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Sebo nas canelas do rock

Foto de divulgação. Todos os direitos reservados
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Edson Wander · Goiânia, GO
6/3/2006 · 92 · 1
 

Localizado no coração de Goiânia, do lado de uma igreja católica na esquina das avenidas Araguaia e Paranaíba, o sebo Hocus Pocus não é um mero comércio de discos, livros e HQs antigos e usados. Com 14 anos de vida comemorados no sábado de carnaval com muito rock´n roll, a loja Hocus Pocus é também uma referência para encontros e informações do mundo do rock em Goiânia. Reduto da cultura alternativa da cidade, a Hocus Pocus, cujas paredes são recobertas de histórias em quadrinhos, foi uma das primeiras referências para roqueiros goianos antes mesmo do início da cena profissional surgida dos festivais do selo/produtora Monstro Discos.

"Fazíamos muitos shows de rock dentro da loja, apesar do pouco espaço. Bandas da Monstro tocaram muito aqui, como a MQN e Mechanics. Eles ainda tocam", diz Moacir Oliveira Assunção Jr., o Juninho, como é conhecido o dono do sebo que montou com o irmão publicitário Luiz Antônio "Fafau". Juninho fala do início, quando a Hocus Pocus servia de palco para uma já efeverscente cena roqueira (com predominância punk). As bandas não tinham onde tocar e o sebo virou palco mensal.

"Fazíamos um show por mês e a banda escalada ficava encarregada de trazer os equipamentos", relembra Juninho o calendário cujos shows tinham entrada franca e só podiam acontecer aos sábados de 14h às 20h, horário de início das missas da igreja católica Coração de Maria. "Ainda é regra, preferimos respeitar esses horários para manter a convivência pacífica e evitar reclamações. Ultimamente temos feitos os shows só nos aniversários do sebo e não mais dentro da loja porque não comporta", informa sobre o palco improvisado que é erguido no estacionamento ao lado do sebo. Ali, onde o dono do estacionamento deixa realizar os shows, costuma reunir cerca de 600 pessoas por apresentação.

Mas por que a associação sebo com rock? Juninho ensaia uma explicação: "Quando começamos, lançávamos muitos fanzines da cidade e as pessoas passaram a nos procurar para divulgar este material. E como eram zines feitos na maioria das vezes por fãs de rock reverenciando seus ídolos, ficamos conhecidos com o sebo do rock". Não só por isso, o tratamento, segundo visitantes de carteirinha, também ajudou a construir a fama. Os irmãos sempre rolavam um som nos lançamentos dos zines e deixavam garrafas de vinho à disposição dos presentes. Vinho do bom? "Que nada, o velho e bom sangue de boi mesmo. Nosso público é formado pelos quebradões, a galera universitária que anda sempre com dinheiro trocadinho no bolso", diverte-se Juninho sobre seu nicho de mercado.

O lojista conta que tentou trabalhar também com revistas novas, edições atualizadas da Bizz e Rock Brigade, "mas nunca deu certo porque o público queria sempre as velharias". Além disso, explica Juninho, os contratos com as distribuidoras de revistas exigem sempre um número mínimo de exemplares que a Hocus Pocus não tinha como fazer girar em suas prateleiras. Hoje, além de HQs, discos e livros do universo roqueiro, a Hocus Pocus trabalha também com material do hip hop, estilo que o dono passou a cultuar nos últimos anos. "Gozado que já venho ouvindo e trabalhando com artigos de hip hop há uns dois anos, conheço bem a galera do rap da cidade, mas eles quase não freqüentam a loja, talvez por causa desse estigma que ficou com o rock", revela Juninho.

Jovens e antenados, os irmãos Oliveira Assunção já entraram na era da venda on-line criando uma loja virtual da Hocus Pocus (em www.hocus.com.br). No site, a variedade de produtos usados e novos (estes em maior número do que na loja real) cresceu, mas Juninho garante que o "point" Hocus Pocus continuará firme no centrão de Goiânia servindo de referência aos roqueiros de plantão. A rodada de shows pelo 14º ano do sebo aconteceu no sábado do carnaval com oito bandas da cidade, cujos integrantes também são clientes de carteirinha da Hocus Pocus.

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Fabrício Nobre
 

Hocus Pocus é um dos responsáveis pelo rock, a garageira e punheta goaniense...
discos usados, atitude punk, quadrinhos e revistas de sacanagem...
tudo que um adolescente pode querer!

E lá se vão 14 anos!

Fabrício Nobre · Goiânia, GO 8/3/2006 10:32
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