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Observatório
Vamos fazer Contato? O Overmixter, em parceria com o pessoal da Rádio UFSCar, está lançando o concurso RecombinaSOM, de remixes. Músicos e DJs, profissionais ou amadores, podem inscrever suas obras e concorrer. Seu remix poderá entrar na programação da Rádio UFSCar e ser lançado na coletânea que a rádio produz anualmente, chamada Transmissões Independentes. Para participar do concurso, basta preparar... > leia
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Sebos de LPs de São Paulo
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Coleções, ofertas e a avidez por som movimentavam os sebos de LPs - já que o leque temporal oferecido pelos vinis é mais amplo que o equivalente em CDs - além do que eles resistem melhor ao tempo. A satisfação ao escutar um disco bom que você encontrou ou descobriu é uma daquelas alegrias que quem gosta de música merece ter na vida. Acontece que sair pra comprar um disco de vinil na cidade de São Paulo tornou-se uma experiência ingrata.
A oferta dos discos de vinil está diretamente ligada com a história da radiodifusão no Brasil. Hoje em dia são mais de 3 mil emissoras comerciais espalhadas em todo território nacional, sem contar as atuais comunitárias e piratas. A coisa toda começa a tomar forma por aqui a partir dos anos (19)30. Precedida pelas transmissões da Rádio Clube de Pernambuco, fundada por Oscar Moreira Pinto, no Recife, em 1919, a irradiação do discurso de Comemorações do Centenário da Independência do então presidente Epitácio Pessoa em 1922, no Rio de Janeiro, deu a largada para a inauguração da primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada pelo antropólogo Roquette Pinto. Mas é no ano de 34, através de um decreto que autoriza comerciais em 10% de suas programações, que as rádios se generalizam e caem no gosto popular, gerando ídolos como Francisco Alves e Vicente Celestino, entre tantos outros. A relação entre rádio e poder, através da comunicação, entra no campo do entretenimento. A década de 40 é considerada a Época de Ouro do rádio no Brasil, com radionovelas, jornalismo e cobertura esportiva, em 55 já eram quase 500 emissoras em todo o Brasil.
Desde cedo as gravadoras perceberam o alcance do rádio, e uma das maneiras de influenciar as programações era dar lançamentos. Graças a essa prática, o acervo de uma rádio do interior de São Paulo, por exemplo, era gigantesco, inclusive com discos virgens de agulha. Durante os anos 90, com a ascensão do formato CD e a maioria das emissoras sendo compradas por grupos ligados às diversas vertentes evangélicas, esses acervos foram despejados em sebos. Os preços eram irrisórios, a seleção era farta.
Na mesma época, com o hype internacional do acid jazz, onda que privilegiava as realizações de músicos vindos da escola do jazz que combinavam balanço e tranqüilidade, os olhos voltam-se para o Brasil. Os sabores sonoros produzidos por aqui durante as décadas de 50, 60 e 70 reapareceram como interessantes para os DJs gringos.
Talvez por conta de uma combinação entre a procura de estrangeiros por música brasileira e a evidência da figura dos DJs, não mais simples discotecários, as bolachas de vinil tornaram-se interessantes para outros grupos que não os colecionadores, músicos ou pesquisadores. Hoje em dia um long-play qualquer não sai por menos de R$10, o que limita sua vontade de se arriscar. Os discos mais caros são normalmente os clássicos do rock, do funk e do soul, mas o quesito 'raridade' conta muito: um disco como Coisas, de Moacir Santos, é encontrável a preços exorbitantes graças às poucas cópias prensadas. Até os preços das vitrolas domésticas sofreram reajuste pra cima, já que não há mais produção nacional, e as profissionais importadas continuam bem inacessíveis. Essa situação particular seria remediada com uma oferta de aparelhos de fabricação nacional nas diversas faixas de desempenho desejadas. Quanto aos discos, é outra história...
Existe um circuito de sebos com visibilidade na cidade, que vai do Centro a Pinheiros (feiras do Bixiga e da Praça Benedito Calixto, área das Grandes Galerias), realmente especializado. Os disqueiros, que não contam suas fontes nem sob ameaça de morte, além de terem abastecido suas caixas e prateleiras através de constantes viagens ao interior para aquisição do acervo de rádios incorporadas por igrejas evangélicas, costumam se manter atentos às seções de obituários dos jornais. Algumas ligações podem render itens valiosos.
O que aconteceu com o sebo Jovem Guarda é um ótimo exemplo. Com dois endereços no bairro da Moóca, o Jovem Guarda tem de tudo, e como bom sebo demanda tempo e paciência. Uma de suas unidades é um imenso galpão que, além dos vinis, tem móveis e roupas. A outra é um verdadeira mansão cor de rosa, lotada de coisas antigas. Pra entrar lá você tem que tocar a campainha - há uma sala com discos e mais discos empilhados. No último ano esse sebo sofreu uma transformação. Antigo ponto pra descolar discos bons e baratos, o Jovem Guarda definitivamente se aliou ao circuito - os preços foram catapultados para a tabela "oficial" dos disqueiros, e um disco raro pode ser conseguido lá, com um simples telefonema do dono para os seus fornecedores. Foi o que aconteceu quando o DJ NuMark, do grupo estadunidense de rap Jurassic 5, pediu uma cópia do Tim Maia Racional - acabou levando por 200 dólares.
Os programas de troca de arquivos na rede com certeza abrandaram o fetiche por discos de vinil, mas como em muitas equações, há um resto. O hábito de descobrir ou encontrar um disco com capa original se tornou prazer pra muita gente, e isso deve continuar. Só que São Paulo tem mais de 17 milhões de histórias em movimento - sebos abrem e fecham as portas com facilidade. A bateção de pernas em alguns lugares ainda compensa, é só procurar. Abaixo listei alguns endereços para quem quiser se aventurar na caçada pelo desconhecido.
Sebo Jovem Guarda
Rua da Mooca, 3401 e rua dos Trilhos, 1212.
Tels: 6606-0127 e 6601-2748
Memória Musical
R. Brigadeiro Galvão, 48 (esquina com Av. Angélica) Barra Funda
Tel: 3667-9525 ou3663-2354
Sebo Mundo do Livro
R. Clélia, 2.130 Lapa
tel: 3482-0602
tags: São Paulo SP musica vinil disco livraria sebo
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