e certamente pol√≠ticas: tudo na rede √© negocia√ß√£o pol√≠tica: e, o tempo todo, determindas partes da rede tentam dominar as outras, at√© tentando apagar alguns de seus circuitos ou concentrando todas as decis√Ķes importantes em poucos de seus pontos de cruzamento de informa√ß√£o... de maneira alguma acho que todos os pontos t√™m poder igual... a rede n√£o √© boazinha, n√£o √© o reino da igualdade: ela produz desigualdade o tempo todo: seus links s√£o rela√ß√Ķes de poder... por isso fico um pouco temeroso diante da frase: "O Samba urbano carioca √© essencialmente bantu" - √© certamente uma afirma√ß√£o ideol√≥gica, de marcar determinado circuito da rede e dizer que √© a ess√™ncia de tudo, o circuito central (usando estrat√©gia parecida com aquela que por tanto tempo quis manter outros circuitos - o sudan√™s? - no poder), precisando para isso um pouco que "desqualificar" outros pontos importantes, diminuindo a import√Ęncia que o que aconteceu na casa de tia Ciata, entre outros sal√Ķes mais baianos... mas bem sei que na hora de afirmar algumas coisas, precisamos negar tantas outras... como voc√™ mesmo diz: √© humano que seja assim...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2007 21:37
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FILIPE MAMEDE
 

Excelente post. O texto e os comentários estão sendo uma verdadeira aula de samba. Estou preparando uma matéria sobre Henrique Brito... O bando de Tangarás e etc... Um abraço Spirito

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 23/5/2007 09:45
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Hermano Vianna
 

muito bom, um texto sobre o Bando de Tangar√°s! j√° estou esperando ansioso!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 09:51
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Spírito Santo
 

Hermano,
√Č mais ou menos isto. Pol√≠tica o tempo todo mas, na express√£o 'o Samba carioca √©, essencialmente, bantu' recomendo aten√ß√£o e √™nfase para este >'essencialmente'
. √Č mais ou menos como se considerar a cultura ingl√™sa (ou irlandesa) como 'essencialmente 'celta'.
S√≥ queria enfatizar que, a meu ver, temos um problema a ser resolvido com rela√ß√£o √† cultura dos chamados bantu (um conceito meramente geoligu√≠stico mas o melhor que temos para o pessoal de Angola que veio para o Brasil). Como os elementos que eles trouxeram para a rede foram t√£o numerosos quanto omitidos (por raz√Ķes que vamos aprofundar com o tempo) √© preciso que algu√©m os traga √† luz, para que a gente os avalie, os compreenda j√° que, memso que muitos n√£o adtimitam, eles fazem parte da nossa cultura, da nossa rede.
O Ali Kamel não vai gostar não mas, podemos chamar isto de 'ação cultural afirmativa', 'cotas culturais', algo assim. Política pois.

Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 09:52
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Spírito Santo
 

(bem que post-comentário podia ter também fila de edição, não é mesmo?)

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 09:56
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Hermano Vianna
 

não sei se eu diria que a cultura inglesa é essencialmente celta... esse negócio é bem complicado... mas - mesmo continuando a pensar que talvez essencialmente não seja o advérbio melhor - entendi bem o que você quer dizer - continuemos na política então! abraço!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 10:00
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Spírito Santo
 

Hermano,
Pois é. Essencialmente, fundamentalmente, provavelmente. Como não podemos afirmar, a gente fica nos advérbios. Se antropologia fosse uma ciência exata...

Abs também.

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 10:13
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Roberto Maxwell
 

Eu senti o mesmo que o Hermano, mas creio que isso eh parte da escola do Nei Lopes que costuma fazer o mesmo nos textos dele. Acho uma perda isso porque gera uma antipatia pelo material antes mesmo que ele seja lido (por conta da escolha do titulo, eu quase passei por ele batido e soh vim conferir pq gosto de ler textos sobre a historia do samba). Acho que se pode fazer o resgate, se discutir como um certo grupo se sobrepos ideologicamente, apagando os tracos do outro, sem tomar a mesma atitude. Creio que o texto tem limitacoes que o livro deve esclarecer. Inclusive, se eh de preferencia do autor fazer uma "acao afirmativa" em prol dos bantus, isso com certeza esta explicito no livro visto que o proprio autor o explicitou aqui. Sao escolhas que, na minha opiniao, precisam apenas ficar claras para que possam gerar o debate. No mais, excelente etxto. Estara nos meus favoritos.

Roberto Maxwell · Jap√£o , WW 23/5/2007 10:17
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Spírito Santo
 

Roberto,
(O debate est√° esquentando)

Pra começo de conversa, este negócio de 'escola do Nei' é meio vago. Eu,pelo menos, tenho uma série de pontos dos quais discordo dele. Estes pontos estão no livro, inclusive e, mesmo assim ele é o prefaciador. Não sou de escola alguma. Nem mesmo de Samba (torço pela Mocidade mas não sou fanático).
Agora quanto a gerar antipatia com t√≠tulos ou posi√ß√Ķes discut√≠veis, isto faz parte do nosso assunto e √© do processo.
Os que v√™em estes pontos com antipatia, por certo, fazem parte de um grupo antag√īnico e os antagonismos, j√° dizia o velho Engels (ou foi o Marx? J√° esqueci) s√£o a for√ßa que move o mundo.
N√£o sei se o livro vai esclarecer as limita√ß√Ķes que voc√™ encontrou no texto. Como voc√™ n√£o disse quais eram (seriam as mesmas do Hermano?) n√£o posso, por enquanto, esclarec√™-las.
Mas estou a√≠. √Ā sua disposi√ß√£o.

Brigadão pelo comentário e abraços

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 10:42
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diginois.com.br
 

parabéns spirito! tb aguardo ansioso pelo livro, mais uma contribuicao a nossa rica e diversificada historia musical. Quanto a supremacia de uma informacao, acho que tudo eh u pouco assim. Ainda ontem um amigo historiador me falava que como zumbi tiveram muitos, mas que como ele se tornou a figura mais popular os outros ficaram apagados. Seu texto nesse sentido sera enriquecedor para o tema e para como hermano disse ter essa nocao de rede que havia naquela epoca.

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 10:44
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Spírito Santo
 

Diginois,
Olha só, rapaz! Você tocou no 'x' da questão. Tenho um post aqui mesmo (são duas partes, ok?), falando sobre isto. O ponto foi inserido no livro mas eu retirei porque não tinha muito a ver com Samba mas, vejá lá. O papo do Zumbi também é um mito cabeludíssimo. Dentro do mesmo contexto.
Seu amigo está com toda a razão (gostaria até que ele desse uma lida no meu post. Como não sou historiador, ele poderia me dar umas dicas importantes). Na verdade, para se compreender a história de Zumbi, só mergulhando de cabeça na história angolana do período. Como nossos historiadores, em geral, acham que a história do negro brasileiro só começa no Brasil ('negro não tem história'). Ficamos nesse 'Samba do crioulo doido' sem fim. Debatemos pois!
Valeu o coment√°rio.
Grande abraço

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 10:56
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Adroaldo Bauer
 

√Ē Spirito,
Excelente teu f√īlego. Conte√ļdo rico em cuidada urdidura. N√£o fui aos linques, mas o texto em si j√° basta para ati√ßar a curiosidade e alimentar os esp√≠ritos, creio que para a paz entre os contr√°rios, se do antognismo deva resultar a supera√ß√£o.
De samba és já doutorando, então, não é fato?
pelo vi√©s da hist√≥ria de afriacanos, diria mais: uma antrop√≥loga negra amiaga aqui do Rio Grande diz que negro √© um termo europeu que os de √Āfrica n√£ conheciamos. E que teria a ver com o pavor p√Ęnico dos de Europa pela (pre)vis√£o na t√™s escura das sombras que os assustariam √†s noites.
Eu, que muito jovenzinho sapateei na matinê do Cine Rey torcendo pelos rifles ingleses contra lanças zulus, mais tarde, descobri que nem os ingleses eram os mocinhos naquela fita colonialista, nem Cleópatra era como Liz Taylor.
Os de √Āfrica, de quebra, tocam os tambores dos albores da humanidade (pelo menos do que encontrou at√© o momento a ci√™ncia).
Se aí soam em candomblé e macumba, aqui sã de batuque os alabês. Tudo madeira e pele, em compasso acelerado de mexer pezinho e rodar a saia (tem gente que diz, não por acaso, rodar a bahiana).
Troco um livro teu (quando e como ele vier, por um exemplar do meu, que t√° impresso e vai ser lan√ßado dia 31 como deu at√© na capa do Overmundo. √Č s√≥ mandar o endere√ßo pelo e-mail).
Não demora muito para publicar que eu só tenho mais uns 50 anos pela frente caro amigo.
Té.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/5/2007 12:36
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diginois.com.br
 

ok Spirito, vou ler seu texto e depois comento aqui. Passarei ao meu colega esse link tb. Na verdade meu nome eh Lucas, o diginois eh meu QG. La vc pode baixar meu cd gratis. Os Sambas contidos nele ja estao pra la de hipertextualizados.
boas audicoes!

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 13:13
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Hermano Vianna
 

al√ī Lucas: t√° rolando outra boa conversa sobre samba neste link aqui

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 13:17
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Bernardo Carvalho
 

spirito, muito bacana o texto! espero que venha somar aos poucos títulos sobre o tema. gostaria somente de acrescentar um comentário à discussão:

pelo menos no seculo xx, a discuss√£o acerca dos paradigmas da antropologia e da hist√≥ria giram o tempo inteiro em torno da quest√£o da interpreta√ß√£o. caras como fernand braudel ou mesmo o clifford geertz, se debru√ßaram sobre a quest√£o do m√©todo: como abordar tal tema, como direcionar a pesquisa etc. n√£o √©, portanto, privil√©gio dos estudos sobre o samba tamanha discrep√Ęncia de perspectivas e resultados... acho q o nei lopes √© muito tendencioso, pq para ele trata-se de uma "reabilita√ß√£o" do negro. o hermano privilegia a constitui√ß√£o das "redes", de resto um conceito t√£o antigo quanto a pedra (basta lembrar a enciclop√©dia, o pr√≥prio movimento burgu√™s, o nomadismo...) enfim, cada um enfoca aquilo que lhe √© conveniente, ou que lhe parece √ļtil, pol√™mico... √© claro que algumas interpreta√ß√Ķes s√£o explicitamente tendenciosas e servem a prop√≥sitos pol√≠ticos expl√≠citos, como por exemplo, a de anthony giddens sobre "a terceira via", ou a de ali kamel sobre a objetividade na imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=419jdb008). mas n√£o √© menos claro, que, n√≥s mesmos, cotidianamente, tb nos auto-fornecemos interpreta√ß√Ķes diversas, sobre temas diversos, com prop√≥sitos nem sempre louv√°veis‚Ķ porque cargas d‚Äô√°gua essa inflex√£o humana, demasiado humana, n√£o haveria de adentrar no texto anal√≠tico/reflexivo/acad√™mico? este elemento mi√ļdo, afetivo, √© que, na minha opini√£o, d√° a dimens√£o propriamente pol√≠tica de qualquer interpreta√ß√£o‚Ķ

n√£o creio que haja possibilidade de se falar de cultura em termos metaf√≠sicos como ‚Äúess√™ncia‚ÄĚ, por exemplo. e mesmo a preponder√Ęncia √©tnica em um g√™nero qualquer, n√£o diz nada, ou muito pouca coisa, sobre este g√™nero. √© o movimento, e n√£o a ess√™ncia que delimita a interpreta√ß√£o‚Ķ spirito, se a tua bibliografia pesquisada ‚Äúsuperestima a heran√ßa 'bahiana' para, indiretamente, se afirmar a supremacia sudanesa‚ÄĚ, qual √© o problema? ser√° que ap√≥s ‚Äúcorrigir‚ÄĚ equ√≠vocos de interpreta√ß√£o, a mat√©ria superada se torna necessariamente obsoleta? ser√° que a g√™nese fake de um conceito, torna esse conceito menos veross√≠mil, menos √ļtil, menos dado a recortes e decomposi√ß√Ķes?

lembro-me do maravilhoso filme de orson welles, f for fake (tem em dvd), em que muitas dessas quest√Ķes s√£o abordadas com humor e cinismo. no fim das contas, o filme diz o seguinte: falso? verdadeiro? quest√£o pol√≠tica por defini√ß√£o, j√° que intr√≠nseca ao desejo humano.
abs

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 13:46
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diginois.com.br
 

obrigado pelo link hermano! aconselho todos a irem no link do hermano acima. melhor bate papo que j√° li no overmundo.

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 14:02
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Spírito Santo
 

Bernardo,
(Você foi fundo, heim, rapaz!)

A quest√£o chave no entanto √© que isto acaba virando uma disputa est√©ril entre conceitos sem√Ęnticos, uma conversa entre 'iniciados' (e eu abomino seitas, em geral). √Č, exatamente, nesta seara que n√£o queria entrar. Vira um papo sobre 'sexo dos anjos' que, geralmente, n√£o leva a gente a lugar algum. Das duas, uma: Ou d√° satisfa√ß√£o intelectual ou enxaqueca. Me desculpe mas, papo cabe√ßa e Samba s√≥ combinam se a letra tiver sarcasmo e ironia, muita ironia (como deve ser o filme do Welles que voc√™ citou).

Falando sério. Não estou querendo superar ou corrigir matéria alguma, como você parece dizer, ou mesmo trocar mito algum por outro, como o Hermano parece que disse, a certa altura. Imagina!
Uma coisa só me causa inquietação: Porque é que sempre que se toca na questão étnica no Brasil, em certas rodas, a conversa desanda, fica confusa?

Quem foi que falou em preponder√Ęncia √©tnica? Eu n√£o fui, com certeza. Ao contr√°rio. Agora n√£o me furto em dizer que temos um problema √©tnico sim. N√£o posso abolir o conceito, fingir que ele n√£o existe. A cultura √© o √Ęmbito ideal para o debate do assunto (a prop√≥sito, j√° fiz aqui um post sobre isto). Acho que ele precisa ser discutido e, se poss√≠vel, resolvido sen√£o, vamos ficar travados, escravos (sem ironia) do eufemismo e da sem√Ęntica, se abaixando das balas perdidas.

Por outro lado, não tenho o menor interesse em metodologias antropológicas e você mesmo já disse porque quando cita Fernand Braudel ou Clifford Geertz (dos quais eu nunca havia sequer ouvido falar).

Aliás, isto me lembra uma coisa que me ocorreu um dia desses, lendo uma velha revista chamada 'Civilização Brasileira', ali dos anos 70. Cara, eu me lembro que me esforçava muito para entender as teses marxistas-antropológicas que rolavam ali. Precisava entendê-las para debater com os 'companheiros' nos grupos de estudo da 'organização'. O problema todo era com o jargão empregado. Apanhava muito do jargão dos caras. Relendo hoje, percebo como me enganaram.

Como o jarg√£o ficou, com o tempo obsoleto, barroco at√©, e a 'profundidade' das teses estava baseada, inteiramente, na pompa e na circunstancia do jarg√£o, as teses se desmiling√ľiram, se transformaram, rigorosamente, em lixo. N√£o servem nem para enfeitar prateleira de sebo. √Č o dilema acad√™mico: Ser ou n√£o ser claro? Dizer ou n√£o dizer o que realmente penso?

Enfim...

Grande abraço,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 16:14
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Spírito Santo
 

Lucas,

Vou l√° no teu QG agora memso.

Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 16:23
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diginois.com.br
 

por favor, baixe o cd sem moderação!

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 16:29
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Spírito Santo
 

Parceiro Adroaldo,
Belas e boas palavras! tenho uma hist√≥ria do nipe da de sua amiga a√≠ do Sul. Morei um tempo na √Āustria (terra do Adolf, lembra?). L√° Quando se invocavam com a gente (fui com mala, cuia e a fam√≠lia) nos chingavam de dois nomes feios ( pra eles): Africanisches! ou Mohr! Africano √© f√°cil. Para eles n√£o existe cubano, brasileiro, jamaicano. Todo crioulo √© africano. Ponto. Este 'Mohr' √© que me deixava tiririca porque n√£o entendia o que eles queriam dizer. Pois bem Mohr √©, literalmente 'Mouro'. Os caras guardaram a m√°goa deles desde as Cruzadas e, at√© hoje, usam a palavra Mouro como pejorativo para crioulo. O que √© a mente humana, n√£o?
Quanto ao livro, ele está bem atrasado em relação ao teu mas, tá prometido, carimbado e sacramentado.

Grande abraço,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 16:54
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Adroaldo Bauer
 

Manda o endereço pra
adroaldo.rs@terra.com.br
com cópia para
adroaldo@portoweb.com.br
(n√£o esquece o cep).

Ah! Pra n√£o ficar de janelinha no bonde que peguei andando sem pagar, os mouros que falas s√£o os spindolas que ficaram 400 anos na pen√≠nsula, que depois, apropriada do conhecimento africano concebeu as navega√ß√Ķes atribu√≠das, mais uma vez pela hist√≥ria dos que venceram, a Sagres certo?

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/5/2007 18:55
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Spírito Santo
 

Ora pois pois! E n√£o √© que √© isto mesmo, √ī p√°?

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 19:01
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Hermano Vianna
 

falando em identidade étnica e política: olhem só que bacana: o Movimento de Defesa da Língua, da Galiza (!), acaba de se cadastrar no Overmundo - lá resistência é aprender português na escola! - vejam só! tudo dependo do lugar onde estamos, do momento que vivemos, das redes nas quais estamos inseridos etc. etc. - mas fiquei contente com os galegos a bordo - e visitem o site da cantora que coloquei lá nos comentários - ela é incrível

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2007 20:22
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Bernardo Carvalho
 

só vamos lembrar, spírito, que o direito à leitura, aos temas complexos, ao exercício intelectual não são, e nem nunca foram, privilégio da academia. não foi exatamente o caso do braudel e do geertz (embora valha a pena conhecê-los), mas lembremos de gente como haroldo de campos, artaud, caetano, e tantos outros pensadores extra-acadêmicos... o próprio nei, sempre lembrado em nossas conversas...

acho que vc faz uma confusão entre "papo cabeça - jargão defasado - academia", que, na minha opinião, não faz o menor sentido... existem idéias não-obsoletas circulando por aí, existe vida na academia e fora dela, o barroco não está obsoleto... e eu acho que "papo cabeça" é uma expressão extremamente preconceituosa e ressentida: ela parece dizer que nao vale a pena dedicar-se ao pensamento.

Ali√°s, ser√° que nas quest√Ķes que vc coloca em rela√ß√£o √† interpreta√ß√£o ideol√≥gica do samba, n√£o temos a√≠, √† espreita, um encabulado Karl Marx como inspirador incofesso? ser√° mesmo spirito, que n√£o h√° uma dimens√£o intelectual no teu texto?

agora, me admira que vc insista em se lamentar quando interpretam suas idéias livremente, como no meu e em outros casos. vc diz: "Porque é que sempre que se toca na questão étnica no Brasil, em certas rodas, a conversa desanda, fica confusa?" Ora, pq estamos aqui, gastando fosfato, escrevendo, lendo o que os outros escrevem, senao pelo puro prazer da interlocução e da troca de idéias? acaso precisamos concordar sempre? acaso dependemos de uma absoluta sintonia de idéias para iniciarmos um debate? se há confusão, se a conversa "desanda" é pq há interlocução em algum nível... e isso é bom!
abs

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 03:05
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Spírito Santo
 

√Ē Bernardo!

Nada de errado com o papo. Com ou sem cabe√ßa. N√£o tenho o menor ressentimento nem preconceito com estas coisas de nos dedicarmos ao pensamento. Todo mundo pensa. √Č claro. √Č isto que estamos fazendo aqui. √Č isto que procuro atrair com meus textos: o debate.
Tá certo. O papo do jargão devassado foi mal (nem era para ser entendido com sendo, diretamente, dirigido à você).
O que eu queria dizer com o exemplo do jargão era que não estamos sózinhos no papo. Em tese tem um monte de gente acompanhando, querendo sugerir e, se a gente entrar em intelectualismos, se desviarmos o foco demais, nesta conversa esotérica de quem cita mais, quem leu mais ou conceitua melhor sobre isto ou aquilo, a conversa vira mesmo...papo cabeça, no sentido jocoso que a expressão costuma ter neste caso. Vamos levar isto na brincadeira. Nada de sério - de serioso- na minha intenção.
Sobre a conversa desandar quando se toca naquilo, é uma constação antiga, pessoal, que eu sempre acho por bem exprimir porque é um comportamento recorrente demais, quando se toca neste assunto. mas, é claro que ninguém precisa concordar, é claro. Mudar de assunto é que não é legal.
O papo continua bom. Vamos em frente.
Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 09:21
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Adroaldo Bauer
 

√Ē pessoas amigas,
A conversa é essa mesma que Spirito, Hermano e Bernardo, cada qual no viés de cada um, postaram.
Quando o coment√°rio traz a academia quer dizer que importou, mexeu, buliu... nesse caso: sambou.
O que eu concordo com o Spirito é uma suposição: terá sido por vezo ou pela singeleza veloz do comentário que Bernardo disse:
- a de anthony giddens sobre "a terceira via", ou a de ali kamel sobre a objetividade na imprensa ?
Nas cita√ß√Ķes antes e ap√≥s estas, Bernardo repassa o conceito de quem foi por ele citado. √ďtimo, aos que desconhecem, como eu, resta ir ao lugar (tem at√© linque pra isto) para aprender mais, se n√£o foi suficiente o exposto.
No caso da re-citação que fiz aí acima, restou a suposição de que todos conhecemos giddens e ali kamel, ou que isso é um dever, porque não foram citados os conceitos dos homens, apenas os temas que abordam.
Aí eu poderia dizer que prefiro Florestan Fernandes a esses outros, também na abordagem da questão étnico-racial, não só na sociologia.
Mas restaria uma lacuna, um diálogo sem a presença da atualidade, porque a análise desde o presente cabe a nós, ainda vivos e dedicados à questão.
Quanto ao samba em si: o que se faz dele hoje tem a ver com os conte√ļdos todos que lhe deram origem (sim, ra√≠zes).
A questão do falso e do verdadeiro é que não pode ser esgrimida para encontrar qualidade, a mim parece.
Isso porque, já nos alertaram muitas e muitos, o que acontece é, e irreversível, independente de ter uma raiz genuína ou apropriada, mesmo falsa.
Tem voz, levada de tambor, compasso assemelhado, convoca à ginga: é samba.
A matriz, dada a variedade dele, e a origem são uma prospecção de extrema dificuldade ou escavação no vazio dado que a cultura oral não prevaleceu nas comunidades, não é fato?
Até onde se possa ir na pesquisa, mesmo motivada (aliás, sempre motivada!) se deve ir.
De l√° em diante ser√° mesmo defender um lado que se considerou real, verdadeiro, de boa cepa.
At√© na B√≠blia est√° escrito, como nos lembrava Jo√£o Ant√īnio, de Malagueta, Peru e Bacana√ßo, numa entrevista sobre o Pa√≠s das Bruzundangas: Deus vomitar√° os morninhos.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 24/5/2007 10:45
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Bernardo Carvalho
 

desculpem-me se desfoquei o assunto. Mas √© que, diante dos coment√°rios, que aludem √† possibilidade de uma nova mitifica√ß√£o no texto do spirito, penso que √© importante chamar a aten√ß√£o para esse aspecto ‚Äúmetodol√≥gico‚ÄĚ

quis dizer com a cita√ß√£o do artigo do kamel que, √†s vezes (nem sempre) uma interpretac√£o pode ser extremamente tendenciosa, com prop√≥sitos pol√≠ticos nada louv√°veis. um pouco confirmando o que escreve spirito, quando abre seu texto dizendo que pretende: "esmiu√ßar e desconstruir alguns dos mitos, supostamente, criados em torno da hist√≥ria do Samba - enquanto uma esp√©cie de s√≠ntese da cultura do negro brasileiro, em geral - mitos estes que, como ocorre com muitas outras fic√ß√Ķes antropol√≥gicas montadas no Brasil, foram constru√≠dos por criativas comunidades de intelectuais, ao longo do tempo e com inten√ß√Ķes, quase sempre, muito bem medidas."

eu reitero aqui meu coment√°rio: a discuss√£o que spirito prop√Ķe tem um fundo metodol√≥gico. ora! est√° escrito, est√° posto! o fato de que "criativas comunidades de intelectuais" tenham forjado perspectivas equivocadas sobre o processo de constitui√ß√£o do samba, exige que nos debrucemos sobre o que eles escreveram, como escreveram e porque escreveram. e isso n√£o √© tarefa necessariamente "pr√°tica", mas intelectual. acho que o giddens e o ali kamel podem ser suplantados com uma simples pesquisa no google, n√£o √© o que realmente importa. importa saber se o intuito do spirito de desconstru√ß√£o de elementos da historiografia brasileira realmente est√° se constituindo sobre outras bases.

Apesar de gostar muito do texto, sinto que ele é tributário dos textos do nei lopes. Não há NENHUM mal nisso, por favor, pelo contrário. Mas penso que é preciso sintonizar o produto com o propósito.

Ademais, toda tese antropol√≥gica √© tamb√©m uma fic√ß√£o. Spirito, parece que vc coloca isso como um dem√©rito. Mas o fato √© que n√£o existem fatos, somente interpreta√ß√Ķes.

Abs a todos

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 13:41
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Spírito Santo
 

Adro, (e todo mundo, é claro)

(Adro, o das igrejas é aquele pátio amplo, defronte as ditas, onde o pessoal que não assiste - ou que já assistiu - a missa, fica papeando, batucando, cantando, tomando cachaça e, as vezes, até sambando)

Pois √© isso, Adro. √Č mesmo o presente que nos condena, √† todos
(O que eu mais gosto neste assunto de Samba √© o quanto o tema tem de iconocl√°stico, de potencial para bagun√ßar conceitos arrumadinhos de Brasil). N√£o sou mais garoto para cair em arapucas conceituais e, podem crer (sem falsa mod√©stia) neste papo de arapucas √©tnico antropol√≥gicas, sou craque. √Č tempo de servi√ßo.

N√£o falei aqui, jamais, em supremacia √©tnica, n√£o sou intelectualmente um ressentido, e isto tudo est√° l√°, bem claro no texto. T√° l√°, inclusive, no nome do post: O SAMBA fake e o SAMBA de fato. Dois Sambas pois, com o mesmo peso e medida, faces de uma mesma moeda, cada face com seus arranh√Ķes, pra gente alisar, conhecer. O post s√≥ √© contra o d√≥lar furado. S√≥. Ponto.

Não queria ficar estendendo este papo porque ele é o livro (as coisas mais 'cabeludas' que estão pipocando aqui, insinuadas, já estão lá, já as coloquei lá. O que faço? Não posso encher o saco de vocês colocando o livro todo aqui.)

Mas, vamos lá, só pra esquentar um pouco mais. O Ali Kamel, por exemplo. O que tem o Ali Kamel (que não está no livro) a ver com o nosso papo? Lancei várias dicas para alguém citar o cara e a citação que aparece não tem nada a ver, diretamente, com o papo (nada pessoal, Bernardo). Pois gente, a referência que faço ao Ali Kamel (desculpe a ênfase) não era no sentido que o Bernardo citou. O Ali Kamel é, para muita gente (inclusive eu), um ideólogo do neo racismo brasileiro, um cara ligado militantemente a isto. Já escrevi várias cartas para O Globo tentando debater sobre isto mas, nada foi publicado. O (sambista) Nei Lopes, nosso amigo, também tenta rebater o cara e já escreveu cartas e artigos sobre isto (perdeu até alguns adeptos nesta refrega pois, deixou de ser 'morninho')

Briga dif√≠cil, certo? O cara, o Kamel, √© o editor chefe daquele grande jornal. Fazer o qu√™? Voc√™s conhecem a teoria da 'Curva do Sino? Aquela, que associa QI com Ra√ßa? Pois √© uma corrente neo-racista norte americana com a qual, aparentemente, o Kamel comunga. J√° li v√°rios artigos dele nos quais esta comunh√£o aparece, bem clara e vis√≠vel, a maioria delas com cita√ß√Ķes ao economista Thomas Sowell, um dos ide√≥logos desta corrente racista (associam QI com Ra√ßa), um cara assumidamente direitista, membro do Partido Republicano e que foi membro do departamento de estado americano no governo Regan. Linkem o Sowell (que ali√°s √© negro) numa busca destas e comparem:
O Kamel est√° l√°. Enquadradinho. √Č preto no branco (ou vice versa, sei l√°).
Acordem, por favor. Coisa parecida acontece com o Gilberto Freire que, para mim, as pessoas comentam botando panos quentes.

As teses dele ( do Kamel) contra as cotas raciais (a despeito do direito dele de ser contra), a negação peremptória de que há racismo no Brasil, precisam ser entendidas à luz desta sua, digamos assim, doutrina sociológica. Não consigo entender porque esta faceta tão clara do pensamento do Ali Kamel não é posta na mesa, para ser debatida, por quase nenhum intelectual progressista do país. Preferem cobrar isenção dos que protestam, querendo-nos,' morninhos'.

Será que estamos loucos, nós, os que se sentem incomodados com este 'silêncio dos intelectuais' sobre este tema? Mudam de assunto porque?

√Č por isto mesmo que gosto, que adoro Samba. √Č iconoclastia pura. Conto s√≥ mais uma do livro para o papo n√£o esfriar:

Sabe o Nelson Sargento? Sabe a Clementina de Jesus? Já viram gente mais raiz da negritude? Pois saibam (os que já não souberem, é claro) que o cara que, de certo modo, ensinou o Nelson, que era seu enteado (e muita gente boa de lá da Mangueira) a fazer Samba, foi o Alfredo...Português.
Da querida v√©ia Clementina outra informa√ß√£o deliciosa: Conheci o grande amor da vida dela. Ele j√° estava velho, entrevado numa cama. O nome dele era Albino P√© Grande, um mulat√£o enorme, tamb√©m bom sambista, filho, natural, sabe de quem? Do mesmo Alfredo Portugu√™s, grande e hist√≥rico sambista da velha Mangueira, que era, como lusitano, branco de dar d√≥. O sangue deste grande portugu√™s est√° l√°, regou a terra do 'Buraco Quente', do 'Santo Ant√īnio'. T√° l√°, na tal raiz do Samba (ali√°s d√° pra se saber claramente porque no pr√≥prio post que estamos debatendo). √Č a tal da lusitanidade afro-bahiana da Mangueira, bagun√ßando os conceitos.

O resto, Adro, é com Deus (ou quem de direito) que decidirá o que fazer com os 'morninhos'.

Abs,

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 14:17
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Spírito Santo
 

Bernardo,
Gosto muito do Nei e do trabalho brilhante e pioneiro dele (ali√°s comentei com ele, num e.mail, sobre este nosso papo) mas n√£o perten√ßo, repito, √† escola dele nem √† nenhuma outra escola. A √ļnica coisa que me une ao Nei √© o fato de estarmos, neste caso, falando do mesmo assunto do qual ele √© uma refr√™ncia essencial. Vou ser depois, com certeza, associado ao Tinhor√£o, por exemplo (tamb√©m muito citado no meu livro).

Tribut√°rio dos textos do Nei? L√≥gico que p meu √©. Dos dele, dos do Sergio Cabral, dos do Kazadi Wa Mukuna, do Fernando Ortiz, do Uanhenga Xitu, do Gerhard Kubik, e um mont√£o de gente, boa (e m√°) que j√° escreveu sobre o assunto. √Č aquela hist√≥ria, se busca sempre um escaninho pra colocar as figuras mas, a vida real n√£o pode ser organizada em escaninhos, numeradinhos. A vida real √© um caos s√≥. As figurinhas est√£o embaralhadas. Cabe a n√≥s col√°-las no nosso √°lbum, com acharmos melhor (guardando as carimbadas para uma emerg√™ncia qualquer, trocar com algu√©m, quem sabe?).

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 15:07
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Bernardo Carvalho
 

concordo plenamente contigo spirito: a vida real é um caos, e até por isso nossas conversas ficam "confusas", pois queremos abraçar o caos.

mas eu discordo que a abordagem do seu texto possa ser atribuída ao sergio cabral. acho q é nei lopes mesmo, seu grande paradigma.

e obrigado pelos nomes "novos", como Uanhenga Xitu e Gerhard Kubik, j√° estou pesquisando!

inclusive, spirito, devo te lembrar que, quando fiz o MUSIKFABRIK, vc me emprestou (e eu xeroquei) um livro maravilhoso chamado MUSIQUE DE L'AFRIQUE, de Francis Bebey. Pra mim, é referência até hoje!

abs

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 15:46
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Adroaldo Bauer
 

Bernardo,
Spirito,
Gente do Overmundo:
Vamos combinar: se o sujeito reivindica de alguém, cita o cara e o considera fonte de inspiração é o que a pessoa entende do que o cara disse.
Se não lhe permitem que assim seja por considerar má interpretação do sujeito, é cisma, diria Martinho, não o da Vila, Lutero mesmo.
Das duas uma:
1. Estamos falando de coisa que foi escrita em outro lugar e não é citada aqui, passando a jogar um xadrez sem tabuleiro, coisa possível, mas para mestres de um grau distinto e superior ao meu.
2. Xingar a mãe não pode então chama o sujeito de discípulo de outro como se a ofensa fosse maior.

Ou é tudo fantasia da minha cabeça, nada a ver e vou para Calcutá.

Desculpas antecipadas pela precipitação.

J√° presenciei debates similares em outros s√≠tios e arrabaldes que resultaram em absolutamente nada al√©m de aprofundar diverg√™ncias que jamais ficaram p√ļblicas.

Tenho aprendido muito com esse espaço, a ponto de respeitá-lo como de todos.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 24/5/2007 16:22
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Spírito Santo
 

Adro, Bernardo,
Tenho uma amiga virtual (que voc√™s dois conhecem) que sabe muito bem o que √© isto: √Č forum virtual sem modera√ß√£o. √Č parecido com briga de cego no escuro.
Se for filtrar, estamos todos falando todos a mesma coisa, concordando só que (o que não é bom) andando em círculos.
Parece também aqueles papos de fim de noite, quase madrugada, o garçon querendo fechar a espelunca e nós lá, os três, discutindo não sabemos nem mais o quê (acho que já disse isto aqui). Pronto. Vou eu pra Calcutá, então.
Abs,
(fui! Por hora)

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2007 16:58
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Ester Charmeira
 

Puxa...
estou estudando sobre esse tema.
Adorei seu texto!
Bjs

Ester Charmeira · Rio de Janeiro, RJ 13/11/2008 01:56
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cimples ocio
 

Ficou meio longo o debate. Acho que não leva a muitos esclarecimentos para quem pegou o bonde andando. Como sou um indignado com os pseudo sambas amaxixados do anos 20 e nunca consegui muita coisa tentando localizar compositores dos suburbuios cariocas - existe pouco material para pesquisa. Tudo gira em cima do que ja foi gravado e tocado no radio da epoca. Mas ... qual a posiçao do Spirito sobre o Gilberto Freire mesmo? E Tinhorão? Quais as disocrdancias com o Nei ref. aos mitos (Tia Ciata/Pça Onze, etc) Esta no livro?

cimples ocio · Curitiba, PR 12/1/2009 19:31
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Spírito Santo
 

Cimples,
Os papos por aqui as vezes se estendem mesmo e, nestes casos, haja redundancia.

Algumas de suas indaga√ß√Ķes podem ser, talvez, correspondidas no post deste link.

Sobre a posi√ß√£o de cada especialista entre os que voc√™ cita apenas uma coloca√ß√£o: A hist√≥ria da cultura negra do Brasil √©, por raz√Ķes √≥bvias (o racismo √© sist√™mico) cheia de armadilhas conceituais e mitos cavernosos. Para a maioria dos especialistas (principalmente os mais formais e acad√™micos), as vezes, √© mais f√°cil (e seguro) seguir a corrente.

Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/1/2009 21:52
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cimples ocio
 

√Č .. estou com livros bem tradicionalistas aqui em cima da mesa para postar alguma no blog que estou montando: um deles Raizes do Brasil do Sergio Buarque de Holanda. Os assuntos acabam se cruzando como a discrimina√ß√£o e temas sociais. Tanto no Antologia da alimenta√ß√£o no Brasil (Luis Camara Cascudo com diversos colaboradores), como no fresquinho "Cacha√ßas" (Marcelo Alcantara) "Quem sempre bebeu cacha√ßa, quem garante a permanencia da bebida √© o povo pobre" ... "Cacha√ßa e povo sempre tiveram o mesmo destino de dor e supera√ß√£o. E v√£o em alguns t√≥picos chegando proximos do seu tema.

cimples ocio · Curitiba, PR 13/1/2009 16:24
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cimples ocio
 

Onde acho aquele lundu do pai Zusé? ou é aquela parte somente. Vou botar na minha cozinha

cimples ocio · Curitiba, PR 13/1/2009 16:28
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Spírito Santo
 

cimples,

O Lundu do pai Zuzé foi publicado num livro do musicólogo Baptista Siqueira, no interessante livro 'Lundu X Lundun' que fala da confusão estabelecida pelos 'esepcialistas' entre o Lundum, dança burguesa de salão européia e o Lundu (de Ka-Lundu), dança de negros escravos que, trazida dos terreiros das fazendas de café para a Corte (mais ou menos como se faz com o Jongo hoje, na Lapa), misturada com danças européias (sabe-se lá até com o Lundum mesmo) acabou se tornando uma dança da moda entre a nossa aristocracia moderninha (que pouco depois, em outra moda, aderiu ao Maxixe).

Se não me engano o livro do Baptista foi lançado numa edição da UFRJ (vou conferir aqui na minha estante)

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 13/1/2009 23:17
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Spírito Santo
 

Caraca! Deu até no blog do Nei Lopes (grande força do, agora, parceirão!) que o livro deste seu criado precisa sair do prelo.

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 18/11/2009 20:37
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