Sem palavras...

Filipe Mamede
Painel gigante - Museu da Língua Portuguesa
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FILIPE MAMEDE · Natal, RN
5/3/2009 · 109 · 10
 

"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma", dizia Fernando Pessoa. E, se ainda é difícil perceber as aparições, que pelo menos que se tente perceber as palavras, ora, pois. Uma boa dica para tal intento é o Museu da Língua, na Estação da Luz, um lugar com capacidade de levar as pessoas a outras paragens literalmente, seja física ou culturalmente falando. Ao entrar no Museu, o visitante já se depara com uma tela de 106 metros - toda a extensão da Estação da Luz - onde é retratada a riqueza e a diversidade da língua portuguesa. Uma língua em constante movimento.

A cada passo em frente ao gigantesco painel, uma nova porta se abre mostrando um recorte do que temos de mais original: a língua no cotidiano. Seja no futebol, nos carnavais, na culinária, nas relações humanas, nas festas, na natureza, nas religiões, e nas danças. Como dizia o também poeta e antropólogo baiano, Antonio Risério, “nossa matéria-prima é a palavra. A palavra como som, como sentido, como prática, como senha, como signo cultural distintivo, como argamassa cultural, como história, como objeto, como entidade mutante e mutável”.

Além da tela superlativa, as paredes do Museu contam a história da língua portuguesa, dos primórdios até hoje em dia. O choque do europeu com o índio, as imigrações, o rádio, a TV, o americanismo, chegando à internet. Outro espaço é o Beco das palavras, onde qualquer pessoa pode não só brincar com a origem das palavras, mas também observar as suas formações em raízes radicais, prefixos e sufixos. Juntando com as mãos os pedacinhos que flutuam numa mesa sensível ao toque, o jogador descobre de onde a palavra veio e por onde ela caminhou até chegar à língua portuguesa.

Mas, muito mais do que aplicar as tecnologias ao espaço expositivo por puro deleite de modernidade, o Museu da Língua Portuguesa adota tal museografia a partir de um dado muito simples: seu acervo, nosso idioma, é um “patrimônio imaterial”, logo não pode ser guardado em uma redoma de vidro e, assim, exposto ao público. Unindo lazer, tecnologia e conhecimento de forma interativa, o Museu da Língua Portuguesa corrobora, através de sua existência, com o poeta Fernando Pessoa quando demonstra que nossa pátria é a nossa língua.

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Hermano Vianna
 

o Museu da Língua Portuguesa é sempre muito bem-vindo no Overmundo: já tivemos por aqui, por exemplo: esta dica do Guia, ou este texto acerca da exposição sobre Clarice Lispector - e muito mais - e que venha sempre mais!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 2/3/2009 12:44
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FILIPE MAMEDE
 

Estive por lá recentemente, Hermano, e achei fantástica a expografia do local. No momento, além do conteúdo fizo, está rolando também uma exposição sobre Machado de Assis. Quem estiver em passagem por São Paulo, vale a pena a dica.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 2/3/2009 12:59
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FILIPE MAMEDE
 

A propósito, em Natal, conheçam o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 2/3/2009 13:04
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crispinga
 

Grande Filipe! Gosto muito de seu estilo e das suas matérias.

crispinga · Nova Friburgo, RJ 4/3/2009 10:05
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território de reis
 

Gostei muito da sua exposição. É difícil alguém descrever o que acontece em um museu da lingua portuguesa. Eu mesmo conheço um bocado de gente que já foi e não conseguiram me explicar. O seu relato consegue transmitir uma idéia real do tal do museu, e problematiza sugestivamente, lembrando que a língua é um patrimônio imaterial. parabéns.

território de reis · São Paulo, SP 4/3/2009 10:16
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wel alves
 

Importante!

wel alves · Linhares, ES 5/3/2009 00:47
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Andre Pessego
 

Muito oportuna. É sempre um prazer reencontra-lo, meu Reporter,
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 5/3/2009 19:55
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FILIPE MAMEDE
 

Pois é André, tava correndo atras de um lugar ao sol né? O over é um ótimo espaço, mas paga as contas, né? Mas olha essa matéria aqui que saiu na BRASILEIROS. Um abraço André.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 5/3/2009 20:04
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FILIPE MAMEDE
 

Pois é André, tava correndo atras de um lugar ao sol né? O over é um ótimo espaço, mas não paga as contas, né? Mas olha essa matéria aqui que saiu na BRASILEIROS. Um abraço André.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 5/3/2009 20:04
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Higor Assis
 

Amigo Filipe, muito bacana saber deste seu texto sobre o museu da língua portuguesa em SP. Realmente ele encanta.

Apenas para reiterar existe várias outras colaborações sobre suas exposições itinerantes: Essa última sobre um olhar que não é sério e outra sobre um intérprete do Brasil

Higor Assis · São Paulo, SP 6/3/2009 10:04
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