Sentimento Globalizado

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Nana Rebelatto · Juiz de Fora, MG
30/4/2013 · 22 · 3
 

As grandes manifestações, hoje espalhadas pelo mundo, nos mostra como a “globalização” deu certo. O mundo se entendendo como um, com diferentes grupos de diferentes países pautando as mesmas questões de forma blocada.

Infelizmente, o entendimento de globalização segue junto à procura por recursos e transações econômicas. Mais uma plataforma, criada pelo capitalismo, para a exploração com a “boa” justificativa de integração econômica, social, cultural e política. Porém acredito que uma palavra que subentende a união do globo, como um único e harmônico ambiente, não pode parar por aí.

Expandindo território

Durante muito tempo o ser humano luta por território. A visão era de um grande mundo desconhecido à frente, como um penhasco de conhecimento infinito. Era necessário explorar o território, desvendá-lo, entendê-lo. As grandes navegações são um marco histórico desse “expandir território”. O ser humano explorou e fez escravo a própria raça, poluiu a água que é fonte de vida para o próprio corpo, e destruiu quase todo recurso que esteve em sua frente. Cegamente, na busca por mais. Cada vez mais! O capital perturba a cabeça humana desde o início... gerando a ganância.

No Brasil, passamos por uma colonização chamada de exploração, onde os portugueses (nossos colonizadores) chegaram, a partir de 1500, para retirar recursos naturais e minerais, com intenção de gerar lucro para Portugal. Eles tinham na cabeça que essa era a maneira de desenvolver a colônia. Desenvolver? Com massacre de pessoas e da cultura existente por aqui?

Pois bem, assim continuamos na busca pelo território, pela identificação do “meu”. O “meu” país, a “minha” religião”, o “meu” partido político, o “meu” time de futebol. Sempre concentrando no umbigo todo o ego. Se parar pra refletir vai perceber que nós, seres humanos, construímos, ao longo da história, várias formas de afirmação do mundo. Vários mundos contidos em um só. E por muito tempo, marcamos o território com sangue jovem em busca de uma única verdade. Verdade que não é absoluta.

A conexão do mundo

Por sorte, ou sincronicidade, o jovem, tido muitas vezes como rebelde sem causa e baderneiro, hoje tem nas mãos todas as “armas” da revolução do mundo. Expandir os territórios fez muitos individuais se tornarem coletivos, e os grupos começam, ao invés de buscar as diferenças e brigar pra ser igual, ter a diferença como ponto forte na convergência para o MESMO. O tal do novo mundo possível.

Enquanto uns procuram como se dar bem individualmente, outros se unem pelo bem comum. Exemplo disso são as várias mobilizações que acontecem pelo mundo, onde cor, religião, sexualidade e classe se misturam pelo interesse por um mundo mais justo, humano e conectado.

Resultados globais

Com a conexão, amplamente explorada no mundo atual, construímos uma ferramenta poderosa e colaborativa, que busca viabilizar ações em prol de uma sociedade igualitária, que surge através do protagonismo. Toda mudança começa com a atitude!

Os coletivos, espalhados por todo o globo, difundem o pensar criativo e a responsabilidade social, com a participação de cada indivíduo, estimulando o despertar de lideranças multiplicadoras. As culturas e linguagens artísticas contribuem com a construção do conhecimento e da identidade.

A ocupação das ruas pelos movimentos sociais e artísticos é um marco na história, onde o sentimento de liberdade, igualdade e amor se manifestam como oxigênio numa sociedade enterrada pelos moldes de educação e consumo do mundo atual. A sociedade começa a se mover em direção ao novo mundo. Numa direção de ampliação de repertório e estímulos na busca pela VIDA.

Já não podemos aceitar viver para fazer as engrenagens do mercado funcionarem. O mercado não representa a expectativa dessa geração, criativa e ativa. Não temos mais como permitir que nos moldem para sermos fantoches do capitalismo e exploração.

Na esperança é que o sentido de “globalização” seja realmente o sentimento global da união! Onde a economia seja criativa; as dinâmicas sociais, justas; e as políticas, colaborativas.

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Marlon de Paula
 

O grande Milton Santo já dizia, o nome correto da Globalização é: Globalitarismo! Essa forma de ver o mundo é imposta, não consensual! Muito interessante seu texto, já viu o documentário do M. Santos: O mundo Global Visto pelo lado de cá?É muito bom, se não viu..assista!

Marlon de Paula · São João del Rei, MG 30/4/2013 19:35
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Nana Rebelatto
 

Ainda não vi Marlon. Obrigada pela dica, vou procurar ;)

Nana Rebelatto · Juiz de Fora, MG 1/5/2013 10:48
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Zezito de Oliveira
 

Texto bem escrito e oportuno. Parabéns!!

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 1/5/2013 19:34
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