Acabo de traduzir a carta aberta do recente amigo virtual Gerd Leonhard, conhecido futurista, visionário, escritor, palestrante e consultor que passou mais de 25 anos na indústria de tecnologia e entretenimento tanto nos Estados Unidos quanto na Europa e recentemente na Ásia.
Gerd é considerado um expert no que diz respeito às dramáticas mudanças que ocorrem nas empresas de mídia e conteúdo em consequência das novas e irrestritas tecnologias. Em 2005, Gerd Leonhard foi co-autor do livro "The Future of Music" que se tornou referência importante para profissionais da indústria fonográfica em todo mundo e já foi traduzido para o japonês, italiano e alemão.
Gerd Leonhard também é um empreendedor que trabalha nas áreas de música digital e mídia. É co-fundador e CEO da SONIFIC, empresa sediada em São Francisco que provê widgets musicais e aplicativos para blogs, redes sociais e comunidades online.
Algumas das informações contidas nesta carta referem-se ao mercado fonográfico americano e europeu (na verdade essa colocação não faz muito sentido, pois sabemos que são as majors que dominam o mercado fonográfico dentro e fora do Brasil), mas grande parte de seu conteúdo refere-se à estrutura de negócios da indústria musical e apresenta alternativas para aqueles selos independentes que, como diz a própria carta, conseguirem "resistir à tentação de se tornar apenas outro cartel da música".
Agradeço a Gerd pelas idéias e a oportunidade de difundi-las.
PS: O texto é longo e excede o limite de palavras do Overblog, portanto vou disponibilizar um PDF para download ou você pode ler o texto completo AQUI.
PS2: Alternativas, sugestões e correções da tradução são bem-vindas.
Carta aberta de Gerd Leonhard para a Indústria Fonográfica Independente: a Música 2.0 e o Futuro da Música são seus – se você conseguir resistir à tentação de se tornar apenas outro cartel da música.
Original English version
Portuguese translation/Tradução para o português: Juliano M. Polimeno
Hoje eu quero apresentar minha visão daquilo que gosto de chamar de “Música 2.0” – a próxima geração da indústria musical que está sendo criada enquanto conversamos. Este novo modelo é dramaticamente diferente: muitas maneiras velhas de fazer as coisas, muitos relacionamentos antigos e muitas tradições obsoletas não podem e não irão sobreviver.
Eu quero seduzi-los, líderes da indústria fonográfica independente, para trilhar esta nova estrada comigo, lançar-se, deixar algumas de suas concepções e de suas “religiões” de lado e ousar uma mudança – porque isto é necessário para poder virar o barco.
Scott Fitzgerald, o famoso romancista, disse: “O teste de excelência da inteligência reside na habilidade de manter ao mesmo tempo duas idéias opostas na cabeça e ainda assim guardar a habilidade de agir”. Este será claramente o desafio da indústria fonográfica para avançar.
Nos últimos 10 anos, inovações técnicas e econômicas desnudaram muitas tradições, hierarquias sociais e econômicas e monopólios na indústria fonográfica, e se há uma coisa que possamos dizer com certeza é que agora é hora do show: a indústria fonográfica está finalmente atingindo seu ponto alto de inflexão; 10 anos depois que as primeiras empresas pontocom chocaram-se com o chão. Levou muito mais tempo do que todos nós pensávamos, mas agora elas estão apanhando com muito mais força: a venda de CD’s caiu de 20 a 40% de um ano pra cá e as vendas digitais não estão fazendo grande diferença – e a corrida de um cavalo só com o iTunes é claramente um beco sem saída.
Estamos rapidamente nos aproximando de um ponto no qual seremos forçados a mergulhar naquilo que gosto de chamar de “Música 2.0” – um novo ecossistema que não é baseado na música como produto, mas na música como serviço: primeiro vendendo acesso, e somente depois vendendo cópias. Um ecossistema baseado na onipresença da música, e não na escassez. Um ecossistema baseado na confiança mútua, não no medo. (...)
Faça o download completo da carta
Ju se o Gerd autorizou , porque apenas o link ? Talvez fosse melhor a carta não ?
dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 00:22
Preciso agradecer a Helena Aragão que fez ótimas correções e sugestões! Valeu, Helena!
Ju Polimeno · São Paulo, SP 4/7/2007 14:53
Li a carta, mas acho que as gravadoras estão num beco sem saída, ou se tiver eh pegando outro caminho e de forma bastante diferente.
Uma coisa que eu fiquei sabendo em relação a distribuição de música, seguindo essa tendência de música como serviço, eh que no metro de Londres existem "postos " de mp3, assim como podemos encontrar livros baratos em máquinas no metro aqui no Rio, eles colocaram máquinas disponibilizando música.
Qual foi a gravadora que disse que iria disponilizar seu acervo online ? Uma dessas majors ameçou mas acho que não rolou ... ainda.
Na verdade, acho vc entendeu a questão: as gravadoras realmente estão em um beco sem saída. O foco são as propostas que possibilitem tanto a remuneração dos artistas (para que continuem produzindo), quanto formas de distribuição que agreguem as novas tecnologias e, mais do que isso, as novas formas de consumo de música e adequem padrões comerciais a essas novas formas. "Postos de abastecimento" de dispositivos é mais uma idéia. A questão hoje é: nada é excludente, tudo aquilo que faça a música circular de forma que atenda tanto a necessidade de compartilhamento da cultura quanto a de manutenção da indústria são bem-vindas. Quem vai dar o primeiro passo?
Ju Polimeno · São Paulo, SP 7/7/2007 01:01
Preciso dizer mais. Do jeito que as coisas na indústria fonográfica estão caminhando, acho que o Brasil será mais uma vez colonizado por soluções e respostas vindas de fora ,basicamente dos EUA.
Ainda que tenhamos a melhor música do mundo (e não tenho dúvidas quanto a isso) temos grandes problemas de implementação de tecnologias e, mais do que isso, de acesso à essa imensa rede não só de informação, mas de geração de conhecimento e que pressupõem questões de alfabetização REAL e de necessidade espontânea pela busca de informações. Onde mora nossa curiosidade??
De que adiantam os laptops de $100 se as pessoas não se sentem confortáveis com os mecanismos de busca (e antes disso: buscar o quê afinal de contas, no final das contas do mês?). De que adiantam as bibliotecas online se elas ainda não possuem as ferramentas d’alma para diferenciar o joio do trigo nessa miscelânea de conhecimento? De que serve a música digital para uma cultura auditiva na qual a estrutura de marketing (leia-se a divulgação via televisão e rádio) é predominante? Nesse sentiso, a pirataria ainda é a grande inovação da indústria fonográfica: produtos populares que atendem à demanda a preços acessíveis.
O país que produz a melhor música do mundo ainda não sabe como vendê-la. E as idéias estrangeiras estão brotando....
Ju, tem uma frase na carta que diz "como vc pode monetizar isso". Eu nao tenho dicionario aqui, mas eu nunca ouvi essa palavra. Posso estar enganado, claro. Eh soh uma sugestao de conferencia.
Roberto Maxwell · Japão , WW 7/7/2007 23:20Mais sugestao, na pagina 5 tem seCredos ao inves de segredos.
Roberto Maxwell · Japão , WW 7/7/2007 23:24Acho que o monetizar foi escolhido mesmo, nao? Eu acharia melhor capitalizar. Enfim, espero que vc entenda esses comentarios como uma conversa, viu? Nao como criticas.
Roberto Maxwell · Japão , WW 7/7/2007 23:27O texto eh excelente. E acho que eh uma boa reflexao para os artistas realmente independentes.
Roberto Maxwell · Japão , WW 7/7/2007 23:34
Oi Roberto, obrigado pelas observações. Quanto ao "monetizar", existe sim no dicionário e optei pelo uso dela apenas por uma questão de aproximação com o sentido original, pois o Gerd usa "monetize"e não "capitalize" no texto.
Vou consertar o segredo...
Abraços e valeu!!
Bacana. Realmente, eh uma palavra que eu nao conhecia. No mais, que esforco, viu? Traducoes sao sempre complicadas. Sofro eu traduzindo algumas coisas do japones pro portugues aqui. Eh compleeeeeeeeeexo.
Roberto Maxwell · Japão , WW 8/7/2007 01:13
Olha que idéia boa mas ainda pensando música como produto e não como serviço
Recapitulando a história: em 15 de julho, o "Mail on Sunday", que normalmente vende 2,2 milhões de exemplares a cada domingo, saiu encartado com o novo disco de Prince, "Planet Earth". Naquele dia, o jornal vendeu 2,9 milhões de exemplares.
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