ele dá uma carona e briga com ela todo dia, às 22 horas. e todo dia, às 23 horas ela se pergunta se está tudo bem com ela.
ela agora canta alto no banheiro todo dia. e ela sabe que isso a deixa mais feliz. sem isso, até sente um pouco de falta de si mesma. ela adora ouvir música bem alto e também passar altas horas buscando na rede algo sobre o que ela pensa durante o dia. mesmo que sejam coisas muito inúteis ou totalmente absurdas.
ela pensava que com mais sorrisos dentro do peito, ele passaria a gostar mais dela. que ele toparia se fantasiar e sair com pouco dinheiro pra se divertir falando besteira e rindo de bobagens. que ele diria em seu ouvido as coisas que ela menos espera em momentos desesperançosos.
talvez ela quisesse que ele a amasse para que ela gostasse mais de si própria. talvez não.
todo dia ele briga com ela às 22 horas. e hoje ela acordou às 10 da manhã, comeu um cuscuz, se esticou um pouco, tomou um banho demorado e cantou. fez com vontade suas atividades diárias e continuou sendo ela mesma durante o resto do dia, com suas irresponsabilidades e seu charme. e olhou para o que comprou, mas que sempre esquecia de mostrar. o que antes ela mostrava muito e sempre esquecia de usar, agora ela usa todo dia e ele nunca lembra de olhar. ela não liga, porque sabe como é não lembrar.
ela se pergunta todo dia se está tudo bem com ela e canta bem alto no banheiro para se certificar disso. ela acorda às 10 horas e se estica um pouco para se sentir viva.
talvez ela tenha sonhado ultimamente que ria de bobagens e falava algumas besteiras. talvez não.
ela queria sentir que ele a amava, mesmo sem lhe dizer coisas no ouvido.
todo dia ela esquece de alguma coisa que tinha para fazer e começa a se perguntar se está tudo bem com ela. ela pensa nele como se seu peito se enchesse de sorrisos e lembra que precisa mostrar o que comprou.
ela queria que ele a visse como quando ela sonhou que eles se fantasiavam. ele caia em seu charme e curtia com ela seus momentos de pura irresponsabilidade.
ela se sentia meio poeta cantando bem alto e queria que ele fosse sensível como um poeta para ela se sentir viva.
todo dia quando ela pega uma carona com ele, ela fantasia a língua dele escrevendo palavras inesperadas em seu ouvido e o amor se esticando... e acaba esquecendo de mostrar o que comprou.
enquanto ele briga, ela pensa que vai ter que cantar muito no banheiro para se certificar de que está tudo bem com ela.
e fica pensando se ele a amaria mais se ela passasse a gostar mais dela. mas ela acha mesmo que orgulho é um sentimento inútil e totalmente absurdo.
todo dia ela faz tudo de uma forma que ela sinta que não está fazendo nada de novo. mas ele dá uma carona pra ela e briga. todo dia, às 22horas. então ela chega em casa desesperançosa, sonhando em dormir logo para ver ele caindo em seu charme novamente.
uuuuuuuuuuuu
muito interessante!
legalzinn!
felicidades!
Arianne, acho que seria o caso de postar esse conto no Banco de Cultura, onde ele teria a exposição correta e poderia ser avaliado no contexto certo. Se aceitar minha sugestão, é só apagar esse post por completo e colocar o texto novamente na área do banco.
Uma dúvida que pintou é se a ausência de maísculas na frase foi algum tipo de licensa poética ou falta de atenção mesmo.
Ficou dificil de ler sem as letras maísculas.
Banco de cultura amigo, banco de cultura.
Gostei do texto.
gostei de ler. coisa de blog mesmo. deixe aqui.
eassis · Belo Horizonte, MG 29/11/2006 11:56Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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