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Teatro Mágico apresenta: entrada só para a massa

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Bre · Santos, SP
30/9/2008 · 124 · 5
 

A primeira vez que eu tive contato com o Teatro Mágico foi em um show deles, ano passado, aqui em Santos. Não vou negar que tudo estava maravilhoso, pra mim, que sou vidrada em teatro desde que me entendo por gente, essa mistura de música, teatro, dança e circo estava perfeita.
O Fernando Anitelli recitava poesias e fazia campanhas contra-ideológicas. Foi então que algo inesperado aconteceu. Ele exclamou a seguinte frase: Meninas gritem !!. Esse cara ajudou muito a gente. Com vocês. Fernando do Big Brother Brasil. Quando eu vi o BBB entrando e acenando pra galera foi como se tivessem jogando um balde de água fria na minha cabeça e toda aquela impressão maravilhosa que eu estava tendo sobre o Teatro Mágico desmoronasse.
Eles tinham acabado de discursar sobre a exploração da mulher e da sexualidade nos meios de comunicação de massa e de repente convida a participar do que ele chama de “sarau para raros” um protagonista desses programas.
Com uma das frases de Anitelli retirada de uma entrevista realizada pala revista Caros amigos ilustrarei o ocorrido: “É por isso que eu falo nas nossas apresentações: “Pessoal, isso aqui nada mais é do que a idéia de um sarau amplificado”. As coisas no sarau sempre ocorreram de modo livre, independente. Você declama uma poesia, nisso todo mundo começa a cantar uma música junto, alguém entra com uma cena de dança que tem a ver com aquela música, aquela poesia.”....e vem um BBB que não tem nada haver com a proposta do grupo e decepciona as pessoas. (minha continuação da cena)

Nesta mesma entrevista o líder do grupo esclareceu o ocorrido:

“O que acontece é que eu não estou me juntando, me rendendo, apoiando os conchavos que a Globo faz. Isso não existe! O cara que entrou lá no Big Brother é de Osasco, trabalha com nosso gaitista, se formou com meu irmão, e o grito de guerra que ele lançou quando entrou lá foi a nossa frase: “os opostos se distraem e os dispostos se atraem”. Eles perguntaram: “pô, vocês são de Osasco, não querem aparecer?”, e a gente: “vamos lá, sem problemas”
Essa questão das bandas independentes é complicada. Há os que consideram que bandas independentes de verdade são aquelas que se alto divulgam e se recusam a ingressar na indústria fonográfica. Em contrapartida tem os que vêem as bandas independentes como uma etapa para ingressar na indústria fonográfica. Para a primeira vertente, tocar no Faustão ou em qualquer programa desse tipo significaria o fim de tudo que envolve sua trajetória. Já para os seguidores do segundo pensamento essa seria uma boa oportunidade de mostrar seu trabalho e ampliar seu público.
A dúvida é em qual vertente se encaixa o Teatro Mágico. Anitelli afirma que se ele puder aparecer por cinco minutos na TV mostrando seu trabalho e cantando suas músicas, ele vai. Em outro momento da entrevista ele ainda comenta que a mídia dita a moda e que inclusive a mídia cria um estereótipo que diz o que é certo, o que é errado, o que é belo.
Analisando essas frases ditas pelo líder do grupo e a velocidade e superficialidade dos programas televisivos vemos que há muita contradição. A começar pelo título do último álbum “Entrada só para raros”: que supõe algo procurado por pessoas que se interessassem pela ideologia de suas músicas e não para a massa. E outra contradição é a redução da discussão proposta pelo grupo, porque já que geralmente as apresentações na TV são rápidas, eles também podem virar modismo sem que o público sequer entenda o caráter político de suas músicas.
Será que é essa a intenção do Teatro Mágico: é bem possível com mais sucesso eles venderiam mais CD’s e como eles mesmos os produzem a grana seria toda do grupo, aliás, o último teve 35 mil cópias vendidas. E outra questão é que Fernando Anitelli fala que vende seus CD’s a R$ 5,00 e disponibiliza as músicas na internet para serem baixadas como se isso não beneficiasse o grupo. É óbvio que para eles quanto mais o trabalho for divulgado melhor. Uma coisa eu tenho que admitir esse Anitelli entende de marketing, o que pode ser comprovado pelos slogans: “os opostos se distraem e os dispostos se atraem” ou até mesmo “só para raros”




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clara arruda
 

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 30/9/2008 18:46
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Márcio Garoni
 

Sim, eu também estive nesse show, quando apareceu o bbb neguinho jogou uma latinha na direção do palco, e o Anitelli: "Lá em Osasco a gente tem um jeito de resolver as coisas".
É verdade, o discurso é bem diferente da prática. E o mais estranho é que todo show ele diz as mesmas coisas, como se fosse uma "ovelha negra" da música, e se orgulhasse disso.
O fato é que o discurso tem dado certo, a música é boa, o show também, e os fãs, claro, aumentam. Mas uma hora isso vai cansar.

Márcio Garoni · Santos, SP 30/9/2008 23:14
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Giovanni Guidi
 

Gostei do texto.
Votado.

Giovanni Guidi · Piracicaba, SP 1/10/2008 11:42
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Hipocrisia Livre
 

prova que o mainstream as vezes se faz de alternativo para se lançar aos ceus... isso é normal, acredite...
belo post!

Hipocrisia Livre · Rio de Janeiro, RJ 2/10/2008 01:43
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Janaina Marina
 

Olá,
gostei do seu texto, pois não só de elogios se faz o artista.
Gosto da iniciativa da trupe e acompanho o trabalho deles.
Sobre o que você disse de música livre, o fato dos artistas se apresentarem, ou não, 'na globo', não vai fazer deles melhor ou pior. Não importa em qual mídia eles vão divulgar, e sim o que eles estão apresentando. Enquanto o TM não perder em qualidade, criatividade e ousadia, não importa por onde e para quem eles estão levando o espetáculo. Se um dia a TV 'aberta' der espaço para artistas com a qualidade do TM estaremos diante de uma boa evolução.
Não importa em qual meio os artistas fazem sucesso, desde que eles não deixem de ter qualidade para alcançá-lo.

Janaina Marina · Carmo do Rio Claro, MG 4/11/2009 21:36
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