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Observatório
A história do Overmundo na memória de seus colaboradores O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... > leia
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Tonton Macoute – O bicho papão do rock de Brasília
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Brasília tem dessas coisas.
De vez em quando surge uma banda em que todo mundo aposta. É ouvida, comentada, os shows são legais e elogiados. Mas, por alguma tramóia do destino, acaba não dando certo. Os anos 80 produziram pelo menos duas clássicas na capital: o Escola de Escândalos e o Tonton Macoute.
A história da primeira é bem conhecida por quem acompanha o rock candango. Só pra dar uma situada básica, vale dizer que em 1987 o grupo assinou com a EMI e gravou uma demo produzida pelo plebeu Philippe Seabra. Mas, por motivos diversos, nunca conseguiram lançar o esperado disco de estréia. E o grupo acabou antes do fim da década.
O Tonton Macoute é o outro da safra. O nome foi roubado da polícia repressora do Haiti, no governo Papa Doc, e significa bicho papão, em francês. A formação inicial tinha o vocalista/letrista Cau, a tecladista/backin´ vocal Cláudia, o trompetista Flama e o baixista Maurício. Cadê a guitarra? Não tinha. O quarteto era completado por uma (hoje) arcaica bateria eletrônica.
Drum’n’bass nos anos 80? Hein?
A primeira demo mostrava que, em épocas de Legião, Capital e Plebe no auge, tinha gente na cidade disposta a fazer música diferente. Completamente diferente. O som eletrônico tinha vocais em português, inglês e alemão, muito mais recitados do que cantados, teclados inspirados por grupos como Ranaissance, baixo preciso e o incrível trompete. Isso tudo fazia da banda a única do gênero. Aliás, que gênero? Não dava pra classificar.
E muito antes do Rotomusic de Liquidificapum, o 1º disco do Pato Fu, as programações da bateria Roland do Tonton já chamavam a atenção. Animais, uma das primeiras composições, era praticamente um drum´n´bass. E A Pele era algo como um acid jazz. Isso em 1986.
A fita demo do grupo foi parar nas mãos da Fluminense FM, uma conhecida rádio de vanguarda do Rio. Pra vocês terem uma idéia, foi a mesma rádio que tocou Legião Urbana antes de todo mundo. As músicas Electric Light e A Pele ficaram, respectivamente, em 1º e 2º lugar durante um bom tempo.
Quando a banda começava a decolar, o trompetista Flama decidiu tentar vôos maiores. Saiu pra tocar em uma orquestra no Rio de Janeiro. E logo depois o baixista Maurício saiu também.
Tempo de reformulações
Entra Sérgio Couto, percussionista do Obina Shock, histórico grupo de Brasília que estourou nacionalmente com a música Vida. Abre parênteses. A estréia do Obina em vinil, com músicas em português, francês, inglês e dialetos africanos, influenciou diretamente os Paralamas a compor o disco “Selvagem?”. Fecha parênteses. Entra também o baixista Dedé, egresso da banda Fama. Volta Maurício.
Com novos membros e dois baixistas, um tocando eventual guitarra, o agora quinteto buscou um caminho um pouco mais pop. Mas isso não significou perda de qualidade. Mesmo sem Flama, o som continuava original. A segunda demo, com músicas como A Bruxinha e Mr. DeJohnette, uma homenagem ao baterista de jazz Jack DeJohnette, era tão boa quanto a primeira.
Mas o tempo foi passando e as expectativas de gravação de um disco foram por água abaixo quando Collor assumiu a presidência e cortou as verbas da cultura. Um tempo de trevas para os artistas brasileiros. E os primeiros que dançaram foram os que não se enquadravam no duvidoso gosto do ex-presidente.
Sem perspectivas, o grupo acabou. Cláudia e Sérgio Couto casaram-se e foram pra Varsóvia. Cau se mandou pro Rio. E assim terminou uma das mais criativas e originais bandas da história da cidade, avançada pra época e até hoje atual. Duvida? Ouça o mp3 de Electric Light logo ali no início da matéria, ou busque outras músicas deles no Banco de Cultura, e tire suas próprias conclusões.
tags: Brasília DF musica tonton-macoute legiao-urbana rock-brasiliense rock-de-brasilia candango drum-n-bass
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Caceta!! Isso é sensacional, Daniel! Como todo bom egresso dos eighties, eu já ouvi o Escola e o Obina Shock, mas não conhecia (catzo!) o Tonton Macoute. Agora, cadê os MP3s? Os links só aparecem quando a colaboração for publicada em definitivo? Quero ouvir!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 30/8/2006 16:16
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Fábio (F/Nazca?), já tem um mp3 aqui. Vou colocar mais no banco de cultura. Aproveite!!!
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 30/8/2006 16:29
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Putz... coisa muito boa mesmo! Como apaixonado quase tardio os oitentas (sou fiote dos 77, curtí os 80 nos 90...), não tem como o jovem duende não gostar disso! Isso me lembra... me lembra... me lembra muitas coisas, mas não estou conseguindo associar nomes às referências agora. Algo pós-punk, sem dúvida.
Valeu por nos devolver o Tonton Macoute, tirando-o dos abismos do esquecimento candango.
E... em tempo... parabéns pela estréia dos recursos de imagem e multimídia. Ótima matéria.
Abraços do verde.
Daniel Duende · Brasília (DF) · 30/8/2006 16:41
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Dei uma olhada lá nas outras músicas que vc postou no Banco de Cultura...
A Pele é mesmo bem legal. Gostei do ritmo, e há um interessante elemento de "ponte" entre algo que era bem característico da época e algo que parece pertencer a um momento musical mais recente. Coisa boa!
E não é que há um algo de "DrumBa" mesmo em O Circo? Mas aquela bateria eletrônica não nega... é coisa boa de dançar vinda dos oitentas. Coisa boa mesmo!
Daniel Duende · Brasília (DF) · 30/8/2006 16:55
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Daniel, não sou o meu ilustre xará da F/Nazca. Sou o jornalista, ex-Prosa e Verso (O Globo), ex-Tribuna da Imprensa, atualmente com exclusividade na Web (Webinsider e Overmundo).
Mas valeu, agora consegui visualizar o MP3. Vou conferir!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 30/8/2006 17:31
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Achei seu texto um achado. Até por desconhecer totalmente os caras, as músicas publicadas no banco também foram uma ótima sacada.
Saulo Frauches · Rio de Janeiro (RJ) · 30/8/2006 17:46
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Muito bacana Daniel. Será que nessa onda de retornos das bandas dos anos 80-90 (Pixies, Gang of Four, Scritti Politti e outras) o Tonton Macoute não se anima a uma ressurreição ao vivo não?
ronaldo lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 30/8/2006 18:04
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Ronaldo, eu já tentei isso com eles. Mas, por enquanto, nada. Quem sabe agora, com a fama mundial a caminho (via Overmundo), eles não repensam isso?
Fábio, sou leitor da Webinsider também. Conheci o Bruno Rodrigues e fiquei amigo dele uns anos atrás, quando ele veio a Brasília. Gente fina o cara...
Xará, eu já toquei Electric Light em uma festa. Todo mundo dançou, mas sem entender direito o que estava tocando. Depois vieram me perguntar.
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 30/8/2006 18:17
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Eu acho que tenho que ir mais às suas festas então, xará.
"Coloque na agenda Overmundo, e eles irão..." :)
Daniel Duende · Brasília (DF) · 31/8/2006 11:12
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É isso aí! E contem comigo quando eu for a Brasília!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 31/8/2006 11:22
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Daniel,
Adorei conhecer Tonton Macoute. E adorei o texto.
Obrigada mesmo. Vou conferir lá no banco de cultura.
Mas fiquei na mesma pilha que o Ronaldo, uma apresentação Volta dos Mortos Vivos...
Ana Murta · Vitória (ES) · 2/9/2006 00:32
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Oi Daniel, super legal a materia sobre o Tonton Macoute. que bom q vc existe e ta trabalhando pra preservar a memoria desse momento. fico contente em ver q ainda tem importancia a musica da primeira banda em que participei na vida.
Acho q reuniao por enquanto vai ser dificil, eu to morando en Nova York, a Claudia no rio e o Flama em Brasilia... mas a musica nao parou pra nenhum de nos.
a claudia lancou dois discos solo e continua compondo, eu tive a felicidade de produzir o primeiro. Flama eh professor regente da banda do Marista em brasilia.
se alguem quiser ver o q tenho feito, da uma olhada no site:
www.joaomacdowell.com
felicidade.
joao
www.joaomacdowell.com
You can find joao macdowell's music on iTunes!
The Traveling Man and His Music Box"
joaomacdowell · Brasília (DF) · 2/9/2006 17:27
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Parabéns Daniell! Preservar a memória é estilo de vida e para poucos. Quantas bandas já se foram não, mas deixaram suas pegadas para sempre! abs
Rodrigo Teixeira · Campo Grande (MS) · 2/9/2006 20:04
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achei, na real, um som bem fraco. mas beleza, nunca achei rock brasileiri nada de especial admito. eu tava pensando em coisas de brasília que tiveram e tem efeito duradouro numa cultura maior, a do hip hop, como x, gog dentre outros, q fizeram e fazem teu som e criaram até um mercado autosustentável a margem das corporações de mídia. parece-me esta a vocação do site não? e o quesito "flores aos rebeldes que falharam" houve na década de 1990 uma cena anarco punk em brasília bem nonsense, contrariando frontalmente o anarcopunk de sampa e rio...
velot wamba · Pouso Alegre (MG) · 3/9/2006 14:04
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Poisé, xará... eu acabei esquecendo de linkar uma delas, na pressa frenética que estava anteontem...
E que agradável surpresa a aparição do JoãoMcdowell. Fiquei curioso pra ver o trabalho do resto do grupo também...
E o Flama é o regente do Marista?!
Como dá voltas este mundo... :)
Abraços do verde.
Daniel Duende · Brasília (DF) · 3/9/2006 14:17
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Oi, Velot. Eu não entendi bem esse seu comentário de "tiveram efeito duradouro numa cultura maior". O que significa cultura maior?
E mesmo que você não goste, é inegável que o rock brasiliense teve e tem efeito duradouro. Olha aí a Legião Urbana, que vende e toca em rádios até hoje. E você vê adolescentes que ainda eram crianças quando o Renato Russo morreu usando camisetas da banda. E ainda tem o Capital Inicial, que já está na 2a geração de fãs. Um fato louvável (mas eu só gosto dos dois primeiros discos).
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 3/9/2006 15:23
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Cau, seria bacana ver umas contribuições suas aqui no Overmundo, como músicas e poesias. Eu sei que você continuou produzindo bastante desde que saiu do Tonton.
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 3/9/2006 15:54
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Brasilia......a veia rocker mais verdaderia e natural pelas bandas do pais...
Andre Intruso · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 28/11/2006 20:13
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É uma espécie de Zig Zig Sputnik (é assim que escreve?). É meio bobinho e certamente chato com a bateria eletrônica. Agregava, ainda, um som progressivo que deve ter arrepiado os cabelos do povo.
Inda mais num momento rocker pós-punk, esse tipo de som estava fadado ao fracasso. Mesmo hoje, com essa febre eletrônica, duvido que chamasse atenção. Pelo menos não a minha.
É engraçado como alguns amam o que a gente odeia. E vice versa.
Mão Branca · Brasília (DF) · 4/4/2007 10:08
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Mas vou dizer uma coisa: eles estão gravando um disco, finalmente, 20 anos depois!!!
Eu tô louco pra escutar.
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 4/4/2007 19:30
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