Sobrevivendo (cada vez mais fundo) no Inferno

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capa da mixtape
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Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ
14/8/2007 · 231 · 48
 

Ceará. O ano é 2007. Agora. O grupo de hip hop Costa a Costa acaba de lançar sua mixtape, disponível em CD. É - não tenho nenhuma dúvida - um dos documentos mais contundentes, impressionantes e acachapantes sobre a realidade brasileira contemporânea (como se ler jornal não fosse suficiente...) É um Sobrevivendo no Inferno traduzido para o Século XXI - e é preciso constatar: o inferno piorou muito. Lá na faixa 21 (são 23 no total), um dos vários interlúdios do disco, o rapper anuncia: "a prefeita diz que eu tô na cidade do sol." Uma voz totalmente debochada comenta: "quem tem boca diz o que quer..." Volta o rapper: "a PM diz que eu tô na cidade do pó." O deboche: "fala o que pode..." O rapper novamente: "os gringo diz que eu tô na cidade do sexo". A resposta é uma gargalhada. "Eu não queria nada disso." Resposta: "mas é o que é." "Eu só queria fazer disso aqui a cidade da grana / Seja bem-vindo / Fortaleza, tá ligado? / Isso aqui é dinheiro, sexo, drogas e violência."

Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência - esse é o título da mixtape. O título é repetido dezenas e dezenas de vezes durante os 79 minutos e 57 segundos do CD. Parece um mantra do mal. Dá um incômodo danado ouvi-lo, o tempo todo, sem que ao mesmo tempo surja a voz da razão para repetir também: não queremos nada disso (ou o que seria melhor: apontando a solução para tudo isso). O início do disco chega a ser ainda mais infernal. Uma voz sintetizada e desacelerada (parece estilo "screwed and chopped" do rap de Houston, Texas) dialoga com um pobre mortal, um guerreiro. A voz: "eles estão caçando você / eles estão fugindo da luta." Resposta: "vou derrubar esses filha da puta." A voz: "eles querem que você entre no jogo deles / não entra! / lembra de onde você vem / cê tá na rua / qual a idéia que rola?" Resposta, como não podia deixar de ser: "Dinheiro, sexo, drogas e violência em qualquer lugar." Voz: "eles estão dizendo que você está errado / fala pra eles o que é o bagulho." Voz repete, martelando, para ficar bem claro: "Isso aqui é dinheiro, sexo, drogas e violência de Costa a Costa!" Então alguém grita bem alto: mixtape! E começa uma mistura poderosa e violenta de hip hop (estilo bounce de Nova Orleans, ou crunk de Atlanta/Memphis) com brega (Sidney Magal!), salsa, Perez Prado, carimbó e reggaeton, quase tudo muito dançante mas sem perder o ar soturno jamais.

A produção - acho que assinada pelo grupo todo (não consegui ter acesso à ficha técnica - mas sei que as músicas, com as interferências de barulho bom da mixtape, ficaram bem mais interessantes que quando sairam nos outros CDs) - é uma das mais criativas da atual safra musical brasileira, em qualquer estilo. E é também uma injeção de energia/ousadia na sonoridade do hip hop nacional. A mixtape não segue nenhuma regra, não copia Dr. Dre ou Timbaland, não tenta soar como um CD qualquer da família Wu-Tang. Fazia falta ouvir algo assim - tão surpreendente - por aqui. Não somente aqui: lá também. Sempre achei que as experiências sonoras do rap eram tão radicais politicamente como o seu discurso poético. Mas lá no início dos anos 90 perdi um pouco o interesse nos novos lançamentos, pois tudo me parecia seguir uma fórmula já testada inúmeras vezes, sem risco nenhum a não ser o de virar o primeiro lugar nas paradas americanas.

Coincidência: a mixtape do Costa a Costa bateu no meu CD-player no mesmo momento em que estou lendo um livro sensacional, obrigatório para quem se interessa por hip hop (tomara que algum dia ganhe uma tradução brasileira). Chama-se Third Coast - Outkast, Timbaland & How Hip-Hop Became A Southern Thing, e foi escrito por Roni Sarig. Comprei de olho num capítulo sobre o Miami Bass, pois há pouquíssima coisa séria escrita sobre essa música que é a mãe do funk carioca. Aprendi muito lendo a história de como o subgrave conquistou a Flórida. Não percebia direito como, nos anos 80, os bailes do Rio eram totalmente atualizados com as novidades de Miami: o disco saía lá e já era sucesso aqui. Mesmo o Two Live Crew (que no Rio deu até na Melô da Mulher Feia) ficou famoso aqui antes de ser popular por lá.

Gostei tanto do estilo desse capítulo que passei a ler os outros, que mostram como o hip hop atual está dominado por cidades do sul dos Estados Unidos e não por Nova York ou Los Angeles. Os números são avassaladores: em 2006, entre um terço e metade de todas as canções que entraram para a parada Hot 100 da revista Billboard (a parada mais importante dos EUA) é de bandas do hip hop sulista. Não sabia nada disso. Não conhecia também a história do rap de Atlanta, Memphis, Nova Orleans e Houston, as principais cidades produtoras dos novos gêneros pós-gangsta. Fui escutar/ver tudo (ainda bem que existe o YouTube) e me arrependi do tempo que perdi achando que nada de interessante estava acontecendo naquele mundo.

Mas fiquei mais surpreso de ver outra triste história se repetindo em todas as cidades. Grande parte dos mais criativos músicos dos vários lugares, alguns muito famosos e milionários, morreu de forma violenta, geralmente vítima de tiros. Realmente é dinheiro, sexo, drogas e violência em todos os guetos. A crônica cruel de uma juventude que teve vários de seus ídolos exterminados por uma guerra urbana/social absolutamente sanguinária. Parece o Uivo, do Allen Ginsberg, só que encenado por quem estava "do outro lado". Alguém se lembra como o poema começa? "Vi os expoentes da minha geração da minha geração destruídos pela loucura". Mas logo no segundo verso aparecem "as ruas do bairro negro" onde esses expoentes iam buscar a "dose violenta". Agora a destruição acontece "nas ruas dos bairro negro", entre os expoentes negros, e "ninguém" ouve falar de suas mortes... Apesar dos milhares de uivos, altíssimos, em todos os raps...

Mas estou me perdendo na geografia? Parece que estou muito longe de Fortaleza... Na verdade tudo é tão perto... Fortaleza é a Houston brasileira, misturada com a latinidade de Miami/Nova Orleans? Para o Costa a Costa, o Nordeste é "o gueto do gueto". O discurso moldado nas periferias paulistanas (mesmo todas as gírias, as centenas de "tá ligado" ou o firmão etc. etc.) chega por lá e passa a ter um outro sotaque, ganhando um outro sentido, onde a luta contra a miséria é muito mais barra pesada. Qual o sentido do 100% negro em Fortaleza? É possível falar de um 100% nordestino? Em cotas para os nordestinos? E os nordestinos ricos, o que fazer com eles, entram para as cotas também?... Tudo se complica: há a tentativa de transplantar para o Ceará a visão do mundo criada no Capão Redondo, mas problemas vão escapando por todos os lados, e novas possibilidades aparecem: "Ninguém lembrou do Nordeste na fita, e eu tô aqui" (versos de No Melhor Lugar). "Você vem do Nordeste? / Você tem a força que eles nunca vão ter / não espera por ninguém / quem é pra tá aqui, já tá" (Interlúdio Do Gueto Pro Gueto). Tô aqui para dizer o quê? Força pra quê? Apenas para constatar o fim de tudo?

A capa da mixtape explica: "faixas extraídas da vida real dunego de 11/2006 a 04/2007". Realmente: tudo é reportagem da vida cotidiana de quem foi criado no gueto do gueto, e tem que dar um jeito, qualquer jeito, para sobreviver a cada dia. O personagem principal da maioria das letras é o "caçador de grana rápida", desesperado atrás de onças (notas de 50 reais), o bandido armado, o jovem cheio de energia que sonha em ter imediatamente, nem que seja por um tempo brevíssimo, o que lhe é vendido como o bom da vida. Quase todas as letras são escritas do ponto de vista desse personagem, retrato/relato do pensamento confuso (como não seria?) desse personagem. É "stream of consciousness" de quem não teve escola boa e vive em favela de nova grande cidade nordestina, em época da tal metástase: "eu também sonho com a Revolução / mas hoje eu tenho a cobrança, meu irmão" (Não é Fácil). Ou: "às vezes eu penso em parar com esse bagulho / às vezes eu penso em virar o Escobar desse bagulho" (Não é Fácil). Ou: "eu não quero cozinhar crack, primo / mas eu quero andar de Nike, no style / mas eu quero as gata / eu quero as nêga com várias das de dez / quem não quer?" (Necessário)

O que resta é fatalidade, mas fatalidade descontrolada (se isso é possível...) Tá tudo dominado, tudo interligado, e todo mundo é culpado; ninguém escapa. O panorama desenhado pelo conjunto das letras é sufocante, dá vontade de sair correndo, mas correr para onde? "Isso não tem a ver com o que você ama / tem a ver com o que não se tem quando não se tem grana" (Necessário). Mas se você não tem grana, alguém tem: "qualquer lugar tem lugares pior / no melhor lugar, só vai ter lugar pro melhor" (No Melhor Lugar). E é óbvio: o melhor só existe porque também existe o pior e vice-versa. O rap de Necessário fala do traficante de armas, que vende as armas para quem depois vai matar seus parentes. O negócio é todo "efeito dominó", uma cadeia de problemas: "a solução do seu problema vira um problema para alguém e assim vai" ou "todo dia tem alguém arrumando um problema que vai virar um problema para mim" (O Mundo é Nosso).

O ouvinte pode pensar: "não quero escutar isso, isso é apenas a glorificação da falta de possibilidade de transformação: acaba na justificação complacente da bandidagem." A intenção do Costa a Costa parece ser fazer denúncia: esfregar na cara de todo mundo: olha a que ponto chegamos. O rap quer repetir o tempo todo: para mudar é preciso levar tudo isso em consideração, é preciso encarar de frente o emaranhado de problemas brutais, sem ilusões, sem dourar nenhuma pílula. Essa estratégia é eficiente? Pode mudar alguma coisa? Ou apenas sucumbe na indignação pela indignação? As letras são contraditórias com relação a essa e muitas outras questões (uma hora diz "não entre no jogo deles!" para no verso seguinte constatar que não há outro jogo...) Segundo o personagem que fala na maioria das letras, não dá para julgar ninguém. Ele nunca ouviu falar em ética, nunca sentiu o cheiro de atitude ética.

A maneira como percebe a realidade é através do pior, do muito pior: todos contra todos, no estilo pesadelo de Thomas Hobbes: "o que fazer, quando seu irmão quer fuder você / quando o mundão quer fuder você / quando ninguém acredita mais em ninguém" (Justificativa). Boa Noite Cinderela é a narrativa da estratégia de uma prostituta cearense para roubar um gringo: "ela é do gueto, mas mexe bem / o que tem de errado? / ela usa o que tem / ela gosta quando rola os dólar / ela gosta de coisa boa". Aqui tudo fica ainda mais explícito, didático: "a gente não é só crime e futebol / a gente quer as jóia e o brilho do sol / eu não tô falando nada complexo / eu sou jovem e quero grana e sexo / eu tô errado, nêga? / eu sou sincero, nêga / eu sei a regra do jogo / não sou otário, nêga / no meio da guerra, o nêgo tira uma onda / é selva, mas tudo pelas onça / mesmo lutando e com o mundo inteiro contra / a gente vai pegando uma grana / eu ainda não tenho o carro da propaganda / mas eu saio com a gata da escola de samba" (Ela Mexe). E quem, no meio de tanto escândalo e corrupção, vai dizer que a regra do jogo da maioria não é essa mesmo? Se colocado contra a parede, o rap teria a resposta pronta: "os filha da puta quer julgar você toda hora / eles dizem que não tem justificativa / mas eles têm justificativa pros crimes dele, né?" E acrescenta, filosófico, irônico, deixando o interlocutor com cara de tacho: "eu não tô dizendo que tá certo ou tá errado / quem sou eu? / eu tenho mais perguntas que respostas " (Justificativa)

São tantos trechos de letras para comentar, que fico submerso aqui nas minhas anotações. Como já disse: sobre cada tema, há muitos exemplos, vários contraditórios entre si. O início de Ela Mexe também precisa ser citado: "enchendo de dióxido, de veneno / é o novo milênio / aproveita o fim do oxigênio / tá pra acabar essa porra / mas até acabar, quero tá vivendo legal". É assim mesmo: "a vida é puta, mas hoje tá bom / só quero paz e uma grana no banco". Porque, o tempo todo, tudo pode ficar pior: "talvez eu esteja na cela amanhã" (Não é Fácil).

O que mais chama a atenção na seqüência das músicas é a briga entre o niilismo dominante das letras e a festa sonora do acompanhamento. Ela Mexe, por exemplo, é uma inebriante fusão de carimbó com reggaeton. Mesmo com timbres sinistros, é fácil dançar. E não é só um clima de baile na Ilha Fiscal. Há uma opção afirmativa na programação rítmica. Há também, por parte da banda, a convicção de que o hip hop - mantendo a sua integridade - tem que se tornar uma indústria musical tão poderosa quanto o novo forró (Regina Casé aparece na mixtape em trecho sampleado da entrevista com o Costa a Costa no Central da Periferia que fala justamente isso). E além disso, há aquela espantosa alegria de estar vivo, que pode ser encontrada em todos os guetos, nas situações mais miseráveis. Então no meio de tudo, aparece uma letra como Vive Agora... É um manual de auto-ajuda do gueto, uma mistura dos conselhos mais disparatados (o "bem" lado a lado com o "mal"), de maneira febril e frenética. Alguns trechos, selecionados ao acaso (pois a letra é quilométrica):

tá na merda, luta
tem um pivete, ama
tem champanhe, beba
tá no jogo, joga
quer ser alguém, estuda
tá sem nenhum, rouba
tá com a bola, chuta
ela é gostosa, chupa
o som é bom, aumenta
quer saber qual é, se envolve
tem problema, resolve
se tem um amor, assume
se decepcionou, dispensa
cê quer um amor, procura
cê tem um valor, lembra
te deixou, esquece
se Deus levou, benze
se o coração não parou, então bola pra frente
cê tá perdendo, vira
cê ainda acredita, insista
cê tá crescendo, brilha
cê curte a vida, vive
cê tá atrasado, corra
tá tudo errado, mova-se
cê foi sincero mas não te levaram a sério, foda-se

Julgar? Há coisas ditas neste disco que vão no caminho totalmente oposto daquilo que acredito e valorizo. Mas reconheço o desespero (mesmo com o estilo foda-se) e o desamparo (junto àquilo que movimentos sociais globalizados chamam de empowerment...) com os quais são ditas. Entendo também que não representam a visão de mundo do compositor: são descrições daquilo que ele vê o tempo todo, no seu dia a dia, daquilo que ele ouve muita gente falar. E mesmo assim: as músicas nem foram feitas para mim, que sou de fora: "eu faço a rima que o gueto precisa ouvir" (No Melhor Lugar). Eu não estou no gueto. (Essa é uma outra novidade na música popular brasileira: agora há uma música que, intencionalmente, não é feita para toda a "nação"...) Mas não posso deixar de perceber que neste disco (nunca houve disco assim... até bem pouco tempo, a regra do jogo dizia que pessoas como as que formam o Costa a Costa não tinham direito de falar nada, quanto mais lançar um disco... como diz o rap de Mel e Dendê Remix: "uns nasce pra fazer regra / e nós nasce pra quebrar") está a mais cruel descrição de nosso impasse coletivo atual, meio tudo o que a gente não queria que fosse, mas tem que reconhecer que é, e que só com uma luta enorme vai mudar (eu não perco meu otimismo - e para saber o que me deixa otimista, basta ler muitos de meus outros textos aqui no Overmundo). Indignado com esse mundo, eu? Claro. Mas sou também como rapper do Costa a Costa neste verso: "tenho mais perguntas que respostas". Depois desta mixtape, minhas perguntas ficaram bem mais longe das respostas. Sou só perplexidade.

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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Bom, depois de ler um texto desses a gente tem que respirar fundo antes de escrever qualquer coisa.

Cara, acho que tem muita coisa nesse balaio, nos trechos das letras, no aperreio de quem vive no quarto dos fundos de um país como o Brasil. O Costa a Costa traduz muita coisa daquilo que penso. Menos, claro, quando dizem que o hip hop tem que virar uma indústria tão poderosa quanto a do forró. Esse mesmo pensamento é compartilhado por muita gente no hip hop e fora dele. Pra funcionar, a coisa tem que virar indústria, tem que ser grande, gerar grandes somas de dinheiro etc. O MH2O, grupo de hip hop de Fortaleza, também acha que é possível criar um “mercado alternativo” ao capitalista por meio do hip hop. Eu acho que seria mais honesto assumir a coisa toda: a gente quer crescer, fazer dinheiro e viver com alguma folga, meu chapa. Quer casar, ter um carro popular e criar nossos filhos. Para isso, vamos usar o rap e tal. Ninguém vai te julgar por isso. Todo mundo quer, aparentemente, as mesmas coisas. A gente se ajuda, tenta livrar alguns manos e minas da parada mais barra pesada e vai seguindo na vida.

Porra, esse argumento é irrefutável. Agora, é provável que, assim como ocorre com o forró produzido em escala industrial (procurem letras de bandas como Calcinha Preta e Aviões do Forró, dois dos principais expoentes do tal novo forró), o hip hop, feito no mesmíssimo esquema, perca muito da sua potência, do seu arsenal poético, da sua verve enfurecida, da sua crítica devastadora ao cotidiano miserável nas grandes cidades. A coisa pode ficar pasteurizada. Aliás, muito preconceituosamente, vejo a grande indústria cultural como sinônimo de pasteurização, de uniformidade. O Hermano vai discordar frontalmente disto aqui, mas não posso ver de outra forma. É mais do que natural. Uma coisa é estar à margem, outra bem diferente é fazer parte da engrenagem que move a esfera da produção maciça do capital. Indústria é isso mesmo. O hip hop vira Big Mac, literatura vira best-seller, cinema vira blockbuster, sexo vira coisa de luxo.

Era isso. Vamos conversando. Espero estar errado.

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 11/8/2007 21:37
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Hermano Vianna
 

oi Henrique: acho que o comentário sobre a indústria é apenas um detalhe secundário no meu texto - a mixtape do Costa a Costa prova que não houve uniformização ou pasteurização nenhuma - acho que está tudo até mais radical - - e o hip hop norte-americano, mesmo com o sucesso comercial todo (lá é a maior indústria no campo da música hoje), não perdeu o vigor criativo - e não é nada uniforme - mesmo numa cidade como Houston, a cena do sul da cidade é bem diferente da cena do norte da cidade! é uma diversidade enorme, com gente mudando as regras do jogo cada vez mais - a indústria tradicional que teve que se adaptar às novas regras - veja estes vídeos: Kanye West (Illinois), Clipse (Virginia), Paul Wall (Texas)... São estéticas (luxuosas) totalmente diferente uma das outras - nada de Big Mac...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/8/2007 22:40
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Hermano Vianna
 

o primeiro vídeo do comentário anterior é do Kanye West - mas quem aparece no vídeo (obviamente) não é o Kanye West...

nada de Big Mac, pois o Big Mac é igual no mundo inteiro, e o hip hop é cada vez mais diversificado

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/8/2007 22:42
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Hermano Vianna
 

e todo dia aparece um estilo novo de hip hop - o hyphy, de San Francisco, já está virando grande indústria também

ver este vídeo para aprender a dançar hyphy

cada estilo tem também uma dança diferente (a diversidade não é só musical) - tudo descendente do break, mas muito variado - muitos desses dançarinos são tão criativos quanto componentes de grupos de dança de vanguarda

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/8/2007 23:21
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Hermano Vianna
 

como o texto ainda está em edição - e posso ainda modificá-lo, para ser fiel ao pensamento do Costa a Costa, inclui palavras importantes no trecho comentado pelo Henrique:

era:

"Há também, por parte da banda, a convicção de que o hip hop tem que se tornar uma indústria musical tão poderosa quanto o novo forró"

ficou:

"Há também, por parte da banda, a convicção de que o hip hop - mantendo a sua integridade - tem que se tornar uma indústria musical tão poderosa quanto o novo forró"

realmente o jeito que estava poderia provocar confusão, pois o pensamento não estava completo

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2007 00:37
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Ize
 

Oi Hermano, adorei o seu texto como gosto de todos os outros que vc escreve aqui no overmundo. Eles vão me descortinando os cenários em que as culturas juvenis se constituem e me ajudam muito a compreendê-los. Tenho enveredado pelo universo desses gêneros musicais tão diferentes uns dos outros (outro dia foi o do zouk) e estou começando a ficar esperta. Coisa de que necessito para poder me aproximar do jovem e me dispor a olhá-lo nos seus próprios termos.
Surprendentemente, o efeito dessas letras que vc traz neste postado não me provocou nenhum choque. Ou seja, não as li como se os autores estivessem falando que a vida fosse irremediavelmente ou inexoravelmente do jeito como eles a cantam. Minha sensação foi a de que eles estão querendo provocar o ouvinte, chamando atenção para a obscena da vida, justamente pra que ela possa se transformar em cena. Essa interpretação pode ser resultado do esforço que tenho feito (que é teórico-metodológico, desculpe o palavrão) de não supervalorizar a mensagem contida nas maneiras dos jovens se expressarem, sem tomar o cuidado de me aproximar deles e perguntar o que eles querem dizer (como me dispus a fazer com o Leo). Sabe que me deu uma vontade danada de levar um papo com esse grupo? Veja pq estou dizendo isso. No semestre retrasado fiz um trabalho com uma de minhas turmas da graduação em cima dos proibidões. Um dos grupos se dispôs a entrar em contato com os autores de um deles e a conversa que rolou lá entre eles, gravada e levada pra sala, foi de impressionar. O cinismo e a crueza da letra foram desditos pelas palavras cheias de esperança num mundo melhor, mais solidário e mais justo. E não era para mim que eles estavam falando; eram jovens falando para jovens.
Tem uma coisa que vc chamou atenção no seu texto que contribuiu para que eu tivesse essa impressão diferente da sua e mais diferente ainda da do Henrique (discordo totalmente Henrique do que vc fala sobre o maquiavelismo da indústria cultural): é sobre o descompasso entre "o niilismo das letras e a festa sonora do acompanhamento", deixando entrever a obscena de um lado e a cena de outro.
Enfim, desculpe a viagem, mas fiquei seduzida pela conversa.
Bjs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2007 02:04
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Hermano Vianna
 

oi Ize: eu tomei cuidado em vários momentos do texto para diferenciar o ponto de vista do compositor do ponto de vista do personagem da canção - realmente: não entrevistei o pessoal do Costa a Costa: mas imagino que eles tenham esperança de mudar o mundo, que sejam até mais otimistas do que eu sou - não tenho dúvida de que para eles, a militância no hip hop é uma maneira de mudar o mundo, de combater a situação e a mentalidade descrita nas letras - mas por outro lado, há o efeito da letra, do disco como um todo - é o mesmo efeito de um filme ou de uma peça, quando a arte é forte: não adianta pensar muito que quem está em cena está atuando: o intensidade dos sentimentos que a cena passa para a gente, pode ser mais real do que o real - mas só estou pensando alto aqui, pois as questões que você coloca são bem interessantes, e dão muito pano para a manga - a arte do Costa a Costa é muito forte (e também está muito misturada com a realidade da vida da periferia, que tem aspectos até mais barra pesadas do que os que são cantados nas letras...) - de qualquer maneira vale muito uma entrevista com eles - quem sabe o Henrique, que mora em Fortaleza, se anima - beijos

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2007 04:45
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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Claro que me animo! Aguardemos, pois...

Retomando a questão da indústria. Bom, citei características da produção em larga escala, seja na indústria cultural, seja na de calçados. Uniformização e tal. Também tive o cuidado de dizer: “muito preconceituosamente” antes de falar qualquer coisa. Porque não estou seguro de nada e, confesso, fui tantinho “frankfurtiano”. E também provocativo.

Bom, ainda bem que isso não acontece com o hip hop. Por outro lado, continuo a ver tudo mais ou menos assim: uma coisa é estar à margem (caso do Costa a Costa e de tantos outros grupos que conseguem gravar, com grande dificuldade, as suas músicas) e outra bem diferente, dentro do esquemão. Não consigo imaginar que as duas coisas possam ser, de repente, a mesma coisa ou que essas diferenças simplesmente não existem. Podem até não existir como teoria descolada. Na prática, existem, sim.

No mais, Ize, concordo contigo a respeito do “palavrão”. Agora, também não dá pra minimizar a mensagem ou atribuí-la unicamente a uma vontade de mexer, de chocar as pessoas. O autor das canções não é personagem, não é ficção. Ele existe, tá nas ruas e tal. Quero dizer: é ficção, mas inspirado em coisas do dia-a-dia. O Hermano disse uma verdade: a realidade pode ser (pra mim, ela sempre é) mais barra pesada que a própria arte. Se as letras do Costa a Costa não te chocaram por alguma razão, acho que tem algo errado aí. Porque não dá pra qualificar boa parte do que eles dizem, da violência que salta das letras como força de expressão.

Abraços!

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 14/8/2007 07:47
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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Tinha esquecido que isso era secundário no texto do Hermano... Me desculpem!

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 14/8/2007 07:49
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Hermano Vianna
 

oi Henrique: mesmo os sapatos uniformes estão com os dias contados - tentei falar sobre isso neste texto bem antigo - de lá pra cá a tendência anti-uniformização só se aprofundou... não sei mais direito o que significa o "esquemão"...

mas ainda quanto a uniformidade: vou fazer uma declaração totalmente politicamente incorreta: gosto muito de coca-cola - vou sentir saudade quando não tiver mais um gosto único, em qualquer lugar do planeta... fico agoniado com esses cafés moderninhos onde até para pedir um sanduíche demora horas de escolhas: o tipo de pão, o molho, o queijo... me dá logo um Big Mac aí! rsrsrsrsrs

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 15:19
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joao xavi
 

já conhecia o costa a costa, mas ainda não tive a chance de ouvir a mix tape. vou caçar por ai...
acho que o rap exprime (basicamente) uma idéia bi-polar que envolve desgraça e esperança.

joao xavi · São João de Meriti, RJ 14/8/2007 16:48
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Ize
 

Hermano, vc é demais com essa história da coca-cola e do Big Mac rsrsrsrsr Ai como é bom ouvir vc (é que às vezes é tão bom ser politicamente incorreta, senão a gente passa a vida se policiando: não pode mais comer..., não pode mais beber...não pode mais dizer...não pode mais ...).
Henrique, o "palavrão" é dose, né? mas é que às vezes é necessário pq senão podem ficar pensando que endoideci. Outra coisa, acho que vc tem razão, preciso me policiar oooops pra não supervalorizar seja as mensagens, seja os relatos.
É sempre bom passar por aqui e aprender.
Bjs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 18:01
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Ize
 

Ah! votei. Meu voto agora está valendo mais (eu não me importo com isso huuummmm, mas é bom ver o placar passar de 43 para 50.

Vlw

Ize · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 18:03
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Hermano Vianna
 

Ize: rsrsrsrsrs... agora agora até o McDonalds tem o McCafé, já viu? tem uma bebida que acho deliciosa - uma espécie de água com gás de vários sabores a escolher - tem até limão siciliano... chique, né? rsrsrsrsrs - onde vamos parar? escrevi sobre essa sofisticação do consumo de massa neste outro textinho singelo

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 18:19
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Ize
 

Claro que já fui lá no "textinho" e adorei. Mas, vem cá, o McDonalds (que vc gosta e eu tb) não empurrou o desejo do desejo do desejo? Aquela lanchonete sofisticada lá em Londres não existiria se não fosse o Mc, certo?
Enfim, mas graças que não tenho mais que ficar comendo rúcula e ainda bem que não dou a mínima pra bolsa Louis Vuitton.
Bjs
PS O McCafé é a glória, a água não conheço não. Olha aí vc instigando desejos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 19:02
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Hermano Vianna
 

voltando ao Costa a Costa: as letras também empurram o desejo do desejo do desejo... carros conversíveis, champanhe, bacardi, nike... e a crítica/desconstrução do desejo ao mesmo tempo... dinheiro, sexo, drogas & violência... ninguém é bobo: como se a vida - mesmo na favela - fosse um filme publicitário (os games também estão entupidos de publicidade... Second Life também): então todos comem Big Mac com "distanciamento" - e nenhuma experiência é de "primeira mão" - teatro do teatro do teatro - a história como teatro, como disse Nietzsche - e nunca chegamos aos bastidores - sai do palco, dá no outro palco e assim ao infinito... complicado, né? nem Will Wright, autor do The Sims, imaginou um mundo assim como o nosso... rsrsrsrsrs

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 20:03
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baduh
 

Ê, mano, isto foi um trabalho de fôlego, um texto e tanto...
Sem entrar no mérito do gênero musical - que, infelizmente não conheço direito -, o ensaio tem uma sagacidade antropológica profunda. Dá gosto ler um texto assim.
Vai o meu aplauso e o meu votinho...
Parabéns, excelente!
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2007 09:24
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Tereza Tillett
 

Vish Maria!

Tereza Tillett · São Paulo, SP 15/8/2007 10:06
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Roberto Maxwell
 

Putz, será que eles não vão botar esse mix tape na net?
Hermano, legal que você é sempre propositivo, sempre apresentando as coisas de modo a oferecer algo novo. Ler os textos aqui no Overmundo de gente reclamando que fulano não faz isso, sicrano não faz aquilo enche.

Roberto Maxwell · Japão , WW 15/8/2007 12:26
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spensy
 

Salve, Hermano. Bacana o texto, tanto o mixtape como o livro ianque parecem bem bons. Não tive acesso direto nem a um nem ao outro (se bem que tenho um material anterior do Costa a Costa em casa, se não me engano...) Mas, baseando-me no seu texto, uma coisa interessante é o seguinte: ao contrário do que aconteceu em ondas anteriores de difusão do estilo norte-americano por aqui (no período do rap engajado do Public Enemy, ou mesmo com o miami bass), neste caso PARECE que há certo desencontro. Até onde conheço, o rap sulista de lá sublinhou a necessidade de que o Hip Hop e o rap se reinventassem artisticamente, superassem a encalacrada do gangsta, ultraexplorado pelo mainstream e descaracterizado ao ponto de quase se tornar caricatura de si mesmo (vide a onda Eminem, 50 Cent etc.). O Outkast, por exemplo, avançou pra muito além do rap, recuperou laços perdidos com o soul, o funk... Por outro lado, no Brasil, isso me lembra bem mais o Nada Como um Dia..., que expressa certo cansaço do Racionais com a patrulha político-ideológica em cima dessa geração do Hip Hop brasileiro (...)

spensy · Brasília, DF 15/8/2007 13:50
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spensy
 

As letras do Costa a Costa e suas impressões sobre elas me lembram imediatamente o Facção Central, um grupo ainda pouco divulgado no mainstream, mas que a gente sabe que se tornou o principal expoente do rap brasileiro de 2002 pra cá... Ali, também, fica forte algo que já aparecia em letras do Brown, como "aquela do Guina" (como todo mundo costuma chamar): uma tendência a incorporar o personagem "errado" (ladrão, viciado, traficante etc.) na primeira pessoa. Na entrevista que fiz com ele pra Teoria & Debate, em 2001, ele se eximiu da responsabilidade pela confusão que esse tipo de construção gera, mas o fato é que, em muitos debates da base, em bairros de SP, Bsb etc. que eu participava, muita gente ficava alarmada com a maneira com que meninos mais novos, sem muito contato com o Hip Hop, entendiam aquelas letras: como simples glorificação do crime.
Parêntese: no caso do Facção (e ao que parece, do Costa a Costa), a coisa evoluiu para esse discurso do desencanto, muitas vezes distanciado daquelas mensagens fraternais ("de mano pra mano") de incentivo que marcaram o rap brasileiro nos anos 90. Bom, está um pouco confuso o comentário, mas é só pra dizer que esse desconcerto com as letras remete a algo mais geral. Eu diria, inclusive, que é curioso que isso (esse espalhamento desse discurso desencantado) aconteça neste período de experiência real com um governo federal petista - partido que marcou bastante muita gente ligada à primeira geração do Hip Hop no Brasil, especialmente em São Paulo (e em vários lugares do Nordeste também). Um desencanto peculiar, é bom assinalar, porque, de fato, há muita coisa interessante rolando na periferia das grandes cidades, em matéria de política pública... Coisa pra gente discutir de forma mais aprofundada. Nesse sentido, seria interessante conversar com a turma do Costa a Costa, o Eduardo do Facção...
Mas acho que bate com uma sensação que muita gente anda tendo sobre governos de esquerda: é bom, mas não basta...

spensy · Brasília, DF 15/8/2007 14:06
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Dudu de Morro Agudo
 

Olá Hermano, meu nome é Dudu de Morro Agudo, faço parte de uma organização de hip hop chamada Movimento Enraizados.
Achei legal que o som do Costa a Costa chegou na sua mão, pois o som da galera não costuma sair das cercas da periferia, ainda mais quando se trata de um som com o peso do Costa a Costa.
Mas já que chegou um, quero indicar outros, pois no nordeste (na minha opnião) é onde temos o hip hop mais politizado do Brasil, então indico o grupo Clã Nordestino que não é tão pesado, mas trata de questões importantíssimas do sistema brasileiro, o Welf do Rio de Janeiro é tão pesado quanto o Costa a Costa, o Welf é um morador da Rocinha.
Mas acredito que depois de sua coluna aqui, muitas pessoas vão começar a procurar pelo trabalho dos manos, mesmo que seja por curiosidade e nunca mais ouça, mas pelo menos vão ficar sabendo que existem pessoas que ainda falam a verdade, no caso deles, de maneira dura e sem maqueagem.

Dudu de Morro Agudo · Nova Iguaçu, RJ 15/8/2007 15:19
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Nivaldo Lemos
 

Hermano,

não me surpreende a qualidade do seu texto, mas o fato dele me defrontar subitamente com minha ignorância sobre o hip hop e, por extensão, sobre uma parte da cultura que se produz hoje no Brasil real. Acabei de ler e estou suado pelo impacto e a objetividade de suas palavras. E concordo, o Costa a Costa é um grupo sensacional - acabei de ouvir algumas músicas - e do qual nunca ouvira sequer falar.

Pois eis que de repente você me joga esse turbilhão de sensações informações sobre essa cultura marginal e forte e vital, nua e crua, objetiva e suja como a vida. Real, múltipla, dialética. E me deixa com essa cara de tacho, sem pai nem mãe, perplexo. Logo eu, tão cheio de respostas, descubro repentinamente que nada sei e, maravilhado, assumo minha ignorância enquanto enxugo o suor da testa e tento me reequilibrar do turbilhão de sensações e dúvidas que seu texto produziu. Por tudo isso, eu acho mesmo que ele deveria ser lido como uma aula de sociologia. Obrigado e parabéns.

Um abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2007 16:12
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blequimobiu
 

E é só a mixtape...

blequimobiu · Salvador, BA 15/8/2007 16:44
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Hermano Vianna
 

Salve baduh, Tete (vish mesmo!), Maxwell, Nivaldo, xavi, blequimobiu!

spency: então você está devendo um texto sobre o Facção Central no Overmundo!

Dudu do Morro Agudo: tô ligado nas suas colaborações no Overmundo: seria ótimo se você publicasse algo sobre o Welf por aqui também!

é assim, na minha cara de pau: falou sobre alguma coisa interessante, vou logo pedindo um texto!

abraços!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 00:50
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Higor Assis
 

Muito bacana Hermano o texto e as interessantes comparações que você foi costurando ao longo do texto. Uma grande consistência entre os links citados.

Só uma observação quanto alguns selétos integrantes do Hip-Hop e Rap que, influência o cenário nacional.
O Wu Tang Clãn foi sim referência pra muita música por aqui, principalmente na época que fazia suas excursões com o rage Against the Machine.

Não sei Hermano se você conheceu o Class, um baile de hip-hop e Rap com vários D'js, que acontecia na rua Augusta em SP. Lá era referência de tudo que chegava de fora e ali as influências aconteciam naturalmente.

Muita batida era copiada, o próprio Racionais usava, claro isso não interfere em nada a grande produção com letras muito bem produzidas que trás a continuidade de um cotidiano que muita gente fecha os olhos.

Um abraço e parabéns pela entrevista na Trip, sua fotos lá são muito figuraças hehehe :)

Higor Assis · São Paulo, SP 16/8/2007 08:22
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Nelson Maca
 

Só não entendo muito a necessidade de estabelcer este fla-flu Nordestete x Rio-SP, com o que ligitima o novo "bom" em detrimento do "velho" agora "clichê".
Meio estranho, porque, por exemplo, talvez, agora, você falando, muitos dos componentes deste overmundo, e fora dele, prestem atenção ao Costa a Costa! E o sul-sudeste continua nos legitimando.

Primeiro ponto: Periferia é periferia em qualquer lugar;

Segundo Ponto: Não é novidade esse posicionamento de querer desracializar a questão social brasileira no contra-ponto de um mivimento que levou mais de um século para estabelecer parâmetros objeivos para a tragédia do negro brasileiro. O que não exclui as especificidades de outras tragédias: sejam de classe, gênero, roigem geográfica, orientação sexual, etc.

Quanto a ter mais perguntas que respostas, embora pese a eficiência, e a até beleza, desta retórica, penso que assim vamos cristalizando nossas mazelas, ao mesmo tempo que sustentaos o debate dramático (mas frio nas transformações). Não precisamos, necessariamente de respostas (que nunca haverá - pelo menos sem conflito), mas de posicionamentos.

No mais, mando um salve para o Blequemobil que, bem antes que qualquer mídia nativa, apresentou-me o Costa a Costa - que é simplesmente genial. Que, esticamente, não precisa explicação, mas de audiência, público. Que, ideologicamente, não me comove tanto quanto sua musicalidadade grooventa e domínio da palavra da comunidade de base em versos ritmados.

Nelson Maca

Nelson Maca · Salvador, BA 16/8/2007 12:18
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NEGOGALLO
 

ea e má a favela agradeçe por suas palavras ta ligado costaacosta ta na casa!$

NegoGallo-Dunegorecords
.................................


NEGOGALLO · Fortaleza, CE 16/8/2007 14:19
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blequimobiu
 

Em breve entrevista no portal http://www.bocadaforte.com.br

Fé²!

blequimobiu · Salvador, BA 16/8/2007 15:14
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Hermano Vianna
 

bem-vindo, Costa a Costa! muito bom ter vocês na casa!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 15:49
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blequimobiu
 

Baixem a mixtape... http://tocadiscopublico.blogspot.com

Lampião mandou avisar... hahahahhahahhahhahahahha!

blequimobiu · Salvador, BA 16/8/2007 18:58
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Hermano Vianna
 

alo blequimobiu: se voce separar o arquivo em 2 dá para publicar a mixtape aqui no Overmundo também - nosso limite é 70 mega - a mixtape só tem 20 a mais...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 19:44
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blequimobiu
 

Valeu Hermano...

Vou separar, é tudo nosso!

Paz!

blequimobiu · Salvador, BA 17/8/2007 08:38
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QTBEATS
 

MUITO BOA A MATERIA SOBRE A MIXTAPE DO COSTA A COSTA OS CARA ESTAO DE PARABENS MUITO BOM MESMO
EU JAH TENHO A MINHA QUEM NAO TEM É MELHOR IR ATRAZ ANTES Q ACABEI
COSTA A COSTA ESTAMOS JUNTOS
LOS13LCOOS

QTBEATS · São Paulo, SP 17/8/2007 15:23
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Don L.
 

ae aqui é Don L. do Costa a Costa. parabens pelo texto, Hermano, muito loco mermo. depois com mais tempo deixo 1 comentario aqui com mais calma, pq agora to num corre loco. fiquei com vontade de esclarecer várias coisas, comentar e tal... mas eu queria dizer uma coisa principal que ficou engasgada quando li alguns dos comentarios. Costa a Costa não tem nada a ver com Facção Central. nem com a maioria dos grupos que são os ditos "pesados" do velho rap nacional, por motivos que não da pra explicar agora, mas se vc ouvir a musica vc pode notar. Me incomoda muito ser incluído nesse estereótipo... Sobre isso e outros assuntos polemicos eu to falando numa entrevista que sai em breve no portal bocadaforte. Nessa entrevista acho que respondo algumas das perguntas que ficam no ar com o texto. mas também trago outras!!! claro.
qq coisa é só entrar em contato comigo donl@dunego.com,
pra ouvir o som: www.myspace.com/costaacosta
tem a mixtape disponível na net tb mas eu não tenho o link agora. depois eu deixo ae.
Fé em Dobro!
- Don

Don L. · Fortaleza, CE 17/8/2007 16:25
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Róbson-Véio
 

TUDO QUE ESCEVI A ABAIXO É VERDADE!!

Bem...deixa eu respirar...ou melhor tomar fôlego...
Tem tempo que não vejo algo trazer tantas reflexões e posições tão extremas como a desencadeada pelo Costa a Costa e a pergunta que me faço é: Porque?
A resposta?! Todos sabem né...verdade!!
Os caras conseguiram reunir música boa, letras muito bem construídas, temas do cotidiano...mas outros não já fizeram isto antes?
Sim...sim...mas a ousadia,a eficiência e principalmente a quebra da identidade aparece aqui de maneira que me deixa sentido coisas que a muito tempo mesmo eu não sentia.
Quando falo de quebra de identidade falo da superação dos padrões,da certeza em saber que o que é bem e o que é mal varia de acordo o olhar.
Não se trata aqui de concordar ou não sobre o que está colocado ali, na mixtape, pois nem existe espaço pra isso...são fatos e pronto...
Os caras falam o que todo mundo, com exceções para confirmar a regra, pensa e quer mas não tem coragem de dizer...
Dinheiro (mesmo maquiado como trabalho social)
Sexo(nem precisa dizer nada né?!)
Drogas( “drogas” não, álcool sim?!)
e Violência (nem todo mundo atira com revolver!)

TUDO QUE ESCEVI A CIMA É MENTIRA!!


Róbson-Véio · Salvador, BA 18/8/2007 10:55
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Roberto Maxwell
 

Valeu,

blequi

Já estou baixando. então, como faz uma exclusiva com vcs?

Roberto Maxwell · Japão , WW 18/8/2007 11:11
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spensy
 

Não entendi a bronca com o Facção. A comparação foi elogiosa, não é questão de estereótipo, não. Mas vou ler a entrevista no Bocada... Quero entender quais as diferenças que vocês vêem no trampo de vocês, Don L. Nada melhor que debater com o autor, porque, só de ouvir, podem ficar impressões diferentes, mesmo.

spensy · Brasília, DF 19/8/2007 13:50
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Don L.
 

Firmeza spency. Nada pessoal. O Costa a Costa representa uma treta no rap porque quebra varios tabus e desmascara varias mentiras que ecoam poraí sobre o que chamam de "rap nacional". Mas se vc ouvir o som, vc vai entender que é completamente diferente. Além de se preocupar com a música enquanto a maioria não se preocupa com isso... resumindo eu diria que o Costa a Costa é gueto. A maioria do rap deixou de ser gueto quando esqueceram, que existe em nós "aquela espantosa alegria de estar vivo, que pode ser encontrada em todos os guetos, nas situações mais miseráveis", como diz o hermano, entre outras coisas (muitas mentiras, que não dá pra falar tudo aqui), pra se reduzir a um resumo das páginas policiais, ou argumento de captação de recursos pra desperdício de verbas em ongs e projetos sociais mal elaborados, apologia da derrota, ou como vc queira chamar. Porisso o funk carioca estorou em são paulo onde nunca ele entrava... e porisso o Costa a Costa ganha força todo dia nos guetos de "costa a costa" do brasil... Mas é muita treta não dá pra falar tudo aqui. Confere a entrevista no bocada. Pro Roberto Maxwell: tamo ae é só entrar em contato. donl@dunego.com. Fui!

Don L. · Fortaleza, CE 19/8/2007 15:58
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Emecê
 

Rapá, fiquei muito curioso com o som, muito mesmo, mas assim, se existe um novo nicho ou não no rap brasileiro, o que é contestável é a maneira como isso chega para as pessoas. O Costa a Costa já ultrapassou uma barreira de chegar a ouvidos de públicos que inicialmente, eles como autores, talvez jamais os interessaria. É aquela questão, a emissão não tem o mesmo efeito da recepção. As vezes te surpreende, e no caso do Costa a Costa, positivamente. Vamo escutar pra ver!!!

Fábio Emecê - Bandeira Negra

Emecê · Cabo Frio, RJ 19/8/2007 18:26
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blequimobiu
 

QUEM NUN OUVIU AINDA!

Baixem a mixtape... http://tocadiscopublico.blogspot.com

Fɲ!!!

blequimobiu · Salvador, BA 19/8/2007 20:16
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blequimobiu
 

Entrevista no ar...


http://tocadiscopublico.blogspot.com


Coragem!

blequimobiu · Salvador, BA 28/8/2007 20:24
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Hermano Vianna
 

o link fácil para a entrevista é este aqui

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 28/11/2007 21:16
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Hermano Vianna
 

e este é o link para o clipe

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 28/11/2007 21:17
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Mc Jefinho
 

Acho que o Texto é magnifico e que Costa a Costa vem pra Representar e dar uma continuidade ao que os rappers, mcs etc.. vem trabalhando ..mas vejo uma pegada ai atual ao qual vemos nos clipes Gringos ..
Her-mano vc é 10 , valeu!

Mc Jefinho · Belo Horizonte, MG 8/2/2008 09:51
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blequimobiu
 

Galera, tou com uma faixa na fila de votação, quem puder somar ficaria agredecido de ter meu trampo divulgado neste espaço.

http://www.overmundo.com.br/banco/versu2-na-caminhada

Grande abraço a geral.

blequimobiu · Salvador, BA 20/3/2008 09:44
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dj morcegao
 

AE MANOS ACHO O SOM DE VCS MUITO LOKO E FICO FELIZ EM PODER FAZER PARTE DA BANCA DO NORTE E NORDESTE QUE TEM COMO UM DOS ARTISTAS DO RAP NACIONAL O GRUPO DE RAP COSTA A COSTA, VALEU É NÓS PARCEIROS!!!!!!!

dj morcegao · Belém, PA 30/4/2008 12:01
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Rodrigo Siqueira O.
 

Som bem legal mesmo, parabéns!!! by Ser Universitário

Rodrigo Siqueira O. · São Paulo, SP 9/5/2011 14:07
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