No meio do caminho tinha uma árvore e alguns manifestantes
Gurucaia era apenas o nome de uma das ruas da cidade de Maringá, no Paraná (420 km de Curitiba). Uma rua que ligava o centro à Vila Bosque e ao Jardim Aclimação. Na região, nada muito pomposo, apenas algumas pequenas chácaras e modestas casas ofereciam aos bairros citados a tranqüilidade de uma vida pacata num canto da cidade. Em meados dos anos 90, instalou-se ali por perto uma faculdade particular que não tardou muito em crescer, transformando-se assim, numa imensa universidade. Mais de dez anos depois, a Rua Gurucaia começou a sentir o peso do sucesso, pois era através dela que milhares de carros transportando estudantes eufóricos passavam dia e noite, cinco dias por semana.
Foi então que a prefeitura, em parceria com o magnífico reitor, resolveu duplicar a pobre rua, que a essa altura do campeonato já não agüentava mais o nobre cargo de escoar todo o trânsito do centro da cidade para a academia, promovendo-a à alcunha de Avenida. Todos ficaram felizes com o projeto, mas ainda existia um porém: enquanto rua, a Gurucaia oferecia aos habitantes uma visão da natureza exemplar, com alguns pinheiros e um senhor cedro de cerca de cinqüenta anos de idade a compor a geografia do lugar. E, conforme o planejamento da Secretaria de Obras Públicas do município, o tal do cedro ficava bem no meio da pista.
Certo dia, um jornal publicou a manchete de que a árvore seria derrubada. Foi o estopim para que boa parte da população protestasse contra a obra, pois Maringá é conhecida como uma das cidades mais arborizadas do país, sendo assim, não queria deixar que o título de Cidade-Verde desaparecesse junto com o cedro. A semana que se seguiu à idéia da derrubada foi um festival de expectativas, fofocas e conclusões. Uns defendendo a derrubada de uma árvore “velha, feia e podre”, outros defendendo a sua integridade, tendo até a presença de um manifestante solitário que ameaçou se amarrar ao cedro, caso o trator aparecesse. O trator não veio e ele foi embora. Tinha gente que torcia para que um raio caísse no lugar, assim, tudo estaria resolvido e ninguém precisaria culpar ninguém.
Na segunda-feira, o secretário de obras resolveu agradar a gregos e troianos mudando o trajeto da avenida, simplesmente fazendo-a seguir o contorno do cedro. Todos ficaram felizes e o manifestante não precisou mais esperar a chegada do trator. No dia 20 de fevereiro de 2004, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) baixou uma resolução declarando o cedro como patrimônio público, conforme artigo 7º da Lei 4.771/1995 do Código Florestal Brasileiro, fazendo assim, com que o cedro seja imune a corte. Até o ano passado, a população que se manifesta a favor das árvores pôde respirar mais sossegada, até que a prefeitura causou rebuliço novamente: uma canafístula, de aproximadamente 30 metros de altura, estava nos planos de derrubada para a construção do prolongamento de uma outra avenida da cidade. A árvore, de 120 anos, começou a ser preservada pelo primeiro prefeito da cidade, Inocente Villanova Júnior, em 1945, e estava resistindo a toda sorte de intempéries da cidade. No dia programado para a sua derrubada, o presidente da ONG Instituto Memória Paraná passou três horas sobre a árvore centenária, em sinal de protesto. Depois de policiais afirmarem que o prefeito Silvio Barros II não tinha autorização do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para o corte, ele desceu. Mas a canafístula não teve a mesma sorte que o cedro. Uma hora depois, ela já estava caída.
Votei.Cedros...Salgueiros...carvalhos. São árvores que marcaram minha infância.
Votado.
Já passamos por isso aqui na minha cidade.
N praça tinha 03 casuarinas de 50 anos, foram derrubadas.
Muito bom seu texto.
Abraços,
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