Me causa certa espécie a produção de música “sertaneja†no Brasil, isso porque o conceito do que vem a ser sertanejo, na minha opinião, está completamente deturpado. Não tenho a intenção, entretanto, de negar o direito de expressão de ninguém, mas apenas acho que falta verdade nesse estilo. Pior ainda, é que essa falta de verdade se espalha como erva daninha por outros estilos também, e não é de hoje. Cito como exemplo os grupos de “pagode†e as bandas de “punk†atuais. A verdadeira música sertaneja não é essa, assim como o verdadeiro pagode ou punk também não é. Não estou discutindo gosto musical, apenas o conceito do que vem a ser “verdadeiroâ€. E, infelizmente, no mundo inteiro essa prática é muito utilizada pela indústria, veja como exemplo o que os americanos convencionaram chamar de R&B, um acinte, um atentado aos ouvidos ignóbeis dos incautos consumidores da produção musical do paÃs do Tio Sam.
Convenhamos, é muito ruim. Formam-se duplas naquele padrão primeira-voz/segunda-voz e já se considera sertanejo. Os caras só viram boi em forma de hambúrguer, cavalo só em filme de bang-bang e se consideram sertanejo, invariavelmente não conhecem o sentido da palavra “sertãoâ€. E os pagodeiros então, é ridÃculo, senão criminoso chamar aquilo de pagode, os temas escolhidos são qualquer nota, não tem mais “cabrochasâ€, não tem mais “quintal†ou “mesa de barâ€, agora só tem futilidade. Será que eles consideram que nosso povo não tem capacidade de entender nada um pouco mais profundo? Escolhem o caminho da banalidade por falta de capacidade ou é deliberado? As duplas sertanejas chegam ao cúmulo de declarar que são de uma cidade quando na realidade são de outra, uma famosa dupla, que não vou citar o nome, nasceu em Campinas-SP, que é uma cidade grande, mas dizem que nasceram em Astorga-PR. Por que? É mais “sertanejo†que nasce em Astorga?
O termo “Pagodeiro†virou uma coisa pejorativa, pois os “verdadeiros†pagodeiros não são esses que estão aÃ, não vestem terno “Armani†ou “Hugo Bossâ€. E a mulecada desse movimento punk? É brincadeira, se vestem de preto com calças apertadinhas e coturnos, botam um piercing na lÃngua e cantam sobre as amarguras do amor perdido? São Punks? Aposto que nem conhecem o movimento, não sabem que não foi um fenômeno meramente musical, que a música foi só um dos veÃculos, que era uma coisa muito maior que isso, não vou nem discutir se foi importante ou não, pois para mim, pessoalmente não fez nenhuma diferença, mas acho um atentado ao movimento essas novas bandas, que também não vou citar nominalmente. O mais interessante é o paralelo que se traçou nesses estilos musicais, o sertanejo, o pagode e o punk. Virou tudo a mesma coisa com embalagens diferentes, com a clara intenção de atingir públicos especÃficos. E tem também o sertanejo universitário, o que chega a ser um paradoxo insustentável. Então criaram o sufixo “nejoâ€, que pode ser aplicado aos mais distintos estilos. Exemplos: Sambanejo, Punknejo, Rocknejo, Breganejo, etc. E a forma como essa afronta é disseminada pela mÃdia é assustadora, é dupla em programa de esportes, é banda em programa culinário e assim vai. Os programas de variedades no Brasil tem tudo, menos variedade, já que o conteúdo dessa produção é sempre o mesmo. Aonde foram parar os valorosos e verdadeiros exemplos do estilo, Almir Sater, Renato Teixeira, Sá e Guarabira, Almir Guineto, ou ainda Garotos Podres, só pra citar alguns. Em tempo, não vou nem me dar ao trabalho de criticar o “FUNK CARIOCAâ€.
Assim sendo declaro: ABAIXO OS “NEJOSâ€.
Tema previsÃvel demais mano, sinceramente.
Não é novidade pra ninguém a hipocrisia que rola no PaÃs.
Nada é autêntico por aqui, tudo funciona só no lobby, e o povo além de ser enganada descaradamente, não parece se incomodadar nem um pouco com o fato.
Soma-se a isso termos os maiores preços de cds e dvds do planeta, os ingressos mais caros pra shows...
eu declaro: abaixo tudo que nao seja autêntico.
eu declaro 2: procure sempre os originais.
abs gerais.
Estou com meu colega e amigo Roberto e não abro...
òtimo texto, é tudo verdade...
Gostei e votei
Opa, Alex,
Interessante a discussão, mas o que é o autêntico? Será que é mais autêntico ser o que se espera ou ser algo diferente? A antropologia vem discutindo essa relação há alguns anos com base nesse entendimento dúbio e espinhoso sobre autenticidade.
Eu particularmente, embora prefira o sertanejo não-romântico e mais "sertanejo", acho que há espaço para tudo. E rótulos são só rótulos. :)
Ufa!
Pensei que eu fizesse parte do "Bloco do Eu sozinha"...
Sem dúvidas que gosto não de discute e blá,blá,bá,mas o que é mais aceito nesta sociedade: ser mais um boi no meio da boiada(que curte o que está na moda e não passa de uma estação,de preferência beem fútil e/ou vulgar) ou alguém que tenha personalidade,que mesmo respeitando tais escolhas ,não tem direito ao mesmo respeito? "Rock é música de maluco!!!"Escuto isso desde os meus 12 anos,mas enfim,rs.
Me citando como exemplo,pelo fato de não sentir necessidade de me vestir de preto,todos os dias,me furar toda ou qq clichê do gênero(respeito e admiro,quem o faz COM PROPRIEDADE,me visto "à caráter" em Eventos do tipo),é muito engraçado quando,principalmente em ambiente de trabalho,alguém começa a cantarolar músicas dos estilos citados e percebe que não conheço,começam a sondar,pois são praticamente "trilhas de novelas"(que também não são minha praia) e lá vem a famigerada pergunta: "-Do que você gosta???"Rock??Mas, vc é feminina, é tão calminha,tão "normal"..."
E o resto,já dá para imaginar,não é?
Muito bem colocado,Alex.
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