Tudo começou como uma brincadeira para Rubens Carvalho. A idéia era relembrar sua adolescência nas ainda vazias quadras de BrasÃlia, quando se juntava com seus amigos para escutar os vinis que cada um tinha. Nesses encontros sempre alguém fazia as vezes de DJ, enquanto os outros escutavam as músicas e batiam papo.
É exatamente esse mesmo clima de camaradagem que Rubens procurou levar para a Quarta Vinil. Realizada religiosamente desde abril de 2000, é um espaço onde ele, proprietário do famoso Gate's Pub, recebe seus amigos para dividir a discotecagem por uma noite.
"Quem toca aqui não é necessariamente DJ", afima. "A maioria é amador. Traz os discos que tem em casa e vem se divertir". O próprio Rubens não é um profissional no assunto, mas gosta de iniciar as noites tocando jazz e música instrumental, em um aquecimento para a entrada do convidado de cada edição.
É a diversidade dos convidados que garante a graça do projeto. Diferente da música digital, facilmente reproduzÃvel, o vinil existe em quantidade limitada. E o repertório da noite depende do que cada um tem em casa. Há quem leve discos há muito tempo fora de catálogo. De vez em quando pinta um Tim Maia Racional ou Os Afro-Sambas, de VinÃcius e Baden Powell. E há outros que discotecam com suas coleções de compactos importados de bandas atuais, como Strokes, Franz Ferdinand e Coldplay.
Muita gente teve na Quarta Vinil sua primeira experiência como DJ. Eu, por exemplo. E a conseqüência imediata disso foi o aquecimento do mercado de sebos em BrasÃlia. No Musical Center, o maior da cidade, é comum esbarrar em um ou outro DJ amador caçando raridades. E também não é raro escutar por ali alguma conversa referente à s democráticas noites do Gate's Pub.
O evento virou uma febre em BrasÃlia, e houve épocas em que era impossÃvel entrar sem esperar pelo menos uma hora na fila. Hoje está menos cheio, mas a pista de dança ainda ferve ao som das músicas consagradas a hits locais, como Não vá se perder por aÃ, dos Mutantes, ou Cities in dust, da Siouxsie & The Banshees.
Rubens é o maior entusiasta da noite. É sempre o primeiro a chegar e último a sair. E não é raro vê-lo no meio da pista, dançando alegremente. Ele já perdeu as contas dos momentos memoráveis que presenciou, mas aponta alguns dos mais marcantes. "Teve uma vez que o Gate's virou um baile de carnaval, com todo mundo brincando de trenzinho", recorda. "E uma outra em que as pessoas ficaram impressionadas de escutar ali músicas que ainda nem tinham saÃdo em CD no Brasil".
Tanto prestÃgio já atraiu ao simpático pub algumas personalidades. "O Ed Motta já veio aqui. Não resistiu e foi bater um papo com as duas irmãs que discotecavam, aproveitando para sugerir algumas músicas", conta Rubens. "Outro que veio aqui e adorou foi o estilista Alexandre Herchcovitch. Gostou tanto que depois realizou uma festa aqui no Gate's, onde ele mesmo era o DJ".
Longe de terem cheiro de bolor, como muita gente pode imaginar, as Quartas Vinil mantém ainda um ar de novidade. A cada semana, um convidado com seu história musical. Quem sabe qual será a da próxima? Só indo lá.
Putz Daniel,que legal escrever sobre a história do Rubens e sua relação visceral com o vinil...apaixonante.Ontem numa noitada,dançando e na parada pra respirar,conversando com um amigo justamente sobre o vinil,sobre o que ele representa na nossa história de vida,sobre o contexto inserido...enfim jogando conversa fora e trocando umas idéias.
Mas tb não posso esquecer q quando adolescente,e morando no interior da Bahia , minha mãe toda vez que viajava pra Salvador comprava as tais bolachas que faziam tanto sucesso,e garantia minha ida as festinhas,rssssssss...mas pensando bem,mesmo sem intencionalidade,aquelas bolachas,aqueles vinis,garantiam sim...o acesso há uma boa música para todos que circulavam naqueles espaços...ou melhor, o vinil rompia as fronteiras do meu ouvido e da minha "radiola".grande abraço.
Pois é.
Eu também sou um apaixonado por vinil. Parei de comprar CD há algum tempo, mas continuo comprando os bolachões. É uma coisa meio anacrônica mesmo.
O que eu acho bacana no vinil é a relação que você tem com a música. Você vê a faixa, aponta a agulha, coloca, escuta o chiado, muda o lado. Sei lá, é meio viagem isso, mas acho mais pessoal.
Abs!
Viva o vinil ! Nestes tempos de MP3 e zilhões de MB baixados freneticamente, o vinil rememora um tempo quando comprar, ouvir e se deleitar com um disco genial e raro, navegar pela capa, encartes e ficha técnica, faziam parte de uma relação bem mais apaixonada e duradoura entre músicas e ouvintes.
Gyothobat · BrasÃlia, DF 22/10/2006 23:43
Eu ainda continuo a minha busca pelo Pet Sounds, dos Beach Boys. Se alguém tive - ou souber onde tem - avisa. É meu disco preferido.
Daniel Cariello · BrasÃlia, DF 23/10/2006 12:19
Quaaaaaantas lembranças da quarta vinil! Fantástico o texto, Daniel... e deu até vontade de dar um pulinho lá na semana que vem, andei sumindo. E realmente o clima é bem esse mesmo! De uma galera curtindo muito, sons bem conhecidos e outros nadinha conhecidos! O tom não formal...
Abraços!
Nossa! Muito legal os comentários de vocês, nunca fui à quarta vinil, mas sinceramente farei o possÃvel para ir nesta quarta de tanta curiosidade. O texto muito legal e os comentários de todos foi bastante inspirador, nostálgico até, bjs
Lili Avila · BrasÃlia, DF 24/10/2006 10:28
Vai lá sim, Lilia. Tenho certeza de que vai gostar. E valeu, Ana. Talvez eu apareça por lá nessa 4a também.
Daniel Cariello · BrasÃlia, DF 24/10/2006 12:29Puxa, isso da um documentario legal, hein? As pessoas abrindo suas colecoes, contando sua historia com os discos... Puxa, se eu tivesse ai, fazia o "Rubens Discos", em singela homenagem ao belissimo "Durval Discos".
Roberto Maxwell · Japão , WW 24/10/2006 14:56
Alguém se anima a vir aqui fazer esse documentário? Eu acho uma EXCELENTE idéia. O Roberto pode fazer o roteiro.
Daniel Cariello · BrasÃlia, DF 25/10/2006 12:34Bem, sugiro que as pessoas procurem os personagens mais interessantes e trabalhem com os discos que as pessoas teem em casa. Visitem as colecoes, conversem sobre a memoria afetiva das obras. O uso de musica pode gerar problemas de direito autoral.
Roberto Maxwell · Japão , WW 25/10/2006 13:30Minha relação com o vinil é um pouco como o que foi dito acima, a cada lançamento a expectativa além da música, quem criou a capa, vasculhar os créditos, acompanhar as letras, limpar os sulcos com o orgulho de ser cuidadoso, valorizar o produto como um todo. O cd minimizou isso, fisicamente pelo tamanho, mas principalmente pelo conceito. Com as midias digitais, mp3, wma, e seus tocadores o que se ganha em volume e praticidade perde-se pela vulgaridade com q
Camafunga · Pelotas, RS 25/10/2006 15:51
Eu ficava horas viajando na capa de Magical Mystery Tour, dos Beatles.
Daniel Cariello · BrasÃlia, DF 25/10/2006 20:13
É o tipo de oportunidade que vale a pena "degustar"!
Quando for em BrasÃlia, levarei alguns dos meus discos de vinil!
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