Você já ouviu falar de São Cristóvão?! “(...) é a quarta cidade mais antiga do país e foi a primeira capital de Sergipe. Cidade tombada pelo patrimônio histórico nacional desde 1939 (...)” (Wikipédia). Ruas antigas, cheirinho de cidade de interior, calmaria... ops, falei em “calmaria”?! Só se for até surgir a The Baggios!
Banda minimalista em sua composição, guitarra e bateria, nada mais. Porém, não se enganem: é puro blues roquístico, ou rock blusado, só prá tentar ser tão original quanto eles. Energia pura, vibração em alta...
Eu os ví pela primeira vez num festival de covers, em Aracaju. Nem sei se já era a formação atual, confesso que não lembro. Tocando The White Stripes, como chamavam a atenção! O vocalista fazia voz aguda, estiloso na sua magreza, chapéu negro. Na hora de votar, não vacilei: é a banda do cara que parece com Jon Secada. Oh, sorry, Julio Dodge!
Na hora do resultado, não deu outra: estavam eles lá, classificados! Fiquei muito satisfeita de ter tido esse olho clínico, pois, todas as vezes em que votei, nas várias eliminatórias do festival, sempre acertei. E não foi diferente com eles. Bingo! Ou... Baggio!
Daí fui a shows em que eles já eram The Baggios. Ah, são aqueles, pensei... como só dois podem fazer o som de muitos?! E vieram mais apresentações, em bares e afins, com e sem a participação de outros músicos. Um ilustre, gaita vinda das mesmas paragens (salve, Matheus!) é quase o terceiro Baggio! Som de primeira, parece dialogar com a guitarra nervosa de Julio. E, o que dizer da bateria forte de Elvis? Não faço aqui análise técnica, ou o que seja, porque não é essa minha praia. Mas é inquestionável que eles mandam muito bem. Ninguém fica parado. Arrisco um palpite: o CD é bom, mas nada como vê-los ao vivo e a cores, prá utilizar uma expressão bem clichê!
Julio tem cara de bom menino. Simples, simpático, nem parece aquele que se atirou ao chão, ontem, num duelo com a guitarra, em sua última música da apresentação no Prata da Casa. Quando no violão, intimista, emocional, beirando a melancolia. Na guitarra, a transformação. Arranca viagens sonoras com dedos precisos. O gestual é contido (permite-se jogar-se ao chão em algumas ocasiões. Noutras, só cai de joelhos...) mas expressivo o suficiente para marcar a cumplicidade com Elvis. Por falar neste, há uma troca de olhares em determinados momentos, uma emissão de códigos que só eles entendem, mas que fazem a platéia ir ao delírio, apreensiva pela próxima tirada... Sintonia pura, fina, perfeita.
E esse Elvis?! Com nome de roqueiro, cheio de trejeitos faciais, faz o estilo badboy, no melhor sentido do termo! No show de ontem, o magrão sem camisa, colar grosso à mostra, estava acompanhado de uma inseparável garrafa, que podia chocar aos mais desavisados, mas que em nada atrapalhou sua tão sempre intensa performance. Era um retrato fiel do seu pensamento. Ao finalizar sua apresentação, como que querendo explodir (ou seria implodir?!) num êxtase total, joga-se ao chão, por detrás de sua bateria, ficando imóvel por alguns segundos. A platéia, gritando por ele, pela banda, num misto de êxtase e uma pontinha de preocupação, surpreende-se quando ele levanta e filosofa: “o negócio é viver, beber, se divertir”! Esses são os baggios... garotos que só querem fazer arte!
E, como essa frase lembra as mães, é claro, elas não foram esquecidas. Tiveram direito a agradecimento especial (“só as mães são felizes”, já disse Cazuza!). A galera de São Cri também se fez presente, trazendo uma carga extra de energia. Familiares, amigos, admiradores (nos quais me incluo!) todos estavam na grande festa de sons. O vídeo que antecedeu ao show, contando a história da vida do “padrinho involuntário” da banda (!) é muito gostoso de se ver, até porque, nas entrelinhas, lá estão eles. Sentí a falta do Elvis nas imagens - será que nosso badboy é um tímido?!
Voltando ao clima do evento, eles pareciam estar em casa. Afinal, são prata da casa. Ou já seriam ouro?! Nessa minha tietagem explícita, divido o prazer de encontrar vida pensante e produzente para além das capitais! Aproveitem para conhecer um pouco de São Cristóvão, berço criativo dessa banda que promete. E cumpre.
Longa vida ao The Baggios!!!
Salute!!!
Parabens pela colaboração. The Baggios vida longa . Interessantes informações Ceiça.
Um bj
Valeu, Cintia!
A intenção é divulgar o que de bom existe para além das grandes capitais!
Beijão!
Ceiça!!!
Que MASSA!!! Texto ótimo, fluente e radiante como o SOM da The Baggios!!! É necessária essa paixão para cada Ato que façamos! Então está completo!!! Fotos?...
Vida longa, felicidade & Saúde!!!
GRANDE beijo!!!
Ceiça. Um beijo e continue a nos brindar
com o teu talento. bju
VOTEI NO TRABALHO...
AMIGOS E AMIGAS...
Para o bem do OVERMUNDO
E da liberdade do autor – leiam:
http://www.overmundo.com.br/overblog/tirem-do-ar-moleques
http://www.overmundo.com.br/forum/debate-geral-o-que-e-cultura
Desculpem! Foi necessário!
Grande abraço!
Lailton Araújo
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