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Somaiê

Rui Takeguma
Vivência de Somaiê
1
Alana* · Belo Horizonte, MG
29/3/2008 · 40 · 6
 

A SOMATERAPIA é uma vertente dos processos terapêuticos que opta em priorizar uma visão holística no meio da psicologia. A PSICOlogia nasceu e mantém uma visão de que o pensamento (cérebro e processos mentais) são hierarquicamente superiores ao corpo (corporalidade). Assim as somaterapias fazem parte de um arcabouço cultural das SOMATOlogias.

Na década de 1970. ROBERTO FREIRE começou a desenvolver uma somaterapia que recebeu o nome de SOMA, Uma Terapia Anarquista. Desde então formou vários somaterapeutas de Soma, houveram várias dissidências, pessoas que trabalharam com Freire, e depois buscaram seus próprios caminhos.

RUI TAKEGUMA fez Soma em 1990, e formação de 1990 a 1993.

De 1993 em diante atuou como Somaterapeuta de Soma em várias cidades e Estados brasileiros.

Participou da criação do Coletivo Anarquista Brancaleone em 1991, e após 10 anos atuando junto a outros somaterapeutas, resolveu experimentar um caminho solo, no final de 2000, onde se afastou do Coletivo Brancaleone (ver OBSERVAÇÃO no final desse texto).

No ano de 2001, mantinha o Espaço Cultural TESÃO (remanescente das Casas da Soma anteriores) e era supervisionado por Roberto Freire. Após um ano de intrigas e fofocas, resolve no início de 2002, se separar também de Roberto Freire, que estava preferindo os caminhos do Brancaleone, que também supervisionava nessa época.

Assim, em 2002 nasceu a SOMA-IÊ, ou seja, a SOMA que Rui Takeguma pesquisava. Adotou esse nome para homenagear a SOMA e Roberto Freire, e agregou o IÊ como uma referência ao ambiente da cultura popular: a capoeira. Em 2003, retira o hífen e mantém o nome SOMAIÊ desde então.

Dessa forma, a SOMAIÊ existe há 7 anos (2002/2008), mas sintetiza o percurso prático e teórico de 19 anos (1990/2008) de Rui Takeguma dentro da Somaterapia.

Hoje em dia, há mudanças PRÁTICA e TEÓRICAS da SOMA que Takeguma praticou na década de 1990.

Na parte TEÓRICA, a maior mudança é a contribuição da BIOLOGIA do CONHECER de Humberto Maturana, neurocientista chileno que propõe uma nova forma de se perceber a realidade. Além de uma radicalidade que Rui Takeguma aprendeu com Freire no aspecto ideológico e que o fez se separar de outros somaterapeutas que rumam ao academicismo e as instituições, como forma de adequações da Soma a atualidade(OBSERVAÇÃO 2).

Na parte PRÁTICA, Takeguma mantém vivas as experiências em Pedagogia Libertária que o Brancaleone desenvolveu na década de 1990, inclusive incorporando a técnica pedagógica e terapêutica que é a SOMAIÊ.

Os Manifestos recentes são formas de entender as propostas da SOMAIÊ na atualidade deste final da primeira década de um novo milênio.

Somaiê é uma coisa vagabunda?!!


Somaiê, uma vivência libertária


Carta aberta à Humberto Maturana


Por um anarquismo somático radical




OBSERVAÇÃO 1 - Mais importante se torna a saída de Rui Takeguma do Coletivo Brancaleone, onde por insatisfação pessoal ele propôs sua saída (secessão) e que foi consensual na época, e hoje o Coletivo Brancaleone ensina a seus novos formandos que expulsaram Takeguma. Para isso é ver os debates que o somaterapeuta Stéfanis fez dentro do ORKUT nas comunidades da SOMA e depois se afastou deixando os link anônimos.

OBSERVAÇÃO 2 - Em outubro de 2006, Roberto Freire reedita o primeiro volume do Livro da Soma, que era A Alma é o Corpo e agora, se chama O Tesão pela Vida. Nesta atualização ele anuncia esses novos caminhos para a SOMA.

Como FUNCIONA a Somaiê ?

O objetivo da Somaiê é promover experiências em um grupo de pessoas entre 12 a 21 meses, criando um microcosmo de relacionamento, convivência e produção em três níveis de produção:

- COM O SOMATERAPEUTA: são as atividades conduzidas pelo somaterapeuta de Somaiê responsável pelo grupo. No geral são 4 VIVÊNCIAS CORPORAIS mensais (VC). Sendo que a primeira metade (1h30) é voltada para atividades corporais lúdicas, e a segunda metade (1h30) para a avaliação e trocas de informações sobre a primeira metade. Nessas 4 vivências, o produtor de Somaiê seleciona as atividades (exercícios de Soma, capoeira angola e pedagogia libertária) em função da dinâmica do grupo. 3/5 dos meses seguem essa prática, porém 1/5 são adaptados a vivências junto a natureza (MC)e 1/5 dentro de cursos abertos de pedagogia libertária (Encontros de Te&So). Mais detalhes abaixo no mapa geral.

- COM O GRUPO: são as atividades sem a presença do produtor de Somaiê: o GRUPÃO, momento fundamental para o grupo construir uma dinâmica própria e autogestiva, seja para oa membros aprofundarem suas relações, adquirir fundos para o pagamento da Somaiê, ou ainda pesquisas em pedagogia libertária. E o CAPOEIRÃO momento em que os membros do grupo trocam experiências do seu aprendizado na capoeira pois, normalmente treinam em grupos variados de capoeira na cidade (o CAPOEIRÃO começa a acontecer depois da primeira vivência de campo).

- INDIVIDUALMENTE: são as atividades desenvolvidas por membros do grupo de forma individual: a prática semanal da CAPOEIRA ANGOLA, que durante a existência da Somaiê, necessita acontecer em qualquer grupo da linhagem de angola, no mínimo um treino por semana e o ideal com 3 a 4 treinos semanais. No decorrer da Somaiê, há indicações de leituras e pesquisas feitas individualmente.

--------------------------

Essas atividades mensais fortalecem a dinâmica do grupo, as pessoas se conhecendo numa prática de situações diferentes. As atividades tem um caráter pedagógico e diagnóstico, ao nos mostrar os bloqueios e libertarismos, como ao vivenciar estes momentos, vem o caráter terapêutico.

Nos últimos meses, as vivências corporais (VC)são transformadas em vivências dedicadas a cada membro do grupo. São as cadeiras quente (CQ), onde toda a técnica e dinâmica é voltada para cada um.

A passagem pela SOMAIÊ, é um marco na vida de seus participantes, e quem chega ao final, completando as cadeiras quentes, a última vivência de campo, e a produção do Jornal Tesão, obtém um material sobre si e seu viver que modificam sua estrutura autopoiética de uma forma definitiva.

A passagem pela SOMAIÊ é uma forma de desconstruir a percepção do UNIVERSO em uma realidade e aceitar a constituição biológica do MULTIVERSO e suas infinitas realidades possíveis; é uma forma de expandir sua corporalidade através do desenvolvimento de suas Potencialidade Múltiplas no viver...

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apple
 

Oi, Alana!

A forma libertária de vida proposta por Roberto Freire despertou a minha atenção há anos. Ainda não tive oportunidade de ver pessoalmente a prática do Soma, mas isso “sempre” ocupou a minha mente.

Adoro essa passagem de um livro dele que é, segundo o próprio autor, baseado nos conceitos da Somaterapia:

“Uma das mais eficientes maneiras de diminuir nosso sofrimento pelas dificuldades em exprimir e comunicar verbalmente o amor direta e substantivamente é podermos adjetivá-lo ‘a vontade , com isso, atenuarmos sua força e o travestirmos de roupagens tão variadas e diversificadas que, longe de sua crueza e de sua nudez autênticas, o amor acaba sendo mais a máscara do que o mascarado, ou – o que é mais trágico – ‘as vezes a máscara apenas disfarça e encobre a ausência do que deveria mascarar.

Amor paterno, amor materno, amor de parentes, amor filial, amor de namorados, amor de esposos, amor de amantes, amor de amigos, amor de companheiros, amor de sócios, amor de correligionários, enfim, todas essas e muitas outras formas de amar, em verdade, variam sobretudo em função da sua carga afetiva, sensual e sexual, dos compromissos, das obrigações, das dependências consangüíneas, legais, sociais, financeiras e políticas.

Por muito tempo a adjetivação do amor me confundia, cheguei mesmo a suspeitar de que cada um desses amores era de qualidade realmente diversa no conteúdo, na energia, como o era na forma e no objetivo.

Preso ao conceito clássico e autoritário de que o amor é uma relação de troca complementar, ou seja, sistema de vasos comunicantes, eu deveria amar mais a pessoa que suprisse minhas carências pessoais em todos os planos, ficando, assim, atada indissoluvelmente a idéia de atração, amor e complementação ‘a de gratidão e dependência.

A idéia de que amar podia ser coisa completamente diferente deixou-me tão perplexo e apavorado porque, dentro do código de ética e de normalidade que regula a forma clássica de amar, qualquer violação dos limites de cada uma dessas maneiras adjetivadas de amar é punida com classificação de tipo pejorativa, marginalizante e alienante, podendo até ser caracterizadas como perversões patológicas ou transgressões criminosas.

Acho que consegui exemplificar bem essa situação num de meus romances, quando um jovem pede amor a um homem maduro, amor substantivo que ele, jovem, sabe exprimir e comunicar de forma crua e nua, porque é um protomutante, é uma pessoa que nasceu do futuro e não conhecia as normas de vida vindas do passado. Então, o homem maduro, atraído e fascinado pela originalidade e beleza do jovem, mas em pânico preso aos preconceitos de sua formação burguesa, comporta-se assim, no diálogo com o rapaz, que naquele instante lhe pedia proteção:

- Proteger como?

-Com o seu amor.

-Meu amor?

-O teu amor por mim... o teu amor pelo meu amor por você!

Nos olhávamos de frente, tensos os dois. Eu estava perplexo e indignado. Amor? Amor por um menino? Amor de pai? Amor de amigo? Amor de irmão? Amor de amante? Eu pensava e exprimia as interrogações em palavras orais. Ele não respondia a nenhuma.

-Por que você não responde?

-Porque eu não sei, porque eu não quero nenhum desses tipos de amor de que você falou!

-E o que você quer, então?

-Esse aí...

E tocou meu peito com a ponta do dedo. Relaxou a tensão nele. Sorriu e continuou tocando meu peito com a ponta do dedo.

-Todo esse aí...”


Então... Gostei mesmo de ver esse tema aqui. Depois, vou melhor as indicações que você mencionou!

Abraço

apple · Juiz de Fora, MG 28/3/2008 01:30
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Alana*
 

Olá Apple!
Realmente o Roberto Freire criou uma tarepia totalmente contrária as terapias propostas pela grande maioria dos terapeutas que nos dão meios de inserção no sistema a somaterapia nos liberta dele e de nós mesmos que acabamos construindo nossas grandes ao longo de nossas vidas.... Libertar das neuroses e bandeiras, ser você mesmo, vivenciando as multiplas possibilidades...
Tem uma musica muito legal que usamos em uma vivência que fala sobre o "amor somático"; O Seu Amor, dos Doces Bárbaros:

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é.

Se tiver a oportunidade de vim para o próximo Te&So aqui em BH e fazer uma vivência de Somaiê ...
Grande abraço!
=D

Alana* · Belo Horizonte, MG 28/3/2008 09:34
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apple
 

Ah, sim! Não prometo quando, mas vou planejar para ir um dia desses. Creio que será uma vivência sem igual.

apple · Juiz de Fora, MG 29/3/2008 11:32
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Sérgio Franck
 

Alana, deu saudades das cachoeiras, do mountain bike no mato. Não tinha coisa melhor pra fazer.

bjo.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 31/3/2008 13:54
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Bruno Resende Ramos
 

Para mim uma proposta inusitada. Não conhecia o método e percebo uma abordagem muito lúcida, simples em tom de maifesto contra essa falsa padronização do desejo, do sonho e da felicidade hoje imposta pela sistemática visão capitalista.

Sucesso

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 1/4/2008 12:20
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Alana*
 

Falou tudo Bruno! A sinceridade predisa e deve ser valorizada. Não precisamos viver de aparências...
=D

Alana* · Belo Horizonte, MG 1/4/2008 13:35
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