A espera acontece no corredor, em frente ao elevador que dá para o mezanino do SESI. Antes do início, uma das atrizes distribui os passaportes/programas para os espectadores, carimba-os e deseja boa viagem. Outra atriz/personagem entra na fila do elevador junto com o público.
Já no mezanino, um ator/oficial de alfândega pede o passaporte de algumas pessoas, mas ele próprio não entra em seu jogo:
- Passaporte? - pede a um rapaz da platéia. Este lhe entrega o ingresso.
- Esse não é o passaporte, mas tudo bem. - embaralha-se o ator/oficial.
Tudo isso para legitimar a cena inicial da peça Fronteiras, um dos espetáculos semi-interativos que está em cartaz em São Paulo , no Mezanino do SESI. Não chega a ser interativo, porque a platéia não participa efetivamente das cenas, mas como tem essas pitadas de contato com o público, a melhor definição vai pelo caminho do meio-termo mesmo.
A montagem procura ilustrar através de esquetes diversos tipos de fronteiras existentes na vida, sejam elas de caráter social, regional, socioeconômico, ideológico, ou relacionado aos sentidos. Na verdade, a peça mostra que quase tudo pode ser uma fronteira, dependendo da maneira como se olha para a situação. O mais difícil é saber como atravessá-la ou até derrubá-la em alguns casos.
Mais uma vez, esbarramos gostoso no nome de Newton Moreno, o mesmo que escreveu VemVai - O Caminho dos Mortos e A Refeição, ambos rascunhados nesse site. Newton assina o texto junto de Alessandro Toller, além da direção solo. Os dramaturgos partiram de relatos dos próprios atores e experiências pessoais para criar a peça. A atuação fica por conta do núcleo experimental do Teatro Popular do SESI, grupo ainda inexperiente, mas que não deixa esse fato comprometer a encenação.
Mais uma vez, o texto de Moreno não decepciona. Contudo, esse espetáculo começa a ganhar vida mesmo a partir da segunda metade da peça, quando todo o lirismo e poesia aparecem nas histórias. Os relatos iniciais deixam a desejar, porque não trazem a mesma qualidade cênica e literária das últimas.
O espectador pode compensar essa deficiência se divertindo nos momentos em que a arquibancada inteira da platéia se desloca em um trilho, para acompanhar as cenas realizadas em outras partes do mezanino. Um toque de super produção não totalmente necessário, mas uma solução para aproveitar todo o espaço horizontal do mezanino, e o aspecto de "viagem", de transpor fronteiras, da história.
Também uma fronteira separa o público dos atores. Essa distinção é física e ideológica, mas também é uma das barreiras a serem quebradas, já que ambos estão ali pelo mesmo motivo - pela arte, pela mensagem, pela história.
Leca, uma sugestão: quando você cita as peças que já foram resenhadas aqui, pode colocar os links (é só marcar o nome da peça com o cursor e clicar em link para colocar o endereço).
Outra dica que tenho tô até sem graça de só dar agora, afinal já há alguns textos de vocês por aqui: não acha que seria legal ter uma TAG que reunisse todos os textos da Revista Bacante? Pode ser exatamente revista-bacante (tem que ser com hífen para o sistema entender que é palavra composta). Avaliem se vale a pena, quem sabe a partir de agora vocês passam a usar... Abraço
Leca, vale a pena colocar uma foto tb.
Te mandei no e-mail uma foto já no formato do Overmundo.
Só não sei de quem é, depois vale conferir os créditos.
Olá, Helena
Obrigada pelas sugestões. Já fiz as modificações sugeridas.
Abraços.
Fabrício, Obrigada por arrumar as fotos. Tava sem a editor de fotografia. Já pesquisei e coloquei os créditos.
Leca Perrechil · São Paulo, SP 31/5/2007 18:39Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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