1. O vigia Juarez Dias Fonseca, 63, cumpre há vinte anos o que chama de ‘castigo’ com a chegada da Semana Santa. Sua tarefa é cuidar de um centro comercial localizado na Avenida Sete de Setembro durante todo o feriado. “Cheguei hoje (quinta-feira) e só vou sair no sábado pela manhã”, afirma. No sábado à tarde, ele volta ao centro comercial para sair somente na segunda-feira, quando o comércio abre novamente. Apesar de passar quatro dias consecutivos fora de casa, Juarez não se preocupa em preparar vestuário e alimentação para enfrentar a maratona. “Minhas filhas trazem roupas e comida para mim”, explica.
Quando questionado sobre o que faz durante todo este tempo, o vigia revela-se um homem pragmático e religioso. “Fico tomando conta dessas lojas”, diz. De acordo com ele, o único fato que altera sua rotina durante a vigília é a encenação da Via Sacra, que ocorre na Sexta-Feira da Paixão e passa em frente ao centro comercial onde trabalha. “Como sou católico, me preparo do jeito que deve ser: monto uma mesa com um crucifixo, um terço e faço minhas orações”. Juarez diz que o ponto localizado em frente à sua mesa é a terceira estação da Via Sacra, quando Cristo cai pela terceira vez.
Juarez retribui a visão privilegiada do evento guardando as tradições da Páscoa: ‘Acho muito ruim o fato das pessoas não cumprirem os rituais. Mas quem é católico ainda respeita as tradições”, afirma.
2. O corretor Natan Rodrigues, 20, passeava pela área interna da Catedral com sua mulher, a dona de casa Márcia Oliveira, 22, e a filha Nauana Oliveira, de 7 meses. De acordo com o rapaz, eles estavam aproveitando o feriado para tentar esquecer o stress do dia-a-dia: “Viemos aqui para amenizar a correria dos dias de semana”, diz. Márcia declara quem foi ela quem deu a idéia de ir à Catedral, pois tinha muita curiosidade de conhecer o lugar. A família mora no Mutirão e não costuma fazer passeios fora de seu bairro. “Como temos uma filha pequena, ainda dá muito trabalho andar de ônibus com ela”, justifica Natan.
3. A costureira Odenilda dos Santos, 38, assistia à apresentação de uma banda evangélica no entorno da Catedral. Ela aproveitava o feriado para fazer compras no Centro da cidade quando foi ‘capturada’ pelo som da banda Ministério de Louvor da Comunidade Athus: “Estava procurando alguns utensílios para a minha casa quando ouvi as músicas que eles tocavam. Achei as canções muito bonitas e parei para assistir ao show”, explica. A costureira, que freqüenta a Igreja Universal do bairro de Petropólis mas não tem nenhuma religião, diz que sempre passa por ali mas nunca havia visto a banda tocando. “Vou ficar até o fim da apresentação”, disse a costureira.
Gostei dos Instantâneos, Jorge.
Rascunhos urbanos escritos na perna que me parecem cine-documentários de um minuto... :))
Abraço!
Egeu, muito obrigado! Na verdade, esses instântaneos foram o que sobrou de uma matéria que fiz para um jornal impresso aqui de Manaus. Nessa ocasião, estava fazendo um teste para ingressar na redação e peguei várias histórias legais, mas essas, especificamente, não entraram por falta de espaço. Iria postar no meu blog, mas resolvei aderir à onda colaborativa do Overmundo. Logo logo coloco mais coisas por aqui. O objetivo foi mesmo funcionar como instântaneos, 3 x4 ou algo do tipo, rápido, curto e rasteiro. que bom que você captou a mensagem! E "escritos na perna foi ótimo!" Valeu!!!
Gostei do retrato dessas vidas comuns, e ainda ssim especiais.
Roberta Tum · Palmas, TO 17/3/2007 12:15
Muito legal o texto. Rápido e leve, sem deixar de ter transcendência. Daqueles que deixam um sabor algo nostálgico.
Abraço.
interessante... perfis passageiros, vultos, perdidos... entre tantos!
abraços!
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