Travessuras da mídia má

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Bruna Célia · Goiânia, GO
22/9/2007 · 153 · 25
 

Resenha de: Llosa, Mário Vargas. Civilização rende-se ao espetáculo. Disponível em: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=%2260623

Jornalista, escritor, crítico literário, dramaturgo e político são umas das muitas profissões de Mário Vargas Llosa. Peruano que se divide entre Londres, Paris, Madrid e Lima, há tempos figura o cenário mundial como um homem que fala o que pensa, escreve o que sente. Quem já se deliciou com algum de seus romances, sabe do que se trata. Maestria em pena. E quem já teve a oportunidade de ler um de seus artigos pode entender a carga teórica que vem de suas linhas. A mídia e o espetáculo estão em um de seus mais recentes textos.

Eu informo, opino, critico. Essas deveriam ser as palavras mais repetidas pelos jornalistas. Na verdade essas deveriam ser a representação de seu dever para com a comunidade. No entanto, o que se vê é a preocupação com o entreter. E assim, analisando o papel da mídia, Llosa desenvolve um texto leve e coeso.

A mídia em geral tem sido reflexo da sociedade ou vice-e-versa? Vários teóricos já se enveredaram por esse caminho complexo e tortuoso de análise dos fatos. Domenique Wolton já falara antes do grande público, do laço social e de várias características do telespectador. Mas não pode-se ter dúvida que o que é oferecido como produto midiático é aquilo que vende, que dá audiência. Daí os grandes conglomerados da comunicação definem que se algo vende é porque existe alguém que quer comprá-lo. Aí subestimam a inteligência do consumidor e o círculo de bobagens se torna vicioso.

Llosa afirma que não vai parar de procurar se informar através de jornais, revistas, e programas de tevê e rádio. Ao parar de ler em repúdio ao lixo midiático que costuma ser transmitido não se informaria. Imagina? Se quiser ficar longe de notícias sobre gente famosa, silicone, traições, farras e ferraris, a única solução seria parar de ler, ver e ouvir o que os meios de comunicação insistem em transmitir. E transmitem porque vende.

Protestar é sua única arma já que, de forma infeliz, acredita que qualquer coisa que se faça para impedir o avanço das babaquices e traquinagens da mídia, seria uma forma de censura. Vivemos numa sociedade permissiva, o vale-tudo encena o circo das imagens e dos papéis. E Llosa protesta de forma elegante, sem ofender, sem xingar, mas será que o único meio de modificar o atual cenário seria um modo censor?

Acredito que mostrar que algo vai mal, vai errado e acaba se tornando prejudicial, seja algo de utilidade pública. Não acredito que a “imprensa séria” se rebaixa à imprensa marrom. As coisas não são tão perversas como se pensa. Acontece que não existe mais a imprensa séria e preocupada com o social. O sistema que rege praticamente todo o mundo é capitalista. Tudo por dinheiro ou nada feito. Então qual seria o problema em denunciar? Em punir? Em fazer calar? Foi só dar voz ao que não sabia o que falar é que o mundo virou o mundo que é. Censura. Censura.

Não defendo a censura da ditadura, mas a censura boa, que seleciona, que reflete, que ensina. Essa permissividade tão ampla destrói, machuca, emburrece. Se eu não posso ser famosa e nem entrar no Big Brother Brasil, não serei notícia. E se for? Será que é sobre o último BBB que o povo quer saber? A mídia emburreceu!

Ficamos com a banalidade sem esquecer que só lê, assiste e ouve banalidade que quiser. Existem bons sites, bons programas. Tudo é uma questão de saber selecionar e saber utilizar o olhar crítico e deixar a senhora mídia fazer suas travessuras. Ela é má, não é? Ensine os outros a perceberem seus defeitos. Llosa arrasou.

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Labes, Marcelo
 

Bruna, creio que tua colaboração ficaria muito melhor disposta no Banco de Cultura, Não-Ficção. No entanto, é somente um palpite adiantado. Creio que uma leitura tua do Participe do Overmundo poderia sanar as minhas e as tuas dúvidas.

Abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 19/9/2007 11:21
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Bruna Célia
 

Acho que aqui está certo. Isso é um artigo... crítica... isso tem a ver com cultura midiática no Brasil. Concorda?

abraços!

Bruna Célia · Goiânia, GO 19/9/2007 16:18
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Andre Pessego
 

Ô menina bonita, (esse Tocantins está um {um o que... ) de meninas bonitas. Bonitas e inteligentes, esforçadas....
Ó eu tenho a impressão que a ditadura da imposição comercial, do dinheiro por dinheiro está chegando ao fim. Sabe por que?
- Eu ganhei dinheiro para matar cascavel. A minha filha de 8 anos
"ficou de mal" com a mãe por ter varrido o quintal e machucado algumas joaninhas. Acho que esta nova visão de mundo dará ao comercio apenas sua função comercial,
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 22/9/2007 09:48
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victorvapf
 

Infelizmente e isto que esta acontecendo. E a cobranca da "pseudo" ajuda que a quarta frota americana, fundeada na Bahia da Guanabara, deu!...Ontem, Ditadura, depois "Abertura" agora os "Governos Laranjas"...A midia esta toda comprada! Se o Governo tirar a publicidade delas, e quebradeira geral...Por sobrevivencia, de "pirez na mao" ele fazem o "jogo" dos detentores do "dinheiro"...Precisamos buscar as "Chaves" para abrirmos as portas do "resgate" de nossa dignidade roubada! Ai sim, poderemos, como a Argentina fez, e outros da America Latina, escrever, falar, que temos um Brasil livre! Abracao. Victor Vapf.

victorvapf · Belo Horizonte, MG 22/9/2007 10:21
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Bruna Célia
 

André, obrigada! A luta dinheiro por dinheiro está longe do fim!

Victor... realmente a mídia está toda comprada.... dá até medo!

abraços e obrigada pela votação

Bruna Célia · Goiânia, GO 22/9/2007 11:19
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crispinga
 

Gostei, Bruninha! Boa matéria!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 22/9/2007 11:40
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Bruna Célia
 

Obrigada, Cris!!!!!!!

Bruna Célia · Goiânia, GO 22/9/2007 11:45
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Mansur
 

Pois então...militante da causa sou também...positivo operante...Valeu Bruna!

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2007 12:35
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jjLeandro
 

Beleza de resenha, Bruna.
Aplica-se aí mais ou menos o que é vezo na política: "a mídia tem o público que merece".
sobre Vargas Llosa: fantástico escritor peruano. Tenho dele o livro sobre a guerra de Canudos "A Guerra do Fim do Mundo" um calhamaço de 600 páginas de pura emoção, Conversa na Catedral e mais Batismo de Fogo.
Realmente, com García Marquez, dois dos maiores escritores latino-americanos. São talentos que cumpre a todos nós aprendermos as boas lições literárias com eles.

jjLeandro · Araguaína, TO 22/9/2007 13:20
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Ize
 

Claro que amei. Italo Calvin( se já falei dele, desculpe-me por ser repetitiva) sugere uma "pedagogia da imaginação" para nos proteger da inundação de mídia. Parece com o que vc está propondo.
Mais uma vez, meus cumprimentos.
Beijos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2007 14:00
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Bruna Célia
 

Valeu, Mansur! Adoro seu som!

Leandro, AMO Gabriel García Márquez, meu escritor favorito. Ele e seu Cém anos de solidão... perfeito!
E de Vargas Llosa só li, recentemente, Travessuras da menina má.. daí o título dessa resenha aí acima. Bom livro, excelente escritor.

Ize, você é linda! Sempre me dando força... assim eu nunca paro de escrever no Overmundo!

Abraços a todos vocês!!!!!!

Bruna Célia · Goiânia, GO 22/9/2007 16:25
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Lígia Saavedra
 

Bruna olá! Conheço pouco de fazer jornalismo mas bastante de informação e repudio, não assisto nem leio sobre escandalos de famosos e outras besteiras comuns na mídia atual .
O fato é que, enquanto houver público, a imprensa que explora o sangue e as mazelas cinco estrelas hão de continuar alimentando-se das graças e das desgraças a quem interessar possa.
Um abraço

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 22/9/2007 19:40
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JulioCPerez
 

É claro que tem muita bobagem na tv, no jornal, nas revistas etc. Mas a gente tem que ser realista: nem a gente mesmo aguenta só coisa séria. Sabe por que o Jornal Nacional faz tanto sucesso? É só comparar com o jornal da Record, por exemplo. O jornal a Record é amplo e sério, mas ninguém aguenta aquela enfiada de notícia ruim uma atrás da outra. O Jornal Nacional tem um jornal mais intitucional e educativo também. Mostra coisas boas do Brasil, traz séries de reportagens e não só o batidão do dia a dia.
Não sou jornalista nem especialista no assunto. Mas a gente tem que ter cuidado com esse pregadores da verdadeira moral - é claro que não estou me referindo ao Llosa, pois o cara é uma sumidade - mas me refiro aqueles que compram barato conceitos alheios e saem aplicando por aí sem refletir um pouquinho na complexidade do ser humano. Não é por isso que o socialismo se tornou a merda que é e foi em países como Cuba e a antiga Urss?
Pensemos.... pensemos...
Afora isso, interessantíssimo o tema trazido à baila.
Parabéns pela matéria. Vou voltar a ler mais o Llosa.

JulioCPerez · Passo Fundo, RS 22/9/2007 20:02
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Mauro Paz
 

Concordo plenamente.
Impedir a mídia de colocar lixo no ar é complicado, até porque definir o que é lixo, pode ser complicado. a solução está em sabermos discernir a informação que estamos recebendo.

Sempre que vejo algum ataque à mídia considero covarde, porque a mídia é vitrine, você pode escolher o que quer.

Questiono-me por que o mesmo ataque não se volta para os pais e professores que não desenvolvem senso crítico nos seus filhos e alunos?

e por ai vai....

Bom artigo

Mauro Paz · São Paulo, SP 22/9/2007 20:10
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Bruna Célia
 

Obrigada, pessoal!

Lígia, o público que assite essa TV de hoje nunca vai mudar de canal. Infelizmente temos que ajudar e fazer nossa parte. Ensinar a população a ter discernimento diante do que assiste. Valeu!

Júlio, que continuemos com o assunto! A discussão é importantíssima para a análise crítica de tais situações que vivemos. Valeu!

Mauro, seu nome já diz "PAZ". Enquanto não acabar a guerra entre intelectuais, poderosos da mídia e pais, o problema continuará. Concordo que é a TV é vitrine, mas você imagina que é a maioria que a assiste? A grande população que não tem tempo para ler por que trabalha o dia todo; que não discute nada com a família; que, quando tá na escola, ou na universidade, odeia discutir... A população, em sua maioria, não tem o olhar crítico necessário para escolher o melhor produto da vitrine. Aí está o problema! E por aí vai... Valeu!

Bruna Célia · Goiânia, GO 22/9/2007 20:35
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carlos magno
 

Realmente a única maneira de combater essa imposição da mídia, é não dar atenção a esses tipos de programas que ela nos impõe. Os programas que eu mais assisto ultimamente é: esporte, jornal ou programas humurísticos. Eu acho essa é a única maneira de você não colaborar com eles. Meus sinceros aplusos pela sua matéria e
beijos, amiga Bruna.
Carlos Magno..

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2007 23:04
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carlos magno
 

Voltei para votar.
Carlos MAgno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2007 23:05
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Francinne Amarante
 

ótimo artigo, Cíntia.
beijão

Francinne Amarante · Brasília, DF 23/9/2007 07:49
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Francinne Amarante
 

ótimo artigo, Célia
beijão

Francinne Amarante · Brasília, DF 23/9/2007 07:50
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Francinne Amarante
 

releve Célia, releve, insonia é o O
me desculpe, querida
bj

Francinne Amarante · Brasília, DF 23/9/2007 07:53
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Bruna Célia
 

Tudo bem!!! abraços...

entendo esse lance de não dormir... apesar de não ter insônia!

Bruna Célia · Goiânia, GO 23/9/2007 10:47
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José Braga
 

Boa matéria! Realmente a mídia entorpece! Abraços!

José Braga · Brasília, DF 23/9/2007 15:24
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Juliaura
 

Olá Bruna,
Nova abordagem, velho tema, mesma dominação de classe.
Os meios, sob controle privado e sem controle social, embora concessão pública, servem aos que governam a ordem para reproduzir a ordem que lhes garantem a propiredade dos meios, mesmo os públicos.
Então, no lugar de opinião pública, tem opinião que se publica.
Claro está que os contrários ao socialismo devem apresentar alternativas concretas e com perspectivas universais, sob pena de afirmarem simplesmente o capitalismo.
Colaborativa é uma midia bem interessante, ainda assim está, essa nossa ao menos, ainda pendente de finaciamento, mesmo que de empresa pública.
Quanto à censura, entre a da ditadura, ou a que qualquer um advogue por motivo qualquer sou contrária a todas.
Não há meia gravidez, como não há meia liberdade.
E também sei que liberdade de imprensa é muitíssimo diferente do monopólio (ou oligopólio, como querem outros) da propriedade da midia, que prega e defende com garras malignas a liberdade de empresa na midia.
---
Aproveito para tentar furar o bloqueio da midia do jabá do disco e divulgo aqui a mostra do cedê independente de Porto Alegre.

Beijin.

Juliaura · Porto Alegre, RS 23/9/2007 18:39
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Acredito que mostrar que algo vai mal, vai errado e acaba se tornando prejudicial, seja algo de utilidade pública. Não acredito que a “imprensa séria” se rebaixa à imprensa marrom. As coisas não são tão perversas como se pensa. Acontece que não existe mais a imprensa séria e preocupada com o social. O sistema que rege praticamente todo o mundo é capitalista. Tudo por dinheiro ou nada feito. Então qual seria o problema em denunciar? Em punir? Em fazer calar? Foi só dar voz ao que não sabia o que falar é que o mundo virou o mundo que é. Censura. Censura.
____________________________________________________________-

Buna, meu bem, permita-me discordar. O mundo é o que é, não por uma falha na comunicação, mas porque é o que é. Já fui militante trotskista, e, se voltasse um dia a militar politicamente, o seria, de novo. Mas existem coisas a fazer na vida que superam o puro e simples engajamento político. Então eu, muito modestamente, sem querer mudar o mundo, busco envolver pessoas em algo extremamente pontual, nada messiânico, em que eu acredito. Por exemplo, acredito que a gente deva sempre buscar o que soma e não o que divide, mesmo sabendo que existem divisores. Eles que se manifestem!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 23/9/2007 20:33
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Jenny Horta
 

Parabéns pelo texto. Concordo que é muito ambiguo e complexo selecionar o que é lixo...Precisamos através da educação consciente levar os jovens a questionarem sobre o que a mídia apresenta. Muitas vezes, devoramos páginas de jornais, revistas, livros, consumimos notícias de telejornais altamente tendenciosos e nem nos damos conta de onde nos querem levar. Por isso o educador tem um papel fundamental: o de questionar, levar o aluno ao debate e a despertar seu senso crítico. Isso é exercício. Nem todo mundo sabe discordar ou avaliar, mas deve ser exercitado diariamente.

Jenny Horta · Niterói, RJ 24/9/2007 23:36
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