Cuiabá,04 de junho de 2009, Cine Teatro Cuiabá.
É preciso mais do que ouvidos para perceber os sons. É preciso sensibilidade e se entregar diante do dia e da noite como voyer. Neste percurso o musico paulista Sérgio Kafejian conduziu sua investigação, levando os jovens músicos do Projeto Ciranda a perceber situações latentes ao nosso redor, descortinando a ‘paisagem sonora’.
Talvez Kafejian tenha visitado o canadense R. Murray Schafer. Pianista, regente, compositor, encenador, especialista em mitologias e religiões. Dedicado ao estudo do som. Pioneiro desse campo de pesquisa que denominou a ‘paisagem sonora’.
Aqui, Sérgio Kafejian, transita por essa sociedade pós-industrial como um andarilho catador de sons, descortina os sentidos já abduzidos, deixando a sensibilidade aflorar para perceber as vibrações e movimentos vivos, recorrentemente e ao mesmo tempo despercebidos pelo homem contemporâneo, apressado, sem tempo para se relacionar de forma eqüitativa com a vida.
De maneira tranqüila e didática a pesquisa foi explicada durante a regência, situando o público sobre o repertório, localizando cada peça no espaço e no tempo (século XXI): ‘Paredão do eco’, ‘Planícies, três quedas e o lago’, ‘O ventilador, o pássaro e a camareira’ e por último ‘Pássaro da manhã no grande anfiteatro erosivo do rio paciência´. O som nasce das diversas paisagens, que as vezes incomoda, muitas vezes agrada, irrita ou traz paz... Toda essa complexidade vira musica nessa pesquisa com resultados contundentes.
Graças a sua persistência e obstinação estamos tendo o privilégio de assistir o resultado desse trabalho, que certamente irá influenciar de algum modo na linguagem musical do Estado. Essa inquietude de Kafejian teve o apoio da Funarte, possibilitando o trabalho com os jovens do Projeto Ciranda, por um período de três meses, em Cuiabá.
A iniciativa faz a diferença na construção da história e da cultura de um país. Incentivar projeto como este é resultado da boa gestão de políticas publicas para a cultura.
Os músicos ali, num processo de nascimento depois da gestação de três meses sendo desafiados a transformar, a construir algo a partir do que sentiram e ouviram. Numa linguagem contemporânea, agora executam os mais estranhos e ao mesmo tempo harmônicos som explorado dos mais diversos instrumentos. Cada músico explora e potencializa a capacidade de seu instrumento ou simplesmente transformando qualquer objeto em instrumento.
De repente o público que lota o teatro fica ali, querendo entender o que vai acontecer. A orquestra se posicionando pouco a pouco, de acordo com o repertório. O som começa a aparecer, o público vai saindo de sua passividade. O trabalho apresentado exige atenção, para sentir e processar. Daí a riqueza de “PAISAGEM SONORA’. Daí nasce a arte. Eu diria que Kafejian é um catador de sons. Dane-se a nossa passividade e preguiça. Sua ‘paisagem sonora’ nasce para incomodar, despertar nossos sentidos e alimentar a alma, saudando Cuiabá.
Magna Domingos
Produtora Cultural
interessante, abraçosssss
um boa semana.
as múltiplas possibilidades da música, da não-música, das ambiências, dos tons, semi tons, micro tons, enfim, da paisagem sonora, são infinitas, tanto quanto o vasto horizonte da criação. parabéns magna, e vamos brindar cuiabá com essa fartura de sons! beijo, escreva mais para o overmundo magna, vamos (re)alimentar nossa participação, dos matogrossenses aqui. valeu!
eduardo ferreira · Cuiabá, MT 7/8/2009 09:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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