Texto publicado na Japan Total, revista editada no Japão .
No dia 26 de agosto uma multidão estimada em 500 mil pessoas se espremeu ao longo da Kaminarimon-dori, uma das principais avenidas do distrito de Asakusa, em Tóquio, para assistir ao desfile de 25 escolas de samba na 26a. edição do Asakusa Samba Carnival, o maior carnaval do mundo fora do Brasil. Quem esteve presente não precisou fazer muita força para adivinhar qual escola levaria o troféu quando a G.R.E.S. Bárbaros "taxiou" até a cabeceira da avenida para a sua 16a. vitória, fechando o dia também com o prêmio de melhor alegoria. A escola, que optou pelo tema "Jogos", ao mesmo tempo original e fácil de ser assimilado pelo público nipônico, passou por momentos de apreensão: as fantasias confeccionadas no Brasil que vestiram seus cerca de 80 membros da bateria e 150 dançarinos chegaram somente na véspera do desfile.
O carnaval de Asakusa começou oficialmente em 1981 e cada desfile representa uma grande vitória para os dirigentes e membros das escolas de samba japonesas que, depois de anos trabalhando muito, hoje conseguem apresentar um espetáculo admirável e emocionante, além de cumprir com o objetivo inicial, que é atrair mais atenção ao distrito, antigamente um dos mais badalados de Tóquio. Talvez a peculiaridade desse evento resida justamente aà - nesse canto da cidade onde é normal deparar-se com sumotoris e gueixas pelas ruas, antigos moradores ficam chocados ao presenciarem um acontecimento "estrangeiro" de tamanho impacto visual e auditivo.
Na avenida, carros alegóricos, dançarinos, malabaristas, músicos e, principalmente, as belas passistas provocaram mais uma vez uma grande aglomeração de fotógrafos de plantão ao longo de todo o percurso. O que os cariocas achariam de tudo isso? Roberto Maxwell, de 31 anos e estudante da universidade de Shizuoka, já participou três vezes dos desfiles do Rio de Janeiro e disse ter ficado emocionado ao presenciar o esforço das escolas, "Vi vários elementos autênticos, como as cores e a batida funk na parada de algumas baterias. Não é simplesmente um show "para inglês ver" ".
O toque especial é dado pela presença de vários brasileiros, principalmente em lugares de destaque como nos carros alegóricos e entre os puxadores de samba. Sabrina Hellmeister, por exemplo, veio da MPB para estrear cantando o enredo da Império do Samba sob a maestria do Mestre Damião.
Nesse dia, a noite chegou nas ruas de Asakusa de uma forma que só acontece uma vez ao ano. Nos bares e restaurantes, mesas colocadas do lado de fora sustentavam copos de cerveja e cadernos recheados com partituras de predominância tonal maior, que são as do samba. Sob as lanternas vermelhas, japoneses expressavam sua brasilidade nos cavaquinhos e pandeiros.
Ótimo relato. Minha admiração pela cultura japonesa mudou um pouco de foco quando descobri a admiração de alguns japoneses pela cultura brasileira. O interessante notar é que a famosa dedicação dos japoneses quando se dedicam a um propósito mais uma vez aparece aqui no carnaval nipônico.
Em um comentário mais técnico: Parece aver um erro na frase: "por m2 de fotógrafos de plantão". Fiquei sem entendâ-la.
Fernando, valeu pelo toque. Escreveu e não leu... Já viu né.
Há realmente muitos japoneses vidrados no Brasil, principalmente na música e futebol, como já desconfiaria o menos culto dos humanos.
A diferença é que, se aqui em Tóquio as pessoas têm essa imagem do Brasil, o mesmo não acontece nas cidades do interior, onde as coisas do nosso paÃs e dos conterrâneos que moram aqui chegam através da tv e jornais. Já viu, né...
abs!
Ah, vale comentar que, de uns dois anos para cá, uma certa onda de bossa nova invadiu alguns lugares mais cosmopolitas e sofisticados - som ambiente em redes de restaurantes, motéis, etc. No lounge do luxuoso hotel Conrad, localizado na baÃa de Tóquio, amigos brasileiros revezam-se diariamente em apresentações de música. Sim...
ricardo yamamoto · São Paulo, SP 29/11/2006 11:31
Essa fascinação da bossa nova tem desde o final dos anos 80, é bem visÃvel no estilo musical Shibuya-Kei, que eu adoro.
O Japão anda bastante em voga no Brasil nos últimos 5 anos. E acho que está até banalizado, espero que o mesmo não esteja acontecendo com o Brasil por aÃ.
Minha namorada reparou como em SP existem muitos orientais em peças publicitárias, mais do que normalmente no resto do paÃs. Um tempo atrás havia até uma propaganda do Banco do Brasil inteiramente em japonês, achei surreal.
Mas, tenho visto q nao eh soh a Bossa Nova, nao. O samba-soul, o choro, o samba-cancao e, mais recentemente, a musica contemporanea nordestina.
Roberto Maxwell · Japão , WW 30/11/2006 08:13
po, roberto, não consegui ainda. dá um sentimento de incompetência sem tamanho... tentava e não dava certo.
Bem interessante! Mas acho engraçado eles imitarem o nosso...em Montevideo o carnaval é enorme também (eles dizem que é o maior do mundo, dura todo o mês de fevereiro), e tem caracterÃsticas bem próprias. Realmente a bossa já é sucesso no Japão há tempos - mas o chamado 'heavy metal melódico' também...hehehe...Ah, gostei muito do texto, claro e econômico.
Rica P · São Paulo, SP 2/12/2006 13:54
Oi, Rica, o carnaval de Montivideo eu nao conheco e existem carnavais ao redor do mundo que surgiram em seus proprios paises e, portanto, pouca coisa tem a ver com o carnaval brasileiro. Apesar de nos termos nos apropriado do nome "carnaval" como algo de nossa propria cultura, o fenomeno ocorre em culturas distintas em todos os continentes. No entanto, o carnaval de Asakusa nao eh uma mera imitacao do carnaval brasileiro. Ele surgiu como uma homenagem de japoneses amantes do carnaval brasileiro. Portanto, ele eh, por isso, semelhante ao carnaval do Rio de Janeiro. Alias, os bambas daqui vao ao Brasil, estudam a lingua portuguesa aqui e ai, sao musicos excelentes que estudam seus instrumentos com afinco.
Quanto as bandas de heavy metal, eles conhecem o Sepultura e o Angra como se fossem bandas nacionais (do Japao) de tao famosas em seus estilos hahahahahah. No entanto, eles nao sabem que sao bandas brasileiras. Ficam pasmos quando vc diz que esse heavy metal q eles tanto apreciam vem do pais do carnaval.
Alem da bossa, alias, o funk carioca e a musica nordestina contemporanea tem encontrado um espaco de crescimento aqui no Japao. Eu queria muito eh trazer um grupo de forro tb. Iria ser legal ter festa junina aqui. Adoro.
Abracao e apareca no proximo ano por aqui. Vc vai se emocionar.
Fala Roberto! Com certeza acredito que só tem fera, e a homenagem é sincera (rima ridÃcula sem querer), mas mantenho a opinião de que os tais carnavais diferentes do nosso são (justamente por diferentes) mais interessantes: Uruguai...Veneza! Mas só um bate-papo, não tira em nada o mérito do teu artigo, nem do quanto o assunto é interessante (não fazia a menor idéia que isso existia)!
Pô, essa do heavy metal merecia outra matéria tua!
Festa junina é sensacional, faço todo ano...mando uns quitutes...
abraço
É, não me lembro bem o por quê de terem escolhido o carnaval brasileiro para ser apresentado em Asakusa. Mas o "Peixe", dono da maior escola, a Bárbaros, me disse que já gostava demais da música brasileira, MPB, bossa, e, quando surgiu a oportunidade de fazer parte do carnaval, achou que seria uma boa forma de trabalhar mais com a música brasileira.
Aà foi gostando também do lance do carnaval. Isso com certeza vale tbém para todos os participantes, estão lá porque querem fazer parte de uma manifestação da cultura brasileira, cada vez de forma mais fiel à original.
Talvez os carnavais de veneza, uruguai e outros ficariam no contexto dos Matsuris daqui, sendo que não há nada de origem japonesa chamado 'carnaval' porque, ao contrário da itália e uruguai, o Japão não tem órigem latina.
Lembro que vi uma entrevista com o pessoal do Pizzicato Five na qual eles falavam pela admiração da nossa bossa nova que rolava no Japão. Depois fui descobrir também que o Toninho Horta (e o Clube da Esquina de uma maneira geral) fazem muito sucesso nas terras nipônicas também.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 14/2/2007 20:30
na verdade agora eu fiquei na dúvida se era o Pizzicato Five ou o Cibo Matto.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 14/2/2007 20:35
É, há os artistas brasileiros que fazem sucesso com a comunidade brasileira daqui, como Sandy&Jr, duplas sertanejas, grupos de rock e pop.
E há os que fazem sucesso com os público japonês que curte música (os que não curtem não conhecem muito) como o J.Gilberto (veio ano passado), Marisa Monte (vem am maio), Maria Betânia, Caetano, C.Brown, Yamandu C., etc.
E po´r aà vai...
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!