Teatro do Sesc Santana (São Paulo/SP) - 05/09/2006
Assistir a um show do Tortoise é uma experiência, se não única, no mÃnimo impressionante. Na gelada noite de terça-feira, cheguei ao local onde a banda faria a primeira das duas apresentações em solo paulistano. O teatro do Sesc Santana, com seus 349 lugares, tem uma disposição que coloca o público próximo do artista, o que faz com que o espetáculo ganhe muito em intimidade. A primeira coisa que chama a atenção é a disposição dos instrumentos no palco: duas baterias à frente, no centro, ambas viradas para o meio do palco, uma de frente para a outra. Isso mesmo, de lado para o público! No canto direito um vibrafone e no esquerdo o que depois eu viria a saber ser uma “marimba eletrônicaâ€. Ao fundo os amplificadores posicionados para receberem as guitarras e baixos, e sintetizadores no centro.
A banda entra no palco e, com um singelo “obrigado por terem vindoâ€, começa a detonar seu instrumental vigoroso. A definição mais divulgada e aceita para o estilo vindo do palco é "post-rock", o que, trocando em miúdos, seria um rock alternativo progressivo, com elementos de jazz e eletrônica.
É necessário dizer que nenhum dos cinco integrantes tem um instrumento definido. Durante a apresentação eles trocam de posto a toda hora. Doug McCombs e Jeff Parker se alternam entre os baixos e guitarras. John Herndon e John McEntire, os bateristas, digamos, mais freqüentes, também atacam em outros cantos do palco: o primeiro John é assÃduo ao vibrafone, enquanto o outro, por diversas vezes, comanda os sintetizadores, além da marimba. Já Dan Bitney passeia por quase tudo que há no palco.
Com praticamente nenhuma palavra, tanto nos intervalos como nas próprias músicas, todas instrumentais, a banda originária de Chicago passa seu recado através de seu som poderoso. Os temas são fortes e soam propositadamente despojados no palco. Não há uma preocupação excessiva com clareza ou definição sonora e a verve progressiva da banda tem o poder de hipnotizar os presentes, fazendo-os entrar na viagem que vem do palco. O que, por muitas vezes pode soar como improvisação aos desavisados, faz parte do roteiro. Claro que há espaço para a espontaneidade dos músicos, mas o som da banda já tem, naturalmente, uma cara de improviso.
Também chama a atenção a vigorosidade com que os bateristas, posicionados como band leaders, tocam seus instrumentos. Eles percutem os tambores e pratos de seus sets com uma energia contagiante, muitas vezes os dois ao mesmo tempo, numa desencontrada harmonia.
Após o primeiro bis, e quando já não se esperava, o público exigiu mais uma volta da banda, agora já com grande parte dos presentes tendo abandonado suas cadeiras e se posicionado colados ao palco, para o final com mais dois rápidos temas.
Os rótulos existem para se ter uma idéia da direção de um trabalho, mas em muitos casos, como no do Tortoise, é preciso ver a coisa de perto. E foi isso que se pôde ver nessa noite no teatro do Sesc Santana: Tortoise de bem perto!
Tortoise eh fantastico..o Hurtmold q o diga !
Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 9/9/2006 09:07
Eu não pude assistir ao show de terça. mas o de quarta, mesmo tendo sido mais ´morno´, opinião da própria banda, foi excelente. Um espetáculo e tanto que começou com DJED e incluiu, Benway, Eros, Stretch, swung from the gutters, Crest...
compensou facilmente o deslocamento Rio-SP para assistÃ-los. Isso sem comentar o som que estava perfeito. Alto e claro.
Pena ter sido para uns poucos privilegiados...
É, Daniel, não pude conferir o de quarta, mas, depois, conversando com o próprio técnico de som do Sesc, ele me falou que o de terça foi melhor mesmo. Os caras da banda falaram que foi "mais morno" durante o show?
Rafael Cação · São Paulo, SP 11/9/2006 17:32
Ah, Daniel: quando você diz "pena ter sido para uns poucos privilegiados", você acha que, sendo em um lugar maior, haveria muito mais público? Sendo duas datas, o público ficou em torno de 700 pessoas... Será que muito mais do que isso compareceria?
Rafael Cação · São Paulo, SP 11/9/2006 17:43
não rafael, eles falaram depois do show na social que rolou. e eles nem usaram esses termos. apenas disseram que a energia do público na terça era mais intensa (numa tradução beeem livre. :-)
e quanto ao público... sei lá, no Rio tinham umas... 500 (?) pessoas. Em SP eu tenho certeza que daria mais.... ainda mais com o preço incrivelmente acessÃvel. Pela quantidade de pessoas que ficaram sem ingresso (por isso lamentei) dá pra acreditar num público maior. sei lá...
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