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Sexo, mentiras e fakecams

Montagem sobre foto de TheAlienessGiselaGiardino²³ @ Flickr
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Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ
21/5/2009 · 74 · 23
 

“Existe tempo que não seja real?” Há uns cinco anos ouvi esta pergunta de um professor basco que ministrou uma oficina quando eu estava no fim de minha graduação. Não é novidade que a mídia impressa corre sempre atrás do prejuízo quando o assunto é internet. Isso, é claro, é uma questão que está intimamente relacionada ao suporte. A informação digital é leve e, como o vírus da gripe suína, se propaga facilmente pelo ar.

O grande problema, contudo, é que não é uma questão de tecnologia e velocidade apenas, é uma questão de timing. E timing aponta na direção exata do que uma antropóloga-socióloga americana define como “news judgement", ou seja, a capacidade humana de o jornalista operar com seus próprios valores e aplicá-los no que seria uma espécie de ethos profissional. O news judgement seria responsável por estabelecer critérios razoavelmente claros (mas inextricavelmente subjetivos) sobre que notícia é mais importante que outra e quando algum acontecimento é ou não notícia. Para ela, o news judgement é uma espécie de senso comum do jornalista que aparece sempre que, em última instância, se solicita o porquê de determinado juízo sobre determinada pauta. Ou seja, é uma espécie de arma contra a qual não se pode lutar, no que Tuchman chama de “ritual estratégico de objetividade” do jornalista.

Minha percepção é de que o tempo nas redações de publicações impressas é mesmo diferente do tempo da vida online. Isso, é claro, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Há uma inexplicável resistência em se evidenciar um assunto com o mesmo imediatismo que os jornalistas-da-internet costumam fazê-lo, o que acontece não somente pela propagada responsabilidade de apuração jornalística, mas sobretudo pelo timing dos impressos, que é diferente do timing dos onliners.

Esta é a primeira questão.

A segunda está relacionada a uma curiosa cultura de mídia definitivamente mais moralista no Brasil que em outros lugares. Uma coisa que poderia ser classificada como “cultura do abafa”. Nos Estados Unidos, nos tablóides ingleses, mesmo na França (e aqui lembro que numa ocasião abri uma revista de gastronomia francesa certa feita e me deparei com um anúncio com uma mulher em nu frontal sem nenhum pudor), a cultura papparazzi de celebridades é mais dominante. Por lá, se a amiga da namorada do príncipe William promove orgias em casa, o assunto ganha as manchetes do mundo. Se o supremo dirigente da entidade máxima do automobilismo é flagrado em uma bacanal nazista, logo se sabe, e não há muito o que esconder depois disso. Ao contrário, o que escondem são os problemas sociais, as revoltas populares, os assuntos de segurança interna. É mais fácil um governador de Nova Iorque ser deposto por se envolver com uma rede de prostituição do que por improbidade fiscal.

Ao menos à primeira vista, em clara generalização em prol do meu argumento, no Brasil, os escândalos políticos e os problemas sociais ganham as capas dos jornais, enquanto informações sigilosas sobre o submundo das celebridades são cotidianamente abafadas. O que chega na mídia brasileira sobre os escândalos com famosos ou é coisa supostamente leve (Chico Buarque pegando a menina no Leblon) ou coisa esquisita demais para ser omitida (Ronaldo pegando travestis) ou coisa que chega a nós pela mídia estrangeira (Robinho acusado de estupro) – e aí não tem mais jeito, a merda “está feita”!

Postas estas duas questões, introduzo (no bom sentido) o tema do artigo. No jornal O Globo, de 14 de maio, uma minúscula nota na coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, me chamou a atenção pelo démodé do teor. Ela (a nota) dizia que a Felina tinha sido desmascarada pelo “especialista em internet” Ted Fernandes, que costuma ajudar a Polícia Federal em investigações sobre pedofilia.

A Felina, para quem pega o bonde andando, é uma suposta mulher (ao menos no avatar e nas fotos que ela tem divulgado por aí, é até gatinha!) que estaria divulgando fotos de celebridades famosas nuas/seminuas em seu blog, como Ronaldo Fenômeno, Vanderlei Luxemburgo, Alexandre Pato, Diego Hypólito, Júnior Lima (o da Sandy) e outros tantos. Na verdade, não haveria nenhuma novidade nisso se o Blog da Felina não exibisse o pitoresco atrativo de uma contextualização: as fotos divulgadas, entre elas de atores, cantores, técnicos e principalmente jogadores de futebol, são obtidas através de conversas por MSN entre as personalidades e ela, uma loira ex-modelo. A Felina, que segundo a própria, é um alter ego de Fabiane Menezes, mantém um diálogo com a vítima por longas semanas, às vezes meses, até que, num dia, combina um strip-tease conjunto. Ela tira a roupa e o sujeito... vamos dizer... se masturba. Ok. Nesse ponto, começam os argumentos partidários e contra-partidários: “Que absurdo! A sociedade está completamente degradada” ou até “Mas isso é normal. Quem é que nunca fez ou quis fazer sexo virtual com uma mulher daquelas?” Pra mim, isso é irrelevante. Então, por favor, nos comentários, ninguém venha me perguntar se eu faria ou não faria sexo virtual com uma mulher “daquelas”.

Eu, é claro, já sabia da história da Felina de longa data. Acompanhei o blog dela a partir da entrevista pioneira do KibeLoco com a própria por MSN. Li as interações entre ela e o Tico Santa Cruz e também entre ela e o Marcelo Luque, segundo a própria, “seu atual melhor amigo”.

O que me surpreendeu na nota dO Globo foi o timing da notícia e a autoridade conferida ao especialista Ted Fernandes. O timing porque até que o jornal divulgasse alguma coisa, a notícia já tinha alcançado o status de viral na rede, sendo replicada em milhares e milhares de blogs sobre os mais diversos assuntos, além de menções breves e obviamente de cunho conservador nos programas do Datena e do Ratinho. Ted Fernandes, o especialista, é um blogueiro comum, de cerca de 20 anos, meio moralista meio olavete (que é como se costuma denominar os blogueiros neoliberais-conservadores na blogosfera, por sua proclamada atração pelas idéias do filósofo Olavo de Carvalho). Ted ainda cultua a figura de Arnaldo Jabor – alguém que admira o Arnaldo Jabor é realmente uma fonte confiável?

Pois segundo o blogueiro, cidadão-jornalista de primeira ordem, a Felina seria um homem fazendo-se passar por mulher, usando, para tanto, um aplicativo chamado fakecam. Era isso o que dizia a nota e foi isso o que me fez querer acessar o blog do Ted.

O aplicativo indicado na nota dO Globo, pelo que li a respeito, simplesmente transmitiria vídeos comuns pela webcam. Assim, de acordo com a hipótese levantada pelo blogueiro, “o” Felina usaria um vídeo amador de uma loira qualquer fazendo strip e as celebridades acreditariam nisso. Convenhamos que quem confunde travesti com mulher até as últimas conseqüências também não deve ter discernimento suficiente para identificar o que é um vetê amador fazendo-se passar por uma mulher real. Mas, para mim, é no mínimo curioso. Fiquei pensando que é como ficar conversando com uma secretária eletrônica por semanas sem se dar conta de que as respostas estão pré-programadas!

No blog do Ted, vi que ele afirmava ter conseguido rastrear o IP (a identidade na internet de cada computador) da Felina e chega a mostrar uma foto do GoogleMaps com o endereço dela. Ainda seguindo as informações levantadas por ele, Felina seria um homem, não uma mulher, e homossexual (antes que me perguntem como diabos ele conseguiu saber da opção sexual do sujeito, esclareço que a associação foi feita simplesmente porque o IP de Felina constava como o responsável pela criação de um perfil em um site de relacionamentos gay). Enquanto isso, no seu blog, Felina respondia dizendo que estava sendo ameaçada e que desde sempre postava de lan houses, o que impossibilitaria que o rastreamento por IP chegasse ao seu endereço físico real. Outros blogueiros apoiaram a versão de Ted, afirmando que os erros grosseiros de português nos posts da Felina e as constantes gírias gays utilizadas eram prova o bastante de que se tratava mesmo de um “ressentido”.

Num blog da Época, também bem depois de a coisa toda explodir, o repórter contava sobre a versão do Ted e acabou recebendo um comentário dele e mais outros tantos da própria Felina, o que acabou possibilitando um contato para que ela concedesse uma exclusiva à revista, com direito a trechos em áudio que “provavam” sua feminilidade. Até então, alguém, em algum momento, comentava dizendo que estranhava o fato de só o Kibeloco ter obtido uma entrevista com ela, agora promovida a celebridade-viral. Na última semana, ainda veio a menção à Felina no Caldeirão do Huck, quando uma ex-BBB cujo namorado foi também flagrado pela janela indiscreta do MSN, dizia que a blogueira tentou extorqui-la com a história. A resposta da outra celebridade-BBB à celebridade-viral foi taxativa: “O pinto não é meu... então, vai te catar!”

No fim, por conta da pressão da suposta investigação de Ted, Felina dizia que se sentia acuada e que iria sair de cena, desativando o blog, o que realmente aconteceu poucos dias depois, após os avisos dela própria de que eram os seus últimos posts. Na tal nota dO Globo, parecia que o blog foi desativado pelas autoridades públicas, auxiliadas pelo “especialista” e foi assim que muitos outros blogs veicularam a notícia. O Ted era o grande herói no fim das contas. Mas acontece que, um dia depois, a Felina voltou e disse que não tinha sido banida do Blogger coisa nenhuma, que ela própria havia decidido pela remoção do blog, por causa da depressão que a divulgação das imagens do Ronaldo Fenômeno sem camisa na webcam haviam causado em Ronald, o filho dele – segundo ela com a Luma de Oliveira (hehe). Desmentida a informação que já circulava solta pela rede pós-nota dO Globo, a Felina voltou a postar em seu blog, mas, desta vez, apenas fotos de divulgação com celebridades seminuas e fotos pirateadas de sites e campanhas eróticas internet afora, ou seja, só mais um blog pornô. Contra isso, o Ted disse que não vai lutar.

Essa história toda serve para ilustrar essas duas condições que evidenciei lá em cima: a diferença de timing entre uma mídia e outra e a “cultura do abafa”. O fato é que as informações ainda estão completamente desencontradas. Não é possível saber quem fala a verdade e quem fala mentira. Mas a mídia tradicional comprou a versão do Ted sem ter certeza nenhuma do que está acontecendo, somente para “desmascarar” a Felina e abafar o caso. Mesmo sendo um homem, mesmo sendo homossexual (o que parece ser sinônimo de ressentido no discurso dos “desmascaradores”), é no mínimo escandaloso que os famosos tirem a roupa e fiquem ali se masturbando para uma webcam. Embora nos blogs os comentários mais sensatos apontem nessa direção, ninguém fala sobre isso nos grandes meios de comunicação. O alarde é para a descoberta da falsidade ideológica. O foco das reportagens da Época e da nota dO Globo, entre outras várias menções anteriores, apostam no Ted, que é um blogueiro como qualquer outro e simplesmente tem uma versão sobre os fatos. Digna, é claro, que merece ser investigada, é claro, mas que não é notícia por si só. Notícia é o Blog da Felina ter atingido 2,7 milhões de acessos em pouco mais de um mês, um número extraordinário considerando-se o tempo em atividade e as condições do veículo (um blog no Blogspot/Blogger). Sobre isso, ninguém ousou noticiar. Abrir para o debate sobre essa cultura de mídia que é quase sinônimo de cultura de exposição e voyeurismo, ninguém quis, exceto os blogueiros mais descolados. Falar sobre a versão desencontrada da Felina, de que seria verdadeiramente uma mulher seduzindo homens famosos pelo MSN, ninguém arriscou. Mas não houve princípio de dúvida e nem apuração efetiva para se noticiar a informação não menos desencontrada de Ted Fernandes, que se propunha a abafar o caso, já que, como ele diz, o objetivo foi “tirar de lá imagens que estavam sendo expostas sem autorização”. Na pior das hipóteses, Ted, uma espécie de cruzado contra a pirataria, não se incomoda de ver fotos piratas no novo blog da Felina. Mas se incomoda se ver famosos que posaram espontaneamente para ela por lá. Mas, independentemente da idiossincrasia do Ted (de quem espero um comentário prestigiador aí embaixo!), alguém questionou isso? Mais: por que, independentemente da idiossincrasia da Felina (um comentário seu também seria fenomenal!), a grande imprensa não noticiou o que verdadeiramente era notícia, por mais escandaloso que fosse?

Mesmo que seja verdade a informação do Ted – um caso raro de jornalismo cidadão investigativo no Brasil (nos Estados Unidos, esse tipo de coisa acontece com mais freqüência) –, os meios de comunicação tradicionais chegaram atrasados demais (e não pela tecnologia ou pelo suporte! mas pelo seu alegado “news judgement”), sob o pretexto de que estavam apurando os fatos. Matérias sobre a política brasileira, mesmo que desmentidas mais tarde, são noticiadas sem nenhum constrangimento em se apurar se verdadeiramente procedem ou não. E elas derrubam governos e instabilizam o regime democrático. Por essa lógica, parece óbvio que um blog que tenha despertado tanta atenção da dita “opinião pública” no último mês merecia ser noticiado quando no auge. Mas a “cultura do abafa” (e não a “política do abafa”!) – note que usei o termo não à toa – parece estar entranhada na cabeça de muita gente de imprensa. Mas a repercussão e a discussão proposta pela Felina, independentemente da sua idiossincrasia, e o esforço pessoal e voluntarizado do Ted Fernandes, independentemente da sua idiossincrasia, são prova de que esses timings diferentes ("Existe tempo que não seja real?") às vezes incomodam. Não só quando o escândalo é altamente erotizado, como é o caso da Felina, mas também em outras etapas da nossa vida cultural. Muita coisa é abafada por aí pela grande mídia, porque afinal de contas opinião pública é só sinônimo de opinião publicada.

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Danilo Lemos
 

Vamos lá. Eu também tinha visto o Blog da Felina. Realmente eram muito boas as fotos e a idéia. Divertidíssimo! Concordo que existe uma 'cultura do abafa' e blabla.

Vamos ao que eu acho que falta:

1- eu acho realmente que não era sempre a mesma moça com o mesmo msn, pois tinha fotos de pessoas que se conheciam em datas bem diferentes. Pode ser que todo mundo seja mané, ou que neguinho ande fazendo isso a torto e a direita por aí e que eu seja careta, mas tinha um mini esquema nisso, eu acho.

2- Essa coisa de no resto do mundo (você cita a Inglaterra) as notícias bizarras sobre as celebridades estamparem as manchetes e no Brasil não. Eu não vou fazer um levantamento pra saber se isso é verdade e te questionar, mas acho que você se esqueceu de um fator: uma grande parte desses "punheteiros" eram jogadores de futebol; As transmissões de jogos de futebol são a coisa mais cara que a Rede Globo exibe; e a rede Globo é dona do espaço jornalistico nacional (impresso, TV e onliners) de uma maneira que não existe na Inglaterra ou em muitos países da Europa, por exemplo. Esses jogadores, no fundo, são "artistas" contratados da Globo. E eles decidem o que eles querem polemizar ou não. É muito mais do que "news judgement". O nome pode ser estratégia de marketing! Acho muito mais venal isso do que esse julgamento.

3- Pra você ter uma noção do que eu estou falando, no meio de maio de 2008 o César Maia, então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, proibiu por decreto o fumo em locais fechados (públicos) na cidade. Na matéria do jornal “O Globo Online” (não tenho mais o link, portanto perdi a prova mas minha memória me basta), que mostrava umas pesquisas e falava de como o Rio de Janeiro é pioneiro na “batalha” anti-tabagista, os comentários das pessoas que defendem o fumo, eram apagados!!!! E ainda de uma maneira idiota, pois os não-fumantes respondiam aos fumantes. Então ficava claro que um fumante tinha postado o comentário e tinha sido censurado!!!

4- Agora, será que por aqui é tão diferente do que lá fora? Ou nossas celebridades são menos celebridades, e portanto menos ricas, e por conseqüência menos capazes de realizar suas loucuras? Sei lá... nunca vou responder essa pergunta e nem quero.

Não sei se isso é comentário ou sugestão de edição. Qualquer coisa me dá bronca!
abraços.

Danilo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 13:23
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Viktor Chagas
 

Opa, Danilo,

Excelente. É um comentário (e dos bons). Ou não é? :)

Bom, vamos lá. Dividindo a resposta nos teus tópicos pra gente se entender melhor.

1) Sim. Acho que também não era uma só pessoa. Não cheguei a apurar se era uma rede ou não. Talvez o Ted tenha a resposta pra nós. Mas, em alguns posts, a própria Felina admitia que não tinha capturado as imagens de determinadas conversas, mas recebido por email, de outros usuários anônimos. De uma forma ou de outra, as fontes podem ser diversas, mas o meio em questão é sempre o blog dela.

2) Sobre essa minha afirmação, é claro que é uma afirmação panfletária e que deve ser relativizada. Fiz um comentário no blog do Aldrin Leal agora há pouco sobre isso. Não tenho dados precisos e nem acho que preciso ter esses dados. É uma afirmação que se apóia numa versão particular dos fatos, como todo texto argumentativo. :) Acho que o teu argumento sobre os jogadores de futebol serem "artistas da Globo" pode responder a algumas (não todas) das questões, e foi bacana você tê-lo levantado. De qualquer forma, não apenas a Globo, mas SBT, Bandeirantes e outros tantos veículos não compraram a visão mais moralista da "cultura do abafa" à toa. Não dá pra pensar que elas seguiram a Globo simplesmente porque ela é todo-poderosa. Acho que a questão do timing da grande imprensa responde melhor a esse argumento, porque é uma questão de visão mesmo sobre a notícia. Nesse caso, uma visão moralista, que pretende abafar o caso. (E importante: não estou entrando no mérito de se ter uma visão mais liberalizante-sexualizada dos escândalos ou não. Não acho que o Blog da Felina deva ser noticiado porque é escândalo sexual e pronto. Acho que, se ele foi noticiado em algum momento, que seja no auge e não quando se pretende abafar o caso. Não sei se me fiz entender bem nesse ponto.)

3) Aqui entramos numa conversa que me parece tender mais para a política de moderação de comunidades do que de edição de destaques. Embora tenham pontos claramente em comum, prefiro não misturar os assuntos por ora. Mas podemos seguir no off-topic mais adiante, conforme a tua resposta.

4) Também prefiro relativizar esse ponto. Porque celebridades como Ronaldo Fenômeno, Vanderley Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho (que não citei na matéria, mas também estava lá) e Alexandre Pato são tão ou mais celebridades lá fora que aqui dentro. De novo, no meu ponto de vista (que pode, claro, ser objeto de discussão), acho que a questão está em como tratamos aqui dentro escândalos sexuais e como tratamos aqui dentro escândalos políticos. Os escândalos sexuais, se fossem noticiados, aqui dentro, da forma como são os escândalos políticos, talvez nós tivéssemos uma cultura de tablóides mais forte que a Inglaterra. Enquanto acusações são feitas e pessoas são depostas ainda antes da conclusão dos inquéritos quando se trata de um escândalos político, nos escândalos sexuais os personagens sempre têm direito a uma segunda chance, são sempre tratados como vítimas. Será que é isso mesmo?

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 16:28
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Viktor Chagas
 

Opa, Gabriela,

Respondendo o teu (nas sugestões de edição):
Esse questionamento me lembra aquele da Caros Amigos, sobre o filho de FHC com a jornalista que vivia na Espanha... Sempre válida, a reflexão.

Acho que pode ter um quê de ressentimento à Caros Amigos, sim. Embora não tenha sido a intenção direta. :) Como citei no blog do Aldrin Leal, que dei o link acima, o caso da Mônica Lewinski não me sai da cabeça quando falamos em escândalos sexuais. Ele foi rapidamente alçado pela oposição e chegou-se a cogitar o impeachment na ocasião. Enquanto isso, no Watergate, só uma fonte sigilosa é que foi capaz de derrubar o governo. Um fonte que, depois, ironicamente, acaba virando sinônimo de filme pornô. ;)

Ou seja, a leitura pode ser parcial, mas é isso aí. Estamos abertos ao debate. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 16:33
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Gabi Almeida
 

Viktor, me referi à temática somente: como a imprensa nacional trata alguns assuntos? Por isso fiz a relação com a matéria da Caros Amigos. O teor do comentário foi esse, que é bom sempre se refletir a respeito. Abraços, gabriela

Gabi Almeida · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 16:59
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Danilo Lemos
 

É, você tá certo. Tem muito mais coisa. Esse negócio de escrever quando eu acordo devia ser proibido... escrevo um monte de coisas pra chegar em poucos lugares.

Eu sinceramente tenho apenas uma opinião teórica sobre o assunto todo. Eu acho que a nossa imprensa de um modo geral devia sair da ação desmoralizante e partir pra informação ampla e clara. Não sei ser claro na teoria então usarei um exemplo que tem quicado em minha cabeça por esses dias:

No programa CQC, do Marcelo Taz - que tá aí faz tempo e de uma hora pra outra virou gênio (?) -, foi exibida uma matéria em que indagavam a parlamentares o significado da sigla ENEM. Pouquíssimos sabiam o significado (Exame Nacional do Ensino Médio) e se fazia piada com isso. Sinceramente, coloque o Marcelo Taz e os seus dois fiéis escudeiros em qualquer mesa de bar e perguntem além do significado da sigla quais são as modificações do ENEM que foram aprovadas agora. Eles não sabem. E ninguém sabe. Mas o público ficou com a sensação de que aqueles parlamentares são estúpidos e o Marcelo Taz fez eles de bobos. Só que provavelmente aqueles parlamentares leram o projeto e sabem do que se trata, mas não lembram o nome. Já o babaca do Marcelo Taz sabe o nome porque pegou a cola no Wikipédia, tá cagando pro ENEM e se diz pra todo mundo que ele é um jornalista com uma veia humorística muito forte. Ok, to pegando pesado e talvez o Marcelo Taz só esteja fazendo o trabalho dele, mas isso me deixa puto. A gente precisa até de humor, mas a gente precisa saber o que é o ENEM, ora! Acho que o Brasil não precisa de desmoralizar seus governantes dessa maneira, pois eles não são piores que os eleitores. São o espelho deles. Precisa é mudar o outro lado do espelho e, assim, automaticamente o de lá muda. E tem mudado. Faz uma linha cronológica de cabeça desde 89 até hoje na política nacional: Não melhorou? Ouvi outro dia o Zuenir Ventura falar um troço muito certo: “A gente lê o jornal e acha que o Brasil vai fechar amanhã. E não é verdade!”. Não foi com essas palavras, mas ele disse no programa Mudando de Conversa, no canal brasil. E ele tá certo.

A gente tem que ter cuidado quando escreve certas coisas, lembrando que tem gente lendo. E repetindo o que a gente escreveu. E não é porque é um comentário num blog, que eu tem que ter menos cuidado. Ou porque é um programa de humor escrachado. A gente tem que fazer melhor, pra esperar melhor do outro, e até poder cobrar melhor do outro.

Tá, confesso: dormi só uma hora essa noite. Aí eu fico cheio de discursos... Cheio de utopia no coração! =) prometo que é o último comentário.

Abraços.

Danilo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 17:42
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Viktor Chagas
 

Gabriela,

É que eu já tou na defensiva com as críticas-clichê do Twitter. :)

Não cheguei a acompanhar esse caso na Caros Amigos, então, posso ter dado bola fora na impressão inicial. De qualquer forma, encerrei com a abertura ao debate pra fazer eco ao teu bom comentário. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 17:44
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Viktor Chagas
 

Ops. As críticas-clichê do Twitter. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 17:45
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Viktor Chagas
 

hehehe. Danilo,
Que não seja o último comentário! Sigamos na conversa que tá boa à beça. :)

O exemplo mais claro e instigante dessa tua ótima menção ("A gente tem que ter cuidado quando escreve certas coisas, lembrando que tem gente lendo. E repetindo o que a gente escreveu.") é o marketing viral que rolou no Twitter com essa matéria, após a citação do Dhamer. Rapidamente, pipocou gente retwittando, às vezes sem nem ler, o meu artigo. Formador de opinião é coisa do passado? :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 17:51
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Viktor Chagas
 

Eu falei Dhamer? Queria dizer Dahmer! :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 17:53
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Danilo Lemos
 

Acho twitter muito bizarro. Eu já acho que eu fico muito na internet. A ponto de comentar 3 vezes o mesmo texto. A galera tem um blog que eles postam por frase!!! Pra dar tempo de escrever outra logo depois... Caralho. Eu tenho certeza que quando eu ficar velho minha família vai falar de mim "Não adianta discutir com ele... Ele tá velho, ele não entende!".

Agora "retwittando" é lindo! É a prova que a gente tem a língua mais maravilhosa do mundo! Vou ver se escrevo alguma coisa sobre o tema na madruga... Aí te mando. Abraço.

Danilo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2009 22:00
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Daniele Boechat
 

Meninos, pelo gênero no plural, estou acompanhando desde o post como os comentários. Por enquanto estou absorvendo para após comentar algo. Não quero ser aquela cuja lembrança foi: " Ih chegou essa menina aí dizendo várias coisas e pegou o bonde andando!". Adoro discussões, as inteligentes, ou às vezes nem tanto, a gente não é constituído só de pensamentos inteligentes. Senão como riríamos de nossas bobagens na vida? Uma única coisa que ressltado, para também não dizerem que meu cmnetário foi nada com nada é que: a moral existente no Brasil é ao meu ver extremamente curiosa. As mulheres andas com vestes mínimas, a sensualidade à flor da pele, a degradação nas letras de funk atual. Mas, se a mulher der para o cara de primeira, aí ela é puta(não que seja o pensamento de todos mas muitos ainda pensam assim). No entanto, nos EUA, por exemplo, o sexo é tratado de forma diferente, eles demoram para se relacionar, porém no dia em que o primeiro beijo ocorre vão para cama em seguida. E ninguém é puta por causa disso, em todo seriado vimos esse comportamento.Desta forma, o transgressor se torna manchete, assinatos em colégios(higschools) e etc. Prometo que adiante farei comentários mais elucidativos, é que quase como o Danilo, estou com sono porque acordei muito cedo hoje! hehehehe Bjs a todos e um prazer!

Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2009 17:57
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Viktor Chagas
 

Opa, Daniele,

Bom ponto para a conversa. Mas aí saímos da mídia e vamos para a crítica de costumes e para o comportamento - o que, em última medida, acaba se desvinculando das questões sobre o noticiário político, que, segundo o meu ponto, estão intrinsecamente relacionadas com as proporções dos escândalos sexuais.

Vamos seguir na conversa e vemos se desbravamos algo novo nesse caminho... :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2009 23:39
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Juscelino Mendes
 

Excelente o seu trabalho. Meus parabéns!

Juscelino Mendes · Campinas, SP 22/5/2009 00:57
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joe_brazuca
 

Muito oportuno seu texto, novo e exala verdades reais e virtuais...é por ai mesmo !...
A propósito, pra corroborar com a sinergia do tema e fatos, sugiro que leia "Internet, Memória e recente história do Brasil", que tem a ver, ao meu ver...

muito bom !

sinal dos tempos...ou do fim deles !

abraço

joe_brazuca · São Paulo, SP 22/5/2009 13:53
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Sérgio Franck
 

Cara,

Esse é um dos postados mais bacanas que li até hoje no site.

Muito massa!

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 22/5/2009 13:53
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Zeca Avelar
 

Booommm Diaaa menino Victor e demais meninos e meninas...

Faço uma leitura desta que a meu juizo é uma excelente publicação do Victor (que só tive o prazer de conhecer pelos posts e coments), considerando-a logicamente, como um Ponto de Vista seu - sobre tudo que explanado.

Assim, quanto, ao timing ele mesmo pondera na Obs. 1 que o tempo da midia online, pela acirrada luta diaria contra o relógio, é cada dia mais acelerada e veloz, o que faz a midia impressa (tradicional - em fase de adaptação - a meu ver - para um sistema hibrido da tradicional impressão, para o e-noticias, o e-jornal, etc), busca dar às noticias, outros enfoques, que não necessariamente o do timing entre o fato gerador e a publicação.

Dentre esses enfoques, até pelo tempo decorrido, também me parece claro que entrarão em cena os "julgadores" de quais fatos são noticias - sempre levando em conta - o retorno econômico dessas "noticias" priorizadas para impressão, ainda que sob outros julgamentos subjetivos, pudessem ser de muito maior relevância (moral, social ou econômica);

Dentro da Teoria 'Zecaniana' do "achismo", 'acho' que os motivos de 'abafarem' noticias que envolvem celebridades, são mais pelos seus interesses próprios, do tipo - "não fomentar noticias - verdadeiras - ou não - aqui é irrelevante - que possam resultar em prejuizos para si".

Tal qual o senso comum, de que ninguém em são consciência dará um tiro nos próprios pés.

Me alonguei um pouco, nesta prosa super agradável, neste contexto dos Pontos de Vista, mas desejo deixar um questionamento, que uma diferença fundamental entre cá e lá (Brasil e exterior) deva-se que aqui temos ainda um monopólio (ou ainda que seja oligopólio), onde para 2milhões de acesso em um mês p/ex. de algum blog que 'estoure', temos em apenas uma noite, publico 50 vezes maior, diante das telas de uma Globo.

E a 'globalização' no sentido stricto sensu do termo, é Globo mesmo...

abraSSos Fra_e_ternos,
ZecaFeliz - gaDs!

Zeca Avelar · Florianópolis, SC 22/5/2009 21:20
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Ivette G.M.
 

É Victor, hoje se discute muito as notícias nos dois suportes diferentes e tenho lido, nos jornais, defesas e esperneios incríveis, principalmente sobre o desaparecimento daqueles em favor da notícia on line. Esses esperneios de medo me remetem à lembrança da mesma discussão sobre o professor tradicional e o computador e até robôs em sala de aula. Eu pessoalmente acredito que há espaço para ambas as modalidades, nos dois casos. Contudo, nos dois casos é preciso uma boa atualização dos usos tradicionais. A velocidade dos dias de hoje é incompatível com a velocidade tradicional e, nos dois casos, o timing também, necessariamente terá outro time e outro feeling. Não é tarefa fácil para ninguém. Parabéns pelo ótimo texto.
Ivette G M

Ivette G.M. · Cotia, SP 23/5/2009 18:59
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Cezar Ubaldo
 

EXCELENTE.Texto contundente,verdadeiro,necessário para a atual conjuntura social brasileira.

Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 24/5/2009 12:11
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roquemedeiros
 

Bacana esse texto. PARABÉNS

roquemedeiros · Nazaré, BA 25/5/2009 10:06
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CEARUCHO
 

Com razão o articulista, que preconiza o "melhor previnir do que
remediar".

Numa prova de que nem sempre o normal é o certo, parece que os favoráveis à essa tese somos voto vencido, principalmente no que tange à permissividade perniciosa da publicidade.
Senão, vejamos:
Quem é a favor da auto-medicação?
- Aparentemente, todo mundo, incluindo-se, com destaque, médicos e autoridades sanitárias.
Entretanto, qual a frase que mais se ouve ao final das propagandas de medicamentos (assim mesmo, dita com ar de constrangimento)?
- "Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado".
- Não é um incentivo à auto-medicação?
O mesmo se diga relativamente ao "Beba com moderação", insersão meramente pró-forma nas propagandas de bebidas.

CEARUCHO · Porto Alegre, RS 25/5/2009 12:53
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Daniel Sinis
 

com todo o respeito mas ...
quanta besteira ..
escreva algo mais construtivo para seu e nosso espírito ..
affff ..
. . .

Daniel Sinis · Angra dos Reis, RJ 25/5/2009 15:16
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Viktor Chagas
 

Olá, Daniel,
Perdão, mas, por que você acha que esse assunto não é construtivo?

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 26/5/2009 00:56
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Lauro Gueluta
 

Será que o Ted e a Felina são overmanos para aparecere por aqui? hehe... ainda to esperando ;P

Lauro Gueluta · Natal, RN 26/5/2009 11:39
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