Tenho ficado impressionada com algumas coisas, mas não sei por quê. Notei a "hegemonia do pensamento único" em muitas das coisas que vi desde que encontrei o caminho da pseudo-não-alienação e tentei lutar contra isso, me refugiando em Jean Baudrillard quando ele diz: "debruçado sobre a fonte, Narciso sacia a sede: sua imagem já não é outra, ele é sua própria superfície que o absorve, que o seduz, de forma que ele pode apenas aproximar-se sem nunca passar além dela, pois ela só existe além na medida da distância reflexiva entre ele e ela... o espelho d'água não é uma superfície de reflexão, mas uma superfície de absorção". Isso me reconfortou ao ponto de entender o espasmo mental que várias pessoas sofrem a cada dia com o poder que uma simples imagem tem de manipular as suas vidas, como a imagem de uma pessoa que, embora mostre a cada dia que é mais medíocre, ainda inebria. A tal ponto de afogá-las em seu próprio ópio.
Sabe por que as pessoas reclamam quando você é contra a beleza massificada? Porque isso inverte a lógica da relação de forças, daí o seu impacto sobre elas. As coisas, com o advento da televisão, adquiriram um valor nunca antes imaginado nesta proporção: o valor estético. O recurso da superexposição de imagens fez com que as pessoas, cada vez, mais se preocupassem com a associação da aparência com o que realmente faz o caráter. E esse foi o grande erro que nós (sim, inclusive eu) cometemos, nos condicionando a meras vistas sobre algo, condicionando o imaginário a mera competência do que é mostrado, moldando percepções e adquirindo isso como verdade de uma cultura.
Não há como entender os seres humanos, em seu estado globalizado, se não fizermos uma reflexão sobre o que se é. Somos mídias ambulantes, ou aspirantes a uma delas. Somos frutos de uma verdadeira indústria da manipulação de consciências, onde nada é discutido e aprofundado. Não aprendemos a refletir. E quando o fazemos, somos amadores. A busca por algo é remetida somente a uma alienação “saudável”, que não faz diferença pra muitos no final das contas. A "deusificação" hoje em dia é mais importante que a análise da banalização das nossas vidas. Por isso é que se brinca tanto com a gente.
Tire um tempo da sua vida. Pare. Pense. Eu sei que às vezes dói, porque pensar não é exercício pra muitos, imagine tentar tirar conclusões disto. Mas esse é o único jeito de se "libertar" de um mal que a muito tenta afogar vocês. Mas como já dizia o sábio "imagem não é nada, sede é tudo". E onde é que está a SUA sede?
me instigo em ver novos pensantes em ará.Filosofia é essencial, pode ser clichêzásso mas, só existo se penso, caso contrário sou uma mera marionete do universo.
A moral é uma questão de tempo, ela serve para nos organizar, mas acaba por desorganizar,pois as pessoas não entendem que ela serve como guia, não como uma verdade absoluta....tudo bem que não há muita coesão com seu texto, mas há tanto a se abordar, que me instigo e ponho o carro na frente dos bois...
meus parabéns.Porém não use a percepção para se conformar na tristeza, use a seu favor, perceba como funciona o jogo e imponha os dados.
Débora,
Parabéns pelo texto e pelo que ele nos propõe enquanto reflexão. De fato, a população de um modo geral é produto da grande mídia. Somos vítimas do que se convencionou chamar "cultura de massa", onde os conteúdos, os padrões e os valores são passados à sociedade sem discussão ou reflexão alguma, e é facilmente absorvida (de forma passiva). Há uma semana eu tinha pensado em escrever um texto aqui para o overblog, sobre cultura de massa, mas ficou apenas na idéia. Entretanto, seu texto serviu de motivação para que eu execute a idéia (só não sei quando).
A questão da manipulação de consciências pelos grandes veículos de comunicação tem encontrado resistência - ainda que de forma discreta - por iniciativas que visam a democratização da comunicação. Seria a sociedade assumindo o protagonismo, se inserindo de forma ativa, no cenário da mídia. Um exemplo prático disso é o próprio Overmundo! Isso retoma discussões acerca da prática da cidadania, do que é ser cidadão (conceito bastante distorcido pela própria grande mídia).
Até lá, percorreremos longo caminho na construção de uma outra lógica, de uma nova cultura. Enquanto isso, utilizemos da nossa sede para provar que imagem não passa de uma imagem. Talvez precisemos unir o pessimismo da inteligência ao otimismo da vontade, tal qual nos ensinou o mestre Gramsci. De qualquer forma, vale a reflexão e a sua sugestão de tirar um tempo na vida, parar e pensar.
Vale, como dica, ouvir a música "Comunicação" gravada por Elis Regina, totalmente dentro do tema abordado em seu texto.
Parabéns!
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!