Sou do Surf !

Divulgação
1
Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB
18/6/2006 · 70 · 4
 

- Jesuíno, estou precisando fazer um texto sobre o surf na Paraíba, enfocando comportamento e um pouco de história também.
- O melhor cara pra falar sobre o surf na Paraíba é Padilha. Ligue pra ele !
Jesuíno André e Chico Padilha são o que se pode dizer de pessoas do surf na Paraíba. Apesar de suas ocupações pessoais, eles estão sempre dando uma força no circuito e fazem isso porque gostam. "Adoro o surf mas odeio surfista !", brinca Jesuíno. Eles começaram a se interessar pelo surf ainda criança e sempre de olho nas novidades conseguem vislumbrar talentos promissores.

Padilha

Bom, liguei pra Padilha, na verdade, Francisco Padilha, 43, funcionário público e colaborador do site wave e revista taking surf, conhecido por aqui como uma bíblia do surf local e o homem que mais divulga o surf PB na imprensa nacional. Ele teve o primeiro contato com o surf há 30 anos, em 1976, no 1º Campeonato de surf organizado na Paraíba. A Baía da Traição era o cenário, famosa pelo mar agitado e por ter a maior reserva indígena da Paraíba. O organizador era Anchieta Maia, hoje dono de um informativo que faz um “social” dos colégios da rede privada. "Na época o surf era um esporte para jovens da elite, filhos das famílias mais tradicionais. As pranchas eram muito caras e tinham que vir do Rio, somente quem tinha grana podia ter uma. Minha primeira prancha tem uma história bem engraçada. Estava na Baía da Traição e aportou um navio escocês perto da costa. Fomos conhecer o navio num barquinho. No navio um dos membros da tripulação pediu para levar um arco e flecha de umas das tribos da região para ele levar como souvenir. Levei e ele me deu em troca uma garrafa de whisky escocês, que troquei por um console de Brasília (aquele carro sobre o qual os mamonas compuseram um de seus maiores sucessos), que foi logo trocado por uma prancha Gledson, monoquilha e cheia de bolhas. O campeão desse primeiro campeonato foi Giuseppe Marques, o Pepe. A revista de comportamento jovem na época mais lida por aqui era a POP, era através dela que ficava-se conhecendo quais eram as principais novidadese e tendências no esporte, moda, música etc. Em 1977, um repórter da revista veio cobrir um campeonato na praia de Cardosa, um praia que fica dentro da reserva indígena da Baía da Traição. Me parece que a Paraíba foi o primeiro estado fora do circuito Rio-São Paulo a aparecer na revista com uma matéria sobre surf", lembra Padilha.

Joenedile do Vale

Vamos em águas mornas até 1983, quando aparece a Associação de Surf da Paraíba. O primeiro Presidente foi Adriano Henriques, o pico do momento em João Pessoa é o Bessa e os surfistas que antes viam o surf como um esporte simplesmente social, até mesmo como diversão, começam a focar a prática na profissionalização. Nessa época o circuito começa a ser disputado além da Baía da Traição, incluindo Bessa, Barra de Camaratuba e Dique de Cabedelo. Neste ano aparece Fábio Gouveia nas competições e com apenas 13 anos termina em terceiro lugar, chamando bastante atenção. Nesse mesmo ano a primeira surfista feminina da Paraíba, Joenedile do Vale, hoje morando no Hawai, compete na categoria open desafiando os marmanjos. Nomes importantes figuram nessa época, Guto Clerot, Fábio Quencas e Caio Pereira.

Fábio Gouvêia

Em 1986, em meio às comemorações dos 400 anos da cidade de João Pessoa, o próprio Padilha organizou a copa Quarto Centenário, ganho pelo até então Fábio Martins, que mais tarde viria a ser mais conhecido como Fábio Gouvêia. Como prêmio uma passagem João Pessoa/Rio/Lima/Rio/João Pessoa, viagem que Gouvêia não fez por lhe faltar: 700 dólares. Ainda bem, porque essa passagem se transformou em duas passagens ida e volta para Floripa, vôo ao primeiro campeonato grande op86.
Surge aí um personagem emblemático, Paulo Carneiro, que entre outras graças concedidas, é primo do cultuado pernambucano da MPB, Lenine. Paulo Bala, como é mais conhecido por aqui, por usar argumentos mais ortodoxos para resolver questões pessoais, era proprietário de uma marca de surf, a swell. "Como shaper ele teria como último atleta Fábio Gouveia, foi ele quem levou o “moleque” nos primeiros surfaris. Paulo era casado com filha, perfil de responsável e vendo o potencial do garoto, convenceu Marcos Gouveia a liberar o filho para conhecer o mundo mágico de ondas perfeitas de BF(Baía Formosa/RN), a natureza selvagem da Baia da Traição e o surf urbano no Dique de cabedelo. Otávio Lima, maior colecionador de títulos em circuitos paraibanos, também foi membro da equipe de Paulo.", conta Padilha. Em 1987, Fabinho se tornou campeão brasileiro amador e em 1988 campeão mundial amador, primeiro título de um brasileiro no WCT. O resto da trilha desse paraibano obstinado o mundo conhece

Tininha

No Havaí do século XVI o surf só era permitido entre os homens membros da família real. E hoje? Capítulo especial para Padilha - mulheres no surf paraibano."Começa nos anos 80 a história das mulheres sobre pranchas na Paraíba, com Joinedile do Vale, em 83, depois dela, em 86, Cristiana Dantas, competiu no circuito estadual entre os homens e conseguiu, no único evento de surf feminino que disputou, em 88, o vice-título brasileiro da etapa Pernambuco, vencida pela atual tricampeã brasileira, a carioca Andréa Lopes, líder do SUPERSURF 2006. Hoje as paraibana Janaína Cléa, última vice-campeã nordestina, acumula o maior números de títulos, seguida por Marcela Ivone, mas é em Diana Cristina, a Tina de Souza ou tininha, que se depositam as maiores esperanças. Ela que, com apenas 12 anos, conquistou o Paraibano de Surf feminino em 2002. No ano passado,Tininha venceu quatro das cinco etapas do Estadual. Atualmente, com 15 anos, é campeã brasileira júnior e melhor Sub-16 do Brasil e foi 5ª colocada no Mundial Profissional Sub-20, conquistou o primeiro WQS feminino da história do surfe Brasileiro e representará o Brasil no Mundial Sub-16 da Rip Curl na Austrália, em 2007.

- Padilha, como conseguimos ter atletas de tão alto nível se temos poucas ondas no nosso litoral ?

-"Quando Fabinho foi campeão mundial amador em Porto Rico ele disse : hj o mar tá parecendo, BF, se referindo a Baía Formosa(RN), para onde muitos dos surfistas locais se deslocam, como ele fazia, para treinar em ondas grandes. Tininha ao conquistar o primeiro WQS feminino da história do surfe brasileiro, confessou : o mar lembra o da Baía da Traição",argumenta.

"Coloque os nomes das pessoas aí Edmundo, Foram elas que fizeram e fazem a história do surf PB ! Jano Belo, Saulo Carvalho, Nilton Santos, Ótavio Lima, Inaldo Barros, João Barbosa,... é muita gente, man ! ", fala Jesuíno.

- Padilha, tú devia escrever um livro sobre isso !

"Tem uma música de Herbert que tem uma letra assim : "Rede de surfistas no mar ligados por computador... quando sopra o vento terral de manhã, vale a pena acordar pra ver". Sabia que a família de Herbert também tem ligação com a história do surf daqui ? Aldo e Bete Francinetti, Vinícius fernandes, são parentes dele", desconversa.

Dois Causo sobre Padilha

1º - Chico Padilha foi surpreendido com uma homenagem de Fábio Gouvêia durante o lançamento do Documentário Fábio Fabuloso em João Pessoa enuanto fotografava o evento.
2º - Durante uma das etapas do Paraibano de Surf, Padilha foi premiado com um bloco de prancha. Sabendo que a promissora competidora, tininha, ainda não tinha prancha, ele cedeu o bloco pra ela, e conseguiu um shaper para que ela fizesse sua primeira prancha de surf.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Jesuino André
 

Edy meu caro agora do outro lado do planeta...

Jesuino André · João Pessoa, PB 15/6/2006 08:36
sua opinião: subir
Simone Faustino
 

Edmundo, li sua reportagem. Realmente não é comum se escrever sobre surfe num país fortemente governado pelo futebol. Mas tem uma linha clara que parece interessante nos dois textos, uma parte social legal que é a dos relacionamentos que o surfe vai criando. Não sou surfista (incrível, né?) Um amante do mar até... mas tenho apreciação pelo lado que une as pessoas ao redor do surfe.

Simone Faustino · Fortaleza, CE 12/3/2007 21:01
sua opinião: subir
André Gurjão
 

Corrigindo a autoria do comentário (minha namorada que estava logada).

Edmundo, li sua reportagem. Realmente não é comum se escrever sobre surfe num país fortemente governado pelo futebol. Mas tem uma linha clara que parece interessante nos dois textos, uma parte social legal que é a dos relacionamentos que o surfe vai criando. Não sou surfista (incrível, né?) Um amante do mar até... mas tenho apreciação pelo lado que une as pessoas ao redor do surfe.

André Gurjão · Fortaleza, CE 12/3/2007 21:03
sua opinião: subir
Edmundo Nascimento
 

Pois é, tb não sou surfista, mas tenho grandes amigos, como Jesuíno André, que trafega entre o rock independente e o surf. Na Paraíba temos conseguido manter alguns nomes entre os melhores do surf no país, apesar das dificuldades, que o diga Fábio Gouveia e Tininha, entre outros tantos nomes. Daí meu interesse em colocar o tema, tendo como referência a figura de Chico Padilha, surfista das antigas que movimenta os bastidores do esporte por estes lados. Abraço e obg pela colaboração.

Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 17/3/2007 19:48
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados