Quando não puxam o tapete, reduzem o ambiente pra quitinete.
É aviltante o encolhimento do espaço para a qualidade musical na mídia hegemônica.
Quem não dá o corpo para vender cerveja e não é da firma dos apresentadores dos canhões de mídia, tá caindo de banda do cenário artístico brasileiro dominado pela gringolândia e propagandeada no território pelos servos da gleba imperializada pela camarilha bushiana e condolências dançantes (em múltiplos sentidos aqui).
Quem tem perna e peito que não quer dar à venda das boas e é criativo têm encontrado no exterior ambientes estéticos mais favoráveis ao desenvolvimento de sua arte. Ou nos pecês de fundo de quintal, que vai produzir bolachinhas pra vender de mão em mão e tocar na festinha do clube dos sem. Por óbvio, se quiser um bom registro e a preservação de integridade autoral.
Li um pouco disso, além do que vejo em tevê e mesmo aqui e nas badalações da internet no sítio Antares Música, especializado em música instrumental.
Numa honrosa exceção, o qualificado sítio de músicos e mestres competentes abriu-se para a divulgação de um disco vocal.
Sinalizam que se trata de um grande evento.
Praticamente desconhecida da maioria do público brasileiro, a cantora, compositora e violonista Ana Paula da Silva divide a agenda de espetáculos entre palcos de Santa Catarina e Viena.
Na Áustria, pelas razões lá deles, já foi, inclusive, objeto de monografia acadêmica. E apresentou-se junto ao ícone jazzístico dos anos 70 Joe Zawinul (mentor do lendário Weather Report) em tournée e no clube dele, o Birdland.
Ainda assim, por essas razões que só o amor pode explicar, brasilidade é o que mais emana de cada compasso de Canto Negro, primeiro disco solo de Ana Paula da Silva. Ouça aqui algumas vinhetas do trabalho da moça.
Solo, mas não individual, que a guria se faz acompanhar de bambas:
Ana Paula (voz, violão, percussão, guitarras, bandolim, sitar elétrico, teclados e efeitos)
Edson Santana (teclado e arranjos)
Alegre Correa (violão, cavaquinho e arranjos)
Beto Lopes (violão, guitarra, baixo e arranjos)
Arnou de Melo (baixo)
Paulo Paulelli (baixo acústico)
Fábio Hess (violão de 7 cordas)
Michael Ruzitscka (violão)
Wilsinho (cavaquinho e banjo)
Serginho do Trombone (trombone)
Evandro Hasse (trompete)
Rubens Azevedo (sax tenor)
Alessandro Kramer (acordeon )
Bertl Mayer (harmônica)
Endrigo Bettega e Toicinho (bateria)
Giana Servi, Luciana Weiss, Karla Freitas, Caroline Pinto (vocais)
Robertinho Silva (percussão)
Judith Reiter (violino)
Bernardette Köbelle (violoncelo)
Martin Reiter (arranjo de cordas e harmônica)
O cedê traz canções próprias: Cantos Negro, Vamo trabaiá, Nega veia e antológicas de Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro: Sincretismo, Alegre Correa: Gávea, Beto Lopes: Serra do AO e Nem Nada, Nélson Cavaquinho: Quando eu me chamar saudade, além de Tavinho Moura, Murilo Antunes, Guinga e Sérgio Natureza.
Adro,
Pelo repertório, pela formação da banda e pelo elenco (conheço dois ali: O Alegre que eu conheci em Viena e o RObertinho, daqui mesmo do Rio) recomendo entusiasmado.
Pô, vê se arranja uma faixinha dela aí, para disponibilizar, vá lá que seja apenas um 'streaming' do 'my space' da moça (viram só, eu sendo obrigado a falar inglês)
Abs
Ai donti andesrtendingui iou mái broder, mas pode ter umas palhinhas da moça no sítio da Antares, cafofo que, aliás, também tá apresentando um cedê do Alegre Correa, que deixei de comentar para não sairem por aí dizendo que a parentada minha tomou conta dos negócios, que só tenho com ele de par a alegria, que o meu Corrêa pôe chapéu onde eu posso alcançar e é do Maranhão, sabendo eu não de onde é o dele.
Grato por ti aqui, tchê, visse minino, uai, bichinho.
Tem umas palhinhas, que eles chamam de vinheta, aqui:
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/3/2008 11:28Fui lá e ouvi e gamei! A voz é muito linda mesmo! Parabéns, sempre, por suas dicas no overblog.
Regina - poesia em volta · Volta Redonda, RJ 25/3/2008 08:06
Regina,
Fico feliz e também agradecido
(Inda terei que dar-te mais um nome que rainha, posto que Lyra também o é e vez por outra nos encontramsos as três almas e fico sem saber como chamar-te para a distinção que mereces.
Tens alguma sugestão, guria?
AMIGO ADROALDO...
Arte musical completa! Produção bem cuidada!
Lendo rapidamente (estarei escutando o CD à noite), fiquei feliz pela ficha técnica. O nome dos músicos (créditos) que gravam um disco é indispensável. Eles são coadjuvantes no espetáculo. E que orquestra! Bela formação! Aplausos.
O repertório é fantástico! São nomes consagrados! Eles fazem parte da seleção brasileira da composição! Ser um compositor de qualidade é difícil. Principalmente no Brasil do "Créo" ou "Crew"... Será que é assim que se escreve?
A matéria está leve, informativa e “no ponto”. Tem a assinatura de um jornalista e escritor “Pai da Matéria”. Lembra do “Osmar Santos?” É jogo de bola... Ou melhor: jogo de música, informação e entretenimento para a comunidade overmundana.
Quanto vale a matéria? Nota máxima!
Parabéns!
Abraços.
Lailton Araújo
OBS. Gosto de escutar música de noite... De madrugada! Voltarei depois para comentar sobre a grande intérprete “Ana Paula da Silva”.
Adroaldo, maravilha, maravilha. Tudo de bom para o brilhar da moça.
abço.
Adroaldo querido que voz é essa???
Apaixonei....dica incrível!
Abraços :)
Pois é Teka, Sérgio, Lailton...
E não se tem um mínimo de oportunidade de escutar uma voz tão surpreendente e bela, acompanhada de arranjos que um de cada instrumentos que a própria moça executa e todos os demais de tantos bons artistas que a acompanham em harmonia e festa de sons em uma emissora de rádio, qualquer que seja ela das meia-dúzia de famílias que monopolizam os meios de comunicação em nosso país e entregam os espaços dessas concessões públicas aos bate-estacas e plim-plins que atordoam ou desmerecem a arte e a técnica e ofendem de forma danosa a arquitetura de ouvidos, essas nossas entradas para a alma pela fruição do belo.
Incrível é que para executar seu trabalho, a Ana Paula tenha que ir a um outro continente onde a música é reconhecida como a harmonia de instrumentos e voz e a elaboração e técnica são reconhecidas como valor qualitativamente positivo.
Fossem duas notas distorcidas a repertir-se sustentadas em parafernália eletrônica os nomes mais disparatados que dão a barulho e sujidades técnicas estaria nos espaços nobres da tevezona a encher lingüiça à espera da milionária votação para ganhador do show imbecilizante de maior audiência da nossa midia eletrônica.
Tem gosto pra tudo no mundo, mas eu ainda acredito que gosto se forma com educação e exposição do que exista. E em música se o conforma com a exposição pemanenente do quase nada em altíssimo volume só amparado por muita água gelada e aceleradores químicos dos ritmos cardíacos.
Quando não há espaço pro vermelho, fica tudo azul, seja qual for o tom, seja qual seja o brilho ou a falta dele.
Eu a entendo assim também incrível, Teka, razão porque aplaudo Ana Paula, de singelo e brasileiríssimo nome Silva, como a dar identidade ao perfil da brasilidade musical que conforma o repertório desse cedê aqui trazido para divulgação.
Agradecido pelas estimulantes presenças.
Obrigada por mais essa bela indicação!
Beijos_Meus*
*
Anjo de luz da vida minha, quanta saudade de tua presença linda e maravilha. Sou feliz quando és. É belo.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 27/3/2008 01:18
Não poderia deixar de comentar a beleza de suas palavras!!
Sempre nos trazendo muito prazer na leitura!!
Parabéns, Adroaldo!!
E meu voto sorridente!!! rsrs =:^)
Apaixonante. Inebriante. Viajante brasilês.
Que mulher bunita de voz mais lindainda!
Q'armonia e beleza de arranjos bom di si vê só nas palhinhas vinhetadas, imagine-se no cedezão a milhão, que ia ficar de bem mais bão, tasqueôpa!
Supimpa, Papá.
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Notícia di prima!
Viajarei!
Deixo aqui de cantinho, na camufla, pra não alerta ganso, pata e esquilo.
Cravei 80 em gringolês.
Tô tirando a roupa já!
(...do armário pra mala, gente!)
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Ana Paula, querida da voz dilinda, perdão pela invasão, mas é tanta emoção que... resisti não.
Beijing, já!
Caro Adroaldo,
antes mesmo de ouvir a bela voz almejada por todos aqui presentes, peço que não me interprete mal, mas lhes digo, com todo é respeito à você, é claro, que percebi de maneira elucidada, um sentido subjacente em seu texto e opinião. Vou tentar explicar a minha apreensão através de algumas perguntas: o que quer dizer com "Quando não puxam o tapete, reduzem o ambiente para um quitinete." reafirmado com "É aviltante o encolhimento do espaço para a qualidade musical na mídia hegemônica." O que seria, em sua idiossincrasia, a humilhante redução do espaço musical, de loft, para um quitinete? E qual seria essa mídia hegemônica que nos falas, o globo terrestre?! Perdão pela inpertinencia em minhas perguntas, são apenas dúvidas. Gostaria realmente de entender o que queres dizer com isso. Percebo a existência de adjetivos em sua escrita, mas não consigo enxergar sentido em seu pensamento. Se puderes me esclarecer, ficaria muito grato.
Ainda em tempo, gostaria de convidá-lo, junto com os demais formadores de opiniões presentes aqui nessa discussão, para conferir meu pensamento através da colaboração, agora, na fila de votação. Espero que expunham suas impressões em despeito do mesmo e, se possível for, votem para a publicação permanente do texto. De nome "Uma Feira, Outra Análise e a Inércia". Que faz alusão ao futebol para discorrer sobre os parametros estabelecidos nos trajegtos de um artista ansiando alcançar sua projeção no mercado de arte contemporânea atual e fortalecer com isso, o circuito nacional de sua pátria.
Grande abraço a todos!
Tito Oliveira
Tito,
Não há sentido subjacente: é midia hegemônica, sim.
Tu sabes o que é: redes de tevês e sistemas de emissoras de rádio associados aos negócios próprios ou das grandes comerciantes de gravações de grandes estúdios, a maoria transnacionais.
Mutatis mutandis, para o teu ambiente, o Parangolé aqui é em som, lá contigo é a associação de marchands e galerias e os espaços poucos para o novo, mesmo que de qualidade, chegar aos salões de importãncia ou a consagração pública em artes plásticas.
Disseste bem, é minha opinião e assinada.
Não é de mais ninguém, que não produzo aqui associado a qualquer pessoas, embora pressinta e constate alguma sintonia com várias colaborações daqui.
Quero dizer com tapete e quitinete o que poderia ter dito com farinha pouca meu pirão primeiro, tapa a cabeça destapa o pé, apenas que essa expressão foi criada por mim para não começar a história com era uma vez... que o assunto não é infantil, embora não seja proibido para menores como ocorre com algumas exposições pudendas em horário de criança na sala.
Humilhante é humilhante mesmo.
Redução é redução, qualidade é qualidade.
Gil já dissera em 1968 que fazia aquela "pra tocar no rádio".
Um piriririm con tchátchápum medonho, mas sarcástico.
Nem assim tocou; até por assim, com certeza.
É que sem jabá não vai ao ar, embora deva haver, para confirmar a regra, duas ou três exeções, que eu não conheço mais.
Não é o mundo todo, portanto, é só a dominação eventual do mundo todo pelo capital, diriam alguns poucos chineses ao Lama.
Perguntas que portem a dúvida jamais serão impertinentes.
Sou também um jornalista, vivo a vida a perguntar, mais que afirmar.
Marx já assinalva que, se nada restar, que pelo menos reste a dúvida, o que o Egípcio talvez lhe tivesse permitido aprender, aquele médico que o relato diz ter vivido cerca de 2.000 a.C e tentou dar ao Egito a concepção monoteísta de religiosidade.
Que também passou a existência a perguntar-se por quê?
Eu uso adjetivos porque adjetivos existem na língua e até muito me apraz usá-los que fiquei 35 anos afastado deles, 25 sob a censura da Ditadura, que nãopodia escrever que era torturadora e assassina, nem sanguinária, nem repulsiva, nem hodiosa, nem desumana.
É uma reaproximação pessoal após cumprido meu tempo de contribuição à objetividade, da qual nos fala bem Nélson Rodrigues.
O sentido do meu pensamento não precisa ser visto, apenas lido o que está escrito, que é o que expressa para alguns que entenderam e falaram a respeito.
Tem gente que não entende mesmo.
Nem eu às vezes me entendo.
É como se baixasse um caboclo e eu, cavalo, mas não burro, desandasse a grafar as palavras que saem assim, às vezes também aparentemente desconexas, aos borbotões, como um cinzel a ralar uma pedra tosca, como um ensadencido a jogar borrões de tintas várias no chão e deixar a tela em branco e ser chamado por uns de louco e, por raros, até de artista.
Nem era para causar estranhamento uma figura de palavra ou um adjetivo a quem entende de artes plástica.
É assim, como diz um meu filho de 11 anos, porque é. Minha neta de 3 anos diz, porque quero. Porque sim.
Eu sou assim, quando posso, e com certeza, apesar das dúvidas e estranhamento teus, não deve te importar que assim eu seja, porque é a primeira vez que nos encontramos nesse meu ano e mês aqui, desde já agradecendo eu tua indagativa presença.
É minha única paga, também.
Ganho nada em pecúnia por fazer isso. É pura satisfação minha poder, honrado, apresentar tão signifcativa arte musical.
Sabes que nada mais ganhamos por isso que conhecer o impacto do que se faz sobre o outro.
Tem gente, eu aprecio que haja, que não gosta.
Também sobre isso Nélson Rodrigues nos dissera, da unanimidade ser o que ele assegurava que fosse.
Nada mais saberia "esclarecer", posto, penso, ter sido nítido ao examinar, agora, meu escrito.
Tuas dúvidas, dada a minha dificuldade com as palavras para expressão objetiva de minha querência, se não foram resolvidas, Tito, penso, te acompanhrão pela eternidade, seja onde fores de aqui até lá..
Então, sinto isso, estaremos para sempre juntos, tu, íntegro, eu em espírito, ainda que apenas pouco.
Procure ouvir a música, vale mais que a descrição escrita dela.
Depois volte aqui, se quiser, e nos diga algo.
Parabéns. Gostei e já votei.
Abraços
www.clerioborges.com.br
Opa (risos)! Diz aê Adroaldo, tudo beleza com você?
Pois bem,
ouvi o pequeno trecho, agora denominado vinheta, da música que continha a bela voz da Ana Paula Silva e, embora eu não tenha percebido nada além do que já existe nesse segmento músical, pois se tratava de uma pequena introdução que esboçava nuances de uma permeabilidade afro jazz, gostei assim mesmo. Não sou jornalista, sou artista plástico e não é, para mim, incompreensivo indagar o não "compreendimento" de um pensamento através de uma escrita. Pois se as vezes até mesmo você não se entende, por que haveria eu de entendê-lo se, como você mesmo disse, é a primeira vez que nos encontramos em seu ano e mês aqui - já retribuindo o prazer meu por conhece-lo e sua disposição em me responder. E, convenhamos não é Adroaldo?! É claro que eu não me importo com o seu jeito ser e se expressar (risos)!
Fico felliz por saber que sua erudição seja composta por grandes referências literárias e filosóficas, como fico feliz por tantos outros que esta qualidade possui. Mas, como já lhes disse antes, achei o seu texto primeiro com sentido subjacente e não me referi ao uso de adjetivos de forma pejorativa, apenas penso que estes devem, sobretudo em uma apresentação de um artista, algo ou quaisquer coisas, e em um sitio onde seus membros participativos possuem total liberdade em opinar, sugerir ou até mesmo criticar, ser ao menos conexo com algun sentido para os receptores de sua opinião. Se assim não o for, porque então posta-lo em rede?
Não irei me dispor à discorrer sobre o que era, de fato, proibido na escrita da ditadura militar nos anos 60 e 70, pois embora eu seja jovem e não tenha vivido todo aquele absurdo atroz, bem "ilustrado" pela classe artística e intectual, possuo conhecimentos históricos e contundentes para saber que o grande problema daquela época não era os adjetivos... Mas, prometo que quando for a Porto Alegre, o convidarei para discutirmos isso de maneira mais divertida e hedonia, com o acompanhamento de um bom drink (risos).
Não serei enternamente acompanhado de minhas dúvidas em despeito a seu texto, pois, embora eu saiba que o grande incetivador dessa hegemonia que nos fala esteja além das redes de tevês e sistemas de emissoras de rádio associados aos negócios próprios ou das grandes comerciantes de gravações de grandes estúdios, em sua maioria transnacionais, mas na elitização desse cárater de música, essa dúvida, você já se encarregou em esclarecer. Uma pergunta: já imaginou quantas pessoas comprariam o um disco com esse perfil aqui no Brasil? Não seria mais fácil se na capa do CD estivesse estampada uma bela bunda imensa?! Penso que dessa forma seria possível para as gravadoras e os próprios músicos bem sucederem-se.
Para finalizar, o texto que escreveu para me responder é bem mais sucinto (risos).
Grande abraço e não me leva à mal...
Tito Oliveira
Tens as tuas razões, Tito.
[Aqui poderia parar, mas me coçam os dedos e os miolos]
Tu pagas a primeira garrafa de vinho cabernet tinto, daqui da serra mesmo.
A segunda pago eu.
Não levo a mal ninguém que queira dizer com sinceridade o que pensa, nem a mim mesmo, que o disse como disse e porque assim o quis e fiz.
Penso no que dizes e, numa outra circunstância, por certo, o que me dizes também vai estar presente no que eu escrever, uma vez que te li aqui e alhures e, por certo, ainda vou ter a oportunidade de ler mais de ti. E não sou infenso a influências.
Concisão não é exatamente o nosso forte, pelo que demos aqui de exemplo.
Rede se faz com respeito às diferenças.
E com que o queira, que não é rede de arrasto.
Tem miles de outros postados. Vem aqui quem quer, como não vou a todos e a alguns escolho mesmo não ir.
Isso é o melhor da liberdade, poder escolher o que não se queira fazer.
Fiz o da Ana Paula assim por evidente contraponto (e não em antagonismo principal, apenas um outro olhar, no meu modo de perceber) a outros postados daqui que que preferem outros perfis, mas isso, Tito, não está subjacente, está explícito no título, que pretendi manchete se chegasse à rômi do sítio, e o foi por um tempo, como pensei que pudesse ser.
Eu não sei se bunda em capa de disco vende disco. Eu nunca comprie qualquer um por essa razão, nem lembro de que tenha algum assim aqui em casa, que também ainda tem gente bastante jovem, de 17 até 30 anos.
Sei que vende em outros lugares: na tevê bunda tem promovido cerveja, automóvel, telefone, pastel, cachaça...
Nem creio que Ana Paula careça de vender disco com esse artíficio enganoso.
Afinal, toda pessoa tem bunda e não é toda pessoa que canta lindo do jeito que ela canta.
Melhor essa capa que está aí eu penso. Ela pensando que te convida a ouví-la.
Aliás, nunca vi a bunda de Beethoven numa capa de disco, nem de Verdi, nem de Hendrix, nem de Paulinho da Viola, ou Gonzaguinha, ou Chico.
Sequer da Elis, da Dalva de Oliveira, de Ângela Maria, da Marlene ou mesmo da atrevidaça vovó Rita Lee ou da bagaça Araci de Almeida, aquela mulher destravada da língua que dividia uma harmonia como poucas já o fizeram cantando.
Acho que é exagero teu.
Se era piada, não ri.
Nem está escrito na porta que não se pode dançar de pé pro ar, tchê.
Té.
Grato, Clério.
Agradecido, Wander.
Beleza essa notícia, Juli. Meu coração transborda de felicidade. Quero muito que sejas feliz nos teus propósitos. Grato por tua fugida aqui.
São seus olhos e alma, bela Xuca. Agradeço.
Se dizes, eu piamente creio, Frazão. E também porque já ouvi a moça um pouco mais. Grato.
Caro Adroaldo,
perdoe-me se o fiz pensar ser eu um homem deselegante com minha ironia diante da música boa que ambos estimamos, restrita à elite brasileira, que por sua vez é em menor número. É uma pena que assim tenha entendido. Não me referi ao belo trabalho da Ana Paula, mas ao que para você seria hegemonia da qualidade músical midiática. Que para mim, repito, não ficou claro em seu primeiro texto. Volto a afirmar, seremos eternamente colonizados e o problema dos espaços na Pátria Amada está muito mais na cultura aqui emplantada do que nas gravadoras ou em redes de comunicações em si "mesmadas". Essas, por não possuirem maiores compromissos com tamanha complexidade, preocupam-se apenas com seus possíveis lucros e prestígio comercial. Portanto, fico feliz por Ana Paula Silva, Carlinhos Browun, Seu Jorge, Vírginia Rodrigues, Tom Zé e tantos outros que possuiram ou ainda possuem essa possibilidade para expandir seus trabalhos com o devido reconhecimento e remuneração. Mesmo que seja através de olhos extrangeiros. Pois dessa forma, eles não precisarão ofuscar suas verdadeiras essências depreciando-se com uma obra vil, que a grande "massa" do Brasil está acostumada a conssumir. E a pequena elite desse país ficará sempre grata por isso.
PS: Em minha casa também não entra esse perfil estético/músical e já que citou grandes expoentes da música clássica para falar disso, darei uma dica: Rachmaninov e seu piano plausível. Quanto a bebida, diante de um vinho mediano ficarei com um bom malte e o aroma de bom charuto...
Boa sorte para você e para sua família
Tito Oliveira
Tito,
Não te preocupe. A mim importa o que revelas no que escreves. Aprendi que vai no escrito o que está no coração da pessoa.
O que avalio aqui é o escrito, teu coração então.
Por exemplo, não tenho acordo de que nosso povo é assim como dizes.
Para mim, ele é tornado assim por um sistema que reproduz a lógica de um modo de produção que o aliena a interresses da realização de lucro, seja pela venda de canhões, bombas, aviões, foguetes, tênis, refrigerantes, sanduíches ou cedês.
O que oferece produto de qualidade alguma é bem sucedido no que intenta pelo massivo apoio que recebe da midia associada.
Se só há batas no mercado, os que necessitam comer, compram batatas.
O custo de produção da música elaborada de qualidade não interessa a essa lógica. É mais rentável vender o nada com aquelas capas que referiste do que oferecer música.
No final das contas, as mercadorias aquelas encontram consumidorer que permitiram a realização da exploração, inda que seja um trio que execute duas notas em alta velocidade para ser consumido em volume alto, no compasso bate-estaca afrouxa miolo.
Sugiro uma visita aqui, a música dos povos do mundo, um postado do Spírito Santo, ainda em edição, para equalizarmos os timbres e harmonizar o andamento da prosa.
Grato por tua presença.
Pois é meu caro,
sobre o que disse: "... ele é tornado assim por um sistema que reproduz a lógica de um modo de produção que o aliena a interresses da realização de lucro, seja pela venda de canhões, bombas, aviões, foguetes, tênis, refrigerantes, sanduíches ou cedês."
Digo-lhes em metáfora: É preciso aprender ler as palavras para poder enxengar o mundo em seu estado de coisas.
Visitarei o postaddo do Espirito Santo sim, muito grato pelo convite.
Grande braço e o prazer foi meu em poder participar da proza.
Até
Tito Oliveira
Tito,
Finalmente, ainda que não seja não por fim, acrescento o que me é dito em qualquer circunstância objetiva da existência, pois que tudo é: a ninguém é dado desconhecer as leis, se já não são crianças as pessoas.
Até.
Adroaldo,
mais claramente falando, para mim, a educação é que estabelece o conhecimento e sussita senso crítico para o que é bom ou ruim. Você, que é jornalista e viveu o regime militar de 70, deve perfeitamente saber que a decadência cultural do país sobressaiu-se após o declinio político partidário aqui sofrido com mais ênfase nos anos oitenta. Poís até então, da década de 20 até meados de 80, tinhamos grandes manifestações artísticas contempladas por grandes públicos. Com o exemplo de uma ponta e outra, Chiquinha Gonzaga e Cazuza. Após esse período, deturparam o Axé da Bahia, que antes cantava sobre sua cultura e origem, por bundas imensas, rasos refrões e industrialização carnavalesca através de seu ricos blocos e evidência na mídia global televisiva. Depois o pagode rômantico e mais recente o brega dacadente. Logo, passamos obrigatoriamente à retrocedermos para nossa raíz colonizada. Contentando-se com sorrisos debochados de turistas americanos ou europeus, apreendendo que isso estava nos favorencendo economicamente e enaltecendo a imagem que passamos para o primeiro mundo. Assim sendo, por que não continuar com a esbórnia cultural em um país que nada além de lixo músical terá ascensão no mercado fonográfico? Ainda bem que a Ana paula tem outra opção! E, repito mais uma vez: a falta de ética artística das gravadoras é problema secundário. Antes de mais nada, a política cultural de um país deve se impor, educando e construindo uma nação mais exigente com o que consome.
Até!
Tito Oliveira
Ainda em tempo, uma dica: veja o filme Cronicamente Inviável de Sergio Bianchi
taloverde · São Paulo, SP 30/3/2008 18:27
Tito,
Tudo o que descreves é o recorrente movimento do modo de produção capitalista.
A necessidade de transformar o que seja em mercadoria para permanecer.
A necessidade de que a mercadoria seja consumida para se realizar o ciclo da exploração.
Eu não falo em ética de gravadora em momento algum.
Eu digo que a gravadora é ponta essencial, ampliada pela mídia, recentemente, nos últimos 40 anos, dessa ncessária realização.
Ela ainda, a mídia, salienta o fetiche da coisa, seja a coisa o que seja.
Se anunciarem amanhã que piqui é a coisa, e aparecer na novela das seis, das sete, nos jornais, na novela das oito, der repique no programa daquele papagaio e no túnel do tempo pra fechar o ciclo, vai faltar piqui no mato. E não vai ter preço barato.
A propaganda não é a alma do negócio capitalista.
É a arma do negócio, que alma alguma há em se tratando de vender nada por algum dinheiro.
Sabes bem, por certo, que mercadoria em depósito de fábrica não permite a mais-valia se realizar.
Então, o que a mercadoria qualquer, que aqui chamei de duas notas e um trio que fazem um cedê baratinho de produzir, é o que o mercado oferece porque o capitalismo precisa é disso não de ética alguma, que a lógica da reprodução do capital dispensa a ética, seja de qual classe ou grupo humano for, porque há várias delas.
Apresente-nos em um postado teu o filme de Bianchi, diga-nos tudo sobre ele.
Enuncio aqui, minha desistência em explicar-lhes o que quero dizer em despeito de sua afirmação, que por sua vez incitou nossa prosa.
Falarei então, em meu postado, sobre o filme que lhes indiquei:
Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi, apresenta histórias episódicas e discute aspectos das crises social e política do Brasil. Mas precisamente, critica a letargia da classe média e os mais diversos mitos de brasilidade decadente. Sua narrativa constróí uma espécie de simbiose entre ficção e domentário superficial, compondo, através de um histórico de cada personagem, fragmentos crueis de um humor ácido e inescrupuloso. A partir dessa permeabilidade, o diretor alça vôos anárquicos fimando de Norte a Sul do país. E, por onde passa, tece comentários reveladores, sobretudo quando se dispôs a análizar os mitos da felicidade baiana e do trabalho sulista, apresentados como uma perfeita forma de afirmação autoritária. Já para os sambodromos dos desfiles carnavalescos, são colocados como currais onde oprimidos reverenciam opressores. O cineasta cutuca ainda a burguesia, cujo ideal progressista não resiste a uma camisa mal-passada pela empregada. Dividido em esquetes, o filme tem pelo menos uma cena que poderia fazer parte de qualquer antologia do cinema brasileiro: a da mãe que diante do filho assaltado defende o infrator. Perturbadora, a sequência mostra como é difícil julgar num país inviabilizado pela injustiça. Uma paráfrase do Brasil, Cronicamente Inviável pode despertar amor ou ódio. Indiferença, jamais.
Grande abraço e bom filme.
Ainda em tempo e só para complementar: o filme foi rodado em 1999, possui uma estética obsoleta em sua fotografia, uma câmera insossa e um elenco que, embora composto por grande atores, a exemplo de Cecil Thiré, Betty Gofman, Dan Stulbach, Daniel Dantas, Dira Paes e outros, suas atuações são de cárater limitado. Mas vale como pesquisa e discussão sociológica.
Grato
Pois veja, Tito, em uma coletânea assim feita em película, como descreves, ou em um debate assim como o fizemos, a partir de um caso, pouco se pode concluir, e muito se pode aprender a perguntar.
Aqui em Porto Alegre, em algumas esquinas, costumam dizer que qualquer pé de galinha já dá uma canja. Somando isso ao lema da Ordem da Jarreteira: assim é se lhe parece, creio que podemos dar os trâmites por findos, uma vez que domingo foi ontem e que a verdade, desde os diversos pontos de vista que se apresentam aos observadores, continua, pelo menos para mim, até o momento, um gato preto, numa sala escura e o gato, com certeza (!) não está lá.
Agradecido.
Opa! Meu caro,
é isso então. Fico muito grato pela troca. Vamos nos falando em outras colaborações e postados. Se um dia pudermos discutir sobre as coisas pessoalmente, com mais companheiros e numa mesa de bar ou restaurante, para mim será um prazer.
Grande abraço e felicidades para sua família
Até
Tito Oliveira
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