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Será o fim do jaba?

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radiowega · Recife, PE
3/5/2007 · 110 · 4
 

Há anos uma boa parte do público não suporta ouvir as mesmas coisas, quase sempre aquelas 30/ 40 músicas escolhidas como os hits do momento. Pior que são escolhidas não pelo público - por mais que achem que é -, mas por executivos e empresários que definem as faixas de trabalhos de seus principais artistas. Muitas destes artistas são obrigados a voltar ao estúdio ou a procurar compositores para encontrar aquele modelo que os tais executivos definem como a fórmula para fazer sucesso. Depois disso o processo é simples: pagar às rádios e TVs para tocar o velho e detestável jabá. Que não é privilégio só brasileiro.

Nos Estados Unidos, quatro das principais redes de rádio (Clear Channel Communications Inc., CBS Radio, Citadel Broadcasting Corp. e Entercom Communications Corp), que englobam mais de 1,6 mil emissoras, concordaram em pagar uma vultosa multa de US$ 12,5 milhões para encerrar uma investigação sobre a prática do jabá por lá. A iniciativa objetiva inibir a prática de veiculação ilegal de música e tornar transparente o relacionamento das rádios com gravadoras e artistas. Além da multa, maior já paga na radiodifusão, o acordo também vai limitar os presentes recebidos pelas rádios em troca de veiculação de músicas, entre outras ações. No ano passado, a gravadoras Universal, Sony BMG, EMI e Warner já haviam pago uma multa de US$ 30 milhões também contra o jabá

Alem da multa, as quatro redes de rádio também se comprometeram a ceder de graça 8,4 mil blocos de meia hora para artistas locais e independentes dentro da programação normal. A iniciativa visa exterminar com a monocultura que impera nas rádios. Será que funciona? No Brasil dá para se perceber bem a relação de músicas mais tocadas em rádio com os discos mais vendidos. Basta ver as duas relações e comprar, os artistas que tocam muito nas rádios são justamente alguns dos que vendem mais discos, incluindo ai também os que tem apelo através da TV. Ou seja, a lógica das gravadoras é pagar jabá, tocar nas rádios e como conseqüência vender discos. Todo mundo sabe disso, menos o grande público. E o que temos de esperança? Nos Estados Unidos há uma lei anti-jabá desde 1950, no Brasil há uma lei tramitando no Congresso para proibir o jabá. Para alguns a Lei 1048/2003 do deputado federal Fernando Ferro não vai resolve ro problema, mas o fato é que com uma lei impondo e definindo regras fica mais fácil controlar e cobrar mudanças.

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FILIPE MAMEDE
 

O mainstream nunca foi um bom lugar. E essas relações são e sempre vão ser assim. Boa reflexão Radiowega. Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 3/5/2007 15:11
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Téo Ruiz
 

Legal, também concordo. No nosso livro falamos justamente desse ponto que você aborda no texto. E essa lei no Brasil é antiga, só que está engavetada há muito tempo. Quando escrevemos o livro e participava da Câmara Setorial de Música, existia uma séria reinvidicação para retomar essa lei. Mas desde então, nunca mais ouvi dizer que iam tirar da gaveta. Você sabe de alguma novidade? Os caras se mexeram enfim? Se souber me fale, porque isso é de nosso total interesse!
Grande abraço!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 4/5/2007 09:00
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Téo Ruiz
 

Ah, pra saber do nosso livro acesse
www.musicaderuiz.art.br

Téo Ruiz · Curitiba, PR 4/5/2007 09:00
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Zezito de Oliveira
 

Radiowega,

Gostei da matéria, e recentemente postei um texto, cujas preocupações são bem parecidas com as suas, só não tratei da lei anti jabá, porque o texto já estava longo demais.

A propósito. Você tem mais informações sobre em qual comissão a lei 1048/2003 está parada? Afinal, a bancada da porcaria musical é poderosa.

Outra sugestão para os overmanos e overmanos. Não é hora de ficar ligado nas discussões sobre comunicação e cultura no Congresso Nacional, para não não ficarmos a mercê de situações hilárias, como a apresentada em outra matéria recente no Overmundo, que aborda a tentativa, da também poderosa bancada evangélica, em obter dinheiro da lei Rouanet para financiar projetos da industria cultural religiosa.

Abraços,


Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 5/5/2007 11:03
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