'Simulacro': prepare o estômago para ver

Divulgação
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Ricardo Fela · Sorocaba, SP
3/4/2006 · 165 · 1
 

Depois de levar cinco prêmios das sete indicações que teve no Feste (Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba) em 2005, com a peça Vem Vento, o diretor e encenador Márcio Pimentel se prepara para estrear, este mês, seu mais novo e ambicioso projeto: Simulacro. "Esse trabalho é o meu ápice", afirma.

O espetáculo, que vem sendo pesquisado há quatro anos, mistura o teatro contemporâneo de Bob Wilson e o estudo da mandala, além de técnicas de xamanismo, yoga, tai-chi-chuan, kung fu, meditação e Gestalt (teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma, segundo a enciclopédia virtual Wikipédia).

"É um trabalho que se baseia em imagem, repetição, off e plasticidade, com muito pouco verbal. O simbolismo é o mais importante. O inconsciente aparece muito. Os atores sonham e vamos materializando esses sonhos no trabalho", diz.

Pimentel vem realizando em Bauru um "work in progress" do espetáculo nas oficinas de teatro que ministra com os performers (o diretor não usa o termo atores) do grupo Sylvia que Te Ama Tanto, que criou no fim dos anos 80.

Densidade e desconforto - Simulacro é um trabalho denso, nos moldes de Morada, espetáculo que teve destaque no Fringe (mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba), em 2002. Morada foi encenada em casas desocupadas, pelas cidades por onde passou. Tinha duas horas de duração e começava com o público pegando um ônibus coletivo junto com alguns performers até o local da encenação.

Já na casa, o público se deslocava pelos cômodos para acompanhar as cenas, muitas vezes, desconfortantes pela frieza com que mexia com o inconsciente. "Na terceira cena, que tratava da libido, da condição feminina dentro de um relacionamento em rompimento, muitas mulheres da platéia desmaiavam", lembra. "Fui tentar saber o porquê e elas diziam que se viam naquela cena."

Simulacro faz sua estréia dia 18 deste mês, com apoio do SESC Catanduva, no Armazén Café, espaço cultural à beira da linha férrea da cidade, onde antigamente fazendeiros da região estocavam produções do grão.

O espetáculo terá 4h30 de duração, com dez minutos de intervalo (também parte da encenação). Pimentel pretende com isso ir mais fundo nos conflitos humanos e discutir relação do homem com o sistema. "Trata de simulação e poder. E com certeza é mais denso (que o Morada)."

Falando assim assusta. Parece - e é - difícil acompanhar por tantas horas um espetáculo de um diretor que cutuca o ser humano o tempo todo. Mas também é difícil sair de seus trabalhos do mesmo jeito que se entrou.

Serviço:
Simulacro, com o grupo Sylvia que Te Ama Tanto
Armazém do Café
18 a 23 (terça a domingo), 20h30
R$ 10,00; R$ 5,00 (usuário matriculado no Sesc). R$ 2,50 (trabalhador no comércio e em serviços matriculados e dependentes).

Mais sobre o diretor e o grupo Sylvia que Te Ama Tanto.

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Ariane Barros
 

Apesar de o interior ser tratado muitas vezes como a PERIFERIA DO ESTADO (movimento-grito por ESPAÇO e ACESSO aos programas dos governos estadual e federal na área de cultura), vê-se que não é nada disso. Arte não tem nada a ver com bilheteria, comércio. Marcio Pimentel é um artista e provocará, com certeza, aos espectadores de seu espetáculo, muitas sensações, menos a da apatia.

“Tudo o que não tiver arte eu acho chato.” – Antunes Filho

Ariane Barros · Bauru, SP 5/4/2006 11:06
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