Tia Eva: Herança milagreira

Kroy`Myth
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
20/5/2006 · 160 · 16
 

Como vive a comunidade negra da Igrejinha de São Benedito, formada por descendentes da rezadeira e, dizem, milagreira Tia Eva: na foto os bisnetos Seu Michel e Senhora Narzira com o busto de Tia Eva ao fundo

Chegar lá é relativamente fácil. Difícil é esquecer. A verdade é que este repórter nunca havia ido à Comunidade Negra da Igrejinha de São Benedito, localizada a uns 15 km do centro de Campo Grande. O local, que abriga umas 60 casas, é reduto dos descendentes de Eva Maria de Jesus, mais conhecida como Tia Eva. Benzedeira, rezadeira e, muitos acreditam, milagreira, a ex-escrava veio em uma comitiva em 1905 para estas bandas. Nascida em Mineiros, no interior de Goiás, foi uma das primeiras a chegar no que hoje chamamos de Campo Grande. Tinha 45 anos e três filhas. De cara impressionou: sabia ler e escrever. Para quem foi escrava, não era pouca coisa. A história começa, porém, em 1910, quando decide pagar a promessa a São Benedito por a ter curado de uma ferida na perna. Constrói uma capela em agradecimento ao santo e conclui a igrejinha em 1912, demolida e substituída por uma de alvenaria em 1919. Tia Eva está enterrada dentro desta pequena igreja, a mais antiga da cidade. Calcula-se que existem 2 mil descendentes de Tia Eva espalhados pelas comunidades negras do Estado.

O contato para realizar a matéria foi Eurides da Silva, mais conhecido como Bolinho. Sua esposa atendeu o meu telefonema no orelhão comunitário, em frente ao Bar da Dona Rute. Rapidinho o achou, liguei em um celular e marcamos para o dia seguinte cedo. Fui recebido por Bolinho e seu pai, Sérgio Antônio da Silva, o Seu Michel. O senhor de 70 anos, cabelos já meio embranquecidos, simpático e de gestos lentos é bisneto de Tia Eva. Na verdade, ele é o responsável por ter se tornado tradicional a festa de São Benedito, sempre em maio, a mais antiga da cidade também. Foi ele que entrou com a petição do Uso Capião para a legalização dos terrenos da comunidade. O IPTU vinha em nome da escrava, que era dona de toda a área. Após seis anos, ganhou na Justiça. Hoje cada descendente que reside na comunidade pode requerer a escritura de seu terreno mediante quitação do IPTU.

O problema é que a maioria não tem condição de pagar o imposto. O próprio Michel está devendo quatro anos de IPTU, que atinge a soma de R$ 6 mil. Assim como muitos na comunidade. Reclama que em vez de asfalto, as ruas do bairro deveriam ter recebido paralelepípedos. Com isso, o IPTU seria mais acessível e o ambiente menos modificado. A comunidade não foi consultada. Mas o sonho mesmo e a luta de Seu Michel e seu filho Bolinho é que a comunidade vire uma quilombola urbana para ficar isenta de impostos. É o que acontece nas quilombolas rurais, como a Chácara Buriti, que fica a 40km de Campo Grande e abriga 37 famílias, e a Furnas Dionísio, uma área de 900 hectares a 45km da Capital em que vivem 80 famílias. Na verdade, vários descendentes de Tia Eva já correm o risco de serem expulsos da comunidade por falta de pagamento de impostos.

Segundo Bolinho e Michel, só com a criação da Associação Beneficente dos Descendentes de Tia Eva, em 1996, houve melhorias. Antes, tudo era feito no local onde aconteceu a entrevista: embaixo das árvores do quintal da casa de Seu Michel. Hoje em dia, além da igrejinha, existe um salão social para realizar as reuniões e eventos. Um grupo de música afro, uma escola, um campo de futebol... Conseguiram um orelhão comunitário e uma lombada em frente à igrejinha. Uma linha de ônibus que passa pelo bairro. Visitaram a comunidade a sambista Leci Brandão e o embaixador da África do Sul, Mambulena Hakena. O governo estadual, através da Agência Estadual de Habitação, construiu no local 20 casas e ajudou mais 32 famílias nas reformas. Além de Tia Eva ter recebido o Título de Cidadã Campo-Grandense em junho de 1996.

Mas muito ainda precisa ser feito na comunidade. Resgatar a história de Tia Eva, descobrir qual dialeto africano ela falava e de que parte da África sua família tem ramificação são coisas que ainda precisam ser reveladas. Para fazer finalmente o busto de Tia Eva, exposto em frente à igrejinha, foi preciso basear-se em descendentes, como uma tia e sobrinha do Seu Michel. Bolinho lembra que tem o projeto de fazer uma biografia de Tia Eva e que não conseguiu ainda apoio para concretizá-lo. O projeto de R$ 30 mil não foi aceito pelo Fundo de Investimentos Culturais de MS (FIC). Bolinho reflete sobre o porquê de alguns políticos negros não terem ajudado a comunidade quando chegaram ao poder: “Subiram ao topo, mas esqueceram a base, mesmo tendo no início da carreira política a bandeira da negritude. Então a comunidade em si precisou lutar para trazer suas benfeitorias. Conseguir parcerias como a que fizemos em 2005 com a Fundação Ford para o projeto Negra Eva, que apóia afro-descendentes para ter acesso ao ensino superior. Além de alguns profissionais liberais que lutam junto com a gente e acreditam na causa. Temos também o apoio da Fundação de Cultura na festa de São Benedito e alguma ajuda esporádica da prefeitura. Mas fica por aí.”

A boa recepção de Bolinho e Seu Michel continua e sou levado até a igrejinha. Ouço que na reforma muita coisa original da construção se perdeu, como o piso e a parte de alvenaria do teto. Lá dentro, um pôster do Papa João Paulo II me chama a atenção. Encontro então a senhora Narzira Caetano de Barros, irmã de seu Michel. Ela tem 82 anos e poderia ser apontada como a substituta de Tia Eva. Narzira emociona-se: “Tomo conta da igreja e também sou benzedeira. Temos que manter a tradição. Mas com os mais novos tudo muda. Meus filhos estão virando crentes e aqui somos católicos. Fico chateada. A minha filha Neusa pode dar continuidade ao que faço, mas ninguém quer mais benzer, porque dá muito trabalho, além de precisar ter o dom. Devemos tudo a Tia Eva. Uma santa que curou muita gente. E acho que a comunidade está melhor hoje, tem coisa que não tinha e agora tem.” Sinto uma energia grande vindo de Narzira e vou pra fora me despedir do Seu Michel.

Encontro então o professor universitário Sebastião, que estava conversando com Seu Michel em frente ao busto de Tia Eva e é morador de outra comunidade negra. Escuto: “Mesmo com mais de 100 anos de libertação continuamos presos ao sistema. Nos sentimos escravos ainda, dependentes do poder público. Esta comunidade da Tia Eva é um marco histórico para sempre de Campo Grande, deveria servir de exemplo e ser bem mais reconhecida. O problema é que somos uns 30 mil negros no Estado e não temos união.” Subo novamente para a casa de Seu Michel. Bolinho me entrega alguns textos e sai para seu compromisso. Sentado na varanda da casa de Seu Michel, fico sabendo que ele tem 12 filhos (um falecido), casou três vezes e por muito tempo vendeu doce de leite caseiro. Ele me explica que os quilombos sempre eram instalados em pontos estratégicos para facilitar a fuga dos escravos. E me mostra que a Tia Eva fez o mesmo. Da igrejinha, pode-se ver com facilidade quem está chegando dos quatros cantos da cidade.

Me despeço com vontade de ficar e dou carona para mãe e filha, também descendentes de Tia Eva. Dirijo e penso que o bairro deveria ter a vitalidade cultural de um Pelourinho, que a sociedade campo-grandense desconhece o lugar e como é a situação real dos negros no nosso país. Prometo a mim mesmo que vou tentar ajudar para que a biografia sonhada de Bolinho sobre Tia Eva se concretize. Acelero!

Abaixo, entrevista com Sérgio Antônio da Silva, o Seu Michel, bisneto da Tia Eva:

Por que a Tia Eva decidiu sair de Goiás?

Terminou a escravidão e ela quis sair de lá. Chegou aqui com as filhas Joana, Lazara e Sebastiana. Escrava não tinha marido. Por isso, uma era mais escura e as outras claras. As três casaram e foram multiplicando. Naquele tempo as pessoas abusavam dos escravos. Eram tratados como se fosse uma criação qualquer. Então, a Tia Eva foi uma grande liderança. Era parteira, sabia ler e escrever. Receitava remédio de médico alemão. E as pessoas curavam. Em uma época que Campo Grande não tinha nem padre. Isso aqui não tinha nada. Só era mato. Passagem para boiada. Ela pagou por esta terra 85 mil réis. Na época, era difícil ter este dinheiro. Por isso, a gente admira como conseguiu isso. A minha avó Sebastiana continuou fazendo os mesmos trabalhos de parteira e benzedeira.

A Tia Eva veio conscientemente ou não sabia da existência destas bandas?

Ela sabia para onde estava vindo com certeza. Veio em comitiva, não chegou sozinha. Primeiramente, ela construiu uma igreja de madeira em 1912. E depois desmanchou e fez outra.

Como foi a reação da comunidade naquela época?

Todos a admiravam. Por causa da inteligência dela se tratando de uma pessoa escrava. Porque ela fazia o trabalho do sacerdote. Tudo era ela. Mamãe falava que quando ela faleceu em 1926 a cidade toda parou e pessoas de destaque a reverenciaram. Tia Eva chegou aqui com 45 anos.

A comunidade encara a Tia Eva como uma santa?

A gente nunca diz isso. Mas tem muitas histórias. Teve uma senhora que estava com um problema de espinha e que se curou. Ela comprou uma creche e colocou o nome da Tia Eva. Em 1998, a gente estava entregando um troféu, porque mexemos aqui com esporte também. Chegou uma dona, me pegou pelo braço e falou: "Tem uma pessoa muda em minha família". O menino começou a falar aqui. Tenho um cunhado que é pastor e que chegou a conhecer a Tia Eva. Ele disse que a viu benzer e curar as pessoas. A Tia Eva era milagreira. Minha mãe contava também que ela era muito gorda. Que uma vez não conseguiu escapar e neutralizou um touro só com o pensamento. Conta que cada oração que ela fazia realmente dava certo. Ninguém sabe a causa da morte dela. Foi uma doença desconhecida. Ela sabia que iria morrer. Minha mãe contava que ela dizia isso.

Quando foi o auge da Tia Eva. Na década de 20?

Por aí. Mas a Tia Eva continua interessando. Tivemos um encontro em 1998 que 15 países participaram. Sobre a rota dos escravos. Fui escolhido para fazer parte da mesa do Senado representando todas as comunidades negras do país. Não por mim, mas por causa da Tia Eva. A gente vê que o pessoal lá fora tem interesse em saber da história dela.

Existe alguma imagem da Tia Eva?

Não tem foto dela. O busto, por exemplo, foi baseado em uma tia minha. A gente também tinha uma prima muito parecida. Tudo baseado em depoimentos familiares. A Tia Eva não era magra. Era baixa e gorda. Colocaram um foto no jornal que não era ela. Por isso o valor de termos o busto da Tia Eva desde 2004. Mas talvez a própria comunidade não dê importância para esta questão.

Quais pessoas lideraram a comunidade após a morte de Tia Eva?

A minha avó, dona Sebastiana. Depois ficou minha mãe, a Catarina Rosa. Minha mãe morreu e fiquei eu. Comecei a fazer as festas aqui na época da lamparina. Montei esta associação. Todo ano a gente guardava um pouquinho de dinheiro para construir o salão. Mas para eu agora produzir a festa é muito cansativo. Estou com osteoporose.

Qual o desejo que o senhor possui ainda?

Que nossas famílias fossem mais unidades. O resto realizei. Primeiramente, era fazer o inventário de tudo isso aqui. Consegui. Se não faço isso, podíamos ter perdido tudo. Depois era um sonho ter a festa da família e realizei. Quis fazer esta festa para manter todos unidos. Vários descendentes começaram a vir. Então, se os novos conseguirem 10% disto, está bom.

O que falta para a comunidade se desenvolver mais?

Os negros se unirem.

* Os interessados em entrar em contato com a comunidade devem ligar para o fone (67)3365-1223

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Thiago Camelo
 

aeee rodrigo! postou a foto. alias, grande foto!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2006 16:19
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Rodrigo Teixeira
 

Pois é Thiagão! Queria uma foto assim mesmo pra matéria. Fui hj pela manhã lá (7h rssss) e fiz o registro. Tem outras q seria bem legal também colocar. Nesta o Bolinho, tataraneto da Tia Eva, não aparece. Em frenteeeeee! abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 18/5/2006 17:50
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Viktor Chagas
 

Bom sinal. :)
Tinha dito que se a foto fosse diferente dessa, era pra gente contar que você estava mal-humorado...

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 19/5/2006 12:23
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Rodrigo Teixeira
 

Não entendi! Esta matéria foi muito legal de fazer. Adorei. Nada de mau-humor! abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 20/5/2006 13:07
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Bia Marques
 

Bela matéria e muito oportuna também. Vale lembrar que a CF/88 dedica artigo às comunidades remanescentes dos quilombolas e existem ações que possibilitam o registro como patrimônio cultural. Seria um belo tema a ser trabalhado por graduandos de Comunicação, História e afins, já que as Universidades possuem credenciais suficientes pra encampar um projeto desse naipe. Abraço

Bia Marques · Campo Grande, MS 21/5/2006 09:53
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Natacha Maranhão
 

Oi Rodrigo, que massa essa matéria.
Aqui no Piauí também tem uma comunidade quilombola, a Mimbó, que fica no município de Amarante. Há tempos que eu ensaio uma ida lá (não é muito perto de Teresina), mas nunca deu certo. Vou me programar pra fazer uma matéria pro overmundo qualquer dia desses.

Natacha Maranhão · Teresina, PI 21/5/2006 16:29
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Viktor Chagas
 

Oi, Rodrigo. Só pra esclarecer: no seminário, você já estava com a matéria pronta, faltava apenas a foto. Aí, você descreveu como queria, qual o enquadramento e tudo o mais, e, no fim, disse que ia mandar a foto pra gente, mas que se não fosse do jeitinho que você tinha descrito, a gente podia contar que você estaria de mau humor. Lembra?
Desculpa se me expressei mal. No mais, a matéria está ótima, sim. Um grande prazer lê-la! :)
Abração.

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2006 18:58
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Rodrigo Teixeira
 

Oi Natacha... poxa faça um esforço e vá lá sim. Vai valer a pena tenho certeza! E Victor, agora entendiiiiiiiiiiii... lembrei do q falei. É isso mesmo. abs Rod Tex

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 21/5/2006 20:59
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Tati Magalhães
 

Lembrei de um caso singular de uma comunidade quilombola aqui no Estado (em Alagoas tem muitas, a maioria em situação financeira complicadíssima): são quilombolas albinos, a grande maioria. Li uma matéra há algum tempo em um jornal local...

Tati Magalhães · Maceió, AL 21/5/2006 22:52
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Carol Assis
 

Rod, eu não sei quantas comunidades quilombolas tem aqui, sei que tem 36 comunidades supostamente remanescentes quilombolas, e o Incra, deu um gás em algumas delas pra que elas entrassem com o processo para serem reconhecidas ... e os processos estão rolando. Tem uma inclusive , que fica próxima da lixeira pública e é atingida pela fumaça que vem de lá quando tacam fogo no lixo. Dae que eles entrarm com processo de reconhecimento e se forem reconhecidos , vão poder até tirar a lixeira pública de lá, já que a área da lixeira faz parte das terras da comunidade ... a prefeitura e o governo já estão tentando negociar contrapartidas pra continuar na área.
Um abraço

Carol Assis · São Paulo, SP 22/5/2006 09:08
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Carol Assis
 

Aqui no Amapá, esquei de dizer ....

Carol Assis · São Paulo, SP 22/5/2006 09:11
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Rodrigo Teixeira
 

Carolll e Tati... quero ler as matérias, me deixaram curioso! bj Rod

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 22/5/2006 12:05
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Tânia Brito
 

Oi Rodrigo! Muito bacana a tua matéria. Estive na comunidade há uns anos atrás, conheci o Bolinho e sua família inteira. São pessoas que realmente têm muitas coisas a nos contar e cheguei a me emocionar quando diz que prometeu a si mesmo a ajudar na concretização da biografia que o Bolinho pretende fazer sobre Tia Eva. Legal! Parabéns pela iniciativa!

Tânia Brito · Campo Grande, MS 23/5/2006 14:58
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Spírito Santo
 

Rodrigo,
Desculpe não ter visto antes este teu post tão interessante.

O teu empenho em levantar esta história é muito admirável e, no que estiver ao meu alcance posso te ajudar um pouco dando dicas bem básicas que um bom repórter, como você parece ser, vai tirar de letra.
Você deve saber que, por causa do nosso racismo renitente, a história da cultura africana no Brasil, está, quase toda por ser escrita ainda, certo? É por isto que aí em Campo Grande (lugar onde já estive como músico do grupo Vissungo, tocando no teatro municipal num grande evento oficial de cultura negra, bancado pela prefeitura e coordenado por um grupo do Mov. Negro muito atuante aí no final dos anos 80)
Neste caso, o negócio é começar do geral para o específico. A primeira coisa é cruzar a data da possível chegada de Tia Eva por aí com o fluxo de escravos para a região de Goiás. Só este dado já vai definir a provável etnia dela, já que não havia muita mistura étnica nas levas de escravos neste e na maior parte do período escravista porque Portugal tinha acesso a uma região muito restrita da Áftica. Depois, como ela foi uma pessoa notória, é necessário recolher também o maior quantidade possível de eventos de história oral (tudo mesmo, lendas, narrativas de milagres, canções, poemas) relativo não só a ela, mas também a outras pessoas do mesmo grupo social a que ela pertenceu (o que deve ser o mesmo que definir o grupo étnico, neste caso).
Nesta fase é que aparecem palavras de certas línguas estranhas para os leigos , mas, facilmente identificáveis por estudiosos. Aparecem também passos de dança típicos, rituais específicos, coisas da culinária de um determinado grupo étnico, etc.
A questão em suma diz respeito a busca de dados e evidências com as quais a sua pesquisa possa lidar, objetivamente, como se lida com um quebra cabeças. Uma coisa meio 'arqueológica', se é que me entendes.
Pelos dados que você nos repassa, as origens dela estão relacionadas, muito provavelmente, ao fluxo de escravos oriundos de Minas Gerais, já na fase do trafico interprovincial (bem depois em que já estava proibido o tráfico transatlântico)
Os escravos desta, como da maior parte das fases em que se traficou escravos no Brasil como já disse, é oriunda de Angola, faltando definir apenas de que parte (a grosso modo), se do centro (Luanda) ou do Sul (Benguela), aspecto que pode ser, mais ou menos desvendado pelas diferenças entre os fragmentos de palavras, em língua africana faladas na região.
A questão do catolicismo dela é irrelevante porque, muito provavelmente, já veio com estes escravos desde a África, onde o catolicismo já ocorre, nos grandes centros urbanos como Luanda, por exemplo (do mesmo modo que na Corte do Rio) desde o século 17.
Por ora é isto aí. vamos nos falando.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 11/5/2008 22:06
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Rodrigo Teixeira
 

spírito, bem atrasado, muito obrigado pelas informações. ajuda bastante a pensar em quanto tempo eu levaria para propor encarar um projeto destes... é algo que gostaria mesmo de fazer!
grande abraço

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 3/12/2009 02:31
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divinoSilva
 

Puxa, que bacana eu conhecia essa história que era contada pela minha mãe, mas era só algumas "retalhos" de historia...agora eu conhecia toda a história muito obrigado pelo trabalho da comunidade na divulgação dassa linda história...
Minha Tataravó era muito querida pelo povo.
Mãe: Edith borges da Silva - Avó: Berliria Maria de jesus - Bisavó: Joana Maria de Jesus - Tataravó: Eva Maria de Jesus

divinoSilva · Campinas, SP 29/3/2012 23:36
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